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3 Lenking som tilgjengeliggjøring for et nytt publikum – EU-domstolens

3.2 Lenking til materiale som er lagt ut med samtykke

3.2.3 Omgåelse av tilgangsbegrensninger

Proposição analítica 01: A utilização de ações espetaculares se revela como um recurso de

comunicação fundamental para que o Greenpeace alcance âmbitos massivos de comunicação e, assim, conquiste visibilidade pública.

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6.3.1 O poder de visibilidade das ações estético-expressivas

Parte do argumento desse trabalho é de que, em consonância à idéia de um sistema deliberativo, diferentes âmbitos interacionais cumprem diferentes funções para se sustentar um debate na esfera pública. No desenvolvimento desse argumento, foi explorado o raciocínio de que outros modos de comunicação, que não somente a argumentação crítico-racional, são necessários para conferir efeitos de esfera pública às contribuições críticas dos atores cívicos.

No tratamento analítico que foi realizado do conceito de esfera pública (primeiro capítulo), foi explorada a idéia de visibilidade com uma das dimensões fundamentais do conceito. Já no quarto capítulo, o modo da comunicação dramático-espetacular foi referenciado como um dos recursos mais adequados de comunicação para que os atores cívicos possam alcançar essa dimensão.

Foi, então, a partir dessa idéia que se formulou a hipótese de que o Greenpeace sustentaria debates públicos trabalhando com as ações estético-expressivas para alcançar existência no âmbito interacional dos media (principal ambiente produtor de visibilidade na sociedade contemporânea). Nesse sentido, o evento de mídia de ocupação do barco Galina 3 fornece várias indicações de comprovação dessa hipótese.

Isso porque foi justamente a partir desse ato que a entidade conseguiu, na única vez em todo ano de 2008, cobertura simultânea nos dois veículos de maior audiência do jornalismo brasileiro. Certamente interessaria ao Greenpeace estar presente em tais veículos nos demais 364 dias do ano para apresentar suas propostas, apresentar problemas políticos e apontar responsáveis. Não obstante, parece que, mesmo alcançando uma cobertura sistemática dos media, a entidade só consegue atingir de modo mais amplo e completo o centro de visibilidade midiática a partir de algum evento que se fundamente pelo extraordinário e pela dramaticidade de sua ocorrência.

Nesse sentido, o fator de extraordinário que compõe o evento em questão e que, desse modo, criou ―o fato‖ foi a interrupção da atividade corriqueira que compõe a troca comercial entre países. A ocupação do barco Galina 3 por ativistas do Greenpeace, ocorrida há poucos quilômetros do território francês, fez com que, devido aos mecanismos legislativos existentes na França, o barco não pudesse descarregar, já que havia pessoas de outros países não autorizadas a desembarcar em território francês. É o que se pode inferir a partir do seguinte trecho de uma das reportagens do JN: ―As autoridades portuárias da França determinaram que o Galina 3 não pode entrar no canal que dá acesso ao porto enquanto houver ativistas a bordo. Então, o navio ancorou a poucos quilômetros da costa.‖ (JN, 17 de março – ver anexo).

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Greenpeace teve para acionar visibilidade, também pode se demonstrar a exploração

dramática do evento. No entanto, uma exploração bem modesta, que só ganhou um tom mais consistente em uma única matéria (a do G1). As demais se engajaram numa descrição bem tímida do evento, sem qualquer ênfase no desdobramento mais detalhado de como a ação de ocupação do barco ocorreu.

O curioso, nesse caso, é que as imagens exibidas pelo JN, na edição do dia 17 de março, são apenas de fotos da ação. Há imagens em movimento do barco, mas que foram feitas em plano aberto95, de modo que não é possível identificar qualquer pessoa ou ativista tentando se amarrar a guindastes ou sofrendo qualquer tipo de coerção, que é justamente aquilo que boa parte da matéria do G1 (jornalismo online) se engaja em relatar:

Ativistas do Greenpeace "interceptaram" nesta segunda-feira no litoral do oeste da França um barco com madeira brasileira e tentaram impedir o descarregamento [...] Os militantes interceptaram o "Galina III", um cargueiro com bandeira de Malta que transportava cerca de 6.000 toneladas de madeira, a poucas milhas do porto de Caen-Ouistreham. Cinco ativistas subiram a bordo e três conseguiram se amarrar aos guindastes utilizados para descarregar as madeiras. "Nosso objetivo é que este barco não possa descarregar nem na França, nem na Europa", afirmou Lejonc. Romain Chabrol, responsável pela comunicação do Greenpeace na França, frisou que a tripulação do barco "foi muito agressiva com os militantes".

Tendo em vista que esses são os trechos da matéria que mais explorou o evento de mídia em disposições dramáticas (evidenciado pelo tom de opressão que os ativistas teriam sofrido durante a ação) e, como tal abordagem é feita de modo bem modesto, pode-se, então, perceber que a ação promovida pela entidade tem muito mais de ―evento de mídia‖ (um evento que atende a um valor notícia) do que de espetáculo em termos de dramaticidade. Nesse sentido, o tipo de compreensão acerca da noção de espetáculo que melhor descreve a cobertura midiática em tela é aquele que se refere ao poder de determinados eventos se fazerem notar e outros não. Sendo as ocorrências os fenômenos que se mostram coerentes ao horizonte de expectativas sociais consolidadas (o barco ter descarregado a mercadoria era a ocorrência prevista) e, sendo os eventos aqueles fenômenos que quebram tais expectativas, convém, então, chamar a interceptação do barco Galina 3 como um ―evento de mídia‖. Um evento que, nesse sentido, demonstra claramente o poder que as ações espetaculares têm em acionar visibilidade aos atores cívicos.