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2.4 Tekst og virkelighet

3.1.2 Om å lese slutten inn i begynnelsen

Esta seção tem como foco o estado da arte da Educação a Distância (EAD). Em um primeiro momento, são consideradas algumas definições e características relevantes da EAD. No âmbito da atual geração, são consideradas as perspectivas associadas à integração das tecnologias da informação e da comunicação à EAD, nas corporações e nas instituições de ensino.

3.6.2.1 Definições e características

Diversas são as denominações e as conceitualizações que encontramos rela- cionadas com essa modalidade. Fala-se, freqüentemente, em Ensino a Distância e Educação a Distância como se fossem sinônimos, expressando um processo de en- sino-aprendizagem. Ensino representa instrução, socialização de informação, apren- dizagem, etc., enquanto Educação é “estratégia básica de formação humana, a- prender a aprender, saber pensar, criar, inovar, construir conhecimento, participar, etc.” (MAROTO, 1995). A tendência atual é de que os cursos de EAD de boa quali- dade estejam mais focados em processos de aprendizagem, desvinculando-se cada vez mais do papel centralizador do professor, como aquele falante, que informa, que dá respostas, onde cada vez mais o mesmo terá uma atuação de gerenciador, orien- tador (MORAN, 2007).

Para Lorenzo Garcia Aretio (1994, p. 50), a EAD distingue-se da modalidade de ensino presencial por ser “um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala de aula entre pro- fessor e aprendiz como meio preferencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem independente, flexível e autônoma”.

Spodick (apud Silva, 2003, p. 8) apresenta uma definição abrangente, que considera novas possibilidades, ao afirmar que "a Educação a Distância é um siste- ma que deve prover toda e qualquer oportunidade educacional que seja necessária para qualquer um, em qualquer lugar, e a qualquer tempo”.

Segundo Landim (apud Silva, 2003, p. 8), EAD pressupõe a “combinação de tecnologias convencionais e modernas que possibilitam o estudo individual ou em grupo, nos locais de trabalho ou fora, por meio de métodos de orientação e tutoria à distância, contando com atividades presenciais específicas, como reuniões do grupo para estudo e avaliação”.

Para Moore & Kearsley (1996, p. 2), a EAD é:

“o aprendizado planejado que normalmente ocorre em lugar diverso do professor e como conseqüência requer técnicas especiais de pla- nejamento de curso, técnicas instrucionais especiais, métodos espe- ciais de comunicação, eletrônicos ou outros, bem como estrutura or- ganizacional e administrativa específica”.

Moran (2007, p. 89) define a EAD como um espaço digitalizado, móvel e vir- tualizado, onde:

“A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qual- quer tempo, traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de in- teração. A mobilidade e a virtualização nos libertam de espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. Na educação, o presencial se virtualiza e a distância se potencializa”.

A EAD caracteriza-se pelo aumento da proximidade entre os indivíduos, por meio de conexões virtualizadas, em tempo real, permitindo que educandos e educa- dores aumentem o diálogo entre si e formem pequenas comunidades de aprendiza- gem (Moran, 2007).

A EAD, enquanto prática educativa, deve considerar esta realidade e com- prometer-se com os processos de libertação do homem em direção a uma socieda- de mais justa, solidária e igualitária. Enquanto prática mediatizada deve fazer recur- so à tecnologia, entendida como “um processo lógico de planejamento, como um modo de pensar os currículos, os métodos, os procedimentos, a avaliação, os meios, na busca de tornar possível o ato educativo” (MAROTO, 1995). Exige-se, pois, uma

organização de apoio institucional e uma mediação pedagógica que garantam as condições necessárias à efetivação do ato educativo.

As definições apresentadas permitem observar que as mesmas sofreram alte- rações no decorrer dos anos, mas que, apesar de estarem vinculadas a momentos e vivências diferentes, apresentam algumas semelhanças, como o uso de mídias ins- trucionais, a desvinculação de espaço/tempo, onde professores e aprendizes encon- tram-se em localidades diferentes e a presença de alguma forma de comunicabilida- de bidirecional, que venha a possibilitar uma maior interatividade entre os participan- tes do processo.

Keegan (1991) resume os elementos que considera centrais na caracteriza- ção da EAD:

• pela separação entre professor e educando no espaço e/ou tempo;

• pelo controle do aprendizado realizado mais intensamente pelo aprendiz do que pelo professor distante;

• e a comunicação entre educandos e professores é mediada por elementos im- pressos ou alguma forma de tecnologia.

Em uma definição um pouco mais abrangente quanto às linhas definidoras de EAD, Kaye (apud Kominek, 2001, p. 8-9) propõe dez pontos em que distingue a E- AD:

• pode-se atender, em geral, a uma população estudantil dispersa geografica- mente e, em particular, aquela que se encontra em zonas periféricas que não dispõe das instituições convencionais;

• administra mecanismos de comunicação múltipla que permite enriquecer os re- cursos de aprendizagem, assim como diminuir a dependência do ensino pre- sencial;

• favorece a possibilidade de melhorar a qualidade de ensino ao permitir a con- fecção de materiais didáticos por especialistas;

garantir uma seqüência acadêmica que responda ao ritmo do rendimento do estudante;

• promove a formação de habilidades para o trabalho independente e para o es- forço autoresponsável;

• formaliza vias de comunicação bidirecionais e relações de mediação dinâmicas e inovadoras;

• garante a permanência do estudante em seu meio cultural e natural, evitando êxodos que comprometem o desenvolvimento regional;

• apresenta custos decrescentes, pois, após um considerável investimento inici- al, produzem-se amplas margens para expansão;

• contribui com esforços que permitem combinar a centralização da produção com a descentralização do processo de aprendizagem.

Ao que tange às características principais da EAD, pode-se destacar o pre- domínio do público adulto, heterogêneo e relativamente disperso geograficamente; a valorização da auto-aprendizagem, por meio de metodologia e materiais instrucio- nais adaptados a essa modalidade; a clareza e a acessibilidade da linguagem utili- zada nos materiais instrucionais e a utilização de múltiplos meios e recursos tecno- lógicos, com o objetivo de estimular a construção do conhecimento (PETERS apud SILVA, 2003).

Quanto aos objetivos com que os programa de EAD são desenvolvidos, Lan- dim (1997) relaciona os seguintes: proporcionar uma maior democratização com re- lação ao acesso à educação; proporcionar uma aprendizagem autônoma e voltada à experiência; promover uma forma de educação inovadora e de qualidade; incentivar a educação permanente e minimizar os custos.

No entanto, a EAD não deve ser simplesmente confundida com o instrumen- tal, com as tecnologias a que recorre. Deve ser compreendida como uma prática educativa situada e mediatizada, uma modalidade de se fazer educação, de se de- mocratizar o conhecimento. É, portanto, uma alternativa pedagógica que se coloca hoje ao educador que tem uma prática fundamentada em uma racionalidade ética,

solidária e compromissada com as mudanças sociais.

3.6.2.2 A Educação a Distância em ambientes virtuais

A possibilidade de interação proporcionada à EAD via Internet, dá à mesma um status que vem levando a sociedade a olhar para ela de maneira diferente. Pois, a EAD, em um momento não muito distante, era considerada uma espécie de “este- pe” no ensino, utilizada principalmente quando outras modalidades de educação fa- lhavam. A sociedade se acostumou a olhar para a EAD como uma educação “de segunda categoria”, a ser utilizada especialmente por aqueles que não tiveram opor- tunidade de uma educação “melhor”, a educação presencial convencional.

Com a chegada da Internet, congressos e encontros de EAD estavam reple- tos de pessoas interessadas em conhecer as novas tecnologias a ela aplicadas. Jornais e revistas começaram a dar destaque a projetos de escolas e universidades virtuais. Mundialmente as melhores e mais caras universidades começaram a mon- tar cursos virtuais e a oferecer educação a distância via internet.

No ensino virtual, pode-se organizar os aprendizes em turmas, tal como no ensino presencial, o que terá reflexos positivos sobre a motivação do estudante; também exige o desenvolvimento de uma pedagogia específica, a educação on-line, com profissionais e aprendizes capazes de trabalhar em grupo, interagindo em equi- pes reais ou virtuais. Professor e aprendiz se modificam profundamente. O aprendiz deixa de ser um mero receptor de informação, e o professor deixa de ser um organi- zador de atividades para a aprendizagem do aprendiz.

Moran (1998, p. 129) coloca que “ensinar e aprender depende do educador e do educando, é um processo compartilhado”. Assim, esse processo, exige esforço por parte do professor em se tornar um educador com uma nova proposta pedagógi- ca, que ele tem que ajudar a criar com sua prática educacional e do aprendiz em se tornar um sujeito ativo na busca da informação e do conhecimento, comprometido com a sua formação.

Nos cursos a distância tem-se que aprender a lidar com a informação e o co- nhecimento de formas inovadoras, buscando uma compreensão mais rica e trans-

formadora. Ensinar com as novas mídias será uma revolução se houver mudança nos paradigmas convencionais do ensino. A internet é um novo meio de comunica- ção que pode ajudar a rever, ampliar e modificar muitas formas atuais de ensinar e aprender.

Para Niskier (1999), o avanço da tecnologia no campo das comunicações e da escola virtual está se beneficiando com um leque de enormes possibilidades. A escola virtual pode acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar, permitindo a au- to-regulação do aprendizado, o controle ao ritmo do aprendiz e a ampliação de resul- tados. “A escola virtual é uma conseqüência da era da informação e é, portanto, um sistema fundamentado em computadores. Ela engloba um espaço eletrônico ou um banco de informações” (NISKIER, 1999, p. 63).

O que diferencia a escola virtual dos demais meios instrucionais é a sua ca- pacidade infinita de interação no contexto da hipermídia e a possibilidade de inser- ção social de pessoas excluídas do saber e da escola formal, também é um sistema aplicável a todos os níveis de ensino. A informação via tecnologia, que é a base do ensino virtual e a distância, representa um conjunto de saber utilizável a qualquer momento e lugar.

“A internet é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender” (MORAN, 2003, p. 12). Assim, essa ferramenta transforma o ensino em todas as suas dimensões, proporcionando uma visão otimista em relação à EAD e favorecendo as pessoas o alcance do conhecimento por meios mais flexíveis, atra- vés da internet.

A Internet possibilita que formas diferentes de aprendizagem ocorram, e longe de uma metodologia e uma pedagogia estruturada, de como a EAD se apresenta, as comunidades virtuais tem surgido e de uma forma mais livre e distante dos rigores pedagógicos, estas tem sido utilizadas pelas pessoas para adquirirem e dissemina- rem conhecimento.

3.6.2.3 Educação a Distância e Transculturalidade

Os ambientes virtuais de ensino e aprendizagem, devido principalmente ao rápido desenvolvimento das tecnologias da web, aproveitam-se cada vez mais das ferramentas de construção colaborativa do conhecimento. Tais ambientes vêm se apresentando como uma proposta educacional que se diferencia dos modelos tradi- cionais, longe de serem apenas uma mera transferência desses antigos modelos para o plano virtual. Colocando-se como uma via dialógica, interativa e problemati- zadora, distante do conceito de “depósito de dados” ou da “mera transferência do conteúdo do professor para o aluno” (VALENTE & MATTAR, 2007, p. 132). Princi- palmente com o advento da Web 2.0, vislumbra-se uma revolução nas formas de educar, potencialmente marcantes e inovadoras, pois:

“[...] na Web 2.0, o usuário não é mais pensado apenas como recipi- ente passivo, mas simultaneamente como produtor e desenvolvedor de conteúdo. A Web 2.0 facilitou tremendamente a criação de conte- údo de todo tipo, a ponto de podermos falar de uma sociedade de “autores”. Para a EaD, isto significa que o aluno passa também a ser, além de leitor, autor e produtor de material didático, e inclusive editor e colaborador, para uma audiência que ultrapassa os limites da sala de aula, ou mesmo do ambiente de aprendizagem. A habilidade para acessar e publicar conteúdo com facilidade nos força a repensar o que esperamos de nossos alunos, e inclusive o que significa ensinar e aprender. Portanto, a Web 2.0 questiona não apenas a separação entre aluno e autor.” (VALENTE & MATTAR, 2007, p. 85)

A EAD coloca-se como uma possibilidade inibidora da massificação, homoge- neização e pasteurização cultural, pelo fato de que se apresenta como um modelo, projeto pedagógico que visa de uma forma democrática atender um número maior de pessoas. Para que se alcance o desenvolvimento consciente, de respeito à cultu- ralidade dos povos, que as diversas culturas sejam disseminadas e que haja não só uma troca, mas uma proposição de novas culturalidades dentro de um programa de EAD, será preciso, segundo Valente & Mattar (2007, p. 133-134):

“[...] imaginar uma educação que ajude a preservar as comunidades, suas histórias, suas condições e suas culturas. É função da educa- ção transmitir sentido histórico, de localização espacial, compromis- sos culturais e valores para os estudantes. A educação global preci- sa transmitir e incentivar o diálogo entre diferentes culturas, e por is- so precisa de inúmeras fontes de produção de conteúdo, não de um mercado dominado apenas por uma ou duas grandes empresas. A educação precisa promover a heterogeneidade, não a homogeneiza- ção cultual do McWorld, com ícones de Big Macs voando para cá e

para lá.”

Os modelos de EAD aderentes a uma transculturalidade são aqueles que se afastam de uma retórica globalizante massificadora, dominadora, em que poucos grupos venham a ser dominantes e possuidores do artefato informacional. A EAD não deve ser analisada e empreendida como um projeto econômico em si, mas an- tes como um projeto social, que terá como premissa a difusão informacional e a ge- ração de conhecimento, que ocorrerá pela interação dos indivíduos. Essa interação será facilitada pelo surgimento e o desenvolvimento da Web 2.0, onde não há espa- ço para o uso das TIC apenas como meros repositórios de informação. A Web 2.0 vem sendo vista como uma tecnologia útil e potencializadora de uma inteligência coletiva, em que a construção do conhecimento, de uma forma mais intensa, será viabilizada através de uma maior participação de coletividades.

3.7 Transculturalidade e Tecnologias da Informação e Comunica-