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4.1   Evaluation Criteria

4.2.3   Operational Flexibility

Jonathan Adams, diretor da Thomson Reuters, comenta no periódico Nature (ADAMS, 2012) que uma mudança fundamental vem ocorrendo na geografia da Ciência. Redes de colaboração de pesquisa estão em expansão em todas as regiões do globo. Desde 1945, período do pós- guerra e da ascensão da Guerra Fria, as superpotências da ciência estabelecidas nos Estados Unidos e Europa têm dominado o mundo da investigação científica. No entanto, Adams aponta para a possibilidade de que estas nações não sejam mais o principal eixo da pesquisa nos próximos anos - em 2045, ou talvez, mesmo em 2020.

Novas redes regionais vêm se formando e mostrando a competência e a capacidade de fazer ciência das economias emergentes, alterando o estabilishment da atividade científica global. Isso pode revelar diferentes desafios e soluções ainda desconhecidos pelas instituições ocidentais. Se as superpotências da ciência não quiserem ser deixadas para trás, elas terão de sair de suas zonas de conforto para acompanhar o dinamismo de novos atores, em uma paisagem em mutação (ADAMS, 2012).

A colaboração tem sido um aspecto particularmente positivo da ciência, especialmente, por revelar mais rapidamente as novas práticas e tendências e por fornecer mais visibilidade às pesquisas realizadas no meio acadêmico. A transferência de conhecimento também se torna mais bem sucedida, quando há colaboração entre pesquisadores, instituições e regiões.

Quando a produção científica é escrita em coautoria, há uma tendência de que seus artigos sejam mais citados e eles acabam por funcionar como uma espécie de “atestado” da colaboração científica. Em geral, os cientistas não dão seus créditos - ou se associam para escrever artigos que não sejam de pesquisas confiáveis. Assim, pode-se assumir que uma coautoria reflete uma espécie de compromisso tangível dos pesquisadores envolvidos (ADAMS, 2012).

Atualmente, dados sobre publicações científicas estão facilmente disponíveis, cobrindo muitos países e campos de pesquisa com profundidade e consistência razoável adquiridas ao longo das décadas. As diversas indexadoras são uma boa fonte de pesquisa para o levantamento de dados e informações sobre Ciência em todo o planeta. Com base em informações colhidas nessas bases de dados, tem sido possível verificar algumas transformações nas pesquisas feitas por um único autor e naquelas desenvolvidas por equipes. Uma edição de Nature, em 2012, tem um número similar de artigos à de 60 anos atrás; no

entanto, ela tem pelo menos quatro vezes mais autores que as edições de seis décadas atrás (ADAMS, 2012, p. 336).

No início da década de 1980, artigos com mais de cem autores eram raros. Em 1990, o registro anual com esse número de autores ultrapassou 500 - e continuou crescendo. O primeiro trabalho com mil autores foi publicado em 2004 e um artigo com cerca de três mil autores veio a público, em 2008. Em 2011, um total de 120 artigos no campo da Física teve mais de mil autores e 44 tiveram mais de três mil (KING, 2012).32

Para esse crescimento no número de autorias, já há novas denominações como Multiauthor Papers (Artigos Multiautorais) e Hyperauthored Papers (Artigos Hiperautorais) e seu aumento pode ser exemplificado no Gráfico 7 que mostra os números de artigos indexados pela Thomson Reuters, entre 1998 e 2011, mostrando o número de trabalhos com mais de 50, 100, 200, 500, e mais de mil autores.

Gráfico 7. Artigos multiautorais, indexados pela Thonson Reuters. 1998 a 2011. Fonte: King, C. ScienceWatch 23, 1–2 (2012)

Acesso em http://archive.sciencewatch.com/newsletter/2012/201207/multiauthor_papers/(09/10/2013)

Do final dos anos 1990 ao início de 2000, as linhas são relativamente planas, ascendendo em meados da década e caindo um pouco, em 2006. Depois disso, a tendência tem sido de crescimento, com a linha de mais de 50 autores subindo abruptamente nos últimos anos. Em 2010, como mostra a figura, esta linha ultrapassou o limiar de mil artigos e continua a subir. Na verdade, todos os agrupamentos deste gráfico mostram um aumento notável a partir de 2010, sendo particularmente marcante a linha com mais de mil autores.

Mesmo havendo um fenômeno admirável – a cooperação entre os cientistas de diversas áreas - é importante destacar que parte do crescimento da multiautoria nem sempre se configura como uma colaboração no sentido estrito; ele pode vir de contribuições independentes aos esforços conjuntos, geralmente sob a forma de dados, que conforme Adams (2012) algumas vezes envolvem fraca interação intelectual. No entanto, essa crescente colaboração tem sido de fundamental importância para a formação de redes de conhecimento, cada vez mais integradas e aprofundadas em todo o planeta, conforme podemos observar na Figura 11 divulgada em Nature, que mostra o mapa mundial das redes de colaborações científicas entre os anos de 2005 e 2009.

Figura 11. As linhas brilhantes mostram as colaborações científicas. Fonte: Adams, 2012, Nature.

Adams (2012) mostra que todos os países europeus são coautores entre si. Entre o Reino Unido e Alemanha, a colaboração é relativamente intensa e representa muitas conexões individuais. Em 2011, os dois países tiveram cerca de dez mil publicações conjuntas em periódicos indexados na Thomson Reuters’ Web of Science(TRWS)33- o dobro do total em

2003 o que representa cerca de 10% da produção total de cada país. Segundo dados coletados na TRWS, atualmente 3-4% dos artigos dos Estados Unidos são em colaboração com a China (seu parceiro mais frequente, com 19.141 artigos, em 2011), com o Reino Unido (19.090) e

33Acesso em http://thomsonreuters.com/products_services/science/science_products/a-z/web_of_science/ Acesso em 22/11/2012.

com a Alemanha (16.753). Estes números praticamente dobraram na última década e representam a metade da produção total dos EUA. Até 1989, nenhum país havia compartilhado mais de mil trabalhos com qualquer parceiro.

A colaboração dos EUA com a Ásia vem crescendo rapidamente, assim como a colaboração entre os países da Europa Ocidental, e ao que tudo indica vai continuar (ADAMS, 2012). O rápido crescimento da China, desde 2000, está levando a uma colaboração mais estreita de pesquisas com o Japão (até quatro vezes, desde 1999); Taiwan (até oito vezes); Coreia do Sul (até dez vezes); Austrália (mais de dez vezes) e com todos os outros países da Ásia Oriental em que há pesquisa ativa (ADAMS, 2012).

A Índia tem uma crescente rede de pesquisa, com Japão, Coreia do Sul e Taiwan, embora não seja uma colaboradora tão frequente com a China. Entre Oriente Médio, Egito e Arábia Saudita há uma forte parceria em pesquisas que está atraindo vizinhos como Tunísia e Argélia. O total anual de artigos escritos em conjunto entre o Egito a e Arábia Saudita aumentou dez vezes na última década e vem crescendo. Menos de 5% desses artigos têm um coautor dos Estados Unidos, o maior parceiro dos dois países e de fora da região (ADAMS, 2012).

A América Latina tem uma rede de pesquisa emergente focada em torno do Brasil, que - apesar das diferenças linguísticas – dobrou a sua colaboração com a Argentina, Chile e México, desde 2008. Em contraste, a África tem três redes distintas: no sul da África, entre países de língua francesa na África Ocidental e entre países de língua inglesa na África Oriental. Esses aglomerados indicam que a proximidade física é apenas um dos vários fatores em redes. A Nigéria, por exemplo, colabora não com seus vizinhos na África Ocidental, mas com colinguistas na África Oriental. Isso reflete uma tendência mundial de abrir caminhos de menor resistência à parceria, ao invés de rotas que poderiam proporcionar outros ganhos estratégicos (ADAMS, 2012).

O crescimento da colaboração científica regional tem muitas implicações e uma delas é a amplificação das pesquisas nas economias emergentes. Pesquisadores na Ásia, por exemplo, não precisam de reconhecimento de autores europeus e dos EUA, se sua pesquisa está sendo citada e usada por parceiros em sua região. De acordo com Adams (2012), em curto prazo, estudantes reconhecerão as oportunidades atraentes mais perto de suas casas e com menos desafios culturais do que muitos campi europeus e norte-americanos têm oferecidos. Cingapura, por exemplo, já está colhendo os benefícios de uma mudança de política realizada

Estudantes da China, Índia e dos dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) constituíam, em 2012, cerca de 20% do total da Universidade de Cingapura. Os alunos desses países escolhem Cingapura por causa de sua proximidade e seu baixo custo de vida, em comparação com a Europa e os Estados Unidos, e pelas generosas bolsas oferecidas pelo governo. As oportunidades de trabalho são excelentes: detentores de bolsas de estudo assinam um contrato para trabalhar em Cingapura por um período fixo, depois da formatura, e o governo os ajuda a encontrar um trabalho que se encaixa em seu perfil profissional. Isso significa que as grandes economias ocidentais - parceiras tradicionalmente preferidas para a pesquisa - podem perder a primazia (ADAMS, 2012).

Adams (2012) defende a ideia de que os Estados Unidos e o Reino Unido precisam construir novas redes e “exportar” estudantes para os centros emergentes da Ciência, como a China e a Índia. Os pesquisadores não devem esperar que cientistas das novas potências venham até eles, e precisam visitar colaboradores para conhecer diferentes abordagens - e estar prontos para aprender, não apenas para ensinar. Em suma, os países da velha guarda da ciência devem deixar de lado as suas tendências aristocráticas, abrir canais de comunicação claros e fazer novas alianças, como participantes iguais, antes de virarem suplicantes (ADAMS, 2012). Todas essas mudanças evidenciam uma nova forma de fazer ciência, que envolve um grande número de pesquisadores, oriundos de diversas áreas de conhecimento e regiões do planeta. Esta forma mais integrada da Ciência, manifestada no crescimento do número de autores em artigos, tende a continuar com o compartilhamento de prioridades globais, como: saúde, energia, clima e as crescentes economias no planeta. O crescimento de artigos multiautorais reflete cada vez mais a complexidade dos projetos de pesquisa multi-investigativos e as benesses da cooperação entre os cientistas.

Mas abre também espaço para fraudes e práticas eticamente incorretas. Um estudo recente publicado na revista "Science" revela informações preocupantes sobre a China. As agências especializadas oferecem aos pesquisadores que eles façam artigos a partir de dados de sua escolha, que podem ser inventados ou aproveitados de outros cientistas, ou ainda encomendados de laboratórios que estejam dispostos a fazer experiências mediante contrapartida financeira. Isso faz com que pesquisas encomendadas tenham mais recursos do que as de pesquisadores independentes, o que torna temerário o envolvimento dos laboratórios e das universidades nesta espécie de tráfico de dados (HVISTENDAHL, 2013).