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Observasjon som forskningsmetode

In document Fra dialog til læring (sider 47-50)

3.3 Datainnsamlingen

3.3.3 Observasjon som forskningsmetode

Tendo em conta que os falantes do PE parecem aceitar os empréstimos do inglês com as sequências /#(∅)SC/- ao contrário dos falantes de espanhol e de PB, que inserem uma vogal nos empréstimos do inglês com esta sequência-, pensamos que os dados de estudos sobre empréstimos podem fornecer pistas sobre as sequências /#(∅)SC/. Argumentamos que os falantes do PE parecem aplicar as regras da fonologia de L1 a L2, no que se refere às sequências /#(∅)SC/.

Assim, analisamos os dados de Fleischhacker (2005) que conduziu um estudo sobre empréstimos em 39 línguas (Fleischhacker, 2005: 32), incluindo crioulos. O estudo de Fleischhacker (2005) apresenta duas estratégias na produção de empréstimos com as sequências /#(∅)SC/: a inserção de vogal de uma vogal epentética ou de uma vogal protética.

Adicionalmente, de acordo com a autora, estas sequências são sobretudo reparadas pela inserção de vogal epentética45 (Fleischackher, 2005:33). Fleischackher (2005:48) apresenta, no entanto, como exemplo- [esparta], que é reparada através de prótese e não

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de epêntese. Por conseguinte, concluímos que existe uma tendência para a inserção de um vogal nas sequências /#(∅)SC/.

Em telugu46, uma das línguas estudadas por Fleischacker (2005), a adaptação de palavras inglesas com a sequência /#(∅)SC/ é resolvida com a epêntese de vogal ou com o apagamento de consoantes (Fleischackher, 2005: 51):

(25) ST: [teʃǝnu]~[isteʃǝnu] (station/ estação) (Fleischackher, 2005: 51, sublinhado da autora).

No caso dos grupos ST, as vogais são inseridas antes, nunca a separar a sequência consonântica, como acontece com outros grupos. No entanto, por vezes, ocorre o apagamento de consoantes, como por exemplo em finlandês, em que os empréstimos do sueco perdem as consoantes iniciais.

(26) ST: tuoli ‘chair/cadeira’<stol (sueco)

(27) STR: ranta ‘waterfront/ beira-mar <strand’ (sueco)

Fleischackher (2005:52) afirma que esta redução é motivada pela sonoridade, visto o elemento menos sonoro permanecer como ataque:

“As Broselow (1992 a) notes, this is directly parallel to cluster simplification in Sanskrit reduplication […]: the less sonorous member of the source cluster is selected to serve as a singleton onset of the adapted loanword. As in the case of Sanskrit, sonority-based cluster simplification in Telegu seems to be phonotactically motivated, assuming that the less sonorous a consonant is, the better onset it makes.”

Bonet e Lloret (1998) e Jiménez (1999), por exemplo, apresentam dados relativos ao espanhol em que confirmam a introdução de uma vogal inicial em palavras de origem inglesa:

(28) [estati] ‘statue’, [eskãdal] ‘scandal’ (exemplo de Fleischackher, 2001: 61)

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Em PE, por exemplo, os empréstimos do inglês são produzidos sem vogal talvez porque a estrutura do PE permite estes núcleos vazios a nível fonético, ou porque quer o inglês, quer o português terem um ritmo acentual. Por outro lado, em PB, as palavras são produzidas com uma vogal epentética inicial. O apagamento da consoante inicial ocorre também em línguas em que não é possível a existência destes grupos consonânticos fonéticos (Fleischhacker, 2001: 64). Esta conclusão baseia-se no facto de os empréstimos serem inseridos na gramática da L1 dos falantes (Yip, 2005; Morandini, 2007:11). Assim, constata-se que os ataques SC iniciais no nível fonético facilitam a aceitação em PE dos empréstimos do inglês (sC).

Alguns dados de Broselow (1992: 74), num estudo em que são analisados os erros em inglês por falantes árabes, apontam para a inserção de uma vogal inicial, nomeadamente na palavra study, que é produzida como [istadi] (Broselow, 1992: 74). Este é o procedimento de falantes originários do Egito (Broselow, 1992: 81); porém, os falantes do Iraque introduzem a vogal entre as duas consoantes (exemplo de Boselow (1992: 80): [sitrit]-street)

Por outro lado, em português, espanhol ou italiano, a vogal é inserida antes da fricativa, não entre a fricativa e oclusiva. Entre as duas consoantes a vogal seria na nossa opinião um schwa, semelhante ao que ocorre em pneu. O facto de a vogal surgir separada das consoantes (Fleischhacker, 2005:154; Broselow, 1992: 80) adequa-se mais a outras línguas.

Realçamos, com base em Gouskova (2001:175)47, que existe uma tendência para uma epêntese inicial em empréstimos do inglês nas línguas apresentadas no quadro.

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Quando há uma queda em sonoridade dos segmentos contíguos, segundo a autora, os falantes recorrem a uma vogal epentética, como se comprova pelo quadro 15.

Quadro 15- Adaptação de empréstimos em várias línguas Língua de chegada Forma na língua de

chegada

Forma na língua de partida

Hindi _skul ‘school’

Bengalês i_kul ‘school’

pahari (língua falada no Nepal)

ispiit_ ‘speech'

Cingalês istri stri ‘woman’

wolof (ou uólofe) estati ‘statue’

Uigure istatistika statistika ‘statistics’

(cf. Gouskova, 2001: 176)

Estes dados mostram que a sílaba é reparada pela inserção de uma vogal. Esta estratégia só é possível, tendo por base a noção de que os empréstimos são adaptados à L1.

Por outro lado, nos dados de Uffman (2007), a vogal epentética é introduzida entre as duas consoantes (Uffman, 2007: 66). Os dados de Uffman (2007) em empréstimos do inglês para o shona demonstram que há a inserção de um /i/, como se pode observar no quadro:

Quadro 16- Empréstimos de inglês para shona (Uffman, 2007: 66)

inglês shona

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‘scooter’ Sikuta

‘smart’ Simarti

(exemplos de Uffman, 2007:66)

Embora em muitos dos empréstimos se constate a inserção de uma vogal inicial, vogal epentética, também existem outras línguas em que a vogal surge entre as duas consoantes (Uffman, 2007). Aparentemente, os dados de Uffman (2007) contrariam a possibilidade da existência de uma vogal inicial. Contudo, do nosso ponto de vista a inserção de uma vogal entre as duas consoantes está ligada às características de cada língua.

Face aos dados relativos aos empréstimos, conclui-se que os empréstimos nos fornecem dados sobre a inserção de uma vogal inicial nas sequências /#(∅)SC/, apesar de existirem outras línguas em que a vogal é inserida entre a fricativa e a oclusiva. Neste estudo, temos dois grupos de línguas, de acordo com Uffman (2007:66):

i) Línguas /VSC/ ii) Línguas /SVC/

No caso do PE, a tendência na sequência /#(∅)SC/ será para a não inserção de vogal. Nos casos em que se procede à inserção da vogal, será /VSC/.

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