Chapter 8. Discussion
8.5 Application areas
Cientistas da informação não são mais meros catalogadores de livros com base em padrões como MARC e AACR2. O modo de usar as classes tem mudado. Elas são mais gerais e com abordagem teórica mais consistente (RUPP; BURKE, 2004). Desse modo, a compreensão de questões metafísicas é importante não apenas para o entendimento do mundo, como é de extrema relevância para moldá-lo. No âmbito jurídico, por exemplo, questões sobre sistematização e classificação de conceitos, embora sejam tópicos de pesquisas recentes (PEPINO; GAVIORNO; FILGUEIRAS,2003; COSTA, 2008), já são levantadas há séculos. No âmbito brasileiro, por exemplo, o eminente jurista doutrinador Augusto Teixeira de Freitas (1816–1883), no século XVIII, discutia essas questões no âmbito de seus projetos que englobavam o Código Civil brasileiro (FREITAS, 2003)15. Conforme Freitas (1859, p. 52-53)16:
Classificar não é simplesmente dividir, não é sómente designar por uma denominação commum os individuos que se assemelhão á certos respeitos. A divisão é instrumento da analyse; mas, terminada esta, e conhecidas as differenças e sememelhanças dos entes ou factos observados; a clas- sificação,instrumento da synthese, os distribue, não em series isoladas, mas em classes superiores e inferiores, subordinadas umas ás outras, e fumando um verdadeiro systema, que não é um simples arranjamento e superposição, mas um tecido, um aggregado de partes reciprocamente unidas
15 O código mencionado foi vigente no país por mais de cinco décadas (1858-1917).
16 Transcreve-se o texto exatamente como se lê na obra. Por isso, detalhes ortográficos não contemporâneos
e de tipografia, como reticências com dois pontos no segundo parágrafo, ausência de ponto final no primeiro parágrafo, entre outros, são mantidos como encontrado no original consultado.
Para haver essa união, bem se vê, que a classificação só pode ser o producto de uma idéa geral, de um principio dominante. Se a classificação não é fundada sobre um principio, não existe systema; porque as classes ja não dependem umas das outras.. A escolha desse principio é a grande difficuldade, e determina as classificações naturaes e as artificiaes.
Como um grande sistema de informação, o sistema de normas jurídicas é apenas um caso que exemplifica a necessidade de ter à disposição dos arquitetos da informação um sistema geral de classificações que permita que outros conceitos sejam especializados, compostos e derivados de conceitos mais abstratos, elementares ou gerais. Esse é um papel que, contemporaneamente, atribui-se às ontologias de fundamentação: o de servir de fundamento para o desenvolvimento de ontologias mais especializadas. Dessa forma, ontologias de fundamentação tratam-se de ontologias genéricas, usadas como referência para desenvolvimento de ontologias de domínio mais específicos17. Essas ontologias gerais são descritivistas, e têm objetivos múltiplos: servem como língua franca para sistematizar (e formalizar) conceitos de senso comum dos envolvidos no processo de modelagem e de referência para a generalização de aspectos da realidade, de modo que situações e entidades específicas possam ser explicadas a partir de algum tipo de relação com aqueles conceitos mais gerais (como a partir de relações de exemplificação, instância, subsunção, etc.). A organização de classes é a base para o desenvolvimento de ontologias em diferentes níveis de abstração. ConformeBenevides et al. (2010, p. 2.905):
In pace with Degen et al. (DEGEN et al., 2001), we argue that “ev- ery domain-specific ontology must use as framework some upper-level ontology”. This claim for an upper-level (or foundational) ontology un- derlying a domain-specific ontology is based on the need for fundamental ontological structures, such as theory of parts, theory of wholes, types and instantiation, identity, dependence, unity, etc., in order to properly represent reality. From an ontology representation language perspective, this principle advocates that, in order for a modeling language to meet the requirements of expressiveness, clarity and truthfulness in representing the subject domain at hand, it must be an ontologically well-founded language in a strong ontological sense, i.e., it must be a language whose modeling primitives are derived from a proper foundational ontology (GUIZZARDI; MASOLO; BORGO,2006;GUIZZARDI, 2007b).
Nessa mesma linha de raciocínio, as ontologias têm papel fundamental no contexto em que múltiplos agentes estão envolvidos, caso que se coaduna com problemas apresentados naseção 1.1. Gruber (1993b), para mencionar um exemplo, corrobora essa posição:
In the context of multiple agents (including programs and knowledge bases), a common ontology can serve as a knowledge-level specification of the ontological commitments of a set of participating agents. A common ontology defines the vocabulary with which queries and assertions are exchanged among agents. For example, the words in the planning ontology
1.3. Justificativa 59 are technical terms that govern the form of inputs and the interpretation of outputs. The definitions tell the user of a planning system what infor- mation must be given about an “event” or “resource” in order for the planner to be able to use the information. Each program must commit to the semantics of the terms in the common ontology, including axioms about the properties of objects and how they are related. However, there need be no commitment to the form or content of knowledge internal to the agent.
The axiomatization in an ontology need not be a complete functional specification of the behavior of an agent. Common ontologies typically specify only some of the formal constraints that hold over objects in the input and output in the domain of discourse of a set of agents. They do not say which queries an agent is guaranteed to answer. Thus, a commitment to a common ontology is a guarantee of consistency, but not completeness, with respect to queries and assertions using the vocabulary defined in the ontology. Specifying the inferential capabilities of agents is an open research problem