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4.1 Individuell prestasjonsbasert lønn

4.1.1 Objektive prestasjonsmål

Após o levantamento quantitativo do material esportivo, incluindo a Copa do Mundo de 1950, publicado pelas quatro revistas, podemos montar o quadro comparativo que segue abaixo: Total de referências sobre esporte Referências sobre a Copa de 1950 Porcentagem ocupada pelo conteúdo da Copa sobre o todo Revista da Semana 25 20 80% Fon-Fon! 16 11 68,75% Careta 36 27 75% O Cruzeiro 49 38 77,5% Total 126 96 76,2%

108 A intenção desta pesquisa ao realizar esse primeiro levantamento não é comparar qual revista publicou mais conteúdo, em termos quantitativos, relacionado ao esporte, até porque cada publicação, como falamos na apresentação delas, tinha uma linha editorial, uma linguagem verbal e não-verbal e um público leitor diferentes uma das outras, em que priorizavam determinados assuntos em detrimento a outros. Isso ocorria por uma questão de posicionamento no mercado editorial, pela questão da segmentação deste mercado, também já debatida anteriormente.

O objetivo aqui, na verdade, é verificar o quanto a realização da Copa do Mundo no Brasil alterou a rotina produtiva dos quatro veículos, e isso fica claro quando olhamos para a porcentagem dos textos referentes ao Mundial publicado por eles. Notemos que esse percentual varia de 68,75% a 80%, o que mostra a importância dada ao campeonato por todas as revistas. E, se olharmos para a frequência com que os outros esportes apareceram nessas publicações, percebemos que, enquanto a Copa foi realizada, nenhuma outra modalidade ou evento esportivo foi retratado. O foco dos profissionais de jornalismo era mesmo o Mundial da FIFA, que pela primeira vez era realizado no Brasil.

Evento de dimensões grandiosas, que interrompe o curso das atividades cotidianas por um período, a Copa do Mundo de futebol traz consigo uma série de critérios de noticiabilidade que não podem – e neste caso, não foram – ser ignorados pelos veículos de comunicação. Em 1950, o futebol era uma modalidade que crescia e se profissionalizava no Brasil, e já tinha conquistado a paixão de milhares de torcedores.

Segundo Quére (apud França, 2013, p. 96), "o acontecimento apresenta, pois, um caráter inaugural, de tal forma que, ao produzir-se, ele não é, apenas, o início do processo, mas marca também o fim de uma época e o começo de outra". Ou seja, ele tem um poder de iniciar um novo tempo, de esclarecer alguns pontos, de revelar características de uma nova era, a tal ponto que deve ser acompanhado pelos meios de comunicação. E aquela primeira Copa do Mundo no Brasil tinha essas marcas. Como já vimos, o governo gostaria que a competição simbolizasse o início de uma nova era do país, mais desenvolvido, mais organizado, pronto para entrar na modernidade. Quére diz que mesmo os acontecimentos que foram previstos têm a capacidade de "emergir algo novo". Em relação ao Mundial de futebol, segundo as definições do autor, ele se encaixaria na denominação "acontecimento legítimo", "no sentido de que seu poder de mudanças preexiste a sua exposição midiática, provocando, por conta própria, um quadro de sentido que precisa ser explicado".

109 Por isso, as revistas semanais daquela época analisadas nesta dissertação, mesmo não sendo especializadas em esportes, realizaram a cobertura do Mundial, cada uma a seu modo. O Cruzeiro, por exemplo, que desde o lançamento caracterizou-se pelas grandes reportagens, variedade de temas e qualidade das fotografias, mostrou isso durante a Copa de 1950, trazendo aos leitores várias faces daquele evento e matérias de várias sedes, não apenas do Rio de Janeiro. Já a Revista da Semana apostou em matérias comportamentais, sobre a presença da torcida no Maracanã, ao contrário da Fon-Fon!, que se apegou ao factual, ao resultado dos jogos, para mostrar a Copa do Mundo aos seus leitores. Por sua vez, Careta manteve o foco no bom humor e na "acidez", típicos de sua linha editorial, para abordar o Mundial do Brasil, publicando charges sobre vários aspectos relacionados ao evento, além de notas e artigos críticos, questionando ações da prefeitura e o turismo que não se desenvolveu como se esperava.

O que se pode afirmar, após essa primeira análise, é que as quatro revistas pesquisadas agendaram seu público, trouxeram a Copa do Mundo para ser discutida pelos seus leitores, sem, contudo, deixar de noticiar assuntos que já faziam parte da sua rotina produtiva, como moda, beleza, política e vida europeia, mesmo durante a realização do evento esportivo no Brasil. Esse levantamento também nos permite apontar que todas traziam textos sobre os jogos do Brasil, como da partida final, vários dias depois da data em que foram realizados, o que mostra as dificuldades de produção jornalística naquele tempo.

Assim, podemos dizer que, com a realização da primeira Copa do Mundo no Brasil, em 1950, é possível identificar uma mudança no foco do discurso esportivo apresentado pelos quatro veículos, em que o futebol ocupou a maior porcentagem do conteúdo e se buscou apresentar, durante o Mundial, as características que diferenciavam os brasileiros do restante do mundo.

Também não seria errado pensarmos que a Copa do Mundo aparece nas quatro revistas com frequência nos meses analisados por questões mais econômicas, relacionadas ao mercado publicitário. Quesada Pérez (apud Tavares, 2013, p.79) lembra que, embora os conteúdos das publicações, em teoria, sejam determinados por critérios de noticiabilidade como limitações estruturais (capacidade dos jornalistas e dos editores), limitações de tempo, perfil editorial e perfil do público leitor, com frequência, no entanto, a decisão do que e como noticiar "é tomada levando em conta outros critérios: o critério dominante estabelece que o

110 tipo de conteúdo preferido é aquele mais interessante para o tipo de público que um publicitário deseja atingir para vender um produto".

Em outras palavras, por ser um evento que, de alguma maneira, modificou a sociedade brasileira naquele ano, inclusive a economia do país, atraindo marcas que gostariam de relacionar seu nome a ele, a Copa do Mundo também levou novos anunciantes para aquelas publicações, anunciantes que gostariam, de alguma maneira, de ver o Mundial estampado nas páginas das revistas. Mas para chegarmos a alguma conclusão sobre essa possibilidade, teríamos que nos ater às propagandas veiculadas nas revistas durante o período pesquisado e também seria necessário verificar como cada uma delas se mantinha financeiramente, e este não é o objetivo desta dissertação.

Por fim, antes de passarmos para o capítulo seguinte, que analisará qualitativamente o conteúdo sobre a Copa produzido pelas revistas e de que maneira publicações semanais produzidas para públicos diferentes abordaram o campeonato de futebol, é preciso ressaltarmos que, nesse primeiro levantamento quantitativo, percebemos que o tema Copa do Mundo foi retratado em diferentes formatos dentro de uma mesma publicação, e isso não ocorre por coincidência.

Tomemos como exemplo Careta, que abordou o Mundial entre as seleções em formatos como charge, artigo, seção, carta de leitor e, é claro, matérias. Tavares (2013) diz que, ao agir desta maneira, a revista segue sua linha editorial e realiza "uma espécie de espelhamento dos preceitos editoriais previstos em suas seções, articulando uma rede de discursos e gêneros jornalísticos heterogêneos" (p.87). Por isso, a repetição do tema em vários tipos de textos dentro de uma revista "opera constituindo uma série de conjuntos temáticos inacabados que, quando reunidos, dão a dimensão dos traços que constituem um escopo editorial e salientam sua 'universalidade distinta'".

Em outras palavras, seja em matéria, artigo, carta, charge, etc. é o conjunto de todos esses textos que dá a verdadeira dimensão de como o veículo enxerga aquele acontecimento, além de conferir ao fato uma nova temporalidade, deixando-o mais atual, menos factível. É como se, "de maneira fragmentada, por conteúdos e formas, a revista desse conta de vários aspectos que compõem o todo de um tema" (p.88).

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5. CAPÍTULO IV - LEVANTAMENTO QUALITATIVO E O CONTEÚDO