3) MATERIAL OG METODE
3.2 F ELTARBEIDET
3.2.1 L OKALITET
Até aqui identificamos os conteúdos das duas disciplinas no Curso de Engenharia da Escola de Engenharia do Pará. Doravante, apresentaremos os depoimentos dos antigos alunos que vivenciaram a realidade do cotidiano do ensino que era ministrado na Escola, buscando não uma constatação do formalismo dos Programas de Ensino, mas, principalmente, identificando os fatores que influíram e determinaram a difusão da ciência física, através do ensino, no Estado do Pará. Os depoimentos apresentados referem-se aos personagens que vivenciaram a Escola na década de 50.
Alberto Coutinho do Amaral102, antigo aluno da Escola, comparou o ensino de Física que era praticado na Escola com um dos mais tradicionais colégio de nível médio de Belém
Quanto ao ensino da Física na Escola de Engenharia do Pará, os professores pouco acrescentavam em relação ao que aprendíamos no Colégio Paes de Carvalho. A parte experimental da Física, inclusive, era mais presente no ensino médio ministrado no Colégio do que na Escola (AMARAL, entrevista, 2002).
O Colégio Paes de Carvalho, fundado em 1841, é, até hoje, o mais tradicional colégio de nível médio de Belém. Nele, desde sua fundação, estudaram as mais representativas figuras da elite paraense. O depoimento prestado por Amaral foi consistente na medida em que, de fato, o Colégio possuía, na época, Laboratório. Afirmar se o mesmo era utilizado ou não pelos professores requer uma investigação especifica que foge a finalidade deste trabalho.
Manoel Viegas Campbell Moutinho, aluno da Escola da turma de 1959, também ofereceu algumas considerações sobre o ensino da Física
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Na disciplina Física(1ª cadeira) o professor era o Miguel de Paulo Rodrigues Bitar e na 2ª era o Djalma Montenegro Duarte. Duarte tinha uma característica de ditar. Ele dava aula ditando tudo e de vez em quando dizia “de uma maneira absolutamente geral”. Os alunos precisavam acompanhar e ser ligeiroS na escrita. A Escola de Engenharia por ser muito pobre não tinha laboratório, só havia laboratório da parte técnica. Os professores, nessa época eram muito limitados e os alunos menos exigentes. A Física era um instrumento, mas os alunos ficavam mais pensando na Pontes e nas grandes estruturas, nas disciplinas específicas. A Física era dada mais com a matemática elementar. Nós(Moutinho, Leite e Benchimol)103 tínhamos vantagens pois fazíamos Análise Matemática na FFCLB, mas os outros alunos tinham limitações (MOUTINHO, entrevista, 2005).
Moutinho (2005) no seu depoimento levantou algumas questões: a metodologia utilizada pelos professores, o papel da Física no contexto geral do curso e os recursos materiais da Escola. Essa prática de ditar o conteúdo era uma postura comum naquele tempo, o ensino era centrado na figura do professor e aos alunos caberia apenas ouvir, copiar, sem questionar. Segundo MOUTINHO mesmo os alunos reconhecendo que a Física era importante para a formação do engenheiro, ela ocupava um plano secundário.
As condições de infra-estrutura da Escola foram durante toda sua existência motivo de apelos de suas sucessivas direções para as autoridades que a sustentavam. A Escola tinha sim Laboratório tanto das disciplinas específicas do curso, mas também de Física. Como vimos na década de 30, seu Diretor Francisco Bolonha adquiriu um Laboratório, mas que quase não era usado pelos professores (BASSALO, entrevista, 2003).
Manoel Leite Carneiro, da mesma turma, ofereceu seu ponto de vista sobre os conteúdos do ensino da Física que eram ministrados
O conteúdo de Física trabalhava aquelas partes da Física, por exemplo, Mecânica, era um instrumental para o curso de engenharia. Para a Física os livros adotados era a coleção do Sears. Física Moderna não era dada tanta evidência, passou a ter evidência com a criação do Núcleo de Física e Matemática (CARNEIRO, entrevista, 2004).
O tema mencionado por Carneiro, Mecânica, fazia parte, conforme vimos, do Programa de Ensino da Física (1ª Cadeira), enquanto que Física Moderna da Física (2ª Cadeira), na década de 50, mesmo período de estudante de Carneiro na Escola. Isso revela a distância entre o formalismo dos programas de ensino e a realidade do ensino praticado.
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Durante a primeira década de existência da Escola, os livros de Física utilizados por Albuquerque eram de autores franceses (ANEXO T). Os dois livros apresentados neste Anexo enfatizavam os temas de Física tanto na abordagem teórica como na experimental. Isso, de alguma forma, demonstra que, o professor de Física, da época, mesmo que, na sua prática não fazia essas abordagens distintas, pelo menos tinha essa percepção.
A partir da década de 50, haverá predominância dos livros de autores americano, que foram traduzidos para o português por engenheiros que lecionavam Física na Escola nacional de Engenharia. Foi o caso da Coleção do Sears (ANEXO U), que predominaram durante toda a década de 50 e até metade da seguinte, quando foram paulatinamente substituídos pela Coleção do Halliday & Resnick (ANEXO V). Os conteúdos abordados pelas duas Coleções contemplavam os programas de ensino das duas cadeiras de Física da Escola104.
Como vimos, na década de 50 os temas que eram abordados nas duas disciplinas da Física versavam principalmente sobre a Física Clássica. Os temas de Física Moderna que constavam nos Programas de Ensino da Física(2ª Cadeira), pelos depoimentos colhidos, raramente eram ministrados. Ora, os fundamentos físicos mais importantes para a continuidade das disciplinas específicas do curso eram todas da Física Clássica, da física newtoniana. Os fundamentos físicos da parte Moderna não tinham na época, para a engenharia, uma aplicação objetiva.
A concepção de que a Física era uma disciplina que poderia ter tanto uma abordagem teórica como experimental nunca foi perdida de vista tanto pelos professores como pelos alunos. Segundo Carneiro (2004) “praticamente não tinha atividade experimental [...] A Escola era muito pobre em laboratório, na verdade nem tinha laboratório” (CARNEIRO, entrevista, 2004).
Ter ou não ter Laboratório de Física na Escola, para o contexto histórico local, não era significativo. Não havia ainda na cultura do ensino da Física a “obrigatoriedade” da abordagem experimental e sistematizada. Porém, as figuras apresentadas nos Anexos A e C, mostrando a existência de um Laboratório e a relação de inúmeros instrumentos e aparelhos, que possibilitavam a realização de
Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belém.
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Além do Sears e do Halliday e Resnick outros livros também foram secundariamente citados pelos antigos alunos. Por exemplo, Curso de Física, de Dulcídio Pereira, Curso de Mecânica, de Ademar Fonseca.
várias atividades experimentais, no campo da mecânica, da ótica, da eletricidade, da calorimetria, entre outras, revelam um panorama diferente.
Há evidencias de que o Laboratório de fato existiu e de que também pouco foi utilizado. O mais importante nesta análise é o valor simbólico que o mesmo representou. Efetivamente essa cultura do laboratório no ensino far-se-á mais presente a partir da década de 70 quando a Universidade Federal do Pará adquiriu um Laboratório de Física completo junto ao Governo Alemão105 .
No início da década de 60, como veremos nos capítulos seguintes, surgiu o Núcleo de Física e Matemática. O ensino da Física de todos os cursos da Universidade do Pará que necessitassem desta disciplina ficou centralizado neste Núcleo. Foi o que aconteceu com as duas cadeiras da Física da Escola e posteriormente com as que as substituíram, a Física I e II. Por conta desta mudança, optamos por apresentar o ensino da Física na Escola de Engenharia do Pará, na década de 60, na ocasião em que abordarmos, no capítulo 3, O Núcleo de Física e Matemática. Os engenheiros, que desde a criação da Escola, em 1931, predominaram no ensino da Física, seriam na década de 60, gradativamente substituídos pelos matemáticos formados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belém. O ensino de Física no Curso de Matemática desta Faculdade será o foco principal do próximo capítulo.
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CAPÍTULO 2: A FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE BELÉM: