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Besvart 18. oktober 2016 av justis- og beredskapsminister Anders Anundsen
Como referido anteriormente, é no Estado novo que se assiste à consolidação da cultura nacional baseada no folclore.
“Transformar Portugal rústico numa constante exposição viva de arte popular” (Leal, J., 2002: 272 apud Ferro in Melo 2001: 235), pelas palavras de António Ferro, era o pretendido e ansiado pelo regime que vigorava na época influenciado pelo gosto dos etnógrafos nacionalistas trazidos da I República.
João Leal ressalta a importância de Ernesto Sousa (Leal, J., 2002) nesta nova etapa que surge, a partir de um trabalho de um grupo de intelectuais originários de outras áreas de estudos, como uma figura marcante das artes portuguesas entre os anos de 1940 e 1980. Iniciando-se como crítico de arte neo-realista, Ernesto Sousa (Leal, J., 2002), volta-se para o cinema e para o cine-clubismo desde o final da década de 1940. Vinte anos depois define-se como um artista experimental, adepto do cruzamento das diferentes expressões artísticas e na criação do “espetáculo total” (Leal, J., 2002: 272 apud Freitas 1998: 11) introduzindo também em Portugal o termo “happening” (Leal, J., 2002: 272). O autor apresentado como o principal teórico da “arte/ vida”, defendendo “formas de convívio enquanto manifestações artísticas (…) os sentidos coletivos contra o individualismo e a autoria” (Leal, J., 2002: 272)4, “a ideia de
acontecimento e de valorização do efémero (…) e a recuperação mítica do sentido da festa e do convívio” (Leal, J., 2002: 272)5. O auge da sua carreira é atingido aquando do filme Dom
Roberto (1962) (Leal, J., 2002).
Interessado pelo “universo da arte popular” (Leal, J., 2002: 273), é a partir da década de ’60 que esse interesse de Ernesto Sousa se acentua de forma mais utilitária e intencional. Tornando- se colecionador e divulgador desta arte, surge ligado ao descobrimento do escultor popular Franklin (Leal, J., 2002: 273 apud Brito 1995) e responsável pela organização de eventos culturais como as exposições de vários artistas.
Ernesto Sousa (Leal, J., 2002) integra-se numa nova geração. Geração essa detentora de uma visão mais atualizada, voltada para novas descobertas, para a inclusão e divulgação tanto dos objetos como dos costumes atribuindo-lhes uma melhor reputação. Ernesto Sousa (Leal, J., 2002), segundo a abordagem do autor João Leal, “é sem dúvida aquele que melhor teoriza o novo gosto pela arte popular”, a “arte ingénua” (Leal, J., 2002: 273). Trata temas precisos referindo os autores anteriormente abordados, como Vergílio Correia e Joaquim de Vasconcelos. Ernesto Sousa (Leal, J., 2002) dada a negação, por parte dos historiadores de arte académica, no que toca à “existência de uma tradição escultórica nacional” (Leal, J., 2002: 273), refere-se a tal como “incompreensão académica (…) tem feito descartar da história uma importantíssima estatuária pré-românica; tem minimizado a importância da escultura românica e de uma série ininterrupta de obras arcaizantes. Enfim, tem-se traduzido por uma total incompreensão do nosso barroco, que é rural, e paradoxalmente conserva importantes características românicas” (Leal, J., 2002: 273)6.
Ernesto Sousa (Leal, J., 2002) abre horizontes a uma nova sensibilidade modernista relacionada com a arte popular, a produção artesanal é substituída pela estatuária de autor. O popular passa a ser representado pelo abstrato e pelas técnicas plásticas. Práticas artísticas estas que se desenvolveram a partir do final do século XIX, no Ocidente, cujo interesse comum partilhado pela criação artística é o primitivismo assente na característica instintiva do ser humano, da criança, do louco ou do camponês, do artista, desprendido da ligação com a história da arte e renovando assim constantemente as práticas artísticas reclamando-se da vanguarda que estas detinham, contra os ideais académicos.
Não esquecendo as raízes tradicionais da nacionalidade, a arte ingénua abordada pelo autor surge como uma projeção do país para o futuro dado o seu carácter revolucionário e enriquecedor.
Capítulo 3
O artesanato
«Feito com as mãos, o objecto artesanal conserva, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem o fez. Estas impressões são a assinatura do artista. São antes um sinal: a cicatriz quase apagada que comemora a fraternidade original dos homens» Octávio Paz (Prémio Nobel da Literatura em 1990) Incrustado no Homem desde os tempos mais primórdios da história, o artesanato sempre se fez representar muito pelas necessidades dos seres humanos. Ao longo do desenvolvimento humano, passa a ter um carácter cada vez mais enriquecido, deixa de representar unicamente os utensílios criados apenas como necessidade vital para passar a representar um conjunto de objetos e manifestações características da cultura agora com mais finalidades apresentadas. Este poderá distinguir-se em três vertentes, abordadas pelo autor Eduardo Barroso Neto (Neto, E. B., 2001) o artesanato tradicional, o artesanato contemporâneo e o artesanato de referência cultural que, de uma forma ou de outra, acabam por se encontrar nos seus pressupostos de intenções variáveis.
“O folclore são símbolos, através dele as pessoas dizem o que querem dizer. A mulher poteira que desenha flores num pote de barro, que queima no fundo de quintal sabe disso. Potes servem para guardar água, mas flores nos potes servem para guardar símbolos. Servem para guardar a memória de quem fez, de quem bebe a água e de quem, vendo as flores, lembra de onde veio. E quem é.” (Lima, R. G., 2002)
Na minha ótica, é de estrita importância fazer uma breve abordagem ao tema e a estes conceitos distintos que partem de um princípio semelhante pois é a partir daqui que se torna possível contextualizar a intenção pretendida no desenvolvimento do presente trabalho de pesquisa e consequente projeto.