6. Sammenheng med mellomlangsiktige makroøkonomiske framskrivinger til
6.1. Offentlig timeverksbruk og standardhevning innen offentlig tjenesteproduksjon
Já que nas cantigas de amigo os interlocutores opcionais da preferência da donzela são a mãe ou uma amiga (vinte e sete [27] processos), temos algumas orações nas quais esses dois participantes figuram como Experienciadores.
A amiga é a confidente da namorada em vinte e uma (21) ocasiões; é aquela quem, através dos processos mentais, ‘sabe’ da situação ruim da namorada e ‘quer’ seu bem (“Poys quero uosso proueyto.” – cantiga XLI). Ela também representa o elo de contato com o namorado, trazendo o recado (“se
101 Paráfrase: Que ainda que Deus confunda (desgrace), 102 Paráfrase: e quisesse Deus que me esquecesse
sabedes novas do meu amado?”104 – cantiga XVI) e o ‘pensar’/‘sentir’/‘querer’ do cavaleiro distante: “Non uyo prazer, sey o eu.” – cantiga XLV).
A mãe nas cantigas de amigo de D.Dinis, somente em uma ocasião surge como amiga e confidente da filha (“Doy me d el, Tam muyto choraua,”105 - cantiga
X). Em outros três cantares com processo mental, confirmando a leitura de Sodré sobre o subgênero “cantiga da madre”, a mãe é aquela que age contra a união do casal de namorados, por exemplo, “Mha morte quisestes, madre, non al,”106 –
cantiga XXIX.
4.5.1.5 Outros casos
Além dos participantes que elencamos até agora, com os processos mentais, temos:
a) Uma oração (cantiga IX) com o Demo no papel de Deus, como juiz. Essa característica é raríssima em todo o colegiado de cantigas líricas trovadorescas (“Ca Demo leu (entendeu) essa ren que eu der,”107 - cantiga IX);
b) vinte e cinco (25) orações que indeterminam de alguma maneira o Experienciador. São orações do tipo: “Quen mui ben uyr este meu parecer.” – cantiga XXXVIII, ou com os Experienciadores “outro homem” (“non cuido que oj’ ome quer”108 – cantiga XXIV) e “outra mulher” (“Mays Tod aquest – amiga – ela
quer”109 – cantiga XII). A maioria, afinal, traz “outrem” como ponte para uma argumentação posterior do tipo: “ninguém sofre como eu sofro”. Retomando o princípio da Logogênese (Halliday, 1994), o alto índice dessas orações marca um outro aspecto das cantigas de amigo que difere das cantigas de amor – que não apresentam muito esse tipo de imagem. Nas cantigas de amigo trovador e donzela, nos papéis de precadores, precisam argumentar mais para sensibilizar o outro, daí utilizarem construções como: “Non [h]e sen guysa de por mi moirer/Quen mui ben uyr este meu parecer.”110 – cantiga XXXVIII.
104 Paráfrase: se sabes novas (notícias) do meu amado? 105 Paráfrase: Doí me dele. Tão muito chorava,
106 Paráfrase: Minha morte quer, mãe, não outra coisa,
107 Paráfrase: Pois Demo leu (entendeu) essa coisa que eu fiz, 108 Paráfrase: não penso que hoje (algum) homem quer 109 Paráfrase: Mas, tudo isto – amiga – ela quer
4.5.2 Processos materiais
Nos cantares de amigo os processos materiais trazem quatro (04) participantes: a donzela (eu-lírico), o trovador e os participantes opcionais Deus e a mãe da donzela.
Os processos materiais marcam uma diferença muito significativa entre os dois gêneros analisados. Enquanto nas cantigas de amor o trovador muito raramente aparece como Ator (trinta [30] processos), nas cantigas de amigo, ele já pode ‘fazer’ mais (cento e vinte e dois [122] processos), equilibrando as ações com a donzela (noventa [90] processos).
Outro dado: nas cantigas de amigo o trovador surge mais, como Beneficiário sob uma atmosfera positiva para ele. Através do princípio da Logogênese (Halliday, 1994), vemos que é construída, oração após oração, uma situação de equilíbrio entre donzela e trovador. O ‘fazer’ do precador é um pouco maior, pois a atmosfera conflui para isso, ou seja, o fato da donzela querer a mercê ou o regresso do namorado, amplia as possibilidades do trovador agir, mesmo que esse processo material esteja ainda timidamente associado com sua partida ou volta.
Quanto à Ressonância (Thompson, 1998), verificamos que as sanções negativas para trovador e donzela diminuem, ficando equilibradas. Partindo da perspectiva do trovador, temos que as cantigas não ‘ecoam’ mais negatividade e dramaticidade de forma tão exacerbada quanto nas cantigas de amor. O próprio gênero, cantigas de amigo, originado na ‘joy’ occitânica111, pede mais alegria, pois
tem caráter campesino e apresenta como marcas o diálogo (apresentando um segundo nível nas relações de cortesia), a dança entre as amigas, o coro, etc. Porém, ainda que o tom negativo diminua nas cantigas de amigo, ele não desaparece. Agora, no lugar de Deus, é a mãe da donzela quem trabalha para distanciar os namorados – a donzela Beneficiário tem sempre o ‘fazer’ da mãe contra si. Deus, por sua vez, perde sua condição de algoz, aparece pouco e é aquele para quem a donzela e o trovador dirigem seus rogos.
4.5.2.1 A donzela como Ator
111 A joy tem origem na lírica occitânica e pode ser entendida como o gozo, a alegria alcançada
O papel da donzela como Ator nas cantigas de amigo é diferente da mesma posição nas cantigas de amor, por exemplo, não é tão comum a configuração donzela=Ator, trovador=Beneficiário (apenas trinta e sete [37] processos), além disso, os sessenta e um (61) processos do ‘fazer’ não mostram a donzela na posição de ‘fazer mal’ e o trovador na posição de ‘receber o mal’, pelo contrário, o ‘fazer’ da donzela expressa:
1) o ‘ir’ e ‘vir’ da donzela em busca do encontro com o trovador: “Vou m a la baylia”112 – cantiga XXXIX;
2) o mero ‘fazer’ de atividades, que pouco contribuem na construção do significado das cantigas: “Levantou-s’ a velida”113 – cantiga XVI;
3) o ‘calcular’ a dor, o pensar no que ‘fazer’ para obter amor e outros processos associados a esse esforço: “Ca o meu (mal) non se pod’ osmar”114 – cantiga I; “Nunca folguey, nen dormi.”115 – cantiga XLVI.
A fragilidade que o trovador busca para si nas cantigas de amor não é uma característica das cantigas de amigo. As cantigas de amor listam quarenta e sete (47) orações com o trovador numa situação negativa, como Beneficiário; enquanto as cantigas de amigo apresentam apenas doze (12) orações nessa configuração: “Ca ia uos eu desemparey”116 – cantiga XXX. Indo além, a maioria deles, dezesseis (16) processos, denota uma situação positiva para o trovador como Beneficiário: “Andand a muytos, que lhi fiz eu bem”117 – cantiga XLVIII.
Mais uma vez notamos, considerando o princípio da Ressonância, que o gênero amigo é bem menos dramático e negativista. Contextos positivos para o gênero amor não existem além da mera hipótese.