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Obstacles and opportunities for inclusive private sector development programs . 36

5. DISCUSSION OF THE EVIDENCE AND ANALYSES OF OBSTACLES AND

5.2. Obstacles and opportunities for inclusive private sector development programs . 36

“Novo Design” em Portugal…

P. P. : Sim, em Itália chamavam-lhe o Novo Design. Em Portugal, o “Novo Design” pode ser correcto…Eu gosto da forma como o Rui dirige as coisas, embora neste caso, tal possa ser um pouco especulativo, pois nós nunca tivemos um antigo design para ter um novo. Tivemos uns guerrilheiros e nós continuámos a ser guerrilheiros. Só agora é que eu acho que o design está solidificado na sociedade, ao contrário do que sucedia em Itália. Novo design pressupõe que há um antigo, e é evidente que há um antigo. Mas isso é uma longa conversa… eu estou quase a editar um catálogo sobre o design português, uma retrospectiva gigante, mas com uma visão diferente – não colada aos arquitectos, como fazem de alguma forma o Manaças, o Rui Santos ou a Helena Souto – ligada à indústria e aquilo que nós, de facto, produzimos. Portanto, nessa história, em vez de falar daquilo que os outros disseram que fizeram, eu olho para os objectos que eles fizeram e, através deles, falo. Isso é uma coisa que eu faço muito nas minhas aulas. Por exemplo, relativamente à Bauhaus…eles achavam-se os maiores – e foram – mas muitas vezes o que eles disseram que fizeram não foi exactamente aquilo que fizeram.

Voltando aos anos 80, temos essa vontade de mostrar qualquer coisa, nem que seja um protótipo. Nós tivemos a sorte de conhecer, numas conferências, um senhor da administração da Longra, e depois fomos convidados para trabalhar para a empresa e, portanto, também criamos o grupo um pouco por isso. Eu já tinha trabalhado com o José

172 Viana, mas os quatro nunca tínhamos trabalhado juntos. E isso durou uns dois ou três anos, depois o Zé 485 quis ir estudar para fora. De certo modo foi uma pena porque nós os quatro até funcionávamos bem. Por outro lado, depois acabei por ir fazer o mestrado para o Porto, onde já estavam a Isabel 486 e a Ana 487. O Raul 488 também foi estudar para Itália… eu também me candidatei para Itália e entrei na Domus, mas depois acabei por não ir. No Porto já tinha a bolsa incluída, o que facilitava, e depois aquilo também estava ligado à indústria portuguesa, o que me interessava.

C. C. : Os “Ex-Machina” terão sido o primeiro grupo com esta natureza particular,

com este formato, a surgir em Portugal?

P. P. : Sim, penso que na arquitectura não houve nenhum, só talvez no campo das artes plásticas… Mas aquilo tinha um formato mesmo de banda musical, sempre produzidos em termos de roupas, muito associados também à noite. E, de facto, nós juntámo-nos por acaso…estávamos os quatro, conhecemos aquele senhor, tivemos a reunião e pronto, ficámos os quatro. Eu e o Zé já tínhamos ganho uma menção honrosa num concurso da Sony e nós os quatro, apesar de termos uma orgânica meio caótica e meio organizada complementávamo-nos muito. Assumia-mos ali uma espécie de auto-gestão que era feita pelas capacidades de cada um, ou seja, em função de um cliente, escolhíamos qual de nós deveria ir, e aproveitamos bem isso. Esse foi um dos nossos sucessos. E depois andávamos sempre juntos e tínhamos aquela imagem…aliás, o Daciano chamava-nos “Os metralhas”. Ele estava zangado connosco por termos ido para a Longra, mas isso é uma coisa das diferentes gerações. Ele não gostou que nós invadíssemos o território dele – e com alguma razão.

Digamos que não há, de facto, um processo de continuidade. É uma evolução pela ruptura, a nossa geração quer-se distinguir e distingue-se directamente dos nossos antecessores. Tínhamos outras linguagens, outros gostos, acesso a outro nível de informação, eramos mais irreverentes, e tudo isso facilitava essa décalage relativamente à geração anterior. Depois, há uma série de acontecimentos que ajudam a que o design venha a adquirir um mínimo peso, e o Concurso Jovem Designer é um deles.

485

José Viana. 486

Isabel Dâmaso Rodrigues. 487

Ana Thudichum Vasconcelos. 488

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C. C. : Considera que se pode falar, nos anos 80, numa certa mediatização do design

fruto das iniciativas suscitadas a vários níveis, como as iniciativas da Loja Atalaia, da Dimensão e as de origem estatal?

P. P. : Mais ou menos. Se entendermos que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, talvez. Mas a questão é que não é bem assim. E mesmo se calhar relativamente a Lisboa, até será um bocadinho precoce dizer-se isso em relação ao nosso país. É que nós não tínhamos nada de grande difusão para chegar às pessoas. A Dimensão, um pouco através do kit- Market – que era um design camuflado – e o início da Habitat podem ter servido para alguma difusão. Eu acho que o que contribuiu mesmo para a democratização do design foi a chegada do IKEA - aí estamos a falar de Lisboa e fora de Lisboa. Por outro lado, nos anos 90, tornou-se moda estudar design – e abriram todas aquelas escolas – e penso que a democratização do design se dá mais, não pela difusão do design, mas por este fenómeno, que não sei muito bem como é que surgiu. Uma coisa leva à outra: se há escolas é porque há alunos, se há alunos tem de haver escolas. É uma espécie de bola que foi crescendo. E portanto, digamos que ainda não temos propriamente uma produção, mas temos um sistema produtivo de alunos que vão ser os futuros consumidores e que vão exigir design. O processo vai ser irreversível. Estes alunos, como vão ser muitos, vão puxar pelo sistema. Penso que isso é um fenómeno que aconteceu em outros países, mas há mais tempo. E, de facto, quando o público exige, a coisa já funciona. Não serve de nada eu agora montar uma loja cheia de peças de design. É uma experiência gira, mas se o público não está preparado para isso…tenho uma amiga que montou uma loja com peças vintage, era muito inovadora, mas Portugal não estava preparado para isso. Daqui a dez anos existirão lojas vintage e a viverem muito bem – se calhar já não existirão por causa da internet. Para perceber isso também seria bom ver quando é que há uma revista de design, embora isso também seja uma democracia falível, pois se ela for suportada pela publicidade, é porque há mercado; se ela for suportada pelos leitores, então é porque só há mercado através de pessoas e não de produtos.