Del II: Dei musikksentrerte sekvensane
4.2 Once Upon a Time in the West-musikksekvensen
Proposição - Os cursos a distância ofertados em Língua Portuguesa NÃO precisam ter uma versão do conteúdo completo em Libras para que os surdos profundos, pré-linguais, compreendam as informações por ele disponibilizadas. (Figura 1.1) Justificativa:Busarello(2011) eQuevedo(2013) identificaram em suas pesquisas que os surdos compreenderam os conteúdos propostos e avaliados em LP e Libras, contudo identificaram dificuldades de compreensão e segurança quanto aos enunciados das atividades em LP. Logo, sugeriram a inclusão de vídeos em Libras para os enunciados. JáMartins (2012) identificou a necessidade de uma versão em LS para atender às pessoas surdas.
Busarello (2011) propôs um conjunto de 10 diretrizes dividida em três categorias
(linguagem, navegação e atividades) para desenvolvimento de construção de narrativas em histórias em quadrinhos (HQ) em LP, voltadas para o aprendizado de pessoas surdas ou deficiência auditiva. Mesmo sendo oferecidas em LP, as narrativas da HQ foram compreendidas e eficazes para aprendizagem. Contudo, a partir da realização de grupo focal com 12 alunos surdos, identificou uma dificuldade na execução das atividades ao final das narrativas.
18 SHERA, J. Epistemologia social, semântica geral e biblioteconomia. Ciência da Informação, Brasília, v.
1.6. Hipóteses 51 Os participantes não encontraram níveis diferentes de dificuldade entre as atividades. Entretanto compreendem que para entender melhor o enunciado dos exercícios, o ideal seria a possibilidade de acessar um vídeo em LIBRAS, como comenta o Participante 3: “na folha junto, com Libras junto, ficaria melhor, mais fácil, no caso do exercício” (BUSARELLO,2011, p. 141).
Assim, Quevedo (2013), em sua pesquisa, contemplou este item nas HQs, gravando os exercícios em Libras. A autora apresentou um conjunto de recomendações para o desenvol- vimento de AVEAs inclusivos e compartilhamento de conhecimento entre surdos. Para isso, realizou um estudo com diferentes discursos narrativos em um ambiente virtual de ensino aprendizagem (AVEA) bilíngue com alunos surdos e ouvintes (grupo focal com 26 alunos surdos e Análise Crítica do Discurso para simulação de uma Comunidade de Prática, nos moldes da Teoria da Cognição Situada com 11 alunos surdos e 15 ouvintes). Os resultados mostraram que os alunos surdos compreenderam os conteúdos propostos e avaliados em LP (narrativas e HQs).
A hipótese deMartins (2012) “H1 – Os sites precisam ter uma versão em língua de sinais para os surdos conseguirem entender as informações por ele disponibilizadas.” foi validada em sua pesquisa. A resposta de todos os participantes demonstrou a importância pelos sites que tinham uma versão em Libras pois os surdos relataram que tinha dificuldades em entender palavras.
A partir destas pesquisas, propusemos a avaliar a comunicação e compreensão por alunos surdos, em um AVA com conteúdos em LP, pois a UFMG Virtual tem sua interface e conteúdos em LP.
Figura 1.1 – Hipótese 1 de pesquisa
1.6. Hipóteses 53
1.6.2 Hipótese 2
Proposição - A avaliação de comunicabilidade realizada por alunos surdos, acom- panhada de um especialista em EngSem, permite identificar se as rupturas de comunicação em interfaces de AVAs em LP estão relacionadas ao design da in- terface, ao conteúdo ou a restrições de conhecimento linguístico de sua L2 (LP).
(Figura 1.2)
Justificativa: A relevância de se avaliar esse aspecto pautou-se nas condições especiais necessárias para os alunos surdos, também na avaliação em um contexto de aprendizagem. A avaliação da interface de um sistema no domínio educacional envolve aspectos relacionados à interface (proposta pelo designer), assim como o conteúdo educacional (proposto pelo professor)
(PRATES, 2004).
Na perspectiva de interação dos surdos com um ambiente de aprendizagem, um aluno surdo pode encontrar dificuldades de interagir com o ambiente em função de uma baixa comunicabilidade do projeto do sistema com o usuário (ruptura de interface), do conteúdo ou design proposto pelo professor (ruptura de conteúdo) e ainda, em relação ao conhecimento da LP. O vocabulário em LP dos signos textuais (palavras e frases) presentes na interface podem ser causadores de rupturas de comunicação para os surdos. Em se tratando de usuários surdos, há que se avaliar tanto a qualidade da interação relacionadas às rupturas de interface, de conteúdo, assim como originadas de suas restrições linguísticas na LP (sua L2).
Uma restrição linguística no nível lexical (palavras) pode impedir ao surdo de interagir, por ele desconhecer o significado de determinadas palavras. A restrição linguística, no nível gramatical, tem relação com a estrutura das palavras. O surdo pode não compreender o sentido de uma frase. Ou seja, as rupturas podem ocorrer por uma questão que envolve a competência linguística do surdo em LP e não ao projeto da interface. Neste caso, um ouvinte poderá compreender os signos linguísticos em questão. Logo, a avaliação em um contexto educacional de EAD, com um público surdo, exige uma pesquisa mais profunda e atenção a fatores peculiares deste público. Nossa hipótese é que a avaliação realizada por alunos surdos acompanhada de um especialista em EngSem permite identificar essas variáveis no decorrer da interação.
Já foram realizadas avaliações de comunicabilidade com usuários surdos em ambientes educacionais (CAPELÃO et al.,2011b;CAPELÃO et al.,2011a) e em ambientes web (OLIVEIRA
et al., 2010; MONTEIRO; ALVES; DE SOUZA, 2013; ALVES, 2012; ALVES et al., 2012a;
ALVES et al., 2012b; ALVES et al., 2013a; ALVES et al., 2013b). Contudo, os métodos
utilizados não previam essas situações peculiares de usuários surdos interagindo em sua L2. Apresentamos detalhes sobre estas pesquisas no Capítulo 3 que trata da Teoria da Engenharia Semiótica, na seção 3.5 – Avaliação de Interface no Domínio Educacional.
Figura 1.2 – Hipótese 2 de pesquisa
1.6. Hipóteses 55
1.6.3 Hipótese 3
Proposição - As rupturas de comunicação ocorridas na interface da UFMG Virtual (Moodle) com alunos surdos profundos, pré-linguais estão relacionadas, em sua maioria, ao design da interface. (Figura 1.3)
Justificativa:
A UFMG Virtual, assim como o Moodle, caracteriza-se por ser um AVA com muitos recursos e funcionalidades. Conforme já destacado, as rupturas de comunicação são problemas que ocorrem durante a interação do usuário com o sistema, quando ele não compreende um determinado contexto comunicacional. Por exemplo, não encontra onde realizar uma determinada ação no sistema, não entende o significado de algum item presente no menu ou de algum ícone na interface. Estas rupturas podem dificultar, ou até mesmo, impossibilitar o uso do sistema. No contexto educacional, com alunos surdos, estas rupturas podem ter origem: (1) na interface do sistema, (2) no conteúdo ou design proposto pelo professor ou (3) em relação ao conhecimento da LP pelo aluno surdo.
Algumas pesquisas realizadas na interface do Moodle, com pessoas ouvintes e surdas, já identificaram problemas de comunicação relacionados ao design da interface com usuários
(CAPELÃO et al.,2011b;CAPELÃO et al.,2011a). Os resultados destas pesquisas identificaram
que grande parte das rupturas tiveram origem na interface do sistema, afetando tanto usuários ouvintes, quanto usuários surdos. Os autores inferiram ainda que a dificuldade de compreensão da LP pelos usuários surdos refletiram no tempo de execução da tarefa, pois demandaram mais do que o dobro do tempo dos ouvintes para concluir as tarefas.
Buscamos em nossa pesquisa, confirmar estes resultados relacionados às rupturas de comunicação durante a interação de usuários surdos, já encontradas em outras pesquisas.
Figura 1.3 – Hipótese 3 de pesquisa
1.7. Estrutura da pesquisa 57
1.7
Estrutura da pesquisa
Nossa pesquisa envolveu temáticas relacionadas a pessoas surdas, língua de sinais (LS), Libras, educação a distância (EaD), design, Interação Humano-Computador (IHC) e Engenharia Semiótica (EngSem). A fim de nos orientarmos por estes universos, buscamos os principais teóricos e pesquisadores nestas áreas.
A parte de fundamentação teórica de nossa pesquisa envolveu a revisão tradicional da literatura, uma revisão sistemática da literatura, na qual aplicamos a metodologia da Systematic Literature Review (SLR)19
proposta porKitchenham (2004).
A diferença entre uma revisão tradicional e a revisão sistemática se evidencia, especi- almente, na metodologia da SLR. A SLR segue uma metodologia e técnicas bem definidas, com passos devidamente documentados. Além disso, há um grande rigor no processo de busca que garantem a qualidade e confiabilidade dos resultados, tendo, portanto um grande valor científico. Logo, nossa fundamentação baseou-se nestas duas propostas de revisão.
A nossa revisão tradicional constituiu-se da literatura (em especial livros) de autores em destaque na área de EaD, aspectos relacionados a pessoas surdas, língua de sinais (LS), Libras, Interação Humano-Computador (IHC) e Engenharia Semiótica (EngSem) e seus respectivos estudos. Já as publicações (artigos, trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses, dentre outros) foram incluídas nos resultados da SLR.
A nossa pesquisa está organizada em sete capítulos. Esta estrutura pode ser consultada na parte inicial desta tese no sumário conceitual, que exibe uma versão da estrutura da tese em forma de mapas conceituais. Apresentamos o detalhamento da estrutura desta pesquisa, assim como uma visão geral de nosso embasamento teórico.
Neste capítulo de “Considerações Iniciais” apresentamos uma visão geral sobre a pesquisa destacando a introdução, motivação, o problema de pesquisa, os objetivos, a originalidade e relevância do tema, as hipóteses e uma visão geral da estrutura da tese.
A fundamentação teórica da nossa pesquisa foi organizada em dois capítulos: o capítulo 2 "O Universo dos Surdos"e o Capítulo 3 "O Universo da Engenharia Semiótica".
Logo, no capítulo 2, considerando a importância de conhecer o usuário especial deste sistema, o sujeito surdos e sua relação com a linguagem escrita, visual e espacial, partimos, inicialmente, em busca de quem é o sujeito surdo, suas particularidades, a cultura surda, processos vivenciados, facilidades e dificuldades vivenciadas no contexto social e educacional. Na área de linguagem e surdos, obtivemos este embasamento das relações dos surdos com a linguagem, Libras e LP (leitura e escrita), a importância da LS e da linguagem visual para os surdos, cultura surda, cenário atual da educação dos surdos (básica e superior). Para o capítulo que trata do Universo dos Surdos, a fundamentação se pautou nos estudos
de diversos autores que tratam de inclusão social (SASSAKI, 1999); identidade surda e o processo de formação das comunidades surdas (SKLIAR, 1999); pessoas surdas, linguagem e seus aspectos cognitivos (SACKS, 2010; BERNARDINO, 2000; FERNANDES, 1990), a aquisição da linguagem e inclusão social das pessoas surdas; educação de surdos e linguagem
(GOES, 1996; QUADROS, 1997; BOTELHO, 2005; LACERDA; GOES, 2000); língua de
sinais, Libras (FERREIRA-BRITO,1993; QUADROS, 1997; BERNARDINO, 2000; GESSER,
2009); leitura por adultos surdos (ALMEIDA, 2000); linguagem e cognição de crianças surdas numa perspectiva sociointeracionista, definições e conceitos (GOLDFELD, 2002); bilinguismo e pessoas surdas (SKLIAR, 1999).
No capítulo 3, tratamos da Engenharia Semiótica e Interação Humano-Computador. A nossa revisão da literatura considerou os estudos de IHC, design e avaliação de softwares, técnicas de design e avaliação para o desenvolvimento de tecnologias interativa, assim como questões cognitivas, sociais e afetivas que envolvem o design (PREECE; ROGERS; SHARP,
2005); sugestões e métodos para a melhoria da interface de portais web com foco em usabilidade e acessibilidade, design universal (DIAS, 2007); conceitos e diretrizes de usabilidade na web, considerando os aspectos de busca, navegação e arquitetura da informação, leitura e legibilidade, redação e outros aspectos também importantes no desenvolvimento de projetos para web
(NIELSEN,2007); conceitos de qualidade de uso de interface, principais conceitos e abordagens
teóricas da área de Interação Humano-Computador (IHC) (PRATES; BARBOSA, 2003); assim como atividades envolvidas no design e avaliação de interfaces, incluindo os princípios e diretrizes, o planejamentos e os métodos e técnicas utilizados (BARBOSA et al., 2010). Os principais conceitos da EngSem foram também apresentados (DE SOUZA, 2005; PRATES; BARBOSA,
2007; DE SOUZA; LEITÃO, 2009), assim como as principais características dos métodos
de avaliação de comunicabilidade da EngSem: Método de Avaliação da Comunicabilidade (MAC) (PRATES; DE SOUZA; BARBOSA,2000; DE SOUZA, 2005), Método de Inspeção Semiótica (MIS) (DE SOUZA et al., 2006; DE SOUZA; LEITÃO, 2009) e o Método de Inspeção Semiótica Intermediado - MISI (DE OLIVEIRA; LUZ; PRATES, 2008;DE OLIVEIRA,
2010). Em nossa pesquisa, utilizamos o Método de Inspeção Semiótica Intermediado - MISI
(DE OLIVEIRA; LUZ; PRATES, 2008; DE OLIVEIRA, 2010) que se baseia no Método de
Inspeção Semiótica (MIS), fundamentado na EngSem, e no Método de Explicitação de Discurso Subjacente (MEDS), fundamentado nas ciências humanas e sociais (NICOLACI-DA-COSTA;
LEITÃO; ROMÃO-DIAS, 2004). Logo, neste capítulo, apresentamos uma descrição detalhada
do MISI, e uma visão geral do MIS e do MEDS. Como nossa avaliação foi realizada em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), ao final do capítulo, apresentamos aspectos relevantes sobre a aplicação dos métodos de avaliação de comunicabilidade em contextos educacionais (PRATES; LEITÃO; FIGUEIREDO,2004;PRATES, 2004).
1.7. Estrutura da pesquisa 59
tura (Systematic Literature Review - SLR)20
. O objetivo da SLR foi identificar pesquisas já desenvolvidas, soluções já propostas voltados para EaD, design e pessoas surdas, que pudessem contribuir para nossa pesquisa. Com foco na parte tecnológica, buscamos soluções oferecidas através de tecnologias assistivas para surdos, pesquisas voltadas para melhor acessibilidade e comunicabilidade; e AVAs desenvolvidos para surdos. A partir desta contextualização, foi possível compreender as linhas de conexão entre a linguagem, os surdos e os outros campos do conhecimento acima apresentados. Fundamentados nos resultados desta SLR e suas contribui- ções, além de embasamento teórico dos principais autores nestas áreas, buscamos propor um conjunto de recomendações para serem aplicadas em cursos on-line para surdos. Neste capítulo da SLR, apresentamos as questões norteadoras, as estratégias da pesquisa, os passos para sua realização, análise e resultados encontrados.
No Capítulo 5, apresentamos o processo de aplicação do MISI no contexto da UFMG Virtual e da disciplina "Fundamentos de Libras on-line"com foco no uso por alunos surdos. Os resultados também foram apresentados e discutidos, neste capítulo.
No capítulo 6, apresentamos os resultados conclusivos de nossa pesquisa contendo o guia de recomendações e sua validação.
Por fim, no capítulo 7, as nossas considerações finais que incluíram a validação das hipóteses, os desafios e limitações da pesquisa, nossas contribuições e sugestões de trabalhos futuros.
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