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Omitted-variable bias

Manuela e Nicolas: Eles tiveram a filha Ângela sem programação, quando ainda estavam cursando a faculdade, namorando e morando com os pais. Necessitaram de muita ajuda da família nesta fase. Já com o segundo filho, Gabriel, oito anos de diferença da primeira filha, foi planejado, num contexto onde já estavam casados, empregados e com boa situação financeira. Na sua primeira gestação, Manuela tentou parto normal, chegou a induzir o parto, que não progrediu e evoluiu para cesárea. Já no parto do Gabriel, ela já programou cesárea direto. Ela amamentou o Gabriel com aleitamento materno exclusivo até os seis meses durante sua licença maternidade, o que foi muito penoso para ela, que tinha o desejo de retornar ao trabalho. Eles levavam os filhos em um pediatra homeopata, que orientou muito sobre cada vacina, composição, doença que previne, o porquê etc. Baseadas na confiança e recomendações do pediatra, eles foram dando as vacinas para o Gabriel. Eles não deram a segunda dose da vacina de rotavírus, pois o filho apresentou reação adversa, com alteração do hábito intestinal, apetite e sono após a primeira dose. Atrasaram as vacinas de rotina quando o filho estiva “doentinho”, não deram a da hepatite B, pois o pediatra não recomendou dá-la com menos de um ano e optaram por não dar a vacina da gripe, por insegurança com as vacinas “novas”. As vacinas foram dadas no serviço público, pois o pediatra disse-lhes que era de ótima qualidade e seguro, não havendo necessidade de gastar dinheiro em uma clínica privada.

Isabel e Marcelo: Eles estavam casados há uns dois anos e meio quando tiveram a vontade de ter filhos. Tiveram o primeiro filho, Luiz, e por uma vontade e pressão maior da Isabel, um ano e meio após tiveram a Janaína. A Isabel sempre quis ter parto normal, porém o parto do Luiz foi cesárea. Após essa experiência, na segunda gravidez ela buscou um obstetra com prática em parto humanizado, tendo concretizado um parto normal como desejava. Isabel amamentou os dois filhos e assumiu todos os aspectos relacionados à saúde das crianças, pois Marcelo trabalhava por longo período fora de casa. Ela procurou três pediatras para os filhos, buscava cada profissional conforme a situação e acabou não seguindo com nenhum. Não gostava de dar medicamentos (tanto alopáticos quanto homeopáticos), não medicava na febre, preferindo uma abordagem

natural até onde fosse possível. Isso era um motivo de discordância do casal, já que Marcelo era filho de pais médicos alopatas. Ela decidiu por vacinar os filhos, mas postergou algumas vacinas para após um ano de idade e não quis dar a segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR).

Cláudia e Francisco: Eles se casaram e sete meses após, Cláudia engravidou. Ela começou a se informar sobre parto normal humanizado e decidiu ter parto domiciliar com obstetra particular. No dia em que ela entrou em trabalho de parto, a médica não conseguiu chegar a tempo (pois estava em outra cidade) e quem auxiliou o parto foi uma enfermeira obstetriz. Ela ainda estava amamentando Mateus no momento em que foi realizada a entrevista. Como o parto foi em casa, eles não deram as vacinas recomendadas ao nascimento. Cláudia compartilhou informações acerca da vacinação com outras mães seguidoras do parto humanizado. Eles escolheram um pediatra humanizado que sugeriu que eles estudassem sobre as vacinas e as postergassem pelo menos até os seis meses de vida (período em que estava em casa em aleitamento materno exclusivo). Eles acataram e se questionaram sobre a necessidade de dar algumas vacinas no momento da entrada da criança na creche. Deram inicialmente a primeira dose da vacina BCG e contra pneumococo em uma UBS. Depois decidiram postergar a entrada na creche por mais seis meses e colocá-lo com um ano de idade, não dando continuidade ao calendário vacinal. Quando Mateus completou um ano, a creche pública (da Universidade onde Cláudia trabalhava) solicitou a carteira de vacinação e exigiu que a criança tivesse pelo menos a vacina Sabin (vacina oral contra poliomielite) como condicionante à matrícula da criança. Diante deste quadro, Francisco levou Mateus para tomar esta vacina.

Andreia e Rafael: Eles namoraram, moraram juntos e oficializaram o casamento no civil dois anos depois. Logo após o casamento, decidiram ter o primeiro filho. Quando Téo estava com um ano e pouco eles decidiram ter o segundo filho que culminou no nascimento da Vivian. Amamentou Téo até o nascimento de Vivian e estava amamentando Vivian no momento da entrevista. Na gravidez do Téo, Andreia teve uma ameaça de aborto. Sua obstetra do convênio indicou que ela usasse progesterona para segurar a gestação. Por intermédio de uma amiga que era doula, ela conheceu outra

médica obstetra, praticante do parto humanizado, que sugeriu não dar a medicação e ficar em repouso quinze dias. Desde esse momento, ela passou a seguir com essa médica e Téo nasceu de parto normal, num hospital. Eles não deram as vacinas na maternidade e Andreia iniciou uma busca por informações pela internet e troca de experiência com outros pais. Eles (sobretudo Andreia) escolheram algumas vacinas e suas datas, conforme o receio de algumas doenças e medos dos efeitos adversos de algumas vacinas. Optaram por dar, na UBS, as três doses da vacina tetravalente e da pólio (esquema iniciado quando Téo estava com quatro meses); a BCG com dois anos, após o avô paterno ter tido tuberculose; e contra varicela, pois Téo tinha uma tendência de fazer feridas na pele (esta feita em clínica privada). Não deram a contra MMR por medo de sua associação com autismo e iam postergar a contra hepatite B quando os filhos estivessem adolescentes. Já a Vivian nasceu em casa, de parto natural domiciliar. Andreia estava mais segura quanto às questões das vacinas e só deu uma dose de Sabin à filha, pois tinha planos de ir para Índia a trabalho (e ela ainda estava amamentando). Quando desistiu de levar Vivian, não deu seguimento no esquema vacinal.

Sílvia e Hugo: Eles estavam juntos quando Sílvia ficou grávida, sem planejamento. Após o susto inicial, a gestação foi muito desejada. No final da gestação Sílvia teve pré- eclâmpsia e Antônio nasceu prematuro, e precisou ficar dezessete dias na UTI da maternidade para ganhar peso. Por causa da internação e pela ansiedade de Sílvia, o leite materno secou e Antônio recebeu aleitamento artificial. Sílvia resgatou a amamentação com ajuda de uma bomba elétrica e deu aleitamento materno exclusivo dos três meses aos seis meses, quando voltou ao trabalho. A Sílvia tem um irmão autista e, nos estudos que buscou a esse respeito, ela leu sobre a possível associação da vacina MMR com o autismo, que culminou em grande questionamento por parte dela acerca das vacinas em geral e dessa em especial, antes mesmo de ser mãe. Hugo nasceu nos EUA e sua mãe americana é homeopata que defendia a não vacinação das crianças. Hugo, antes mesmo de ser pai, achava o calendário vacinal no Brasil excessivo. Quando Antônio completou um ano de idade, próximo à entrada na creche, Sílvia sentiu a necessidade de dar algumas vacinas ao filho, convencendo Hugo, que inicialmente mostrou-se resistente. Levaram então o Antônio em uma UBS que, apesar do bom atendimento do serviço, gerou nos pais imenso desconforto, pelo fato do enfermeiro não

ter lhes consultado sobre quais e quantas vacinas iam dar ao filho, simplesmente dando todas que eram possíveis. Por esse motivo eles demoraram em retornar para dar as doses seguintes e, na segunda vez, tiveram uma experiência negativa na sala de vacinação, com atendimento grosseiro somado à ocorrência de dor e vermelhidão no local da aplicação da vacina. Depois disso, eles não retornaram para dar seguimento ao esquema vacinal.