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A investigação é uma prática cada vez mais recorrente, não é, por isso, exclusiva de académicos e investigadores. Investigar, ultrapassa até os limites da atividade profissional e entra no nosso dia-a-dia como uma inevitabilidade (quantas vezes não investigamos o mercado tecnológico para escolhermos um telemóvel, por exemplo). Metaforicamente falando, tanto no
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campo académico como no pessoal, percorrem-se passos idênticos. Há uma questão inicial, prossegue-se para a recolha de dados para analisar e só depois conseguimos chegar a uma conclusão.
A nossa questão de partida para este estudo empírico é a seguinte:
De que modo a SIC noticiou a Noite Branca na fase do julgamento deste processo? O nosso ponto de partida foi a pesquisa e análise de bibliografia em suporte tradicional (livros e artigos científicos) de modo a construir uma reflexão sustentada. Recorremos também a pesquisas na internet e tivemos que recorrer ao sistema de arquivo da SIC Televisão para revermos as peças que analisámos, uma vez que estas remontam a 2009 e 2013 e, por esse mesmo motivo, já não se encontram disponíveis em plataformas online. Este período prende-se com o facto de as reportagens terem como tema o julgamento da morte do Ilídio Correia, e coincidir, já na parte da leitura do acórdão, com o período do meu estágio na SIC, e também do julgamento da morte de Aurélio Palha.
Em relação aos métodos de investigação, Quivy e Campenhoudt sublinham que “não existe um método ideal que seja, em si mesmo, superior a todos os outros” (Quivy & Campenhoudt, 1992: 231). No nosso caso, o método que nos pareceu mais adequado para a realização do estudo de caso foi a análise de conteúdo, que nos forneceu as ferramentas de que precisávamos para interpretarmos as peças jornalísticas realizadas pelos jornalistas da SIC. Uma análise de conteúdo é um conjunto de procedimentos cujo objetivo é analisar um conjunto de dados de modo a chegar a uma conclusão sobre os mesmos (Quivy & Campenhoudt, 1992).
No fundo, quando falamos de análise de conteúdo, falamos de determinar conteúdo informativo recorrendo a uma análise sistemática, objetiva e quantitativa. Este processo tem vindo a conquistar um lugar cada vez mais preponderante na investigação, uma vez que possibilita o tratamento de dados de forma metódica, mesmo que estes tenham um elevado grau de complexidade, que, segundo os autores, “permite, quando incide sobre material rico e penetrante, satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis” (Quivy & Campenhoudt, 1992: 225).
Podemos estabelecer, no que toca à análise de conteúdo, duas grandes categorias: os métodos quantitativos e os qualitativos. Os primeiros, que visam a análise de um grande conjunto de dados, têm como base a frequência relativa a características do conteúdo – é nesta categoria
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que se insere a análise das peças da SIC. A segunda categoria visa a análise de uma pequena quantidade de informação complexa, tendo como base a presença ou ausência de uma característica (Quivy & Campenhoudt, 1992). Apesar de haver estas duas grandes categorias, temos de realçar que nem sempre é possível distinguir totalmente as suas características. Sendo a análise de conteúdo um instrumento tipicamente quantitativo, a nossa investigação parte de um conjunto de escolhas subjetivas (qualitativas) que procuram ilustrar uma situação “exemplar”.
O tema em redor das peças jornalísticas que nos propusemos a analisar é o julgamento. Contudo, a análise criou a necessidade de dividir as reportagens por outras variáveis. Em cada peça vamos identificar a data em que a mesma entrou no alinhamento, é importante para tentarmos perceber em que período específico decorreram as sessões de julgamento e a sua morosidade. De seguida vamos referir o tempo de duração da peça jornalística, analisar que tempo foi dispensado para a fase do julgamento nos noticiários em que o caso Noite Branca fazia parte do alinhamento. A terceira incide sobre o foco da reportagem, falámos do julgamento mas dentro dessa temática vamos identificar o que aborda concretamente a peça. O campo de aplicação da análise de conteúdo é extremamente vasto, podendo ser utilizado para avaliar vários tipos de discurso, sejam textos literários, relatórios de entrevistas ou mensagens não verbais, etc. (Quivy & Campenhoudt, 1992: 227). Este método é vantajoso, uma vez que obriga a que o «investigador mantenha uma certa distância em relação a interpretações espontâneas» (Quivy & Campenhoudt, 1992: 228). Posteriormente, e como não poderíamos deixar de referenciar, vamo-nos debruçar sobre as fontes, quem foram, quando falaram e o que disseram. Terminámos esta análise com a identificação do jornalista, a nosso ver uma parte importante na realização das peças jornalísticas e na forma como são enquadradas.
Esta análise através de variáveis – uma ferramenta típica da análise de conteúdo – permite-nos encontrar uma unidade de medida para estandardizar o material recolhido.
Uma das razões por que optámos pela análise de conteúdo foi o facto de estarmos a falar de um julgamento. Normalmente, e como tivemos a oportunidade de concluir na nossa parte teórica, os julgamentos em Portugal demoram. São processos ainda lentos. Nesse sentido estamos a falar de uma investigação que demorou cerca de dois anos. A forma mais completa e fidedigna do estudo foi precisamente analisar as peças referentes a esse caso, o Caso Noite Branca de forma a também nós acompanharmos o processo e o seu desenvolvimento assim como o seu desfecho.
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Ainda assim, segundo Quivy e Campenhoudt (1992), esta técnica é cada vez mais utilizada na investigação social por conseguir aliar o melhor da metodologia, ou, se quisermos, o melhor do conhecimento quantitativo à complexidade das mensagens informativas (sejam elas quais forem e de que forma forem) mais ricas.
Quivy e Campenhoudt, no Manual de Investigação em Ciências Sociais, publicado em Portugal em 1992, abordam o tema da representatividade. Trata-se de uma obra de referência, muito citada em estudos académicos, onde os autores defendem a aplicação da amostra representativa em dois casos:
- Quando a população é muito volumosa e é preciso recolher muitos dados para cada indivíduo ou unidade;
- Quando, sobre os aspetos que interessam ao investigador, é importante recolher uma imagem globalmente conforme à que seria obtida interrogando o conjunto da população;
Ou seja, a aplicação da amostra é utilizada quando se põe um problema de representatividade (Quivy & Campenhoudt, 1992: 163).
A nossa amostra é limitada, mas é, na nossa opinião, representativa, no sentido em que nos permite recolher e tratar todos os dados necessários ao nosso estudo e obter um retrato significativo sobre a questão de partida para a investigação. Contudo falámos de uma amostra que não deve ser generalizada a todo a mediatização do Caso Noite Branca.
Passamos, então, à parte prática deste trabalho.