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2 Eneretten til å gjøre verket tilgjengelig for allmenheten

2.1 Det rettslige grunnlaget

2.1.2 Offentlig fremføring

Quatro funções elementares por parte da cibercomunicação do Greenpeace-Brasil podem ser identificadas: (1) captação recursos financeiros, (2) disponibilização de informações direcionadas aos filiados (colaboradores) para fins de accoutability da própria organização, (3) realizar mobilização política e (4) fornecer informações e argumentos de

104 forma a justificar opiniões e ações políticas da organização83.

Essas funções se efetivam a partir de uma ampla rede de produtos comunicativos criados no ciberespaço. Uma rede que, além de compreender o sítio84 e os boletins eletrônicos enviados para caixas de e-mail cadastradas (newsletters), passa por blogs temáticos85 e chega até o famoso portal de vídeos Youtube86. Neste, a organização disponibiliza propagandas que foram veiculadas na TV, documentários e vídeos feitos para circular fundamentalmente em ambiente online.

Os boletins eletrônicos, por sua vez, constituem um serviço que o Greenpeace disponibiliza para aqueles que desejam saber dos informativos da organização sem precisar fazer uma verificação sistemática do sítio. Desse modo, por meio do boletim são enviadas aos e-mails cadastrados chamadas para as mais recentes atualizações do sítio (as mais últimas notícias acerca das campanhas da organização), além de chamadas tanto para se tornar colaborador (doar recursos financeiros) como para participar em campanhas de ciberativismo.

As notícias divulgam as mais recentes ações e eventos promovidos pela entidade, assim como as principais alegações, justificativas e fatos que fundamentam seus posicionamentos políticos. Ao expor essas justificativas, é bastante comum encontrar a realização de referências (links) para estudos e relatórios que desenvolvem ainda mais tais justificativas.

Já as campanhas de ciberativismo, que exercem fundamentalmente a função de mobilização política, consistem, na maior parte das vezes, em convocações para assinatura de petições ou cartas direcionadas a órgãos e poderes estatais ou mesmo a empresas privadas (as quais estariam realizando ou deixando de realizar alguma ação que a organização considera questionável). A média de participação seria de 4 mil pessoas, tendo-se registrado, algumas vezes, um número superior a 30 mil:

Poderoso meio de comunicação e de entretenimento, a internet hoje é também uma importante

83 A descrição e a análise das ferramentas dos âmbitos de comunicação digital do Greenpeace Brasil

desenvolvidos, nessa secção, estão marcados temporalmente ao momento de desenvolvimento da análise do material coletado: março a maio de 2009. Nesse sentido, algumas das formatações e desenhos aqui descritos já sofreram algumas modificações no momento de revisão do texto (novembro de 2009). Justamente devido à rápida velocidade com que essas ferramentas e desenhos se modificam, optou-se por um tratamento descritivo e analítico razoavelmente módico de tais elementos e, assim, resolveu-se concentrar o trabalho analítico mais em função dos elementos discursivos existentes entre os âmbitos interacionais trabalhados nesse estudo. Essa concentração também é motivada pelas próprias hipóteses de trabalho, as quais orbitam muito mais em torno dos efeitos de esfera pública operados na política de comunicação do Greenpeace Brasil (por isso a conjugação de âmbitos massivos de comunicação com âmbitos institucionais) do que em torno de efeitos da arquitetura de navegação e interação projetada pelo site do Greenpeace-Brasil.

84 Cf. em < http://www.greenpeace.org/brasil/>

85 Cf. exemplo: <http://greenpeace.blogtv.uol.com.br/clima> 86 Cf. em <http://br.youtube.com/user/greenbr>

105 ferramenta de protesto. Usada pelo Greenpeace desde 1998 para ciberações, ela foi responsável por reunir mais de 30 mil assinaturas contra o Projeto de Lei de Biossegurança. Só no mês de março, quando o texto foi aprovado no Congresso, foram 10.249 participações (GREENPEACE, 2005, p.14)

O sítio, por sua vez, além de abrigar os materiais que são divulgados diretamente aos assinantes do boletim eletrônico (descritos acima), organiza cronologicamente as informações e mobilizações que foram realizadas ao longo do tempo. Desse modo, o sítio permite o resgate de informações e de conteúdo que produzidos no passado.

O mesmo conteúdo está também organizado tematicamente. Tendo como referência as campanhas da organização, essa organização temática pode ser observada na parte superior da página inicial do sítio, na qual há uma disposição em links das campanhas em andamento (cf. www.greenpeace.org/br). No momento de produção desse trabalho, havia em operação seis delas: Amazônia, Clima, Energia, Nuclear, Oceanos, e Transgênicos. Essas campanhas são as principais linhas organizativas do conteúdo político da entidade realizado no âmbito digital. Elas pautam a produção das notícias, dos blogs, dos relatórios e das campanhas de mobilização online.

Além dessa organização da informação orientada cronológica e tematicamente, são disponibilizados canais específicos para informações para como se tornar voluntário; para as campanhas de ciberativismo87 e há também um canal exclusivo para os colaboradores, os quais possuem senha e login pessoais para acessá-lo.

O canal dos colaboradores possui duas fontes de informação exclusivas aos filiados. Elas têm como função principal a produção de modos e oportunidades de exercício de

accountability da organização por parte dos colaboradores. Uma fonte é o acesso aos arquivos

em formato pdf da publicação trimestral da organização, a ―Revista do Greenpeace‖, que é inclusive recebida por eles em formato impresso, via correio postal. A outra é o acesso ao relatório anual em que a entidade fornece informações acerca de suas ações ao longo do ano, assim como a chamada ―prestação de contas‖. Trata-se de tornar acessíveis informações sobre o total de receitas e despesas, assim como as fontes daquelas e as destinações destas. Também se divulga o nome da empresa responsável pela auditoria das ―demonstrações financeiras‖. Há ainda o ―Canal direto‖ que, nesse caso, assemelha-se ao convencional ―Fale conosco‖.

Uma função que apresenta conteúdo em destaque ao usuário da comunicação digital do Greenpeace é a captação de recursos. Para isso, estão dispostos banners e chamadas para se tornar colaborador, além de uma loja virtual que oferece produtos licenciados pela

106 organização.

Segundo dados do setor de marketing do Greenpeace, a página Greenpeace.org/brasil recebe de 150 a 200 mil visitas mensais e seu boletim eletrônico possui mais de 300 mil e- mails voluntariamente cadastrados (ver Anexo). Esses dados, juntamente com os outros já citados, ainda que apenas sugiram uma noção preliminar da amplitude do alcance comunicação digital do Greenpeace, não deixam de ser indícios de que as opiniões que a entidade disponibiliza na web são acessadas por uma proporção relevante de pessoas. Além disso, são indícios que sustentam o raciocínio de que, através da esfera de visibilidade pública controlada pela indústria da comunicação de massa, cidadãos tomam conhecimento de determinados temas e discussões para (no caso, o conjunto mais interessado desses cidadãos) acessarem a internet em busca de informação mais detalhada e contextualizada. Esse é um raciocínio que ajuda a explicar tanto a amplitude que o âmbito digital do Greenpeace tem conseguido alcançar como revela o processo que está por trás daquilo Berman & Mulligan (2003) identificaram como sendo as campanhas de advocacy online mais eficientes.

Recordando-se aqui o conjunto das quatro funções que foram identificadas nesse âmbito, deve-se ter claro que é o último aquele mais adequado a fornecer respostas às questões levantadas quanto à sua capacidade de efetivar uma sustentação do debate público acerca das temáticas defendidas pelo Greenpeace. Desse modo, o objetivo do próximo tópico é empreender um estudo de caso que demonstre empiricamente essa função atuando de modo coordenado aos eventos de mídia produzidos pela entidade.