2 Internasjonale erfaringer
2.1 Omtale av svensk utredning SOU 2009:74
Inequivocamente, identifica-se a importância do IBBD para conceber a inserção da Ciência da Informação no Brasil. Para se desenvolver, o IBBD se estabeleceu em uma frente de diálogo um tanto quanto polêmica. De um lado, o diálogo efetivo com a Biblioteconomia e a Documentação e de outro, um diálogo com profissionais que atuam na área de tecnologias, como engenharias, informática, Computação, entre outras.
Esses diálogos aparentemente foram muito profícuos para a Biblioteconomia e a Documentação, pois as bibliotecas começaram a se fazer mais presentes nos diversos segmentos da sociedade (universidades, cidades, etc.), o que conseqüentemente fortaleceu o mercado profissional. Esse diálogo também profícuo para os profissionais de outras áreas, pois começaram a inserir em suas áreas, noções de trabalho com a informação científica e tecnológica. Obviamente que esse diálogo auxiliou no limiar da construção de uma atividade de informação científica e tecnológica no Brasil.
De 1954 até meados da década de 1960, os cursos oferecidos pelo IBBD promoveram grande aprendizado para os profissionais envolvidos, o que auxiliou no desenvolvimento de uma nova prática documental no Brasil. Como afirma Oddone (2005, p. 7) “De certa forma, o IBBD procedeu de maneira semelhante durante os seus primeiros dez anos de existência: fabricando seus instrumentos, seus conceitos, suas regras, suas práticas, seus discursos‖.
A Biblioteconomia e a Documentação desenvolvida pelo IBBD nas décadas de 1950/60 apresentaram uma ruptura com as antigas práticas. Entretanto, a onda da Ciência da Informação ganhou amplo destaque pelo mundo na década de 1960 incutindo o discurso de uma prática informacional científica.47
Outrossim, é perceptível uma nova onda de ruptura nas práticas informacionais brasileiras quando Lydia Sambaquy foi obrigada a deixar a direção do IBBD no final de 1965, por força da pressão de que vinha sendo alvo depois da cassação dos direitos políticos de seu marido, Julio de Furquim Sambaquy.
O projeto do IBBD prosseguiu, sob as mãos de outras bibliotecárias. Celia Ribeiro Zaher e Hagar Espanha Gomes, ex-companheiras, deram ao IBBD os novos e promissores rumos de uma Ciência da Informação. (ODDONE, 2004). É no período de 1966 a 1970 que o
47 Biblioteconomia e Documentação no Brasil apresentaram uma relação harmônica diferente daquilo que estava
sendo praticado no mundo onde verificava-se uma cisão entre as duas disciplinas. Em nível global, a Documentação vislumbrava-se como uma nova disciplina para resolver problemas de informação mais ampla do que a Biblioteconomia.
IBBD se articula para tentar dar uma guinada em suas atividades de informação científica e tecnológica, o que, por conseguinte, vai levar a inserção da Ciência da Informação no Brasil.
Lemos (1986, p. 108) argumenta sobre dois fatores marcantes que conceberam os procedimentos para uma nova política de informação científica e tecnológica no Brasil. O primeiro fator está atrelado as mudanças ocorridas no IBBD:
A primeira manifestação de setores ligados ao regime militar com relação à informação científica e tecnológica vamos encontrar nas recomendações de um seminário sobre educação e segurança nacional, realizado em 1966. Nessa reunião, que procurava explorar as vantagens de uma associação mais estreita entre setores da sociedade civil e as instituições militares, particularmente no campo da educação e do civismo, participaram representantes de vários órgãos de governo e o então diretor do IBBD. A comissão desse seminário que estudou o tema relativo à criação de "um órgão nacional de coleta de dados e informações de natureza cultural", baseada na premissa de que a segurança nacional é decorrência do progresso científico e cultural e, conseqüentemente, problema de todos aqueles que atuam nos domínios da cultura", recomendou a criação de uma "rede nacional de informações científicas". O órgão central dessa rede seria o IBBD, com seu nome mudado para Instituto Brasileiro de Documentação e Informação, e que, entre outras atribuições, deveria estar voltado para a mais intensiva utilização de métodos computadorizados no armazenamento e recuperação de informações.
Alguns pontos merecem ser destacados na fala do autor. O primeiro está em torno da
mudança política no Brasil, pois em 1964 instaurou-se o Governo Militar. O objetivo do Governo era intensificar as relações entre a sociedade civil e as instituições militares no contexto da educação, cultura e das questões civis.
O segundo ponto é a mudança do nome de Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação para Instituto Brasileiro de Bibliografia, Documentação e Informação. O regime militar acreditava que a imposição de uma segurança nacional estava diretamente atrelada ao desenvolvimento científico, tecnológico e cultural e a informação seria um relevante instrumento para unir ciência/tecnologia e a segurança nacional.
O terceiro ponto é conseqüência do segundo, uma vez que exige do IBBD para uma nova adequação científica e tecnológica no contexto da documentação e da informação, o uso de métodos computadorizados no armazenamento e recuperação de informações. Essa medida definitivamente arregimenta esforços para a chegada da Ciência da Informação no Brasil.
O segundo fator refere-se a criação de uma rede nacional de informação tecnológica, conforme destacado por Lemos (1986, p. 109):
O Ministério da Indústria e do Comércio, que criara, em 1968, um exemplar Centro de Informação Tecnológica, sugere ao governo a criação de uma rede nacional de informação tecnológica. Segundo documento de autoria da fundadora desse centro, foi essa sugestão que levou o governo a incluir em seu Programa de Metas e Bases
para a Ação do Governo para 1970-1973 a de ser implantado um sistema de informações sobre ciência e tecnologia, que trataria de integrar os esforços realizados isoladamente por diferentes instâncias governamentais. Isso era considerado como um meio de aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico.
A criação dessa rede nacional de informação tecnológica tinha como finalidade intensificar as relações entre o regime militar e as ações informacionais, educativas, culturais, científicas e tecnológicas do Brasil, bem como presumia a constituição de um novo Programa de Metas Bases que primasse pela interação entre os órgãos do governo e pelo desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro.
Ainda vale destacar a questão política, pois o centro de informação tecnológica não se caracterizava como global, mas atendia as exigências do governo militar que se impunha pelas suas origens marcadamente favoráveis a um capitalismo regulado pelo 'livre jogo das leis do mercado' e por ter derrubado um governo constitucional que elaborara um plano trienal para 1963-1965. (LEMOS, 1986).
Notifica-se que as ações do IBBD não estão relacionadas apenas a questões técnicas e científicas, mas principalmente a condições políticas nacionais e globais que pautaram os rumos do IBBD e condicionaram a inserção da Ciência da Informação no Brasil como uma área que promovesse um novo rumo voltado para as atividades de informação científica e tecnológica.
Entende-se também que outros órgãos foram fundamentais para o desenvolvimento da Ciência da Informação brasileira. Por isso, antes de adentrar diretamente na Pós-Graduação, faz-se necessário discutir sobre a ANCIB e o ENANCIB e suas perspectivas de cunho institucional, social, acadêmico e científico.
4.3 A ANCIB E O ENANCIB: elementos de construção da identidade científico-social das