Chapter 3. MANET Routing Protocols and Security Issues
4.3 Security extensions
4.3.2 SA-OLSR
RELAÇÕES SEMÂNTICAS PARA UFO . . . 525
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Introdução
A dedicatória desta obra, apresentada na página 7, é o rascunho de um poema despretensioso que dedica este trabalho “às pessoas”. No entanto, ao explicar o que é pessoa, o autor usurpa ideias díspares, não comumente atribuíveis ao conceito de pessoa. Com base no conhecimento vulgar, no senso comum fecundado das experiências coletivas, como vislumbrar uma pessoa que é cósmica e chora, é vento e sonha, é de barro e reza, acredita mas é gelo? Caso o autor do poema se afirme como poeta, a licença poética inerente àquela dedicatória não incomoda, nem levanta suspeitas sobre a sanidade do pretendente a artista literário. No entanto, o que se deveria entender caso ele se posicionasse como um cientista ou como um profissional que tentasse descrever a realidade daquela forma imprecisa e ambígua? De fato, a poesia é aquela que primeiro revela a experiência com a realidade. Não apenas a realidade raciocinada, mediada, teorizada e conceitual dos filósofos e dos cientistas, mas a realidade vivida, convivida e sentida na imersão ôntica na qual todos os poetas estão subordinados. Além disso, e também por isso, a poesia é ela própria a filosofia primeira, a que proveu as primeiras formas de expressão sobre os entes que coocorrem conosco na realidade. Nas palavras de Maffei(1949, p. 1507):
La poesía, en efecto, surgió como una forma de concepción del mundo y de aprehensión de la realidad por la palabra, que adquiere de ese modo un valor trascendente. Sabido es que fué la poesía la precursora de la filosofía [. . . ] Platón argumenta a menudo en base a la tradición mitológica, y Aristóteles reconoce expresamente que es digno de un filósofo citar en prueba de sus afirmaciones la palabra de algún poeta.
Todo ello revela el alto valor de conocimiento asignado a la poesía en la antigüedad, y no a otra cosa que a este prestigio y valoración responde el hecho de que los primeros pensadores con intención filosófica adoptaran la forma poética como el medio más natural y apropiado de expresión de la realidad. Así, no es por obra de filósofos posteriores, que supieron desentrañar el sentido metafísico de algún poema, sistematizándolo en conceptos, por lo que la poesía tiene alcance cognoscitivo, sino por la naturaleza misma de la expresión poética y en razón de su legitimidad como forma de conocimiento.
Porém, embora seja a poesia a precursora e grande mandante prócere do discursar sobre a Ontologia, a linguagem poética é tão dependente de sujeitos cognoscentes que a torna inadequada a “aplicações” compartilhadas entre humanos e máquinas, especialmente no que se refere ao alcance de objetivos específicos, que mantenham compromisso não apenas com a arte e com o conhecimento, mas também com finalidades pragmáticas, como construção de sistemas de informação, modelagem de processos de trabalho, desenho de arquiteturas da informação, entre tantas outras serventias que se possa dar às técnicas de discursar sobre o mundo. Como forma de contornar essa circunstância, busca-se minguar a intrínseca subjugação subjetiva inerente à própria experiência, de modo a tentar atingir
o objetivo, possivelmente inatingível, de se descrever a experiência em pura forma lógica. Não que se entenda possível arrancar toda a poesia dos atos de colocar a experiência com a realidade ôntica em formas de linguagem artificial. Mas é necessário que as experiências subjetivas sejam transformadas em objetos para que se tornem menos dependentes daqueles que as experimentam diretamente, e assim, possam ser comunicadas e compartilhadas.
Nesse sentido, o problema abstrato tratado nesta pesquisa é a questão clássica, e sempre em aberto, da relação que o homem conserva com a experiência do mundo, seja este um mundo externo, caracterizado como realidade, ou o mundo introspectivo, próprio e individual de cada sujeito. De modo concreto, este trabalho aborda o problema semiótico da expressão e registro, por meio de símbolos organizados em uma linguagem suportada por máquina, dos fenômenos que ocorrem na experiência fenomenológica do sujeito com os objetos. Com intuito de permitir prosperar sobre a questão, esta pesquisa propõe uma linguagem para formalização de discursos proferidos por sujeitos a respeito de entidades ontológicas. Esse objetivo visa ampliar a capacidade humana de raciocinar, e de racionalizar suas experiências. Esse propósito é alcançado com apoio nos fundamentos da Arquitetura da Informação, na Unified Foundational Ontology (UFO) de Guizzardi (2005), e sustentado na Lógica Clássica e em Lógicas Modais aplicadas com o paradigma
de Programação em Lógica.
A Lógica Clássica é utilizada como primeiro fundamento que norteia a formalização da linguagem. As Lógicas Modais proveem complemento à camada clássica com introdução de lógicas com semânticas de múltiplos agentes, de modo que seja possível formalizar discursos de diferentes sujeitos referentes a um mesmo universo de entidades ontológicas. Já a UFO provê uma ontologia base, fundamental, que serve de alicerce para a construção de ontologias específicas de domínio – ou como preferimos: de discursos – sobre determinado universo. Desse modo, a UFO funciona como um sistema de conceitos fundamentais sobre a realidade, sobre os quais se constroem conceitos que mantém compromisso ontológico tanto com o que é observado, quanto com o sistema teórico e ontológico subjacente. Por conseguinte, a Programação em Lógica Clássica e em Lógicas Modais são utilizadas como arcabouço para a formalização e implementação do sistema de formalização desenvolvido. Esse sistema lógico, resultado desta pesquisa, recebe o nome de Ontoprolog.
De um ponto de vista geral, a proposta de Ontoprolog contempla o seguinte: a) uma linguagem formal textual5 base para descrição de discursos bem funda-
dos sobre experiências do sujeito com entidades ontológicas. A linguagem é construída para que possa ser oralizada (lida em voz alta) de modo natural e que seus contructos mantenham compromisso ontológico com uma ou mais ontologias subjacentes. A proposta consiste em um arcabouço de metamodela- 5 Linguagem textual é entendida em oposição à linguagem diagramática, baseadas em representações
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gem, em que teorias gerais são usadas como base a teorias específicas. Embora seja independente do arcabouço dedutivo baseado em Programação em Lógica, a linguagem de Ontoprolog é construída de modo que possa funcionar como uma linguagem de domínio específico (DSL) interna às implementações de Prolog. Dessa forma, a linguagem pode ser integrada potencialmente a qualquer programa Prolog novo ou existente que atenda as normas da série ISO/IEC 13211:1995 (ISO/IEC, 1995);
b) um corpo de regras sintáticas e semânticas dessa linguagem baseado no motor de provas do arcabouço da Programação em Lógica Clássica;
c) uma especificação do fragmento endurante da UFO, um conjunto de açúcares sintáticos6 construídos sobre a linguagem base, e um conjunto estendido de regras que verificam ontologias de universais e de particulares daquela ontologia de fundamentação;
d) traduções das teorias especificadas na linguagem de Ontoprolog para linguagens visuais de representação de conceitos;
e) um conjunto de extensões à linguagem textual para incorporação de expressões modais, e a discussão de estratégias de incorporação de semântica modal aos discursos sobre entidades ontológicas baseado em semânticas de multi-agentes com interpretações epistêmicas/doxásticas, sustentados pelo arcabouço provido por uma extensão modal de Programação em Lógica, o MProlog, proposto por Nguyen (2006) (seção 3.2).
Por se apresentar como uma pesquisa desenvolvida no âmbito da Ciência da Informação, uma área naturalmente transdisciplinar, para o alcance dos objetivos do trabalho utiliza-se da epistemologia e de contribuições específicas de diferentes disciplinas. Dessa forma, pesquisadores de Ciência da Computação eventualmente se interessarão pela abordagem de Programação em Lógica utilizada para definição da sintaxe e da semântica de Ontoprolog. Pesquisadores de Lógica observarão a aplicação de lógicas clássicas e modais em problemas específicos de informação, especialmente de Modelagem Conceitual. Pesquisadores das áreas de Ontologia e de Modelagem Conceitual se interessarão pela harmonização dos fundamentos da Arquitetura da Informação, com a metáfora dos discursos, das estratégias da engenharia da linguagem proposta, e das aplicações possíveis. Por fim, cientistas da informação se interessarão pela abordagem como um todo, que visa integrar a engenharia lógica7, formalização de discursos e ontologias para tratar problemas de arquitetura da informação.
6 Ver nota sobre a expressão “açúcares sintáticos” na subseção 1.4.4.2. 7 Abordada naseção 2.4.
O restante do fragmento textual8 desta obra é estruturado em três partes, do seguinte modo:
a) Parte I (Preparação da pesquisa): a primeira parte da obra, que consiste no Capítulo 1 (Elementos de pesquisa), tem o encargo de apresentar o problema de pesquisa, os objetivos, a justificativa e a metodologia científica adotada no trabalho;
b) Parte II (Referenciais teóricos): a segunda parte do trabalho consiste na apre- sentação da propedêutica das disciplinas científicas abordadas. Adota-se uma abordagem sintética de exposição dos achados mais relevantes aos objetivos estabelecidos pelo Capítulo 1. O tratamento sintético é entendido como oposto a uma obra enciclopédica sobre os temas, de modo que foca-se em mencionar re- ferências precisas sobre os textos consultados, para que possam ser encontrados e verificados. A parte é distribuída nos seguintes capítulos:
– Capítulo 2 (Arquitetura da Informação): apresenta-se o contexto de Arqui- tetura da Informação em que esta tese está inserida, especialmente no que tange aos trabalhos do grupo de pesquisa do CPAI/UnB;
– Capítulo 3 (Programação em Lógica): contém uma breve apresentação de Prolog, MProlog e de técnicas para especificação de linguagens formais, com foco na identificação das obras consultadas para obtenção dos resultados apresentados naParte III;
– Capítulo 4 (Ontologia de fundamentação UFO): trata-se do capítulo mais extenso de referencial teórico. Seu objetivo é apresentar uma sistematização das regras a serem observadas na construção de modelos conceituais com base na UFO. Essas regras são distribuídas em quadros, um para cada entidade UFO relevante para o uso da ontologia como linguagem de formalização de discursos. Uma larga pesquisa bibliográfica é realizada com foco nas obras publicadas pelo autor e pesquisadores que contribuem com a UFO;
c) Parte III (Resultados): a última parte do fragmento textual do texto consiste na apresentação dos resultados da pesquisa, distribuídos nestes capítulos: – Capítulo 5(Ontoprolog: Visão geral): o primeiro capítulo dessa parte apresenta
uma sumarização dos resultados da pesquisa referentes ao Ontoprolog. O capítulo introduz detalhes abordados pelos capítulos seguintes;
– Capítulo 6 (Semântica formal base de Ontoprolog): nesse capítulo aborda-se aspectos técnicos referentes à semântica base de Ontoprolog. A semântica é 8 Conforme a ABNT NBR 14724:2011 Informação e documentação — trabalhos acadêmicos — apresen-
tação (ABNT,2011), os trabalhos acadêmicos são dividos em três fragmentos: a parte pré-textual, que inicia-se na capa e encerra-se após o Sumário; a parte textual, que estende-se imediatamente após o Sumário até imediatamente antes das Referências e a parte pós-textual, que consiste das Referências até o Índice.
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descrita por meio de uma linguagem alvo baseada no fragmento da Lógica de Primeira Ordem expressável por meio de cláusulas de Horn;
– Capítulo 7 (Sintaxe base de Ontoprolog): a sintaxe base proposta para a linguagem é abordada nesse capítulo por meio de definições em EBNF. A semântica de tradução da sintaxe é demonstrada com base em funções que traduzem a sintaxe base em relações semânticas na linguagem alvo;
– Capítulo 8 (Especificação da UFO em Ontoprolog): a sintaxe e a semântica bases de Ontoprolog são estendidas nesse capítulo, de modo a aprimorar a experiência de arquitetos da informação quando a UFO é a ontologia subjacente na formalização de determinado discurso;
– Capítulo 9 (Modalidades de MProlog com Ontoprolog): apresenta-se como as definições clássicas de Ontoprolog são adaptadas e integradas ao arcabouço lógico MProlog, que fornece expressividade modal com diferentes semânticas, inclusive semântica de múltiplos agentes por meio de lógicas epistêmicas/do- xásticas;
– Capítulo 10 (Implementação de referência do arcabouço de Ontoprolog): destacam-se algumas características da implementação de referência e de uso de Ontoprolog tendo Prolog e MProlog como sistemas subjacentes hospedeiros. O capítulo detalha o código-fonte da linguagem proposta e aborda tradu- ção das especificações Ontoprolog para a linguagens diagramáticas visuais, especialmente a OntoUML, proposta por Guizzardi (2005);
– Capítulo 11(Considerações finais e conclusão): como encerramento da parte textual do texto, o capítulo apresenta as considerações finais, as contribuições mais relevantes da pesquisa e as sugestões a trabalhos futuros.
Após o fragmento textual, o fragmento pós-textual final contempla ainda as seguin- tes seções, além das Referências e do Índice:
a) Glossário da UFO: trata-se de um glossário com 186 entradas referentes ao fragmento endurante da UFO, criado com base nas publicações do autor da ontologia de fundamentação em foco realizadas nos últimos dez anos. O glossário funciona como extensão dos referenciais teóricos (Parte II), e é construído com a intenção de servir de base para a proposição de um tesauro (SIMÕES, 2008; DODEBEI,2002;ISO,2011) com foco na sistematização terminológica da UFO; b) Apêndice A (Especificação da Metateoria de Hypertypes): contém especificação, realizada na linguagem proposta, da metateoria de referência utilizada para definição das demais ontologias. Trata-se das definições ontológicas e lógicas mais elementares apresentadas na forma de um arcabouço geral;
em UML da ontologiaUFO conforme incorporada neste trabalho, adaptada aos objetivos específicos da pesquisa;
d) Apêndice C (Especificação da metateoria UFO em Ontoprolog): trata-se da especificação, na linguagem proposta, dos conceitos representados na figura contida no Apêndice B;
e) Apêndice D (Diagrama com visão da UFO-A original): apresenta um diagrama em UML de conceitos da UFOconforme encontrados na literatura;
f) Apêndice E (Operadores Prolog usados na definição da sintaxe de Ontopro- log): contém as definições dos operadores Prolog usados na implementação da linguagem proposta nesta pesquisa;
g) Apêndice F (Expansões das relações semânticas): consiste na implementação em Prolog de expansões realizadas no processo de tradução da linguagem Ontoprolog para relações simples na lógica subjacente de Prolog;
h) Apêndice G(Extensão das expansões das relações semânticas para UFO): trata- se da extensão das regras de expansão apresentados peloApêndice F específicas para a sintaxe proposta para a UFO.