Kapittel 2: Metodisk tilnærming
2.1. Observasjon, deltagelse og rolle i felten
Foram discutidas, anteriormente, as instituições públicas no Brasil e como continuam sendo as grandes responsáveis pelas pesquisas científicas e tecnológicas no país. Os cursos de graduação e pós-graduação em universidades públicas norteiam seus trabalhos tanto para formação profissional como para formação de pesquisadores, tendo, como relevância, fortes componentes políticos, econômicos e comerciais nas definições dessas orientações.
Na década de 1970, os direcionamentos de pesquisas voltadas para a ciência e tecnologia ainda eram insólitos nas instituições de ensino no país. Com o curso de especialização em informação e documentação científica (CDC – 1956), o IBICT inaugura uma nova vertente de pesquisa, não apenas no Brasil, mas englobando profissionais da América Latina. Segundo Christovão (1995), esse curso apresentava algumas particularidades que influenciavam na criação de um mestrado na área de informação, pesquisa e documentação, como por exemplo:
• na grade curricular do curso constavam disciplinas ainda não oferecidas nas graduações em Biblioteconomia;
• havia grande interesse na aproximação de estudantes de graduação de áreas diferentes;
• praticamente todo o corpo docente era formado por profissionais do próprio IBBD/IBICT, que acumulavam outras funções dentro do órgão juntamente com a docência;
• havia a preocupação curricular voltada para além da coleta e disseminação informacional, que refletisse sobre o valor do conceito informação naquele momento;
• profissionais oriundos de diversos campos de conhecimento transitavam como colaboradores, “tendo sido no final da década de 60 e início da de 70, corresponsáveis pelo planejamento e implantação de sistemas automatizados adequados às necessidades do IBICT” (CHRISTOVÃO, 1995, p. 2).
Incluindo a gestão em Informação Científica e Tecnológica (ICT), o IBICT proporcionava laboratórios práticos na formação dos alunos em Informação e Documentação, ampliando as possibilidades de interações e contribuições entre professores e participantes, valorizando a constituição de recursos humanos na área. No ano de 1970, nasce o primeiro curso de mestrado em Ciência da Informação, em convênio com Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo sendo reconhecido pelo seu trabalho de ponta em informação científica, o
IBICT adentrava em uma seara completamente nova, incipiente teórica e empiricamente.
A literatura internacional vem registrando, há cerca de 20 anos, novas teorias no campo, quase todas de matemáticos e engenheiros, como consequência da aplicação de uma tecnologia nova. A estrutura dos cursos de Biblioteconomia, que não possibilita base de conhecimento teórico em nenhum campo do conhecimento humano e ministra apenas técnicas [...] impede a transmissão dessas ideias em nível de graduação. [...] Tudo leva à convicção de que o mestrado é uma das soluções para o problema, no momento (CHRISTOVÃO, 1995, p. 3).
Novamente investem-se esforços em atrair profissionais de outras áreas, tentando consolidar a CI como campo interdisciplinar. Levavam-se em conta os interesses governamentais para se estabelecer e efetivar um “Sistema Nacional de Informação Científica e Tecnológica”, visto como ponto-chave para o desenvolvimento de uma nação. Para muitos pesquisadores da área, como Hagar Espanha Gomes, Célia Zaher (1995; 2005) e outros, o mestrado não foi apenas um chamativo para novos pesquisadores, mas também o movimento fundante para que ocorresse a publicação de uma revista científica. Esse veículo de informação científica possibilitaria o diálogo com pesquisadores estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos da América e da Inglaterra.
Nesse momento, o mestrado em CI foi incluído na estrutura acadêmica da UFRJ, iniciando-se como linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Sua concepção e orientação teórica refletiram as influências nítidas do que preconizava a CI nos Estados Unidos da América, tendo como enfoque seleção, processamento, organização e recuperação da informação. A linha de pesquisa dedicava-se aos estudos dos “meios automáticos, aplicados na solução de problemas informacionais tornados mais evidentes e, no jargão da época, sintetizados na expressão ‘o tratamento ótimo (leia-se automático) da informação para a sua recuperação ótima (idem)’” (CHRISTOVÃO, 1995, p. 3). O usuário também é considerado nesse conjunto e o jargão era “como levar a informação certa ao usuário certo”. A partir dessas preocupações, se compôs a grade curricular do mestrado.
Os professores do primeiro mestrado em CI no Brasil eram pesquisadores oriundos da Grã-Bretanha e EUA, uma vez que, para lecionar nos cursos de pós-graduação era exigida, pelo Ministério de Educação, a titulação mínima de mestre e a área ainda não possuía esses profissionais. Assim que se formavam, esses novos mestres brasileiros foram substituindo os docentes estrangeiros, tanto nas orientações de novas dissertações como nas pesquisas e nos fazeres didáticos do mestrado. Outra coisa importante a ser mencionada é o fato de que, em 1976, com a reestruturação do IBBD passando a ser denominado IBICT, criam-se duas novas vertentes vinculadas ao órgão: a Divisão de Estudos e Projetos (DEP) e a Divisão de Ensino e Pesquisa (DEN), a quem coube a coordenação dos cursos, além das atividades ligadas à pesquisa. Ambos foram incorporando os pesquisadores do IBICT que passaram também a se dedicar à docência.
Assim, atividades de ensino e de pesquisa faziam parte do cotidiano dos profissionais do IBICT que, em 1983, foram transferidas para Brasília desativando as divisões existentes. Não obstante, um novo convênio é firmado com a UFRJ e o mestrado inserido na estrutura da universidade. Os professores/pesquisadores passam a ser vinculados diretamente ao CNPq. No ano de 1990 a Divisão de Ensino e Pesquisa (DEN) é reativada como departamento sob a sigla DEP. O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação ganha maior autonomia e é criado o doutorado em 1992.
A agregação de linhas de pesquisa e disciplinas do recente doutorado levou à necessidade de uma intensa reformulação curricular. Segundo Gonzalez de Gómez (2009, s.p), os mesmos professores/pesquisadores do mestrado, juntamente com o corpo discente, ficaram dispersos em linhas de pesquisas diferentes e próximas. Era preciso pensar em alternativas curriculares que as unificassem, tanto as linhas de pesquisa do mestrado quanto as do doutorado.
A necessidade de reformulação curricular foi intensificada por três fatores. Os dois primeiros seriam institucionais: um interno ao IBICT, a criação do Doutorado em Ciência da informação (DCI), e outro externo, a mudança da política de formação de mestres e doutores por parte da Capes. Quanto ao terceiro, este seria decorrente do desenvolvimento da ciência da informação (CHRISTOVÃO 1995, p. 4).
Os debates em torno da grade curricular estavam diretamente relacionados ao entendimento que seus pesquisadores tinham da área de atuação. Obviamente tais debates influenciariam na reformulação dos currículos de mestrado e doutorado e na busca de constituir um corpus teórico sólido para a CI. As novas modificações curriculares só foram experimentadas pelos alunos ingressantes em 1999 e em 2003, quando entrou em vigência uma estrutura curricular mais enxuta, com área de concentração e três linhas de pesquisa. Essa estrutura foi modificada novamente em 2008 com novo programa e novo convênio entre UFRJ e IBICT (Ver ANEXO 4).
Em novembro de 2000, finda o contrato entre UFRJ e IBICT. Entre o período de 2000 e 2003 não houve processo seletivo para o mestrado nem para o doutorado. As avaliações foram retomadas em 2003, a partir de um novo convênio, dessa vez com a Universidade Federal Fluminense (UFF). Os contextos institucionais do IBICT e do PPGCI têm assim diferentes vinculações, com o deslocamento do PPGCI/IBICT para as estruturas acadêmicas universitárias da UFRJ, depois UFF e novamente UFRJ, em 2008. Além das modificações nas grades curriculares, momentos como esses revelam rupturas na trajetória da primeira pós-graduação da área no país.
Cisões dessa natureza, somadas a currículos encapsulados, por certo geram inquietante forma de combate à inovação e à criatividade. Além do que, não se coadunam nem com a ciência contemporânea, nem com a ciência da informação como percebida na atualidade. Muito menos com um programa de pós-graduação, que, mesmo dentro de suas enormes limitações, soube manter-se flexível e aberto a novas ideias e percepções ao longo de sua história (CHRISTOVÃO, 1995, p. 5).
Não há dúvida de que o IBICT favoreceu a pós-graduação em CI, imprimindo-lhe uma identidade que, segundo Gonzalez de Gómez (2009, s.p), é “por vezes real, por vezes idealizado, outras, controvertido”.
Com três fases bem distintas, a pós-graduação se apresenta, entre 1970 e 1982, com um conteúdo curricular predominantemente instrumental e com ênfase nas categorias operacionais da área. Entre 1983 e 1992, com o funcionamento na ECO/UFRJ, sua estrutura apresentava maior flexibilidade e uma clara preocupação com a interdisciplinaridade. A terceira fase, 1992-2002, coincide com o início do doutorado em CI e com uma estruturação independente dentro do programa de pós-graduação da ECO/UFRJ. O objetivo era “formar recursos humanos capazes de aplicar as mais avançadas tecnologias de informação em bases de dados, serviços, centros, redes e sistemas de informação, componentes indispensáveis e estratégicos à infraestrutura de informação nacional.” (IBICT, 2009)15.
Nessa seara, o periódico Ci. Inf. nasce como espaço de publicação do mestrado em CI, no ano de 1972, quando a primeira turma defendia suas dissertações. Sendo assim, foi palco de emergência discursiva da área, dividindo, juntamente à pós-graduação, diálogos acadêmicos dentro do IBICT.
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Histórico da Estrutura Curricular PPGCI - IBICT encontra-se de forma completa em Anexo 4. Esse documento é bastante significativo, pois retrata não apenas as propostas matriciais de uma pós- graduação como também as ideologias que perpassam todo o programa e as pesquisas nele inseridas.
4 O PERIÓDICO CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – O PRIMEIRO ESPAÇO