Nove professores formam o corpo docente do PCR no ano de 2012. Entre os nove professores, há graduados e pós-graduados em música, com curso técnico em instrumento ou canto. De maneira breve, de acordo com os cursos concluídos pelos professores, segue tabela descritiva.
18 Dois carros Kombi são disponibilizados para uso exclusivo do PCR, pela Superintendência Regional de Ensino.
Tabela 1 – Curso/formação dos professores do PCR
Década/anos Curso Número de professores (as)
1970 a 1980 Cursos Técnicos em:
Educação Artística - Magistério de 1 professor (a) 1º Grau (1ª a 6ª séries)
Educação Musical e em Piano 1 professor (a) 1980 a 1990 Licenciatura em Educação - Artística 2 professores (as)
Habilitação em música
1990 a 2000 Curso Técnico em violão 1 professor (a) Licenciatura em Artes - 1 professor (a) Habilitação em música
Pós-Graduação Lato Sensu - 1 professor (a) "Artes - Educação-Artística Aplicada".
2000 a 2010 Licenciatura em Artes - 2 professores (as) Habilitação em música
Licenciatura em Artes - 1 professor (a) Habilitação em Artes plásticas
Especialização Lato Sensu -
História da Arte 1 professor (a) E em Educação Musical 1 professor (a)
As especificidades, os tipos de instrumentos, e demais cursos, que fazem parte da formação dos professores não foram aqui mencionados. Os Cursos Técnicos foram realizados no CELF, as graduações na Unimontes, e as Especializações foram cursadas entre a Unimontes, Faculdades Santo Agostinho e Faculdade de Educação: Jaboticabal19.
A contratação dos professores é realizada pelo (a) diretor (a) do CELF. Segundo a coordenadora do PCR, existem alguns aspectos que são essenciais para ser professor do projeto: 1) Estar disponível; 2) Gostar de criança; 3) Ser dinâmico.
Coordenadora: primeira coisa: precisa ser disponível porque o projeto não tem hora, [...] trabalha sábado, trabalha domingo, trabalha de manhã, à noite, a hora que a escola precisar a gente vai. [Segundo aspecto] é fundamental que o professor goste de criança; quem não gosta de criança, não trabalha. [Terceiro aspecto] O professor tem que ser dinâmico, tem que ser alegre. [...] Então, tem que ser por aí, senão não é possível trabalhar. (Marize)
Sobre a formação dos professores, a coordenadora considera a formação em música importante, mas a habilidade musical faz a diferença na prática, e não precisa de um curso
19 As informações sobre os cursos de formações dos professores do PCR foram adquiridas no Setor de Pessoal do CELF em 2012.
para tê-la, cita como exemplo um professor20 do PCR. Fala também que há preparação e treinamento das aulas entre os próprios professores durante as reuniões semanais.
Coordenadora: formação, mas, às vezes, tem gente, por exemplo, que tem a formação e não tem habilidade. Às vezes tem pessoa que não tem formação e tem habilidade. André [professor do PCR], por exemplo, é da área de teatro e artes plásticas, mas ele, como professor na área musical, é muito bom. Ele entra no meio dos meninos. Ele nunca fez música, mas nas reuniões que a gente faz, a gente tem reunião semanal para fazer o planejamento e se preparar para (fala com ênfase) a aula, estudar, ele está se saindo muito bem. (Marize)
Como já mencionado, para atuação nas escolas, os professores do projeto se dividem em trio, e cada trio atende sete escolas. Segundo a coordenadora, os professores do projeto mantêm uma boa relação entre eles, e isso parece ser valorizado no contato com as crianças.
Coordenadora: os meninos são muito carentes, e eu não sei se é porque é música. Eles adoram música. “A tia da música chegou!”, e beija e abraça. Então, eu acho que isso é música. E também a gente tem um carinho com eles; conversamos, porque às vezes o professor que está ali dentro da sala de aula todo dia é difícil ter paciência; a gente não, a gente vai lá um dia, temos paciência com eles, abraçamos. Mas, o professor que convive todo dia, às vezes tem um dia que ele não está bem, então, a música é uma vez por semana. (Marize)
Marize revela que a educação musical com a criança requer a criação de laços afetivos entre o professor e a criança, oferecê-la carinho, atenção, e ouvi-la faz parte do trabalho. Essa relação parece permanecer mesmo depois que as crianças crescem. A coordenadora acredita que as experiências musicais propiciadas pelo projeto ficam para os alunos.
Pesquisadora: que tipo de vivências o projeto tem propiciado às crianças? Coordenadora: isso aí quem poderia responder são os alunos nossos que já estão grandes. Mas, outro dia mesmo eu encontrei com um rapaz que foi meu aluno na escola Eloy Pereira. Estava conversando com a mãe dele, e parece que hoje ele é químico, mora fora. Então, eu o encontrei e ele disse: “tia, eu tenho tanta saudade da sua aula! Aquilo me ajudou tanto! Às vezes, a hora em que eu estou com aquele stress, canto aquelas músicas que a senhora ensinava, aquelas músicas, um bom dia, a música de amigo”. Então, eu acho que essas coisas ficam na mente dos meninos. Tiram um pouco de stress deles, mesmo que cresçam, mas eu acho que aquilo fica. Esse tipo de aula, de brincadeira, fica para eles. (Marize)
20 O professor citado pela coordenadora é identificado na entrevista com um pseudônimo, para preservar o anonimato de identidade.
Na sua fala, Marize indica que o PCR pretende oferecer uma base musical para as crianças, algo que fique com elas, que tenha funcionalidade e sentido em suas vidas. Em síntese, o PCR surgiu da necessidade de desenvolver um trabalho educativo musical com as crianças. Nisso, os aspectos pedagógico-musicais que compõem o trabalho do PCR são direcionados à criança. E, a brincadeira é um recurso essencial utilizado pelo projeto, por viabilizar, segundo a coordenadora, o trabalho emocional, afetivo, e musical. A coordenadora ressalta a importância de se valorizar e acompanhar a criança no processo educativo. Indica em sua fala que a música requer tempo de estudo e preparo por parte do professor. Do mesmo modo, para que a criança seja compreendida em suas necessidades o professor precisa se preparar com conhecimentos pedagógicos e com a prática e na relação com ela. Diz que o trabalho do PCR nas escolas se efetiva com as parcerias, principalmente, na relação com o (a) professor (a) de classe, com vista ao atendimento à criança.
Figura 3 – Professores do PCR em atividade21
21 Acervo do PCR – Fotografias: disponíveis em CD.