Os resultados deste estudo mostraram que que o sexo predominante foi o sexo feminino e no que diz respeito às idades, verificou-se que os participantes têm uma média de idades de 83,84 anos, sendo o nível de escolaridade, maioritariamente, a frequência do 1º Ciclo do Ensino Básico.
Os resultados à questão sobre a visão de longe indicam que a autoperceção dos participantes acerca do estado da sua visão de longe é boa, pois consideram ser fácil reconhecer a cara de uma pessoa conhecida do outro lado na rua ou na televisão. Estes resultados parecem contrariar o que referem a maioria dos estudos, uma vez que está cientificamente provado que à medida que a população envelhece, a acuidade visual altera-se quer pelo envelhecimento das estruturas visuais quer pela comorbilidade com outras patologias, sendo mais prevalente em idosos institucionalizados (Dev et al,2012; Evans et al, 2009). Realça-se que o facto de os participantes referirem ver bem, pode não ser sinónimo de uma acuidade visual alta ou baixa, uma vez que as caraterísticas visuais e os contextos em que as pessoas se inserem, diferem de indivíduo para indivíduo.
Quando analisada a correlação entre a autoperceção dos participantes com os resultados das medições reais para a acuidade visual ao perto e ao longe verifica-se que os valores de percepção de aproximadamente metade dos participantes, difere dos resultados das medições reais em escala LogMar. Pese embora estas diferenças, os valores de acuidade visual medida indicam que aproximadamente metade dos participantes do estudo possuem valores baixos de acuidade visual, embora no outro oposto se encontre também metade dos participantes, que traduzem uma acuidade visual com valores altos, valores que se aproximam dos obtidos pelos participantes do estudo de Carsenac et al (2009) quando referem que mesmo com idades avançadas, os valores da acuidade visual são bons, sendo a maioria das condições oculares tratáveis (Carcenac et al, 2009).
A acuidade visual ao longe para o melhor e pior olho, traduz-se numa maioria de participantes que apresenta resultados mais baixos no melhor olho embora, a amostra esteja equilibrada nos resultados para o pior olho. Estes resultados reforçam o que indica a Organização Mundial de Saúde (2012), quando refere que a dificuldade de ver, embora possa ser diferente em cada olho, promove, particularmente nas pessoas idosas,
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uma alteração na capacidade de realizar autonomamente, atividades básicas do dia-a-dia já que esta diferença poderá ser promotora de alterações no equilíbrio, na orientação espacial e inclusivamente de mobilidade. Neste estudo a correlação de Pearson entre a acuidade visual ao longe e a percepção dos participantes sobre a sua visão, demonstra que a autoperceção dos participantes sobre as dificuldades da visão ao longe foi confirmada pela acuidade visual medida.
Quando se analisam os resultados relativos à autoperceção da qualidade da visão dos participantes e a medida objetiva, deparamo-nos com uma autoperceção dos participantes sobre a visão ao perto, com respostas muito aproximadas às da visão ao longe, já que bastantes participantes referem ser fácil ler as notícias em jornais e apenas um valor baixo refere ser impossível. Os participantes referem também que a sua visão não foi afetada pelo processo de envelhecimento, pese embora as idades sejam bastante elevadas, mas referem que já tiveram quedas ou colidiram com objetos ao longo do último ano, facto que parece contrariar a qualidade visual que referem possuir.
Na correlação entre acuidade visual ao perto e a autopercepção dos participantes relativamente à sua visão, verificam-se resultados similares aos da acuidade visual ao longe, isto é, a acuidade visual vai de encontro às dificuldades reportadas, as pessoas que reportam mais dificuldade têm pior acuidade visual.
Relativamente à correlação entre o número de quedas e a acuidade visual de longe verificou-se que existe uma tendência fraca entre as variáveis, não existindo correlação entre a acuidade visual ao longe e o número de quedas dos participantes institucionalizados. Os resultados apontados vão de encontro ao estudo de Wang et al (2012) que indica que uma acuidade visual diminuída pode provavelmente, ser um fator de risco para o aumento das quedas e os seus efeitos diretos, para além de promover insegurança na realização de atividades e aumentar o medo de cair (Wang et al, 2012). No entanto Harwood (2001) contraria os resultados obtidos com a presente amostra, pois refere que o risco de cair aumenta na mesma proporção que a qualidade da visão diminui, existindo uma relação causal, tendo em conta que a visão contribui para aproximadamente um quarto de todas as quedas (Harwood, 2001).
No que diz respeito à análise da sensibilidade ao contraste, verificou-se que os participantes possuem valores altos que se traduzem numa boa sensibilidade ao contraste.Quando correlacionada a sensibilidade ao contraste com o número de quedas
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reportadas pelos participantes verificou-se que existe uma tendência negativa fraca, pelo que se valida a hipótese nula, ou seja, não existe correlação entre a sensibilidade ao contraste e o número de quedas dos participantes. Esta análise foi feita porque a diminuição da sensibilidade ao contraste é um fator de risco para o aumento das quedas (Harwood, 2001). Uma explicação para no nosso estudo não existir correlação significativa entre o número de quedas e a sensibilidade visual ao contraste, é o facto de não conseguirmos controlar outros fatores de saúde do individuo que possam influenciar a existência de quedas e colisões.
Já no que diz respeito aos resultados obtidos para a correlação entre a sensibilidade ao contraste e a acuidade ao longe verifica-se que existe uma correlação negativa moderada entre as variáveis, acontecendo o mesmo quando correlacionadas a sensibilidade ao contraste e a acuidade visual ao perto, pelo que se valida a hipótese dois, ou seja, existe relação entre a acuidade visual ao perto e a sensibilidade ao contraste, o que implica que quem possui valores de acuidade visual mais baixos (logMAR menor) apresenta uma sensibilidade ao contraste com resultados mais altos (logCS maior). Estes resultados permitem ainda inferir que no caso dos participantes, tendo em conta a sua idade, será de todo pertinente que se façam as duas medições para resultados mais coerentes, devendo incluir a medição da sensibilidade ao contraste para entender as dificuldades de leitura das pessoas idosas.
Relativamente aos resultados obtidos sobre as doenças oculares verificou-se que a maioria dos participantes referem não possuir cataratas ou já terem sido operados a esta patologia e quando questionados sobre outros tipos de doenças oculares, todos indicam que não possuem glaucoma, degeneração macular relacionada com a idade e diabetes nos olhos, o que poderá ser indicador da necessidade de prestação de cuidados visuais mais regulares.
Já no que diz respeito aos cuidados visuais os resultados apontam para uma maioria de participantes a referir que não vão a uma consulta há mais de 24 meses e quando questionados sobre a frequência da consulta com dilatação pupilar, 73% dos idosos referem nunca terem tido ou não se lembrar. Os resultados vão de encontro ao que refere a Direção-Geral de Saúde (2012) quando aconselha as instituições de apoio aos idosos para o acompanhamento da saúde visual dos idosos, de forma a prevenir
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possíveis quedas ou acidentes que, em Portugal, continuam a ser uma das causas principais de morte nos idosos (DGS, 2012; Marques Sibila et al, 2012)
Da mesma forma quando questionados os participantes sobre a razão para não procurar cuidados visuais, a maioria refere não ter razões para se deslocar à consulta. Os resultados obtidos vão de encontro ao que Lança et al (2011) referem no seu estudo, quando identificam que em muitos países industrializados, assim como em Portugal, os idosos institucionalizados não são seguidos com regularidade em consultas de visão o que pode constituir um risco acrescido para a sua saúde (Lança et al, 2011). O Plano Nacional de Saúde 2012-2016 (DGS, 2012) deveria incluir as instituições de apoio aos idosos no sentido de também estas estruturas poderem acompanhar a saúde visual dos seus utentes, diminuindo o risco de quedas e promovendo a realização de atividades básicas de vida diária, para a manutenção da qualidade de vida.
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