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Om forholdene ved Palmafossen kraftverk og Raundalselva

3 Vandring av laks og sjøørret forbi Palmafossen

3.3 Vurderinger av nedvandringsforhold av fisk forbi planlagt kraftverk i Palmafossen

3.3.1 Om forholdene ved Palmafossen kraftverk og Raundalselva

John Stuart Mill, referindo-se ao utilitarismo, diz que “esta teoria se tornou, agora, a base da minha filosofia de vida”. Ele prossegue com uma análise acerca do princípio da utilidade de Bentham, afirmando que ele se “encaixava exatamente no lugar, como a pedra angular capaz de unir os componentes soltos e fragmentados dos meus conhecimentos e crenças”. Isso porque, o princípio benthamista

introduzia unidade na minha concepção de coisas. Agora eu tinha opiniões: um credo, uma doutrina, uma filosofia; em um dos melhores sentidos do termo, uma

193 MILL, John Stuart. Autobiography, 1873, p. 129.

194 MILL, John Stuart. Sobre a Liberdade. Lisboa: Edições 70, 2010, p. 115.

195 Importante o papel que a esposa de Stuart Mill, Harriet Taylor (1807-1858), teve em sua vida pessoal e

profissional. Em 1826, Harriet era casada com John Taylor e tinha dois filhos. Nasceu entre ela e Mill uma amizade íntima a partir de 1830, gerando escândalo na sociedade. Vinte anos depois, Harriet ficou viúva. Em seguida, se casou com Stuart Mill e, juntos, passaram a ter uma excelente produção filosófica. Eis a dedicatória de Mill a Harriet na obra “A sujeição das mulheres”. Dedico este livro à bem-amada e dolorosa memória daquela que foi a inspiradora, e em parte a autora, de tudo o que há de melhor nos meus escritos – a amiga e esposa cujo elevado sentido de verdade e rectidão foi o meu mais forte incentivo, e cuja aprovação foi a minha principal recompensa. Como tudo o que tenho escrito desde há muitos anos, este livro pertence tanto a mim como a ela. Mas a obra, tal como está, teve, num grau muito insuficiente, a vantagem inestimável da sua revisão, tendo sido algumas das porções mais importantes reservadas para um mais cuidadoso reexame, agora destinadas a nunca receber. Fosse u capaz de explicar ao mundo metade dos grandiosos pensamentos e nobres sentimentos que jazem no seu sepulcro, e seria o veículo para o mundo de um maior benefício do que provavelmente alguma vez resultará de qualquer coisa que eu possa escrever sem o estímulo e a ajuda da sua quase inigualada sabedoria. Harriet se notabilizou por um intenso ativismo quanto ao direito das mulheres e foi sua parceira na tarefa de revisitar a doutrina de Bentham. Mill reconhece que o elementos éticos de sua filosofia foram o resultado das discussões que mantinha com a esposa sobre a natureza da igualdade, da liberdade e do individualismo. COHEN, Martin. Casos filosóficos. Tradução de Francisco Innocêncio. Ilustrações de Raúl Gonzáles. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2012, p. 387.

religião; inculcá-lo e difundí-lo poderia muito bem se tornar o principal objetivo expresso de uma vida196.

Na verdade, essa menção feita por Mill à doutrina de Bentham é voltada para suas impressões iniciais, antes de tombar diante da depressão. Ele retrata de que forma enxergava as ideias benthamistas, deixando claro que a influência que elas tiveram sobre ele assumiam um viés messiânico.

Stuart Mill começou a apontar divergências ainda sutis quanto ao pensamento benthamista: “nunca, na verdade, abandonei a convicção de que a felicidade é o teste de todas as regras de conduta e a finalidade da vida. Mas, agora, acho que essa finalidade só poderia ser alcançada se não fosse transformada num objetivo direto”. Em suas novas reflexões, afirma:

são felizes (penso eu) somente aqueles que dedicam suas ideias a algo diverso de sua felicidade pessoal: a felicidade dos outros, o progresso da humanidade, até mesmo alguma forma de arte ou empreendimento, com que a pessoa se envolve não como meio para algum outro fim, mas como um objetivo ideal em si mesmo197.

Mill registrou, em várias oportunidades, que a humanidade, desde sempre, se dedicou a estudar e tentar compreender o que torna as pessoas felizes. Segundo ele:

Desde a aurora da filosofia, a questão referente ao summun bonun ou, o que é a mesma coisa, referente à fundação da moralidade foi considerada o principal problema no pensamento especulativo, ocupou os intelectos mais dotados e os dividiu em seitas e escolas. (...) E, após mais de dois mil anos, as mesmas discussões continuam..., e nem os pensadores nem a humanidade em geral parecem mais perto de ser unânimes quanto ao tema do que quando o jovem Sócrates ouviu o velho Protágoras198.

Muitas premissas filosóficas de Stuart Mill podem ser encontradas na monumental obra de Aristóteles. Mill chega a falar num “sensato utilitarismo de Aristóteles”199. Mais adiante mostraremos sintonias entre os dois.

Stuart Mill, contrapondo aberta e frontalmente Bentham, disse que nem dores nem prazeres são homogêneos, pois existem diferenças em espécie “que se mostram evidentes para qualquer juiz competente”. O que Mill faz é testar a consistência das “comparações interpessoais de utilidade (prazer)” de Bentham. Caso se reconheça que

196 MILL, John Stuart. Autobiography, 1873, p. 75. 197 MILL, John Stuart. Autobiography, 1873, p. 83. 198 MILL, John Stuart. Utilitarianism, cap. 1.

há diferenças qualitativas entre prazeres superiores e inferiores, como seria possível decidir entre eles? Stuart Mill, suprindo uma lacuna que entende haver na teoria de Bentham, aponta, como resposta à indagação acima, a escolha de um juiz competente que tenha experimentado as duas alternativas (prazeres superiores e prazeres inferiores)200.

O ensaio de Mill intitulado Bentham foi publicado na London Westminster

Review, em 1838. Ele escreveu o seguinte:

embora após as devidas explicações concordemos inteiramente com Bentham em seu princípio, não concordamos com ele quando diz que todo modo correto de pensar sobre os detalhes da moral depende de suas asserções expressas.

Para Mill, “a utilidade ou a felicidade são complexas demais e fins excessivamente indefinidos para serem buscados, exceto por intermédio de vários objetivos secundários”201. A releitura da doutrina de Bentham é evidente.

Podemos comparar Stuart Mill a Immanuel Kant. Enquanto este entende o princípio da (intencionalidade) ética como aquele em que a ação moral pressupõe a auto-realização do indivíduo agente como ser racional, Mill entende o princípio da (responsabilidade) ética condicionando o vínculo da ação moral do individuo à utilidade social dessa mesma ação. Kant condiciona a moral à liberdade, vinculando a moralidade à racionalidade, restrita ao ser humano. Mill introduz uma ética utilitarista que difere os diversos tipos de prazer, a fim de evitar o mal-entendido de que a ação moral seja idêntica à concretização de qualquer forma de prazer, inclusive aquelas que também são possíveis para os animais202.

Falamos que Mill dirige sua obra na direção aristotélica, em alguns pontos. Podemos ilustrar. Ele enxergava os prazeres assim como Aristóteles, sendo a própria atividade ou as experiências decorrentes da atividade. Num dado momento de sua vida, aponta quais seriam os principais prazeres: “música, virtude e a saúde”203.

200 MILL, John Stuart. Utilitarianism, p. 84.

201 London and Westminster Review, Aug. 1838, revised in 1859 in Dissertations and Discussion, vol. 1.,

p. 85.

202 Filósofos do século XIX. Uma introdução. Tradução Dankwart Bernsmüller. Editora Unisinos.

Coleção História da Filosofia 7., São Leopoldo 2006, p. 211.