Del I: Teoretisk grunnlag
2.5 Analyse, tolking og grafisk framstilling av filmmusikk
• Identificar as principais dificuldades ou barreiras de uso de interfaces ou AVAs em língua portuguesa para surdos;
• Identificar as classes/categorias de problemas de linguagem e de design instrucional de um curso on-line voltados para alunos surdos;
• Identificar os aspectos de interface que possibilitem uma clareza sintática (linguagem acessível) e clareza semântica (precisão e simplicidade) para compreensão dos usuários surdos;
• Identificar as principais rupturas 14
de comunicação na interface da UFMG Virtual e da disciplina de Fundamentos de Libras on-line;
14 As rupturas de comunicação são problemas que ocorrem durante a interação do usuário com o sistema.
O usuário não compreende um determinado contexto comunicacional. Por exemplo, não encontra onde realizar uma determinada ação no sistema, não entende o significado de algum item presente menu ou de algum ícone na interface. Elas podem dificultar, ou até mesmo, impossibilitar o uso do sistema.
• Propor melhorias na interface da disciplina de Fundamentos de Libras on-line de forma a atender as recomendações possibilitando uma melhor comunicabilidade em Língua Portuguesa para surdos e, consequentemente, ouvintes.
1.5
Originalidade e relevância do tema
A nossa pesquisa relaciona-se a uma temática na linha de Linguagem e Tecnologia, abrindo possibilidades de identificação de problemas de comunicação para pessoas surdas, em um contexto da EaD, pautado na análise de soluções fundamentadas na IHC e EngSem. Destacamos a relevância da temática interdisciplinar da nossa pesquisa, como também sua inovação, viabilidade e exequibilidade relacionados aos aspectos de educação, linguística e computação.
A originalidade de nossa pesquisa confirmou-se através da constatação da existência de poucos trabalhos desenvolvidos na área de acessibilidade na EaD para surdos, com foco em uma melhor comunicabilidade para surdos no ensino superior através de uma interface em LP
(CAPELÃO et al., 2011b; CAPELÃO et al.,2011a).
Cientes das diferenças linguísticas das pessoas surdas relacionadas a Libras e LP, consideramos importante repensar as soluções já propostas e propor recomendações que, na perspectiva comunicacional, não dependam da produção de vídeos em Libras pelos professores e também não dependam de avançada competência linguística dos surdos em LP ou Libras. Dessa forma, nossa proposta foi avaliar a comunicabilidade em uma experiência de uso da disciplina de Fundamentos de Libras on-line, na UFMG Virtual (Moodle)15
, sob a perspectiva de alunos surdos.
A disciplina de Fundamentos de Libras on-line, ofertada na Faculdade de Letras da UFMG, vem atender a exigência legal doDecreto 5626/2005, na formação de profissionais e professores no atendimento de pessoas surdas (BERNARDINO et al., 2014). A oferta desta disciplina em larga escala oferece desafios, dentre eles o seu gerenciamento (que não será tratado nesta pesquisa) e o atendimento a um perfil diverso de alunos, de vários cursos e em grande número. Além dos desafios da implantação de cursos a distância em larga escala, ainda temos os desafios de pesquisa:
A busca por um equilíbrio entre demandas conflitantes de escopo, tempo, custo e qualidade torna o oferecimento de Cursos de Graduação na modali- dade EaD para pessoas surdas e com necessidades especiais não apenas um desafio gerencial, mas também um tema de pesquisa relevante diante da constante obsolescência dos recursos tecnológicos e da incorporação contínua de novas soluções, como a realidade aumentada e a inteligência artificial.
(AMORIM; SILVA, 2009, p. 357)
15 A UFMG Virtual é um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Computação Científica (LCC) da UFMG
para instalação e customização da plataforma Moodle, atendendo às necessidades da comunidade acadêmica da universidade.
1.5. Originalidade e relevância do tema 47
A avaliação da interface desta disciplina, por alunos surdos, pautada na teoria da EngSem, pode trazer contribuições diretas para a disciplina em termos de uma melhor qualidade de uso de sua interface, de comunicabilidade, usabilidade e acessibilidade. Essas contribuições podem ser estendidas a qualquer público surdo e ouvinte, pois estão pautadas em uma interface em LP. Além disso, nos permitirá atender uma demanda de pesquisa na área de surdez e EaD e, com isso, identificar necessidades de comunicação dos surdos. Com isso, buscamos em nossa pesquisa investigar as possibilidades de interação dos surdos com a LP de várias formas, no contexto específico da aprendizagem no ensino superior, usando como cenário esta disciplina de Fundamentos de Libras.
As aulas da disciplina "Fundamentos de Libras on-line” são disponibilizadas na UFMG Virtual (Moodle) e atende em média 1100 alunos por semestre. As tarefas propostas também devem ser desenvolvidas e entregues através do ambiente, disponível no portal Minha UFMG. Com isso, os aspectos da qualidade do sistema são extremamente relevantes de forma que se possibilite o acesso ao conteúdo, o uso do ambiente de forma eficiente e eficaz e que a comunicação seja feita de maneira efetiva a fim de possibilitar uma melhor aprendizagem.
A UFMG Virtual (Moodle) está customizada para atender nossas necessidades acadê- micas da instituição e tem como foco o público ouvinte, ou seja, está implementada em Língua Portuguesa. No entanto, na UFMG Virtual, ainda não foram ofertados recursos ou estratégias que possibilitassem uma melhor acessibilidade, usabilidade ou comunicabilidade focada no público surdo. Logo, nosso foco é uma contribuição que possa ser mais facilmente adaptada a realidade de cada curso ou disciplina ofertada inicialmente na UFMG Virtual (Moodle), podendo ser expandida para outros AVAs.
A relevância se sobressaiu na necessidade de integração de alunos surdos no ensino superior com reais condições de acessibilidade e comunicabilidade, podendo ser viabilizada através de formação e informação para os profissionais que atuam diretamente com os surdos, em especial, os professores. Quevedo (2013) apresentou seus questionamentos em relação a inclusão de pessoas com necessidades especiais em cursos a distância:
A necessidade de uma perspectiva para o ensino de pessoas com diferenças sensoriais faz pensar que os cursos a distância requerem uma nova dimensão, a dimensão da inclusão. Como garantir o acesso a um público com diferenças sensoriais? Como deve se apresentar um ambiente virtual que pretenda inserir esse perfil de aluno, promovendo sua inclusão, autonomia e pensamento crítico? Como incluir diversos perfis em um mesmo AVA e geri-lo a partir de diferentes narrativas, considerando-se as escolhas de seu usuário? Quanto mais perguntas, mais respostas. Se para pessoas com todos os sentidos íntegros existem diferenças econômicas e sociais que provocam barreiras de acesso ao mundo digital, não obstante os diferentes graus de sofisticação de aplicativos e ferramentas, a questão se torna mais complexa para quem a falta de um sentido pode comprometer a qualidade de vida, pois produzidos por integrantes de uma sociedade hegemônica os ambientes virtuais de aprendizagem têm também forte potencial de exclusão (QUEVEDO,2013, p. 36).
Os fatores que possibilitam tal inclusão dos alunos surdos perpassam também pelas relações humanas estabelecidas neste espaço on-line, assim como no espaço real (presencial), considerando também a interação possibilitada no contexto social e político.
A história dos surdos no contexto social, político e educacional demonstra um desconhe- cimento das reais capacidades do sujeito surdo, levando-o a ser considerado, por muitos anos, como doente, deficiente mental, incapaz de se comunicar ou aprender. Conforme já citado, o reconhecimento da Libras, como língua oficial da comunidade surda brasileira, somente ocorreu em 2002 (através da Lei 10.436/2002).
A partir deste novo cenário, vivenciamos uma mudança na perspectiva dos surdos, sua cultura e utilização de sua língua natural para comunicação. Junto a isso, outras ações vem sendo implementadas de forma a possibilitar uma melhor integração dos surdos no espaço educacional. Uma ação é evidenciada através do Decreto 5626/200516. Este decreto traz regulamentações para a inclusão da Libras como disciplinar curricular, formação do professor de Libras e do instrutor de Libras, do uso e da difusão da Libras e da LP para o acesso à educação e saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Destacamos também o papel do poder público e das empresas que detém concessão e permissão de serviços públicos, no apoio ao uso e difusão da Libras, da formação do tradutor e intérprete de Libras e LP, da garantia do direito das pessoas surdas à educação. Em relação à formação de professores, este decreto estipula a obrigatoriedade da oferta da disciplina de Libras nos cursos de formação de professores para magistério superior e nos cursos de Fonoaudiologia e como disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação superior e na educação profissional. Essa ação resulta, tanto no reconhecimento da diferença linguística dos surdos, quanto na necessidade de formação de professores e outros profissionais, para atenderem as pessoas surdas, de acordo com suas reais necessidades e capacidades, em espaços educacionais e sociais. Logo, destaca-se a relevância da disciplina.
Ressaltamos também a legislação da Educação Superior a Distância17que prevê a oferta de disciplinas na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, na modalidade semi-presencial, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20% da carga horária total do curso. Com isso, consideramos que a proposta de nossa pesquisa pode trazer contribuições para atender essa oferta de disciplinas, prevista em lei.
Os aspectos relacionados ao tema “Design para todos” tem sido objeto de pesquisa da área de Interação Humano-Computador (IHC). A Sociedade Brasileira de Computação (SBC), em seu documento “Grandes Desafios da Pesquisa em computação no Brasil – 2006-2016”, preconiza como um dos desafios “Acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao conhecimento” (item 4) (SBC,2006). E ainda destaca que os novos tipos de interação oferecidos
16 DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de
2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras
17 Portaria no.4.059, de 10 de dezembro de 2004, considerando o disposto no art. 81 da Lei no 9.394, de 20
1.5. Originalidade e relevância do tema 49
pela disponibilidade das redes de comunicação não são “sinônimo de facilidade de uso e acesso universal", configurando-se como um grande desafio destacado no próprio texto do documento (SBC, 2006, p. 18).
Concordamos em se tratar de um grande desafio, em especial, considerando o contexto dos surdos, em que se exige competências multidisciplinares, conhecimento da cultura surda, particularidades de comunicação e necessidades a fim de promover um “acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao conhecimento”. Por isso, buscamos soluções e contribuições pautadas em estudos recentes desenvolvidos na área de EngSem, uma teoria de IHC.
A originalidade e relevância se evidenciam na aplicação do Método de Inspeção Semiótica Intermediado (MISI), criado recentemente, em 2010 (OLIVEIRA et al., 2010). Buscamos sua validação num ambiente educacional, com um novo perfil de usuários especiais: usuários surdos. O MISI foi desenvolvido e aperfeiçoado, em 2008, por pesquisadores brasileiros da UFMG
(OLIVEIRA et al., 2010) com objetivo de entender a comunicação entre o designer e o usuário,
mediados pelo sistema, num contexto novo de avaliação de um sistema educacional por um usuário indireto. Ele tem como base o Método de Inspeção Semiótica (MIS) utilizado para avaliação de sistemas por especialistas, na perspectiva dos usuários.
A necessidade de acompanhamento e diálogo com os alunos surdos durante a avaliação de comunicabilidade foi uma necessidade que se evidenciou em algumas pesquisas (ALVES,
2012;ALVES et al.,2013a;ALVES et al.,2013b;CAPELÃO et al.,2011a). Como a proposta do
método aplicado não permitia a intervenção dos pesquisadores, os autores relataram situações em que os surdos sentiram necessidade de tirar dúvidas de contexto linguístico, diante de suas dificuldades com a LP e não podiam fazê-lo. Através do MISI, torna-se possível avaliar a interface sob a ótica da EngSem, tendo a participação dos usuários, alunos surdos, resultando numa intermediação positiva e, supostamente, fundamental para os surdos e avaliadores, a fim de minimizar os vieses da pesquisa.
Resultou, também, a contribuição de nossa pesquisa, ao ampliar para um público de alunos diferenciados, “questão da identificação dos excluídos informacionais, dos problemas de acesso às fontes e sistemas de informação, da denúncia das desigualdades em termos de acesso e uso” (ARAÚJO, 2008). Os surdos se configuram como um grupo linguístico minoritário e compõem “uma parcela de trabalhadores, produtores e consumidores de bens e serviços”. Esse grupo, por suas características especiais, também necessita de uma atenção particular em termos de acesso à informação, com ambientes adequados “para atender suas necessidades de bens e serviços” (CORRADI,2007, p. 2302).
A informação é uma das necessidades essenciais para o ser humano, sendo considerada como quinto fator imprescindível à sobrevivência física. John Rader Platt, em 1959, acrescentou “às tradicionais necessidades do homem (ar, água, alimentação e abrigo), um quinto fator essencial à sobrevivência física, que é a necessidade de informação (...)” para a construção
do conhecimento (SHERA, 197718
citado por GARCEZ; RADOS, 2012). Nos últimos anos, sua importância cresceu de maneira exponencial e tomou uma grande dimensão no espaço digital. Diante das possibilidades no processo educacional pela EaD, o uso da linguagem visual evidenciada em palavras, imagens, vídeos, apresenta-se como uma possível contribuição para o acesso dos surdos ao ensino superior.
1.6
Hipóteses
Assim como proposto porCapelão(2005), as hipóteses desta pesquisa foram elaboradas conforme modelo de formulação proposto porAckoff(1967) e a forma de apresentação sugerida
por Pongelupe (2004). Para cada hipótese, têm-se duas vias de ação alternativas em forma de
decisão, às quais se acrescentam as possíveis consequências derivadas dos enganos possíveis – “consequências do erro” – que ocorrerão ao se decidir por uma via de ação errada. Segundo
Ackoff(1967), “a formulação das possíveis consequências habilita-nos a compreender a natureza
dos enganos e fornece base para determinar quão sérios são eles.”
Estas hipóteses foram fundamentadas a partir do nosso problema de pesquisa e objetivos, de pesquisas realizadas na área de design e educação para pessoas surdas, assim como resultados obtidos nestas pesquisas.