TEMPOPÓGICOE TEMPOVIVIDO
Visão da vida apresentaD em vários momentosD uma críeica à fnalidadeD ao homem
enquanto “ser que estabelece fns” (LA: 220). Isso é central para as intenções do autor em seu último livro eD ao mesmo tempoD constitui uma ruptura em relação à Filosofa do dinheiro. Veremos como a crítica simmeliana à teleologia procede de dois pontos de vista: primeiroD da perspectiva da vida em seu fuxo contínuoD como aquilo que é anterior à teleologia e que não cabe nas categorias mecanicistas que operam bem nesse nível; depoisD da perspectiva do mais-que-a-vidaD daquilo que ultrapassa a teleologia e sua lógica. A primeira instância dessa crítica aparece logo no primeiro capítulo de Visão da vidaD intitulado “A transcendência da vida”.
Sendo o primeiro capítulo do livroD e também aquele que foi escrito por último (é o único que não apareceu antes na forma de artigo)D “A transcendência da vida” tem o intuito de fornecer as coordenadas gerais de compreensão dos outros ensaios. Trata-se aíD em sumaD de desenvolver o conceito de vida que será mobilizado nos capítulos seguintes. Após algumas considerações gerais sobre a relação humana com os limites – um “esboço de um aspecto da vida muito geral e não especialmente profundo”D mas que no entanto apenas preparava para a apresentação do conceito de vida –D Simmel toma como ponto de partida para o desenvolvimento deste último uma refexão sobre o tempo.
O autor inicia pela apresentação do que chama de concepção lógica de tempo. NestaD o presenteD segundo seu próprio conceitoD não vai além da “absoluta inextensão de um momento” (LA: 218). Signifcando nada mais que a colisão entre passado e futuroD as duas únicas verdadeiras grandezas de tempoD o presente não éD desse ponto de vistaD propriamente tempo – assim como o ponto não éD a bem dizerD espaço. MasD nessa perspectivaD passado e futuro não possuem um estatuto menos problemático: afnalD o primeiro se caracteriza por não ser maisD e o segundoD por ainda não ser. Como consequênciaD a realidade se ateria então unicamente ao presente; o que signifcariaD por sua vezD que ela não é algo temporal: “o conceito de tempo pode ser aplicado aos conteúdos da realidade apenas se a atemporalidade (Unzeielichkeie) que eles possuem enquanto presenee
tornou-se um não-mais ou um ainda-nãoD em todo casoD um nada. O tempo não está na realidadeD e a realidade não é tempo” (LA: 218). Esse paradoxo é reconhecidoD no entantoD apenas para o caso do objeto considerado do ponto de vista lógico. A vida subjetivamente
vivida não se conforma a isso (tanto fazD diz SimmelD se de modo logicamente justifcado ou
não); ela se sente como real na extensão temporal. Na vida vividaD o presente – como indica o sentido que lhe é dado na linguagem comumD ainda que de forma inexata e superfcial – não é percebido como meramente pontualD mas como algo que comporta sempre um pouco do passado e um pouco do futuro.
Simmel partirá dessa percepção sobre o tempo que se encontra na experiência e na linguagem comuns para afrmar queD considerada mais profundamenteD a realidade presente da vida contém seu passado de maneira totalmente distinta de um fenômeno mecânicoD no qual se funda o pensamento lógico sobre o tempo. Com base na contraposição inicial entre tempo lógico e tempo vividoD o autor distingue então três maneiras de conceber a realidade da vida em seu aspecto temporal. Na primeiraD a relação entre o passado e o presente é concebida como um acontecimento mecânico. Este se caracterizaD afrma SimmelD pela indiferença ao passadoD do qual o fenômeno presente emerge como um efeieo. Desse modoD um mesmo estado pode em princípio ser produzido por diferentes complexos causaisD poisD no acontecimento mecânicoD os efeitos desaparecem sem deixar rastros no resultado fnal. O mesmo não ocorre no organismo – segundo caso considerado pelo autor –D pois o material hereditário a partir do qual ele se desenvolve contém inúmeros elementos individuais; assimD a sequência passada que conduz a sua individualidade não pode ser substituída por outraD como no fenômeno mecânico. No organismoD o resultado ostenta os traços de sua história.
PorémD uma maneira distinta de conceber o tempo aparece efetivamente apenas quandoD nos termos de SimmelD a vida ultrapassa o estágio meramente biológico e atinge o estágio do espírito. Só então ocorreD para o autorD o processo pelo qual a vida do passado adentra a do presente (das Hineinleben der Vergangenheie in die Gegenware)D o que acontece de duas maneiras: pela objetivação e pela memória. Na objetivaçãoD o espírito se exterioriza em estruturas queD a partir do momento em que surgemD podem ser apropriadas e reproduzidas por outros indivíduos e pelas gerações seguintes. O passado se prolonga no presente na forma cristalizada de construtos relativamente duráveis e independentes da dinâmica vital
que os criou – processo que será abordado com mais detalhe em “A virada para a ideia”D segundo ensaio de Visão da vida. Na memóriaD por sua vezD o passado da vida subjetiva não apenas se torna a causa da vida do presenteD mas também coneinua nela com seus conteúdos relativamente conservados. Na medida em que a experiência prévia vive em nós como memória – não meramente como um conteúdo atemporalD mas conectado em nossa consciência com sua posição no tempo –D ele não é inteiramente transformado em mero efeitoD como no modo de observação mecânico e causal. AntesD a esfera da vida presente se estende até o momento de sua formação. Isso não signifca que na memória o passado “renasça do túmulo” (LA: 219) e se mantenha no presente exatamente tal como ocorreu; mesmo assimD nela a experiência atual é compreendida como ligada a um momento no passadoD de modo que vivemos aí para além do presente e em direção a esse instante anterior. Na vida como fenômeno espiritualD mais do que na vida como acontecimento puramente orgânicoD existe uma continuidade fundamental entre passado e presenteD no interior da qual um não aparece como mero efeito do outro. Daí que não se possa concebê- la à maneira dos fenômenos mecânicos.50
O que se estabeleceD desse modoD é uma diferença fundamental entre duas concepções de tempo aplicadas à vida humana. Essa distinção vai fundarD como vimosD uma diferenciação entre duas maneiras de conceber o passado em sua relação com o presente – uma como uma relação de mera causa e efeitoD segundo o modelo dos eventos mecânicos; a outraD tal como vivida na experiênciaD apresentando uma continuidade entre um momento e outroD de modo que o passado vive no presente como passadoD e não como mero efeito temporalmente indiferente. Mas também está na base de uma contraposição paralela entre duas maneiras de pensar a relação do presente com o futuroD uma caracterizada como lógica ou mecânicaD a outra a partir do tempo vivido. Considerando que a concepção lógica de tempo não é aplicada somente aos fenômenos mecânicosD mas funciona como um modo geral de compreensão da temporalidadeD a contraposição simmeliana tem os contornos de uma crítica – o que se mostra mais claramente a seguirD no que se refere à relação não mais entre o passado e o presenteD mas entre o presente e o futuro. Com issoD Simmel indica uma
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O argumento simmeliano sobre a memória – assim como, de maneira geral, todo o livro Visão da vida – está fundado num diálogo importante com o pensamento de Bergson, que por enquanto não abordarei aqui. Cf. Fitzi, 2002.
mudança em sua caracterização do humanoD tal como se apresentava em seus escritos anteriores – de “Para a psicologia do dinheiro” (1889) a seus ensaios de flosofa da culturaD todos gravitando em torno da Filosofa do dinheiro (1900/07) – e que é central para a compreensão de alguns dos propósitos centrais de Visão da vida. O que representa uma virada não apenas no interior da obra simmelianaD mas também algo que tende a colocá-lo à parte da tradição sociológica que então se iniciava e na qual o conceito de ação teleológica ocupa um lugar fundamental.
Para o Simmel de Visão da vidaD nossa relação com o futuro não é adequadamente descrita pela determinação do ser humano como “o ser que se coloca fns” (LA: 220). A projeção de um “fm” temporalmente remoto signifca já que este aparece como um ponto fxoD descontínuo em relação ao presente. O pensamento e a ação baseados no estabelecimento de fns também pressupõemD portantoD aquela descontinuidade estrita entre momentos temporais característica da concepção lógica e mecanicista do tempo. Simmel destaca como tal maneira de conceber e vivenciar o tempo difere de outraD que compreende nossa relação com o porvir como um processo no qual a vontade – assim como o sentimento e o pensamento – da vida presente adentram de modo imediato no futuro (das
unmieeelbare Hineinleben des gegenwäreigen Willens – und Fühlens und Denkens – in die Zukunfe). É
característico do presente vivido que ele transcenda o próprio presente. Para SimmelD cada movimento da vontade no aqui e agora nos faz comprovarD ao contrário do que afrma a concepção mecanicistaD que um limiar entre o momento presente e o futuro não é real – poisD no mesmo passo pelo qual assumimos tal limiarD colocamo-nos de um lado da fronteira (no presente) eD simultaneamenteD do outro (no futuro).
Mesmo assimD o “fm” possibilita a coagulação do movimento contínuo da vida num ponto único e consegueD por issoD satisfazer em grande medida as exigências do racionalismo e da prática; porémD ao fazê-loD divide o caráter ininterrupto da vida temporal em um agora e um depoisD criando um hiato no qual o ponto presente e o ponto fnal encontram-se substancialmente fxados em duas margens distintas. “Na medida em que o futuroD exatamente como o passadoD se localiza em um pontoD ainda que indeterminadoD o processo da vida é rompido e cristalizado na diferenciação de três tempos gramaticalmente separadosD e é ocultada a extensão imediata contínua de si mesmo em direção ao futuroD que toda vida presente signifca” (LA: 220). Vivemos continuamenteD diz SimmelD numa
região de fronteira que pertence tanto ao futuro quanto ao passado. O futuro não está à nossa frente como uma terra inexplorada que é separada do presente por uma linha demarcatória clara. No entantoD é assim que ele é (ao menos em parte) vivido quando se age de maneira teleológicaD e desse modo ele é pensado quando o ser humano é concebido exclusivamente como um ser que se coloca fns. ContudoD a própria ideia de vontade já contém uma concepção oposta:
Todas as teorias que localizam nossa essência psíquica na vontade (Wille) somente expressam o fato de que a existência psíquica se prolonga (hinauslebe)D por assim dizerD além de seu ponto presenteD o fato de que o futuro já se encontra nele. Um mero anseio (Wünsch) pode se dirigir para o futuro distanteD ainda não vivido; mas a vontade efetiva se coloca imediatamente além da oposição entre presente e futuro. Mesmo no interior do momento atual da vontadeD já estamos além delaD porque seu caráter inextensivo (Unausgedehneheie)D que parece logicamente necessárioD não poderia acomodar o estabelecimento da direção na qual a vida volitiva deve seguir adiante – caracterizá-la como virtualmente instalada nessa pontualidade seria apenas uma maneira de atenuar as difculdades de sua compreensão. A vida é efetivamente passado e futuro; estes não lhe são apenas acrescentados por pensamentoD como na realidade orgânica e meramente pontual (LA: 221).
Deve-se reconhecerD não apenas na vida do espíritoD mas também na procriação e no crescimento orgânicosD a mesma forma: que a vida atual ultrapassa a si mesmaD de modo que seu presente constitui uma unidade com seu futuro. Na medida em que o passadoD o presente e o futuro são separados com precisão conceitualD o tempo surge como algo irreal; entãoD apenas o momento presente – temporalmente inextensoD isto éD atemporal – aparece como real. Para SimmelD porémD essa concepçãoD que pode sem problemas ser aplicada aos fenômenos mecânicosD não corresponde à vidaD “o modo de existência peculiar para cuja realidade essa separação não vale” (LA: 221). No que diz respeito a esta últimaD a separação lógica dos três tempos pode decerto ser empregadaD mas apenas em uma análise subsequenteD seguindo o esquema mecanicista. Ao caráter ideal do tempo mecânicoD Simmel opõe a realidade do tempo vivido.
O tempo constituiD porémD apenas uma instância dessa continuidade da vida. Para SimmelD ele é a forma que a vidaD tal como experimentada de modo imediatoD adquire em
nossa consciência:
O tempo é a forma de consciência – talvez abstrata – daquilo que é a própria vida na concretude imediataD a qual não pode ser expressa em palavrasD apenas vivenciada; ele é a vida prescindindo de seus conteúdosD porque só a vida transcende em ambas as direções o ponto presenteD fora do tempoD de toda outra realidade e apenas assim realizaD inteiramente por si mesmoD a extensão temporalD isto éD o tempo. SeD de qualquer modoD retemos o conceito e o fato do presenteD como somos justifcados e obrigados a fazerD então essa estrutura essencial da vida signifca um contínuo ir além de si mesmo como presente ( LA: 221).
É da essência da vidaD tal como a entende SimmelD que ela vá além de si mesmaD além de seu estado atualD de tal modo que esse além não surge como algo distinto do presenteD que lhe foi anexado posteriormenteD mas como algo que está contido em sua atualidade. A vida pressupõe a continuidadeD e esta não pode ser adequadamente compreendida por sua divisão em três momentos distintosD apartados por hiatosD restringindo a realidade vivida ao momento presente e empurrando o passado e o futuro ao domínio do irreal. No que se refere ao modo de existência específco da vidaD “seu passado existe de fato no seu presenteD e seu presente existe de fato em seu futuro” (LA: 221-2).
Se tal é a especifcidade da vida (especialmente em seu estágio espiritual)D cabeD no entantoD perguntar o que acontece com esse modo de existência quando ele é pensado – logoD vivido – por seus próprios portadores segundo o esquema mecanicista. O modo mecanicista de pensar o tempoD embora não possa se aplicar sem equívocos à vida vividaD se o fazD engendra uma maneira específca de vivenciar o tempo? Essa questão não será diretamente abordada neste textoD já que se trata somente de marcar as diferentes concepções de tempo com o intuito de caracterizar a especifcidade do conceito de vida (em oposição à existência inorgânica)D assim como de assinalar a inadequação da concepção lógica e mecanicista à experiência vivida. O tema apareceD no entantoD em vários pontos da obra de SimmelD sendo mesmo central na sua caracterização do modo de vida moderno; basta lembrar comoD para o autorD o espírito moderno é um “espírito contábil” e encontra uma de suas expressõesD por exemploD na disseminação dos relógios de bolso (cf. “GSGL”). Parte considerável da Filosofa do dinheiro éD além dissoD dedicada à extensão desse espírito
contábil ao conjunto da vida socialD impulsionada (entre outras causas) pelo dinheiro e tendo nele seu principal símbolo. Quando se considera que um dos fundamentos desse processo reside no caráter teleológico do meio monetárioD então a oposição de Simmel à concepção mecanicista de vidaD incluída sua crítica à compreensão do ser humano como o “ser que se coloca fns”D adquire os contornos não só de uma distinção entre tempo lógico e tempo vividoD entre vida (orgânica e espiritual) e acontecimento mecânicoD mas também os de uma crítica a um modo de existência marcado pela expansão da ação teleológica e pela aplicação de esquemas mecanicistas a uma vida que por defniçãoD segundo o argumento de
Visão da vidaD não pode se conformar a tais esquemas.
A crítica de Simmel à teleologia não é completa. Ele não nega a pertinência da separação lógica do fuxo temporal em passadoD presente e futuroD mas rejeita que o modelo mecanicistaD que compreende a ação de um tempo sobre outro meramente como uma relação de causa e efeitoD dê conta daquilo que é específco à vidaD que é justamente a continuidade vivida entre um momento e outro e o movimento contínuo da vidaD interno a ela e não algo acrescentado de foraD a ir além de si mesma. Quando se divide a vida em momentos separadosD perde-se exatamente aquilo que lhe é específco: a vivência imediata da unidade entre passadoD presente e futuro. Pensar unicamente em termos teleológicosD embora seja possível e mesmo efciente do ponto de vista das exigências do racionalismo e da práticaD resulta na perda dessa característica central da vida; signifca tratá-la como um fenômeno mecânicoD em que um momento surge apenas como efeito do anterior. Perde-se com isso de vistaD entretantoD a presença imediata do passado (enquanto memória) e do futuro (enquanto vontade) no presente vivido.
A VIRADA PARAA IDEIA
Mas existe outra crítica simmeliana à teleologia. Ela surge no segundo capítulo de
Visão da vidaD “A virada para a ideia”D e é formulada ainda no quadro de uma metafísica da
vidaD mas a partir de um ponto de partida distinto no interior desta perspectiva. Simmel afrma que este capítulo do livro e os seguintes “são inseparáveis do conceito metafísico de vida elaborado no primeiro capítulo eD como partes do desdobramento possível desse conceitoD revelam seu sentido último” (LA: ). O desdobramento realizado aqui não parteD porémD daquilo que é aneerior à teleologiaD como no primeiro ensaio do livroD mas daquilo
que estáD por assim dizerD além dela.
Para atingir esse objetivoD o conceito de “mundo” é central. Ainda queD de inícioD sua ligação com a problemática da teleologia não seja evidenteD ele se tornará posteriormente fundamental para a crítica à teleologia empreendida pelo autor no segundo capítulo de
Visão da vida.
“MUNDOS” IDEAIS
O capítulo inicia com a discussão do conceito de “mundo”. Tal comoD segundo SimmelD a consciência popular o utilizaD esse termo indica de início a soma de todas as coisas e de todos os acontecimentos reais. HáD no entantoD nos mesmos usos do termoD uma segunda camada de signifcado: tomados individualmenteD os conteúdos do mundo não podem constituir um mundo; eles só o fazem quando à existência dessas múltiplas singularidades é acrescida uma forma que as abarca. E issoD segundo SimmelD apenas o espírito é capaz de fazer: somente ele pode criar uma unidadeD um entrelaçamento desses diferentes conteúdosD a qual vale também nos casos em que apenas uma parte dos elementos é conhecida. Ao falar de um mundoD estamos em posseD de uma maneira ou de outraD da fórmula que permitiria acrescentar o desconhecido ao conhecidoD de modo que juntos eles constituiriam precisamente uma unidade. “Mundo” signifca assim “uma soma de conteúdos que é liberada pelo espírito da existência isolada de cada elemento e é inscrita em um conjunto unitárioD em uma forma capaz de abarcar o conhecido e o desconhecido” (LA: 236). Trata-seD aindaD de uma unidade deeerminadaD isto éD fundada por um princípioD uma leiD uma coloração ou um ritmoD um sentido que reúne as realidades individuais – em outras palavrasD um esquema universalmente válido em relação ao qual todas as realidades se ordenam e queD ultrapassando cada uma delasD coloca-as em relação com todas as outras. FinalmenteD as concepções flosófcas de “mundo” nascem a partir do momento em que essa unidadeD ainda difusaD concentra-se em grandes conceitos nitidamente desenhados e exclusivos. Conceitos como os de ser ou devirD matéria ou espíritoD harmonia ou dualismoD fnalidade ou divindadeD entre muitos outros. Um “mundo” então emergeD no qual os elementos individuais não são reunidos por mera somaD mas reunidos numa totalidade que os ultrapassa – no caso dos mundos formulados flosofcamenteD constituída por um
conceito. Por issoD Simmel afrma em seguida que é inconsistente a acusação de que os flósofos violentam o mundo com a exclusividade de seus princípios; pelo contrárioD não é senão graças a tais princípios que um mundo – qualquer que ele seja – chega a existir. “Os flósofos não fazem nada além de realizarD com um caráter conceitual mais decisivoD mas também sempre mais exclusivoD o que cada um faz quando fala de um mundo” (LA: 237).
Há conceitos específcosD porémD pelos quais são designadas formas de atividade do espírito tão estendidas queD por meio de sua potência de formalizaçãoD o caráter em princípio infnito dos conteúdos possíveis se funde em um “mundo” unifcado por um caráter conscientemente particular. Trata-se das grandes funções pelas quais o espírito transforma a totalidade dos conteúdos num mundo fechado sobre si mesmoD regido por um