Adotou-se como valor de cada faixa de consumo o seu centro. Por exemplo, na faixa de 2 a 4 litros, a quantidade a ser considerada foi a média do intervalo da faixa, ou seja, 3 litros. Exceção de 1 litro a 4 litro, que foram estes valores mesmos
(*) Quando falamos l litro de óleo, compramos um frasco ou lata que contém apenas 0,9 litros ou 900 ml.
Estimativa de Consumo: Multiplica-se o fator de ponderação pelo número de domicílios da pesquisa socioambiental e do número da população do Distrito Federal.
1 Quantidade de litros de óleo de cozinha utilizados nas residências por mês Tabela 6– Estimativa de Consumo de óleo de cozinha
ESTIMATIVA DE CONSUMO DE ÓLEO DE COZINHA
FAIXA DE CONSUMO PORCENTUAL QUANTIDADE DOMICÍLIOS
Menos de l litro 16% 41
=igual ou similar a l litro 11% 29
(1 a 2 litros) 39% 101
(2 a 4 litros) 25% 66
Mais de 4 (quatro) litros 9% 23
Tabela 7– Estimativa de óleo de cozinha (fator de ponderação)
ESTIMATIVA DE CONSUSMO DE ÓLEO DE COZINHA ´
FAIXA DE CONSUMO LITROS % ENTREVISTADOS FATOR DE PONDERAÇÃO
Menos de l litro 0,45 16% 0,07
=igual ou similar a l litro 0,9 11% 0,10
(1 a 2 litros) 1,35 39% 0,52
(2 a 4 litros) 2,7 25% 0,69
Mais de 4 (quatro) litros 3,6 9% 0,32
TOTAL 100% 1,70
Tabela 8– Estimativa de consumo de óleo de cozinha segundo o universo da amostra e a população DF
ESTIMATIVA DE CONSUMO DE ÓLEO DE COZINHA
UNIVERSO DA AMOSTRA CONSUMO POPULAÇÃO DF
1,70 x 260 domicílios 1,70 x 689.457 domicílios
44 litros 117.207litros
2 Sobra mensal de óleo de cozinha usado para ser descarte
Adotou-se como valor de cada faixa de sobra o seu centro. Por exemplo, na faixa de 2 a 4 litros – a quantidade a ser considerada foi a média do intervalor da faixa, ou seja, 3 litros. (*) Quando falamos em l litro de óleo, compramos um frasco ou lata que contém apenas, 0,9 litros ou 900 ml.
Fator de ponderação em litros de óleo usado: é a relação entre a quantidade de óleo usado multiplicado pelo porcentual dos entrevistados, para cada uma das faixas de respostas. Estimativa de sobra de óleo usado: multiplica-se o fator de ponderação pelo número de domicílios do Distrito Federal.
Tabela 9– Estimativa de sobra de óleo de cozinha
ESTIMATIVA DE SOBRA DE ÓLEO DE COZINHA
FAIXA DE CONSUMO PORCENTUAL QUANTIDADE DOMICÍLIOS
Menos de l litro 45,4% 118
=igual ou similar a l litro 26,5% 69
(1 a 2 litros) 21,2% 55
(2 a 4 litros) 6,5% 17
Mais de 4 (quatro) litros 0,4% 1
Tabela 10– Estimativa de sobra de óleo de cozinha usado (fator de ponderação)
ESTIMATIVA DE SOBRA DE ÓLEO DE COZINHA USADO
FAIXA DE CONSUMO LITROS % ENTREVISTADOS FATOR DE PONDERAÇÃO
Menos de l litro 0,45 45,4% 0,20
=igual ou similar a l litro 0,9 26,5% 0,24
(1 a 2 litros) 1,35 21,2% 0,29
(2 a 4 litros) 2,7 6,5% 0,18
Mais de 4 (quatro) litros 3,6 0,4% 0,01
TOTAL 100% 0,92
Tabela 11– Estimativa de sobra de óleo de cozinha usado segundo o universo da amostra e a população DF
ESTIMATIVA DE SOBRADE ÓLEO DE COZINHA
UNIVERSO DA AMOSTRA CONSUMO POPULAÇÃO DF
0,92 x 260 domicílios 0,92 x 689.457 domicílios
23 litros 63.430
Com relação entre sobra de óleo usado e consumo de óleo é de arbitrou-se uma outra relação porcentual mais conservadora de 13,5, ou seja, um quarto do valor obtido pelas entrevistas. Com isto, a quantidade total de óleo disponível para coleta seria de 63.430 litros de óleo usado por mês, disponível para a reciclagem.
5 CONCLUSÃO
A Pesquisa Socioambiental apresentada nesta dissertação abordou o tema da destinação adequada do óleo de cozinha usado, um resíduo poluidor que pode ser transformado em produtos como sabão e biodiesel. O universo amostral da pesquisa compreendeu os responsáveis por domicílios urbanos no âmbito doméstico, contemplando as 26 Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal, com um total de 260 pessoas entrevistadas15. Dessa forma, o estudo permitiu conhecer os diferentes pontos de vista sobre as várias questões que envolvem o óleo de cozinha usado. A saber, como o produto está sendo descartado, a disponibilidade de doação e o potencial de recolhimento. Nesse contexto, observaram-se as diversidades existentes, segundo o conhecimento da realidade do universo pesquisado.
Com base na pesquisa realizada nas RAs, foi possível caracterizar o perfil socioeconômico e socioambiental dos entrevistados, o que permitiu uma análise da realidade do universo amostral segundo a renda familiar e o nível de escolaridade. Foi constatado que quanto maior a renda, menor o consumo de óleo de cozinha e, quanto menor a escolaridade, maior a sobra de óleo usado. Isto demonstra o potencial de recolhimento de óleo usado, uma vez que haveria maior sobra de óleo por parte da classe de baixa renda e daqueles que possuem baixo nível de escolaridade. A pesquisa evidenciou, ainda, o grau de disposição em doar o óleo usado, que é crescente em relação à renda familiar, já que os que possuem renda familiar mais baixa relataram que aproveitavam o óleo residual para fabricar seu próprio sabão.
Com relação aos motivos para doação do óleo de cozinha usado à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), os entrevistados afirmaram que doariam o óleo para reciclagem por estarem preocupados com a preservação ambiental e para evitar a poluição. Isso demonstra uma atitude positiva de não mais descartar o óleo na pia, caso tenham uma solução alternativa ambientalmente adequada. Percebe-se que grande parte da população amostral se preocupa com o meio ambiente, o que constitui uma manifestação favorável para o envolvimento da população no processo de coleta de óleo de cozinha usado, evitando o seu descarte inadequado. Quanto ao ator que deve ser responsável pela coleta do óleo usado, a população julga que a coleta deveria ser feita pela Caesb ou por cooperativas,
15 A Figura 4 – Percentual de homens e mulheres do universo amostral: 59% mulheres e 41% homens. Figura 6 -
Classificação dos entrevistados por faixa etária: 74% entre 31 e 70 anos de idade. Figura 8 – Faixa de renda familiar dos entrevistados: 76% com renda entre zero e cinco salários mínimos.
com percentuais similares (37% e 38%, respectivamente). Face às outras instituições citadas (Instituto Brasília Ambiental - IBRAM e ONGs), a elevada aceitação das cooperativas provavelmente se deve ao fato de estarem socialmente mais próximas da população de menor renda e de elas viabilizarem o negócio produtivo de seus associados junto ao mercado. Já a escolha da Caesb está possivelmente relacionada à confiança dos entrevistados nessa instituição, os quais pensam que ela faria melhor gerenciamento do material recolhido e reaproveitamento para novos produtos.
Com referência à implantação da coleta seletiva de óleo de cozinha usado no Distrito Federal, a população amostral acredita que ela deveria existir, sendo vista como principal medida para diminuir o impacto ambiental causado por esse poluente. No entanto, vale ressaltar que a maioria dos entrevistados aponta que a coleta seletiva deveria ser acompanhada da reciclagem, que seria o melhor recurso para o aproveitamento do óleo residual coletado. Dessa maneira, os resultados reforçam que é necessário encontrar formas adequadas de aproveitar um material contaminante para a fabricação de outros produtos.
Com relação à situação atual do descarte do óleo, identificou-se que, apesar de haver certo grau de consciência ambiental, grande parte da população da amostra está descartando o óleo residual na pia da cozinha. Outra parte está envolvida de alguma forma com a fabricação de sabão caseiro ou simplesmente com a doação de óleo residual para essa finalidade. Essa atitude identifica a necessidade de buscar alternativas ambientais para a solução do problema.
Sobre o conhecimento ambiental dos entrevistados com relação ao impacto decorrente do descarte inadequado do óleo de cozinha usado, a população amostral identificou o óleo residual como causador de degradação ambiental dos recursos hídricos quando descartado inadequadamente, considerando poluente, e também ficou demonstrada uma preocupação relacionada à contaminação do solo. Entretanto, foi observado que a população da amostra não tem conhecimento da intensidade do impacto ambiental causado pelo descarte inadequado do óleo.
Uma vez havendo o conhecimento de que o óleo de cozinha usado pode ter um aproveitamento sustentável, parte da amostra afirmou saber que o óleo poderia ser reaproveitado em fabricação de sabão. Ficou identificado que quanto ao conhecimento sobre os produtos que podem ser fabricados a partir da reciclagem do óleo usado, prevaleceu a preferência por produtos de limpeza, como sabão em barra, sendo o biodiesel menos conhecido. O sabão se destaca como produto reciclado preferido pelos entrevistados, tanto
para compra, quanto para fornecimento gratuito, um resultado esperado por se encontrar mais próximo das necessidades reais dos entrevistados.
Outra questão importante apontada refere-se à logística e ao interesse dos agentes públicos em recolher o óleo residual e repassá-los em forma de benefícios para a comunidade de baixa renda. As respostas apontam ainda que a população questiona a capacidade de os órgãos governamentais manterem a coleta seletiva e garantirem que sejam implementados e executados os programas socioambientais. Foi percebido um receio no tocante à logística e apontada à fragilidade do governo com relação à implantação de políticas socioambientais.
O elevado grau de desconhecimento acerca do Projeto Biguá reforça a necessidade de divulgação, por intermédio de campanhas educativas, desse tipo de iniciativa, que envolve o descarte adequado do óleo de cozinha usado. Para tanto, é fundamental que seja estabelecido um meio eficaz para a sensibilização da sociedade no que se refere às ações e práticas que possam estimular as comunidades para o desenvolvimento do hábito de coletar o óleo residual, conduzindo à compreensão de que esse tipo de prática tem retorno para o próprio indivíduo, que, além de auxiliar na preservação da rede de esgotamento sanitário, estará promovendo uma ação efetiva para a redução da poluição.
Com referência à hipótese, confirma-se, portanto, que a disponibilidade de doação do óleo de cozinha usado pelos domiciliados urbanos das RAs do DF está diretamente associada à renda e à escolaridade. Observa-se que a disposição para doar o óleo usado tem uma relação crescente com o aumento da renda familiar, conforme figuras apresentadas. As figuras resultantes das correlações evidenciaram que 82% da população doaria o óleo. Quando estratificados por nível de renda e de escolaridade, se verifica que, no caso dos domiciliados de baixa renda e de menor escolaridade, vários relataram que já aproveitavam o óleo residual para fabricação de sabão, o que constituiria menor disposição em colaborar com campanhas de doação de óleo usado, uma vez que destinavam o material ao uso próprio, por razões econômicas. Nesses dois estratos, a rejeição à doação do óleo aumenta para 45% e 58%, respectivamente.
Revelaram-se, nessa amostragem, as expectativas da população com relação à percepção do meio ambiente no que diz respeito à poluição, quais são os produtos reciclados de sua preferência, o que fazer com o óleo usado, disponibilidade de doação, e como gostaria que fosse trabalhada a questão da logística referente à coleta. Para finalizar, a amostragem sinalizou a melhor forma de divulgar uma iniciativa para que um poluente tenha sua destinação adequada.
O estudo permitiu a construção de um cenário de conhecimentos e expectativas por parte da população do DF frente às questões que envolvem o descarte inadequado do óleo de cozinha usado, a quantidade de óleo disponível para recolhimento e a disponibilidade da população em doar o óleo residual ao invés de descartá-lo e seu reaproveitamento para produção de novos produtos. Cabe ressaltar que a existência de legislação distrital sobre a coleta de óleos e gorduras vegetais favorece a implementação de ações estruturadas que promovam a conscientização da população sobre a importância da coleta seletiva e da reciclagem do óleo de cozinha.
O presente estudo abordou os vários aspectos socioambientais constituindo um banco de informações socioeconômicas e educativas que contém um grande volume de informações relevantes de acordo com a realidade das Regiões Administrativas, com abordagens estratégicas que poderão servir de base para a proposição de políticas públicas e implantação de projetos, programas ou mesmo de campanhas de educação ambiental voltadas para o tema.
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