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Omfanget av saker som får samtykke til ankebehandling i lagmannsretten

5. Rettslig prøving i lagmannsretten

5.2 Omfanget av saker som får samtykke til ankebehandling i lagmannsretten

E começam a aparecer os grupos culturais... Já consigo identificar “a turma do violão”, o pessoal do grêmio está sempre unido, estão ali juntos os jovens que constantemente encontro “jogando bola”, a galera do RPG lá da graminha [...]. (NDC, abril de 2011).

Em minhas idas ao Coltec, nos primeiros meses de observação, fiquei mais atento aos gestos dos jovens, aos movimentos e à maneira como se dava a rotina daquela instituição. Conversava, também, com alguns funcionários, sobre a logística do colégio, e às vezes encontrava a Fabíola para tirar alguma dúvida e trocar informações. Percebi, então, que não alimentava um contato verbal com os próprios alunos. Na verdade, eu tinha um pouco de medo por não saber a forma de “chegar” para conversar com esses sujeitos. Algumas questões me intrigavam, tais como: De

quem devo me aproximar? O que conversar? Como começar?

Assim, minha primeira troca de palavras com um jovem, lá, somente foi realizada três meses após o início de meu contato com o Coltec. Lembro-me de que foi um dia muito proveitoso, pois consegui coletar diversas notícias importantes, uma vez que, na ocasião, iniciava-se a campanha para a eleição de uma nova composição do GE para o ano de 2011.

Nesse dia, voltei-me primeiramente para as propostas das chapas concorrentes, que estavam afixadas em quadros ao longo da praça de alimentação. Fiquei impressionado com a forma como eles se organizavam e demonstravam certo engajamento político. Outro fato que me interessou muito foi relativo à maioria de suas propostas, que eram voltadas para o lazer ou para um viés cultural. Depois de lê-las, passei em cada uma das chapas, apresentei-me e conversei com alguns jovens, como consta na passagem: “o colégio rola em clima de Enem e da eleição do GE. Procurei alguns representantes dos grupos que concorriam, perguntei de suas propostas e como se deu a formação de seus blocos para a campanha” (NDC, 2010). Na foto abaixo ilustro um dos cartazes das três chapas que concorreram naquela disputa.

FIGURA 1 – Alguns dos cartazes das três chapas que concorreram à eleição do Grêmio Estudantil no ano de 2010

Naquele momento, aproveitei também para realizar um bate papo a respeito das inúmeras propostas voltadas para o lazer que eles traziam. A conversa foi muito rica e me animou bastante, já que, a partir dela, evidenciava-se um primeiro indicativo de que a pesquisa encontrava seu caminho. Em um capítulo mais à frente, quando irei tratar do GE, o leitor terá mais informações a respeito dessa construção metodológica.

Poucos locais me chamavam mais a atenção no Coltec do que os diversos murais que lá existem. Ao chegar lá, sempre me dirigia a esses espaços, uma vez que eles forneciam boas informações do momento do colégio. Diria que esses pontos podem ser considerados como principais meios de divulgação dos eventos e acontecimentos da instituição. Aqueles que mais me chamavam a atenção eram fotografados e se tornavam fonte de registro, uma vez que a imagem, com ou sem acompanhamento de som, oferece um registro restrito, mas poderoso, das ações temporais e dos acontecimentos reais, concretos e materiais (LOIZOS, 2002).

A partir desses quadros, pude ficar “por dentro” dos vários eventos culturais que aconteciam no colégio, como: “O dia D”, “Stand up” e o “Senta e toca”. Esses dois primeiros eram mais raros e representavam respectivamente um dia que os alunos do terceiro ano tiravam para ir ao Coltec fantasiados de acordo com algum tema que escolhiam; e o dia das improvisações, em que eles realizavam brincadeiras de improviso, como ilustra a figura abaixo:

FIGURA 2 – Algumas manifestações culturais promovidas pelo Grêmio Estudantil

O terceiro, Senta e Toca, acontecia em quase todas as quintas-feiras em horário de almoço, dias que os alunos nomearam de coltequintas e representavam um momento em que os jovens tiravam para, simplesmente, sentar, tocar e cantar uma música, como irei relatar mais à frente. Esse momento mostrava-se como a principal vivência de lazer da maioria dos jovens, dentro da instituição, revelando um tipo de cultura praticada e fruída em um tempo disponível e conquistado, “livre”, para a ocasião, das obrigações escolares (MARCELLINO, 2008).

Desse modo, pude conhecer um pouco mais das distintas manifestações culturais lá presentes. Foi através desses meios, os murais, que descobri um grupo religioso e outro de dança que o colégio abriga: o Movimento Cristão do Coltec (MCC) e o Sarandeiros. A figura abaixo elucida os painéis que traziam notícias desses dois grupos.

FIGURA 3 – Painéis que trazem informações dos grupos Sarandeiros e MCC no Coltec

O MCC representa um movimento que trata de questões religiosas, mas que também fornece ajuda e suporte aos jovens que porventura venham a passar por

algum tipo de dificuldade no colégio, conforme me relatou um de seus representantes (NDC, agosto de 2011). É interessante perceber que os próprios jovens criam suas redes de proteção como, na ocasião, faz o MCC. Essas associações representam suporte para a criação de uma afinidade coletiva que tem como função fornecer, aos indivíduos de um grupo, um modelo de identidade que os valorize por meio de redes de solidariedade (SUDBRACK, 2006). Já o Sarandeiros35

é um grupo folclórico de dança antigo da UFMG, que também possui um núcleo dentro do Coltec. As informações dessas duas associações sempre estavam presentes nos murais do colégio.

Frente a isso, comecei a observar que essa instituição constitui uma série de grupos culturais que se expõem das diversas formas. Isso se mostra como característica marcante da juventude: a necessidade de formação e inserção em grupos para afirmação da identidade, ou mesmo para buscar proteção e ajuda, conforme evidenciado anteriormente nas redes de proteção. Na visão de Carrano (2009, p. 1):

Hoje, os jovens possuem um campo maior de “autonomia” frente às

instituições do denominado “mundo adulto” para construir seus próprios acervos e identidades culturais. Há uma rua de mão dupla entre aquilo que os jovens herdam e a capacidade de cada um construir seus próprios repertórios culturais.

Além dos dois últimos citados e do próprio grêmio, recordava-me de outro grupo de alunos que sempre estava presente em uma graminha que fica à frente do Coltec. Era o pessoal que praticava o Role Playing Game (Jogo de Interpretação de Papéis), mais conhecido como RPG:

Um grupo está presente do lado de fora, aparentemente, em horário de aula. Eles praticam uma atividade com umas espadas, machados, dentre outros, todos gigantes e feitos de plástico como se estivessem em um desenho. Percebi que eles pareciam ter uma espécie de monitor que também lembrava ser aluno do Colégio. Aproximei-me de um integrante e perguntei o que estavam fazendo, ele me respondeu que praticavam um

gênero do RGP chamado de Maker36 (NDC, junho de 2011).

35

O Grupo Folclórico Sarandeio, fundado em 1980, fazia parte dos cursos de extensão oferecidos aos alunos da Escola de Educação Física da UFMG. Em 1998, por problemas de registro, o grupo passou a se chamar Grupo de Projeção Folclórica Sarandeiros e continuou vinculado a aquela universidade. As danças apresentadas pelo Sarandeiros são respaldadas por um grande trabalho de pesquisa e divulgação das artes populares brasileiras. Dentre os vários projetos, destacam-se os trabalhos no COLTEC, com adolescentes, realizado há 11 anos com danças e trabalhos artísticos inspirados no folclore brasileiro. Disponível em: http://www.sarandeiros.com.br/. Acesso em: 08 fev. 2012.

36 O RPG Maker é uma espécie de jogo eletrônico que os jovens transferem para a vida real

utilizando artefatos de seus “heróis”. Ele foi desenvolvido inicialmente no Japão na década de 80 para computadores e logo após também passou a ser comercializado para o mundo dos games. Disponível em: http://www.santuariorpgmaker.com/rpg-maker/. Acesso em: 08 fev. 2012.

Nesse sentido, entendi que estava diante dos principais representantes dos diversos tipos de manifestações culturais, principalmente as de lazer, existentes no Coltec. A partir desse momento percebi que seriam esses os sujeitos que iria eleger para o aprofundamento da pesquisa.

Com isso, listei os grupos que já havia encontrado e tentei recordar de outros possíveis que já tinha descrito no DC. Assim, além desses que já trouxe, constatei outros três grupos: do violão, dos esportes e da diversidade sexual e de gênero37. O primeiro foi devido à presença constante de uma rodinha de violão com alguns jovens que existia dentro do colégio ou mesmo fora dele, local denominado

graminha, que descrevi acima. O segundo desenvolvi a partir da forte relação dos

alunos com o esporte, principalmente o futsal, visto que os campeonatos dessa modalidade conseguiam mobilizar grande parte da comunidade coltecana. Já o terceiro, consegui desvendar após uma conversa com um jovem que sempre encontrava em alguns eventos sobre a juventude aos quais eu ia, em BH. Por saber que ele era aluno do Coltec, aproximei-me e descobri que ele representava esse seu grupo do colégio nesses debates. Nessas passagens, deparava-me com a seguinte questão: “o método é a atividade pensante do sujeito” (MORIN, 1996).

Quando cogitava os instrumentos dessa pesquisa, entendia que, após a OC, iria empregar entrevistas como forma de coleta de informações. Todavia, depois de um debate com meu orientador, entendemos que o uso do Grupo Focal seria mais interessante, já que iria deixar os jovens mais à vontade para debater a respeito das questões que levantei na pesquisa. Essa discussão virá no próximo tópico.