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FONTES 227 227 176 176 176 CONVENÇÕES Riachos Corpos d'Água Estradas Pavimentadas CE Sede do município de Arneiroz Limite do Riacho do Urubu-Mucuim Limites Municipais NÚMERO NOME 1 Alegre 2 São Pedro 3 Poço Preto 4 Bananas 5 Fazenda Ricardo 6 Cachoeira de Fora 7 Betânia 8 Mucuim 9 Sanharol 10 Cachoeira Grande 11 Barra do Urubu 12 Remanescente LEGENDA

A entrevista na íntegra encontra-se no apêndice A, que, em sua organização, está separada nas seguintes partes: questões socioeconômicas, questões fundiárias, questões ambientais e questões políticas. Essa fragmentação é para facilitar na organização da análise, pois todas essas questões estão integradas, em que uma influencia, diretamente ou indiretamente, sobre a outra.

Nas questões socioeconômicas, tratando-se do número de famílias que apresentou aspectos distintos entre os sistemas, pois na comunidade que estão, no Sertão de Cachoeira de Fora, houve alguns aumentos, enquanto que, no restante dos outros sistemas, houve diminuição, porém em todos os sistemas ocorreram migrações para São Paulo e Fortaleza, que foram motivadas pela seca.

Tratando-se das atividades que dão origem à renda das famílias, estão as aposentadorias e os programas de assistência do Governo Federal (o bolsa-família) e do Governo Municipal (o mais família), neste último as famílias têm ajuda financeira mensal de R$ 50,00. Na agricultura, destacam-se as culturas do milho, do feijão e do jerimum, enquanto que, na pecuária, destacam-se os rebanhos de gado e caprino. Essas atividades têm caráter de subsistência. Nos últimos anos, houve a queda de produção vinculada à seca, às pragas e aos roubos de animais, mostrando que realidade da bacia não é tão diferente quanto a do município, como mostram as Tabelas 3, 4 e 5 do capitulo anterior. Os aparelhos educacionais e hospitalares são de fácil acesso.

As questões fundiárias são bem típicas do semiárido nordestino: os moradores não são donos da propriedade, exercendo papéis de parceiro e morador de sujeição, a mão-de-obra que prevalece é familiar. Os moradores também não sabem o tamanho preciso dos lotes. Não há utilização de alta tecnologia na produção, sem a assistência técnica adequada, contribuindo para a maior degradação dos solos. Os assentamentos Mucuim I e Mucuim II são áreas que possuem assistência devido à organização política dos agricultores. Os produtos agropecuários do riacho abastecem os comércios de Tauá e Acopiara.

As questões ambientais mostram que o acesso à água se dá por meio das cisternas e dos carros pipas que trazem água do Açude Arneiroz II, porém a qualidade da água não é alta, havendo a necessidade de a população comprar da água para beber, pois isso não há doenças vinculadas a qualidade da água.

O Quadro 4 segue com as espécies que ocorrem na sub-bacia do riacho do Urubu-Mucuim e com as potencialidades de utilização, mostrando a relevância desse recurso natural para o desenvolvimento sustentável.

Quadro 4 – Espécies da Caatinga da bacia do riacho do Urubu/Mucuim e suas utilidades. NOME POPULAR NOME BOTÂNICO UTILIDADES Catingueira Poincianella pyramidalis (Tul)

 Madeira: para construção de casa de taipa e para a fabricação da cerâmica, utiliza-se esta como lenha para queima.

 Medicina caseira: floras, flores e casca para tratamento de infecções intestinais e catarais e para hepatite e anemia.

 Veterinário: para tratamento de verminose dos animais domésticos.

 Restauração florestal: esta uma das primeiras espécies as serem instaladas em áreas florestais degradadas.

 Sistemas agroflorestais: para fertilidade dos solos e servindo de quebra-vento para as plantações.

 Apicultura: onde ninhos se instalam nos ocos.  Forragem: sendo para alimentação para os rebanhos, tanto nas primeiras chuvas a folhas e principalmente durante a estiagem.

 Industriais: fabricação de sabão.

Oiticica Lincania rígida

Benth

 Madeira: para utensílios rurais e domésticos como rodas de carro de bois, tábuas e pilões entre outros.

 Medicina caseira: utilizam-se as folhas pra tratamentos de inflamações e diabetes.

 Planta ornamental: proporciona sombra ao longo do ano para os animais e para o homem.

 Restauração Florestal: para restauração das matas ciliares próximos aos rios e riachos.

 Apicultura: oferecem néctar e pólens.

 Forragem: para alimento do gado em secas severas.

 Industriais: seu fruto serve para fabricação de tintas, vernizes e sabão.

Mandacaru Cereus

jamacaru

 Forragem: para os rebanhos durante a estiagem.

 Medicina caseira: para tratamento de infecções renais e respiratórias.

Juazeiro Ziziphus

joazeiros Mart.

 Madeira: para construções e utensílios rurais como estacas, marcenaria, cabos de ferramentas, mourões. Também pode produzir álcool combustível.

 Alimentação humana: fruto comestível e nutritivo, rico em vitamina C.

 Medicina caseira: folhas e cascas do tronco são utilizadas para tratamentos de pele, do sangue, do estômago e fígado, e alivia a asma. Porém, o excesso doses pode causar dores gastrointestinais.

 Veterinária popular: tratamento de sarnas, piolhos e carrapatos.

 Higiene corporal: as entrecascas servem como sabonete, sabão e xampu; a “raspa de juazeiro” para saúde bocal.

 Planta ornamental: arborização de ruas e jardins.

 Restauração florestal: segunda fase da restauração de florestas degradadas, principalmente em áreas de capoeira.

 Sistemas agroflorestais: servindo de quebra- ventos para plantações, principalmente, em áreas pomares frutíferos nativos.

 Apicultura: oferecem néctar e pólens, alimentando as abelhas principalmente na estiagem quando poucas espécies da Caatinga estão em floração.

 Forragem: fornecem grande quantidade de folhagem para o rebanho durante o ano todo.

 Industriais: na fabricação de sabão. Jurema-

Branca

Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke

 Madeira: para marcenaria, na construção e na fabricação de carvão.

 Restauração Florestal: na recuperação dos solos e das florestas mista degradadas.

 Apicultura: fornece e oferecem néctar e pólens.  Forragem: para alimentação dos caprinos. Fonte: Adaptado de Castro & Cavalcanti (2011); Maia (2012).

As entrevistas apontam que algumas comunidades ainda utilizam a lenha como fonte de energia, e que há diminuição da quantidade de espécies, mostrando que mesmo com a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) com penas e multas, há utilização irracional da Caatinga.

Outra prática exercida no cotidiano da população contribui para o agravamento dos processos de degradação dos solos e da pouca conservação da vegetação é a queima do lixo.

Algo bastante alarmante está na pergunta “Você sabe o que é desertificação?”, na qual nenhum dos entrevistados havia ao menos escutado sobre essa problemática. O intuito da pergunta não está na população conceituar sobre essa problemática, pois o seu conceito possui tamanha complexidade. O intuito estava em entender se há políticas de conscientização da população da gravidade desse problema socioambiental. Pode-se perceber que não há.

Isso é alarmante, pois, desde de 2010, o município de Arneiroz compõe um Núcleo de Desertificação, havendo a necessidade de que a temática seja entendida

pela sociedade, mas quando não há políticas que visem esclarecer os processos, isso contribui na continuidade e no agravamento dos problemas existentes.

Nas questões políticas, as estratégias dos governos para o combate à pobreza durante a seca estão no seguro safra.

5.3 Níveis de suscetibilidade dos Sistemas Ambientais da Sub-bacia hidrográfica do riacho do Urubu – Mucuim ao processo de desertificação

Para avaliar a desertificação de modo quantitativo e qualitativo, utilizaram-se os IGBD, os quais são baseados em Tricart (1977) e em suas unidades estáveis, intergrades e instáveis, entendendo os impactos das atividades sociais sobre a paisagem, isso agregado os Sistemas Ambientais contribuem na espacialização das dinâmicas da paisagem, entendendo as potencialidades e limitações da cada sistema, tão necessário para elaboração de estratégias de planejamento ambiental.

Os IGBD utilizados para identificar e analisar o processo de desertificação foram: IGBD 1, geologia; IGBD 2, geomorfologia; IGBD 3, zonação climática; IGBD 4, a espessura dos solos; IGBD 5, profundidade da erosão dos solos; IGBD 6, a estratificação da cobertura vegetal; IGBD 7, o percentual de ocupação em relação à cobertura vegetal.

Os parâmetros de cada indicador estão no Quadro 1. Assim, esses parâmetros mostram que a etapa da pesquisa de caracterização dos elementos naturais e o uso dos solos da sub-bacia têm uma relevância significativa, pois não há como avaliar sem o conhecimento da paisagem.

O IGBD 1 contribui para entender como os materiais geológicos podem contribuir na intensidade da erosão e para entender a capacidade de permeabilidade, podendo atenuar no déficit hídrico.

O IGBD 2 contribui para o entendimento de como a porcentagem de declividade do relevo contribui na mobilização dos sedimentos ao longo das vertentes. Esse indicador está espacializado no Mapa 11.

368000 376000 384000 392000 400000 93 00 00 0 93 00 00 0 93 05 00 0 93 05 00 0 93 10 00 0 93 10 00 0 93 15 00 0 93 15 00 0 93 20 00 0 93 20 00 0 93 25 00 93 25 00

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA Linha de Pesquisa:

Natureza, Campo e Cidade no Semiárido

SUSCETIBILIDADE AO PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO NO NÚCLEO DOS SERTÕES DOS INHAMUNS:

O CASO DA SUB-BACIA DO

RIACHO DO URUBU – MUCUIM – ARNEIROZ – CE Autor: Lucas Lopes Barreto

Orientadora: Prof.ª Dr. ª Vládia Pinto Vidal de Oliveira

3,5 1,75 0 3,5Km

1:150.000