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Kapittel 4: Ulike varianter av tildekking i Istanbul

4.0. Å oversette emiske begrepene

O que se pretende neste tópico é problematizar o objeto de pesquisa em análise. Para isso, parte-se das propostas arqueológicas foucaultianas que estão repletas de provocações e desafios, principalmente no que diz respeito a esse quesito da pesquisa, ou seja, problematização do objeto:

Mas o que é filosofar hoje em dia [...] senão o trabalho crítico do pensamento sobre o pensamento? Senão [...] tentar saber de que maneira e até onde seria possível pensar diferentemente em vez de legitimar o que já se sabe? (FOUCAULT, 1984, p. 13).

Ciente que a revista Ci. Inf. não é o único espaço de emergência discursiva da área em CI, no Brasil, que há outras revistas23,que há outros espaços (por exemplo, a ANCIB e programas de pós-graduação) e outras circunstâncias (por exemplo, editais de pesquisa, agências de fomento à pesquisa e outros), considera-se esse veículo de comunicação e diálogo acadêmico como um deles. Principalmente quando se leva em conta que os resultados de pesquisa publicados (artigos e citações, por exemplo) são reflexões de outros tantos e múltiplos estudos e lugares de pesquisa. Sendo assim, elegeu-se o periódico e em específico os artigos e citações por se tratar de elementos entretecidos de dados e informações que poderão responder as questões iniciais, propostas nesta tese. Assim, tem-se nesse periódico uma das instâncias delimitadoras e de controle do discurso da CI no país e, por isso mesmo, objeto importante para a investigação acadêmica.

Como dito, não se desconhece que há vários outros fatores que interferem na construção, constituição e institucionalização do saber em espaços científicos. Também é sabido que o trabalho de produção do conhecimento é permeado por exigências que não decorrem, necessária e unicamente, da dedicação e intelectualidade de seus pesquisadores. Institutos de pesquisa, universidades, centros de referências precisam atender a uma série de critérios, nem sempre decididos por profissionais de suas respectivas áreas, para que possam angariar fomentos para suas pesquisas. São avaliados por índices organizacionais, gestores e de produtividade que, na maioria das vezes, não estão vinculados diretamente às práticas de construção do saber. Nesta mesma messe, tem-se que os processos de avaliação das agências financiadoras como CAPES e CNPq, assim como revistas científicas, são também ferramentas de controle do _____________

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discurso, nas ciências em geral. Por exemplo, os editais de financiamento de projetos de pesquisa, avaliação e pontuação de revistas científicas e tantos outros mecanismos, anteriores às publicações, interferem de forma direta no que diz respeito ao que pesquisar, como e para quem. Ferreira Neto (2009) chama a atenção para o fato de que as políticas deliberativas de tais órgãos influenciam sobremaneira pesquisadores, programas de pós- graduação, temáticas de pesquisa e até mesmo as conduções metodológicas dos estudos. Para esse autor, os procedimentos de avaliação, financiamento e políticas desses órgãos estão diretamente ligados aos processos de construção de uma ciência, uma vez que financiam e fomentam a pesquisa no Brasil, com condições específicas para que esses fomentos aconteçam. Política, saber e poder se misturam e concorrem na definição e produção de verdade nos campos de conhecimento. Saber e poder mantêm permanentes relações nas searas das ciências.

Para Ferreira Neto (2008), as estratégias utilizadas pelas agências de fomento à pesquisa acabam por legitimar práticas, espaços e indivíduos, reificando processos e definindo as relações entre força e poder. As políticas de investimento em pesquisas perpassam pelas técnicas, editais, regras, formulários, prazos, regulamentações e em um emaranhado de a priori que pouco ou nada tem a ver com as práticas científicas.

Os editais de pesquisa, fomentados por estatais, induzem ao tema a ser pesquisado, roteiro metodológico e ao resultado, onde o pesquisador é avaliado pela quantidade de produtos e pela qualidade dos mesmos. Um mesmo projeto e vários os produtos (FERREIRA NETO, 2009, s.p).

São esses modelos de políticas que fazem uso do poder no estabelecimento do saber, produzem e definem o que é verdade científica, em um ciclo que se complementa e sobrepõe. O quadro abaixo apresenta as interfaces que compõem os discursos de ciência e que fazem parte dos processos de produção de verdades científicas.

Quadro 1 Discursos das ciências e suas interfaces

Fonte: Elaborado pela autora.

Nesse aspecto é preciso registrar que se compreende e reconhecem-se também muitos outros lugares de diálogos entre pares, exposição de teorias, argumentos e métodos de cunho acadêmico. Livros, teses, dissertações, relatórios de pesquisas, resumos, resenhas, além de artigos científicos são exemplos de alguns desses repositórios. No entanto, é notório que todos apresentam um denominador comum, ou seja, a publicação.

Como foi dito anteriormente, não há conhecimento científico sem as possibilidades de trocas entre pesquisadores, sem as publicações que favoreçam análises, reflexões e debates. Esses outros lugares também estão diretamente ligados aos processos de construção de uma ciência,

uma vez que definem pautas de pesquisas, recorrência de temáticas e metodologias. As políticas de publicação de artigos científicos, em um determinado periódico, por exemplo, acabam por influenciar o que deve ou não entrar nas demandas acadêmicas, qualificando e excluindo discursos. Também, as regras e aparatos de publicação, como por exemplo as chamadas para apresentação de material a ser publicado são, sem dúvida, linhas explícitas de delimitação e regulamentação do discurso.

O uso de comunicação científica em periódicos se faz presente desde o século XVII, tornando-se um importante veículo de troca de saberes. Arboit, Bufrem Freitas (2010) ancoram seus argumentos em Meadows (1999, apud ARBOIT; BUFREM; FREITAS, 2010, p. 26), para quem “o motivo principal pelo qual surgiram os periódicos encontra-se na necessidade de comunicação, do debate coletivo de forma eficiente procurando a partir disto a realização de novos descobrimentos”. A consolidação de um domínio discursivo pode ser avaliada e validada por esse viés, uma vez que grande parte do que vem sendo produzido em uma determinada área de conhecimento encontra-se publicada nesses espaços.

Para Tenopir e King (2001), as contribuições dos conteúdos inscritos em periódicos científicos são relevantes em qualquer campo e estimulam a leitura, o ensino e a pesquisa. Estudos realizados por eles revelam que para os estudantes “os artigos são de grande importância para seu trabalho, mais do que qualquer recurso informacional” (TENOPIR; KING, 2001, p. 23). São espaços do discurso e representam o modus operandi das ciências contemporânea e sua institucionalização. Pertencem ao universo acadêmico e de produção de verdades científicas. Cabe ao historiador escolher e selecionar, dentro desse universo, seu objeto.

Segundo Parlemiti e Polity (apud ELIEL, 2008), os procedimentos de se instituir uma ciência podem ser elencados de duas formas distintas:

• institucionalização cognitiva onde se dedica ao desenvolvimento de conceitos, métodos e teorias.

• institucionalização social onde são criadas estruturas formais, como cursos de graduação, pós-graduação em universidades, centros de pesquisa e outros.

É nesses espaços que se estabelecem as bases de operação do corpo de pesquisadores da comunidade científica. E é, ainda, nesses espaços que as ciências se instituem, tanto socialmente como cognitivamente:

A institucionalização social de uma disciplina, sua implementação e formalização dependem da criação de estruturas acadêmicas de ensino e de pesquisa e tal fator, depende, em grande medida, dos esforços do Estado, por meio de seus órgãos representativos como o MEC e a CAPES, que estabelecem parâmetros para criação e manutenção de estruturas formais que demarcam dada disciplina (ELIEL, 2008, p. 2008).

É interessante chamar a atenção para as formas de sociabilidade das pesquisas, assim como os espaços de disseminação do conhecimento. Um desses mecanismos seria a comunicação científica em formato de artigos, livros, relatórios e outros. Fato é que um campo científico é constituído, avaliado, validado pelas suas produções. Nos artigos e nas citações encontra-se uma rede formal de divulgação e exposição do que vem sendo produzido em uma área científica. Para Gonzalez de Gómez e Machado (2005, p. 3),

A comunicação científica deve considerar-se parte constitutiva e constituinte de um campo científico, imprescindível para o reconhecimento e legitimação da validade, pertinência e relevância de uma pesquisa e de seus resultados. Essa comunicação se dá, dentre outras formas, através de registros e publicações que em conjunto constituem a literatura científica.

As demonstrações do conhecimento, sua exteriorização e espaços de enfrentamentos se manifestam nas publicações. Há toda uma rede instituída e corroborada por pesquisadores, agências de fomento à pesquisa e institutos que definem padrões de qualidade, exercem o controle não só da informação científica, como também de sua história-memória e do

documento-monumento da ciência. Gonzalez de Gómez e Machado (2005, p. 3) pontuam que:

Pode-se dizer, assim, que questões referentes ao sistema de editoração e circulação dos registros do conhecimento científico e questões epistêmicas acerca da legitimação e avaliação do conhecimento científico – gerando ciclos ‘autorizados’ de circulação de temas e documentos em áreas específicas de geração e recepção – terão um lócus comum de equacionamento e elucidação que são os processos de gestão e representação da informação.

Não obstante, assinalar a necessidade de pesquisar os entrelaçamentos discursivos do periódico em foco, com representatividade nacional e internacional, é também percorrer os caminhos e trajetórias que induzirão à compreensão da constituição de um campo, as formas de condução e do que é hoje. “Trata-se de fazer da história uma ‘contra

memória’ e de desdobrar, consequentemente uma outra forma do tempo.”

(FOUCAULT, 1996, p. 33).

Provavelmente, será nas lacunas da historicidade que se encontrará a oportunidade de realizar a análise arqueológica, partindo das indicações foucaultianas. A arqueologia do saber não busca interpretações e sim reflexões, não busca apenas evidenciar influências e diálogos, mas as inter-relações entre instâncias, sujeitos e possibilidades de aparecimento de um determinado saber e não de outro (DIAS, 1989). Tomar o saber e sua historicidade como objeto de estudo faz com que se realizem novas leituras críticas, ampliando o campo de documentação arqueológico, recusando-se uma história teleológica da CI no Brasil. Os artigos e citações, publicados em um período, com um corte temporal de 35 anos, como se propôs esta tese, são ricos acervos documentais com elaborações e produtos de uma dada história-memória.