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Final discussion and summery of findings

5. DISCUSSION OF THE EVIDENCE AND ANALYSES OF OBSTACLES AND

5.3. Final discussion and summery of findings

P. P. : Para já a falta de objectivos. Nós somos um povo que a partir do séc. XVIII deixa de ter objectivos, não se percebe o que é que se passou, mas isto também tem a ver com uma certa senilidade do país. O país mais antigo é natural que também seja o mais senil – é uma metáfora mas tem algum significado. E depois é um país pequeno onde não há arejamento. Eu costumo dizer, na brincadeira, que casámos muitos primos com primos, há muita consanguinidade, enfim, é uma metáfora, mas pode ser mais ou menos assim. Enquanto houve oxigenação na população portuguesa, Portugal sempre foi muito agressivo. Não há nenhum país que tenha nascido do nada, de um condado, e em três séculos se tenha tornado uma potência mundial. É evidente que tínhamos os templários e uma série de coisas por detrás, mas os outros também tinham. Agora não podem dizer que há falta de projecto para, em três séculos, passarmos de uma cultura medieval- arcaica – mais arcaica que medieval – para conseguirmos ultrapassar o Renascimento. Porque nós, de facto, ultrapassamos o Renascimento. Isso está provado na minha tese, com dados. Petrarca, que é considerado o primeiro homem moderno, fala de Portugal.

177 Portanto, se ele fala de Portugal, e ele é o primeiro homem do Renascimento e diz cuidado com Portugal que está a crescer e as repúblicas italianas vão ter problemas, então é porque Portugal estava a destacar-se. Ou seja, ele conseguiu pôr Portugal na génese do Renascimento e isso, em termos estratégicos, é importantíssimo porque não vem na sequência. Isto são os truques da investigação. É que se está tudo no mesmo plano, não há possibilidade de fazer distinção. Portanto, se Petrarca, primeiro homem moderno – segundo os investigadores italianos – fala de Portugal, então ele deu origem ao Renascimento mas daí para lá já estava a acontecer qualquer coisa: enquanto o Renascimento era o renascimento do mundo mediterrânico, o “Renascimento” em Portugal era o nascimento do novo mundo, não é? Era a aldeia global.

Depois andei a provar como é que isso era feito. Para já duvido que a importância da Catedral de Florença seja superior à da caravela. Não há hipótese de competir com uma caravela que vai à Índia. Uma competição desleal, coitadinha da cúpula, por muito que eu até goste do Brunelleschi. Foi ele que fez as máquinas ao Leonardo, não as desenhava, fazia-as, ele era um homem medieval, era de transição. Mas o Infante D. Henrique, que era quase contemporâneo dele, nunca foi um homem medieval, já é um homem de outro tempo, do futuro. É evidente que há aqui a ajuda da educação inglesa. O Infante percebeu a natureza, aliás, não se consegue ir à Índia sem se perceber a natureza - não dominá-la, ir com ela. Ele e os navegadores, mas ele enquanto “gestor”, teve de perceber como é que esta máquina de ventos e marés funcionava para poder tirar partido dela. Portanto, o nosso Descobrimento, em determinados aspectos, é bem mais importante que o Renascimento. Claro que o Renascimento foi importante porque faz uma arqueologia da cultura grega, romana e egípcia e era importante recuperar isso. Mas as nossas descobertas têm uma vertente para o futuro, não para o passado, e portanto, vão ser muito mais influenciadores daquilo que poderá ser o futuro. Mesmo que não tenhamos escrito muito sobre isso, elas é que mudaram definitivamente o mundo. O Renascimento estabilizou o mundo mediterrânico, mas era o último estrebuchar, porque o mundo mediterrânico estava “morto”. Outras potências iriam emergir – os ingleses, os holandeses, mas isso já é outra história.

C. C. : Realçam-se então os aspectos de planeamento…

P. P. : Pois, mas aí também há outra coisa que falta, em termos de educação, pois os portugueses não sabem cumprir planos. As pessoas têm que saber trabalhar em equipa,

178 têm que saber trabalhar para o bem comum. Porque é que D. Afonso Henriques e o Infante D. Henrique conseguiram aqueles resultados? Tinham organização e capacidade de gestão, faziam com que se cumprissem os planos… claro que isso na altura era “à espadalhada”, agora são outros tempos…o que é certo, é que o povo português não tem essa faceta.

Eu trabalhei com alemães no Brasil, quando fiz aquele pedal para a Singer que teve o “Best of iF”. Eu nunca pensei chegar lá. E cheguei porque o atelier era do Neumeister, e portanto, havia ali outro poder por detrás. Embora eles fizessem electrodomésticos e coisas mais pequenas, faziam também comboios de alta velocidade, etc. e eu inicialmente pensei que ia para lá “afiar lápis”, está a ver? Mas a certa altura eles estavam a fazer máquinas de costura para a Singer e eu fiz o pedal. Além de ser um projecto premiado, é uma patente mundial, porque é só feito de uma peça – os outros são em duas - leva metade dos moldes e um terço do material. Eu também não sou um campeão, posso até ser habilidoso ou ter tido sorte, mas há ali um sistema que está a funcionar e que não falha. Havia ali uma máquina por detrás que era alemã, o motor tinha que ser alemão, ou não havia coração que aguentasse aquilo. Era muito mais complicado com um “motor” português. E a concorrência era forte, eram as grandes marcas como a Míele, Tupperware, etc.

O atelier era particamente em frente à praia de Ipanema, e nós íamos para Búzios aos fins-de-semana. Mas às nove horas da manhã de segunda-feira, o Hans parecia que não me conhecia e começava a fazer o plano de trabalho dele para a semana toda, levava-o à Directora, ela assinava-o, e aquilo era um contrato para a semana. E a coisa funcionava assim. Portanto, é uma outra experiência e, no fundo, não é difícil, é uma questão das pessoas se organizarem.