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Besvart 14. oktober 2016 av justis- og beredskapsminister Anders Anundsen
“Poderíamos começar por supor que o próprio artista sente tão fortemente e põe tanto do seu sentimento na sua obra de arte que fica como se fosse contagiosa e comunica aquilo que o artista sentiu em quem quer que olhe para ela.” (Herbert Read, 2010, p. 46).
Este relatório propôs-se encontrar estratégias de motivação para a escolha das AV enquanto área vocacional, numa tentativa de investigar formas de diminuir um desinteresse generalizado pelas AV. Para tal, optou-se por realizar um estudo que envolvesse uma investigação-ação, já que este tipo de desenho permite compreender, melhorar e reformar práticas educativas, através da realização de intervenções em contexto escolar e de uma posterior análise dos impactos de tais intervenções. Este relatório descreve o primeiro ciclo de ação-investigação que constitui este projeto educativo, relatando a análise e descrição detalhada do seu processo, organização e dos seus resultados, que visaram responder às questões de investigação inicialmente colocadas: i) identificar os níveis de motivação para as Artes Visuais dos alunos que frequentam o Agrupamento de Escolas do Fundão, estabelecimento de ensino onde a autora deste trabalho leciona, antes e após a realização deste projeto; ii) nomear possíveis impactos da concretização de um projeto de Arte Urbana em Contexto Escolar, na comunidade escolar; e iii) averiguar possíveis impactos também no seio da comunidade Fundanense.
De uma forma geral conclui-se que os objetivos inicialmente propostos foram alcançados. Da reflexão dos resultados deste primeiro ciclo de investigação-ação verifica-se que, apesar de cerca de 50% dos alunos de 9.º ano de escolaridade gostarem muito da disciplina de EV, prendendo-se este gosto pelas atividades realizadas e técnicas aplicadas no âmbito desta disciplina (nomeadamente pintura de desenhos com tintas, Graffiti e desenho em grande dimensão), a verdade é que o número de alunos que depois se inscreve no curso de AV tem vindo a diminuir nos últimos anos no Agrupamento de Escolas do Fundão (ver capítulo 1). No entanto, deste primeiro ciclo de ação-investigação surge também a informação de que os alunos que escolhem o curso de AV possuem níveis de motivação elevados para o curso, sendo os fatores intrínsecos de motivação, como o gosto e a curiosidade pelas AV, os principais responsáveis por tal motivação, seguidos de fatores de motivação extrínseca, como o apoio parental e as experiências positivas, os principais responsáveis. Entre os fatores que mais desmotivam os alunos para as AV enquanto opção vocacional estão os fatores ecológicos de pouca adesão por parte dos pares e os fatores sociais, como a desvalorização generalizada que se faz desta área enquanto área que permite um futuro profissional estável. O curso de AV motiva os alunos que o seguiram como área vocacional quando este corresponde às suas expectativas de permitir o desenvolvimento de competências cognitivas, nomeadamente de
atenção/concentração, capacidades artísticas específicas, relacionadas com o domínio de técnicas artísticas variadas e ainda de competências interespecíficas de relacionamento social com os membros da comunidade em geral.
O desenho, disciplina basilar no curso de AV, torna-se uma disciplina muito motivante quando envolve técnicas diversas experimentadas, em que a dimensão assume um lugar de destaque na definição de qualidade da obra, assim como o ambiente de criação, que deve oferecer outras formas de arte como pano de fundo, nomeadamente a música da preferência dos alunos, de forma a proporcionar um envolvimento emocional elevado com a obra e a liberdade de expressão do artista. Estes fatores permitiram ao aluno desenvolver uma obra de qualidade o que, por sua vez, irá despoletar perceções de autoeficácia enquanto artista. Deste modo, o primeiro ciclo de investigação-ação permitiu também concretizar os segundo e terceiro objetivos a que se propôs, pois identifica a Arte Urbana em Contexto Escolar como possível fator motivador dos alunos para a escolha das AV enquanto área vocacional, não só pela concretização das competências que os alunos esperam desenvolver ao seguir o curso de AV, mas também pelo seus impactos enquanto projeto escolar e social. Por um lado, a criação de uma obra de Arte Urbana em Contexto escolar desenvolverá técnicas artísticas variadas, incluindo as mais mencionadas enquanto motivantes, i.e. Graffiti, pintura de murais e pintura de desenhos com tintas. Segundo, porque os passos envolvidos desde a conceção à criação de uma obra de Arte Urbana requerem níveis de atenção elevados por parte dos alunos, pelo grau de precisão e pela representação de ideias utilizando técnicas e tamanhos diferentes. Terceiro, porque o impacto visual que a sua dimensão poderá criar na comunidade escolar contribuirá para o aumento dos níveis de autoeficácia destes alunos; mas também porque ao ser um objeto de admiração por parte dos pais, professores, pares e toda a comunidade escolar em geral, servirá como catalisador extrínseco de motivação para dar continuidade ao crescimento de um autoconceito enquanto artista.
Estes dois fatores individuais foram já indicados como determinantes na escolha de uma profissão (Bandura, 1997). E por último, porque tal como indicado no capítulo 2 deste relatório, a Arte Urbana é uma forma de criar pontes entre o artista e a sociedade. O aluno, ao ver a sua obra como um elemento facilitador da transformação do espaço escolar num espaço que servirá também toda a comunidade Fundanense, desenvolverá as suas habilidades de agente de intervenção social, competências interespecíficas igualmente esperadas nos alunos que escolheram as AV enquanto área vocacional.