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Hale (1983) cita que se o crédito é, conforme o filósofo inglês John Locke escreveu no século 17, a expectativa de uma soma de dinheiro dentro de um prazo limitado, então a análise de crédito é o processo de investigação antes de se tomar a decisão de emprestar. Neste processo, atualmente, o credor faz o seu melhor para substituir sentimentos emocionais, tais como esperanças e medos, substituindo-os por argumentos fundamentados com base em um estudo cuidadoso de pontos fortes e fracos do devedor.

2.5.1 Análise clássica de crédito

A análise de crédito é o processo pelo qual bancos e empresas avaliam os dados obtidos e disponíveis, relativos a determinado solicitante, a fim de conceder ou não o crédito solicitado. Tradicionalmente a análise de crédito era efetuada, tanto por bancos quanto por empresas, utilizando-se da metodologia clássica de análise, conforme intitulada por Caouette et al. (2009), que consiste, conforme Caouette et al. (2009, p. 116) em "[…] um sistema especializado que depende, acima de tudo, do julgamento subjetivo de profissionais treinados". Concedendo-se maior amplitude a questão da análise clássica de crédito, Crouhy, Galai e Mark (2007), concluem que os analistas de crédito avaliam diversos atributos complexos de uma empresa, quer sejam eles de natureza financeira e administrativa, qualitativa ou quantitativa. Esta avaliação criteriosa tem por objetivo checar a saúde financeira da

companhia, verificar se os lucros e fluxos de caixa são suficientes para que os compromissos junto a terceiros sejam honrados, não deixando de avaliar os aspectos macroeconômicos que influenciam a capacidade de liquidez da companhia em análise.

Caouette et al. (2009), concluem citando que este tipo de análise é interessante no sentido da profundidade de detalhes obtida em relação ao estudo personalizado de determinado cliente, no entanto, é uma metodologia cara e pode ser de curto alcance.

A análise em questão leva em consideração a avaliação de diversos indicadores financeiros e os Cs do crédito tão amplamente divulgados pela literatura.

Perera (2013), a respeito dos Cs do crédito cita que a probabilidade de default pode ser estimada empiricamente antes mesmo da conclusão da operação de crédito, pois são levados em consideração na análise fatores como o Caráter, Capacidade, Capital, Colateral, Condições e Conglomerado, sendo que os três primeiros são fundamentais.

Caouette et al. (2009, p. 120), corroboram com a visão acima, porém insere as garantias como um elemento importante na análise do crédito, citando que "Os três Cs clássicos do crédito – caráter (character), fluxo de caixa (cash flow) e garantia real (collateral) – foram e são os três elementos essenciais para uma decisão sobre o crédito".

Objetivando conceder maior luz sobre os Cs do crédito, discorrer-se-á de forma sintética sobre cada um dos mesmos abaixo:

Caráter: Se refere à intenção do devedor em pagar. O histórico junto ao mercado reflete-se numa importante ferramenta neste sentido

Capacidade: Conforme Serasa (2014) é a análise dos fatores internos da empresa que podem afetar o seu fluxo de caixa, como qualidade da gestão, estratégia, tecnologia e capacidade de produção. Silva (2013) cita que este C se refere ao gerenciamento da empresa como um todo.

Capital: Análise econômico-financeira do tomador. Aqui utilizar-se-á da análise de indicadores.

Colateral: Silva (2013) cita que "As garantias (colateral) são tratadas como decorrência do risco que o cliente representa. Deste modo à medida que o risco aumenta, deverá haver maior preocupação com a qualidade e liquidez das garantias."

Condições: Se refere aos fatores externos, os quais o controle não se encontra nas mãos da companhia. Conforme Serasa (2014), a avaliação do histórico de risco do segmento e principais players do mercado, se configuram numa importante avaliação neste sentido.

Conglomerado: Conforme Silva (2013) "abrange e apreciação dos fatores de risco relativos às coligações, controles e vínculos."

Objetivando concluir este tópico, conforme citado no presente item, a análise clássica leva em consideração a avaliação de diversos indicadores econômico-financeiros. Não se traduz na proposta do presente trabalho a avaliação de cada um dos diversos indicadores existentes e amplamente utilizados pelo mercado. No entanto, abaixo cita-se os indicadores comumente utilizados nas análises com o intuito de avaliar e saúde financeira do tomador.

Tabela 1 – Índices Financeiros Comumente Utilizados

2.5.2 Análise de crédito – Contexto atual

Conforme Silva (2013, p. 96) "A definição do tipo de análise e sua abrangência é seguramente um dos pontos importantes na avaliação do risco dos clientes".

Há cinquenta anos, a maioria dos bancos dependia exclusivamente da expertise de seus funcionários de crédito, utilizando-se do modelo de análise clássica citado anteriormente, a fim de avaliar o risco de crédito das operações. Conforme já citado, este tipo de análise é dispendiosa e toma muito tempo e por isso os bancos vem ao longo dos últimos anos tentando clonar os seus processos decisórios (CAOUETTE et al. 2009).

Realmente, nos últimos anos, foram desenvolvidos diversos sistemas de análise objetiva do crédito. Este fenômeno se dá devido ao desenvolvimento de novas técnicas aliadas a ferramentas estatísticas sofisticadas e de softwares de última geração, devido a necessidde de agilizar o processo, reduzir custos e manter-se ou até melhorar a confiabilidade do processo.

Caouette et al. (2009) citam que métodos univariados ainda se encontram em utilização em muitos bancos, no entanto boa parte dos acadêmicos e profissionais de mercado parecem reprovar a análise do desempenho das empresas unicamente através dos índices. Teóricos de renome tem dado maior ênfase à análise através da aplicação de técnicas estatísticas mais rigorosas, porém, em sua visão, estas técnicas devem ser vistas como um refinamento da tradicional análise por índices e não simplesmente como uma mudança radical. Sendo que, diante deste panorama, pode-se dizer que, nos últimos anos, em relação a gestão do crédito, ocorreram vários desenvolvimentos na quantificação do risco de crédito, como modelos de credit scoring e até sofisticados modelos baseados em valor de mercado.