6. Et referansescenario
6.3. Offentlige finanser fremover
Podemos dizer que cada gesto, expressão ou resposta de um indivíduo falam, de alguma maneira, da personalidade de quem os produz. A maneira de andar, tímida ou audaciosa, arrogante ou constrangida, são reflexos de tendências profundas de cada pessoa. Da mesma forma, na produção plástica, as atividades psicomotoras e os conteúdos gravados no papel expressam tendências do indivíduo (HAMMER, 1989).
Embora as expressões humanas remontem à época das cavernas, a busca de compreensão e aplicação de diferentes linguagens expressivas à área da saúde aconteceu a partir do século XIX. Neste trabalho a palavra “expressivo” é uma referência genérica ao uso de linguagens artísticas no âmbito da saúde. O estudo de formas expressivas como recurso diagnóstico remonta ao século XIX. Em 1876, Max Simon, médico psiquiatra, publicou pesquisas sobre manifestações artísticas de doentes mentais e fez uma classificação das patologias a partir destas. Em 1888, Lombroso, advogado criminalista, fez análises de desenhos de doentes mentais buscando identificar psicopatologia. Morselli, também, em 1894 estudou as produções de pacientes psiquiátricos. A partir do início do século XX, outros trabalhos foram feitos por Júlio Dantas, Fursac e Ferri, discípulo de Lombroso. Charcot e Richet também estudaram e se interessaram pela arte dos doentes mentais. Em 1906, Mohr, comparou os trabalhos produzidos por estes aos de pessoas normais. Levantou a possibilidade de desenvolvimento de testes de aspectos da personalidade. Os conhecidos Rorschach, Murray-TAT e Szondi inspiraram-se nas ideias de Mohr. No início do século passado Prinzhorn estudou e publicou o primeiro trabalho de comparação de desenhos de doentes mentais e diversas escolas artísticas: primitivistas, realistas, impressionistas, surrealistas, dadaístas. Estudou as manifestações de psicopatologia também nas expressões artísticas dos normais (CARVALHO; ANDRADE, 1995).
No Brasil dois grandes nomes aliaram as expressões artísticas ao tratamento: Osório César, em São Paulo, e Nise da Silveira, no Rio de Janeiro. Como Jung, esta última usou o teatro, a dança, a escrita e a pintura como meios de produção de imagens espontâneas, fruto da imaginação ou do sonho (CARVALHO; ANDRADE, 1995).
Nos Estados Unidos três pioneiras deixaram sua marca, segundo Ciornai (2004). A partir dos anos 40 a sistematização da arteterapia por Margareth Naumburg trouxe impulso ao uso da arte em terapia. Sua proposta era incentivar a elaboração dos conteúdos simbólicos expressos nas produções artísticas. Afirma Naumburg (1955, p. 435): “A intelectualização e o verbalismo exagerado da nossa cultura foram impostos sobre os níveis mais profundos e mais primitivos da nossa modalidade inconsciente de expressão por meio de imagens”.
Outra vertente foi criada por Edith Kramer, centrada no valor terapêutico do processo criativo e do fazer artístico em si. Uma terceira vertente desenvolveu-se a partir do trabalho de Janie Rhyne. Ela afirmava que o valor terapêutico da atividade artística está tanto no processo de criação quanto nas possíveis reflexões e elaborações posteriores sobre os trabalhos realizados.
Em função das diferentes maneiras de utilizar os recursos expressivos aliados à terapia, hoje se vê, no campo da arteterapia, a preocupação com a utilização de diferentes nomenclaturas em relação aos diferentes enfoques. Sucintamente, com base em Valladares (2008):
A arteterapia visa à reestruturação e a reorganização mental do indivíduo, direcionando seu foco para os processos individuais com foco na subjetividade. A arte-educação tem como objetivo a aprendizagem, contando com o arte-
educador como condutor. Tem em vista o desenvolvimento mental, cognitivo, emocional do indivíduo além de relacionar a arte a outras áreas do conhecimento. Costuma focar o grupo e a educação.
Terapias expressivas assemelham-se à arteterapia mas utilizam recursos expressivos diversos como drama, música, escrita, etc.
Arte em psicoterapia tem o objetivo de elaboração de conflitos interiores com uso predominante da linguagem verbal e, em paralelo, a linguagem pictórica.
A terapia ocupacional preocupa-se em dirigir a consciência dos participantes para a realização de produtos padronizados.
O crescimento dessa área de natureza interdisciplinar permitiu que a arteterapia passasse a ser aplicada em consultório e instituições de diferentes tipos, atendendo a diferentes faixas etárias e demandas em saúde (CIORNAI, 2004). Dado que se trata de área de
estudo e atuação recente no Brasil, ao lado da sua expansão surgiram discussões que buscam esclarecer seus contornos teóricos e metodológicos. Vasconcelos e Giglio (2006, p. 43) afirmam duas grandes tendências no campo da arteterapia: “art as therapy” e “art psychotherapy”, e comentam “É imprescindível considerar que as duas tendências citadas compõem o campo da arteterapia, não havendo ainda uma distinção conceitual clara utilizada no Brasil”.
Segundo o Dicionário crítico de análise junguiana (SAMUELS; SHORTER; PLAUT, 1988, p. 99) Jung usou o termo imaginação ativa em 1935 para descrever o processo de sonhar com olhos abertos:
De saída, o indivíduo concentra-se em um ponto específico, uma disposição, quadro ou eventos específicos; em seguida, permite que uma cadeia de FANTASIAS associadas se desenvolvam e gradativamente assumam um caráter dramático. Depois as imagens ganham vida própria e desenvolvem-se de acordo com uma lógica própria. A dúvida consciente deve ser superada e consequentemente que haja permissão para que qualquer coisa incida na consciência (grifo dos autores).
Considerou que o procedimento é capaz de permitir que conteúdos anteriormente isolados tornem-se mais ou menos claros e articulados. Pode-se lidar de diferentes maneiras com o conteúdo que se manifesta:
O processo da imaginação ativa pode, ele próprio, ter um efeito positivo e vitalizante, porém o conteúdo (como de um sonho) também pode ser pintado (...). Os pacientes podem ser motivados a anotar suas fantasias a fim de fixar a seqüência em que ocorreram e tais registros podem, subseqüentemente, ser levados à ANÁLISE para a INTERPRETAÇÃO (SAMUELS; SHORTER; PLAUT, 1988, p. 100, grifo dos autores).
Na década de 20, Jung começou a usar a linguagem expressiva artística como parte do tratamento. Permitia que, em certos casos, pacientes expressassem plasticamente seus sonhos e percebia nos símbolos produzidos possibilidades de cura. Na concepção de Jung, o reino do inconsciente, tanto na sua dimensão coletiva como na pessoal, pode ser representado artisticamente por meio das imagens e dos símbolos. Esses símbolos podem aparecer em diferentes linguagens, na dança, na música, na expressão plástica. Pergunta-se Jung (1987b, par. 105, p. 46) “Mas, afinal, por que razão levo os pacientes a se exprimirem por meio de um pincel, de um lápis, de uma pena, quando atingem um certo estágio em sua evolução?”
Jung (1987b) afirma, em primeiro lugar, que tais técnicas permitem que o paciente seja ativo diante da sua própria psique. Ele age em direção à sua compreensão, ao materializar suas fantasias e sonhos. Depois, ao defrontar-se com as características e detalhes de sua
produção, aproxima-se da sua própria vida, e muda o enfoque diante dela. É como se deslocasse o seu centro de gravidade, ao identificar forças que reconhece como importantes, das quais não tinha consciência anteriormente. Este comentário encontrado em A prática da
psicoterapia (1987b) esclarece a tendência de Jung a identificar a possível relevância da
expressão para o processo psicoterápico. Vale esclarecer que a imaginação ativa não concebe nem depende, necessariamente, de alguma forma expressiva. Está baseada na construção imagética que pode ou não, dependendo o curso da psicoterapia, ser expressa artisticamente.
Na psicologia analítica há estudiosos da produção expressiva: Susan Bach em Acta
Psychosomatica: Spontaneous Paintings In Severely Ill Patients (1969) e Life Paints its Own
Span: On the Significance of Spontaneous Pictures by Severely Ill Children (1990),
demonstra os conteúdos inconscientes do desenho e a projeção das doenças físicas no mesmo. Mais recentemente Furth (2004), em O mundo secreto dos desenhos, propõe um procedimento de leitura destes, bem como Abt (2005), em Introduction to Picture
Interpretation. Apesar dos fundamentos teóricos serem concordantes em sua maior parte, os
procedimentos de leitura apresentam características distintas, e também distintas da que se apresenta neste estudo.
O tratamento da psique na abordagem junguiana, leva em conta o movimento natural para o desenvolvimento a ela inerente, que pode ser favorecido mediante a disposição consciente para a expressão do inconsciente e contato com os elementos que dele emergem. A teoria da compensação de Jung sugere que o inconsciente ou complementa ou compensa o consciente, na direção do equilíbrio. Processos expressivos podem favorecer esta comunicação. A proposta é que o terapeuta favoreça e acompanhe o movimento psíquico do paciente. Basicamente, o terapeuta é aquele que estimula a produção e o contato com ela (FURTH, 2004; ABT, 2005).
Diante desta breve retomada, podemos observar que profissionais de diferentes formações e abordagens teóricas vêm afirmando a utilidade do uso de recursos expressivos em processos diagnósticos e terapêuticos, desde o século XIX. Apesar disso, poucos são os experimentos em parâmetros científicos que demonstram sua aplicabilidade em relação a populações específicas. Comentando este fato, Bellak (1954) afirma que, com frequência, a abordagem clínica encontra-se à frente da acadêmica. Existem os estudos com base na psicologia analítica, mas ainda há muito a ser investigado e demonstrado em relação à função terapêutica da expressividade plástica.