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2 THEORY

2.4 P OLITICAL EXPLANATIONS

Segundo o Dicionário Aurélio (2017), a refeição são “alimentos que se tomam de cada vez em certas horas do dia”.

Para elucidar conceitualmente a refeição digital, parte-se da definição de objeto digital, por ser um conjunto de bits que formam uma unidade lógica interpretável por um programa de computador e armazenada em formato apropriado.

A refeição digital é um elemento computacional que configura, no domínio da solução, um conjunto de classes compostas por atributos de interesse do problema sob análise. Cada atributo possui uma estrutura e define os valores que podem ser anexados às classes (Figura 14).

Figura 14 – Elemento dos de uma refeição digital.

Fonte: Autora.

Na teoria de objetos digitais proposta por Kallinikos et al. (2010), os objetos digitais são marcados por um conjunto limitado de quatro atributos que lhes conferem um perfil distinto e funcional: i) editabilidade; ii) interatividade; iii) aberto e reprogramável; iv) distribuído.

As terminologias e a teoria dos objetos digitais, proposta por Kallinikos et. al (2010), podem ser aplicadas para conceituar as refeições digitais, pois os quatro atributos são aplicáveis. A editabilidade é uma característica intrínseca das refeições digitais, através de um aplicativo, adicionando, alterando, suprimindo elementos ou atualizando itens específicos. A interatividade permite ao usuário exercer um nível de participação ou influência no processo de definição de uma refeição, através de interfaces gráficas amigáveis, em tempo real. Uma refeição digital é aberta e reprogramável pela possibilidade de uma imagem ser livre de direitos autorais e, também pela flexibilidade de modificá-la por outro objeto digital (software). Distribuída, pela facilidade de ser acessada remotamente, via Internet, raramente se limitando a uma única fonte, de maneira que as fronteiras originalmente não existentes, em objetos isolados, sejam criadas e mantidas em bases computacionais para uso e acesso regular de qualquer lugar da rede (Figura 15).

Figura 15 – Conceito de refeição digital.

Fonte: Autora.

Para Teixeira (2009), os alimentos possuem características organolépticas como odor, textura, cor, gosto e som.

De modo similar, uma refeição digital é caracterizada por atributos e propriedades que são determinadas pelas matérias-primas utilizadas. Alguns atributos, citados como base para conceituar uma refeição digital, estão definidos na NBR 12806.

O aroma é a propriedade que permite distinguir as substâncias aromáticas de um alimento durante a degustação, via retronasal. O sabor (do inglês, flavour), é um atributo complexo, definido como experiência mista, mas unitária de sensações olfativas, gustativas e táteis percebidas durante a degustação (ABNT, 1993).

Todo produto alimentício possui uma aparência associada às reações pessoais de aceitação, indiferença ou rejeição (TEIXEIRA, 2009). O paladar é diretamente sugestionado pela apresentação visual de um alimento. A NBR 12806 define o gosto como sensação percebida pelos órgãos gustativos, quando estimulados por determinadas substâncias solúveis (ABNT, 1993). Dessa forma, o gosto é uma das propriedades sensoriais da cavidade bucal relacionadas ao paladar, identificada pela boca (TEIXEIRA, 2009). É a percepção, através das papilas gustativas, das características básicas ou gostos primários dos alimentos, ou

seja, os gostos ácidos, amargos, doces e/ ou salgados (TEIXEIRA et al., 1987; ABNT, 1993; ANZALDÚA-MORALES, 1994 apud TEIXEIRA, 2009) e umami.

Existem indivíduos com percepção adequada para alguns desses gostos primários e, ao mesmo tempo, é desprovida de percepção para outros paladares (ANZALDÚA-MORALES, 1994 apud TEIXEIRA, 2009).

Conforme a NBR 12806, o termo “gosto” não deve ser utilizado para qualificar a combinação de sensações gustativas, olfativas e táteis, intituladas pelo termo “sabor”. Se o termo for usado neste sentido, deve sempre se associar a um termo que o qualifica, por exemplo gosto de cebola (ABNT, 1993).

Para descrever a cor de um alimento digital, utiliza-se o sistema de cores HSV cuja abreviatura provêm dos componentes: i) tonalidade ou matiz (hue); ii) saturação (saturation); iii) valor ou brilho (value). Esse sistema também é conhecido como HSB (hue, saturation e brightness, respectivamente, tonalidade, saturação e brilho). Esse sistema de cores define o espaço de cor utilizando três parâmetros, matiz, intensidade e brilho.

A NBR 12806 define apenas dois conceitos, matiz e intensidade. A matiz equivale a uma dimensão da cor que corresponde à variação nos comprimentos de onda. A intensidade corresponde. (ABNT, 1993). Partindo dessa conceituação, sugere-se que:

i) Matiz: é determinada pelo comprimento de onda da luz refletida pela refeição digital;

ii) Intensidade: depende da concentração de substâncias aditivos e/ou corantes utilizados em uma refeição digital;

iii) Brilho: é a quantidade da luz refletida pelo corpo em comparação com a quantidade de luz que incide sobre o mesmo. A luminosidade é a denominação dada à capacidade que possui qualquer cor de refletir a luz.

A textura é um atributo multiparâmetro, pois corresponde ao conjunto de todas as propriedades reológicas e estruturais (geométricas e de superfície) de um alimento, perceptíveis pelos receptores mecânicos, táteis e eventualmente pelos receptores visuais e auditivos (ABNT, 1993). Manifesta-se quando o alimento sofre uma alteração, por exemplo, quando é mordido, prensado, cortado etc. Através dessa ação sobre a integridade do alimento é possível ter noção da resistência,

coesividade, fibrosidade, granulosidade, aspereza, crocância, entre outras (ANZALDÚA-MORALES, 1994 apud TEIXEIRA, 2009).

Além disso, os alimentos possuem sons característicos que são reconhecidos pela experiência prévia do indivíduo quando consumidos ou preparados; sendo associado principalmente à textura do alimento (TEIXEIRA et al., 1987).

Os parâmetros mecânicos das texturas (APÊNDICE B) comuns às refeições digitais são características determinantes para a aceitabilidade e preferência dos consumidores.

Na constituição da refeição digital, a textura pode determinar o controle da matéria-prima no processo de impressão, o desenvolvimento de novas refeições digitais, ou mesmo, alterações em suas formulações para obter determinada consistência.