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2. TEORI

2.3 O PPFØLGING

Apesar da suplementação ser muitas vezes indicada para a reposição de nutrientes que estão em déficit no organismo, na ocorrência de enfermidades ou para recuperação e manutenção da massa magra de atletas, o uso indevido, sem indicação e em quantidades abusivas podem causar problemas à saúde.

Os suplementos são produtos alimentícios que podem ser ingeridos na forma de farinhas, comprimidos, cápsulas, barras, géis, líquidos, provendo vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas, aminoácidos ou qualquer outro extrato que ofereça ao indivíduo o nutriente que a ele é necessário para um melhor desempenho fisiológico ou metabólico de seu organismo (NOONAN; NOONAN, 2004).

Segundo a legislação brasileira (Portaria nº 29/1998) são suplementos designados para fins especiais aqueles produtos elaborados para a ingestão de população específica, porém, que não devem ser utilizados como alimentação exclusiva. Estes suplementos proporcionam adequação à dieta de indivíduos que devido às limitações fisiológicas ou metabólicas necessitam de diferenciação quanto ao consumo de determinado nutriente ou composto alimentar (BRASIL, 1998).

No Brasil, é constante o aumento nas vendas de suplementos alimentares, sendo os produtos mais procurados no país, mesmo havendo falta de informações sobre seus benefícios ou mesmo prejuízo quando do uso indiscriminado e excessivo

(SANTOS; BARROS FILHO, 2002a), sendo evidenciado benefício apenas em questão de carência (ALVES; LIMA, 2009).

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (ABENUTRI), em 2010, a consultoria Euromonitor revelou que no Brasil, o montante movimentado pela área de suplementos alimentares rendeu cerca de 1 bilhão de reais, sendo a segunda maior da América Latina. Este reflexo tem sido visualizado devido à procura incessante pela beleza e qualidade de vida, com repercussões ainda desconhecidas na totalidade da sua extensão (VALOR, 2013).

No tocante a grupos específicos da população, na maioria das vezes, os jovens que frequentemente não adotam consumo alimentar saudável, iniciam o consumo destes produtos por conta própria ou por conselho de profissionais de educação física que atuam nas academias que frequentam, ou por sugestão de amigos que utilizam o produto, ou mesmo por estudantes que cursam a graduação na área de educação física, e acreditam ter conhecimento suficiente para prescrever suplementos ou mesmo ingeri-los. Ropelato e Ravazzani (2012) mostraram, tendo por base amostra de estudantes de educação física de uma universidade particular de Curitiba (Paraná), que o conhecimento sobre estes produtos foi considerado insuficiente.

Os referidos autores observaram que 87,5% dos estudantes defendem consumo de suplementos alimentares, não importando o período do curso no qual estudam, sendo que 44,3% consideram que todos, independentemente de características individuais, podem consumir este tipo de produto. Proporção de 39,1% dos estudantes informou que desconhecem os prejuízos que o uso indiscriminado deste produto pode acarretar à saúde.

Os programas de televisão sobre o tema também têm sido outra fonte de informações na qual, estudantes universitários de diversos cursos acreditam que podem confiar, e por meio desta, comprar os suplementos mesmo sem a indicação de um especialista. A frequência de uso destes produtos também pode decorrer da crença que os estudantes têm na fonte de conhecimento, mas nem sempre é coerente com a real credibilidade depositada, onde muitas vezes a confiança maior está sobre o médico e nutricionista, mas por falta de acesso a estes, alto custo, falta de tempo, ou mesmo preguiça, segue-se a indicação de um familiar ou amigo (SANTOS; BARROS FILHO, 2002c).

A crença cientificamente controversa sobre o que os suplementos proporcionam, pode levar a um aumento no consumo destes produtos (SANTOS; BARROS FILHO, 2002b), como no caso de que um suplemento protéico aumenta a massa muscular e na verdade auxilia na sua manutenção, o que realmente vai contribuir para o aumento da massa muscular é o exercício físico; este suplemento irá auxiliar na recuperação muscular.

Por meio de estudo realizado em uma universidade particular de São Paulo com 834 estudantes das áreas de ciências humanas, biológicas e exatas, foi possível concluir que 30,4% dos alunos utilizaram suplementos vitamínicos, sendo a vitamina C e os complementos multivitamínicos os mais utilizados, além de suplementos como carnitina, creatina, aminoácidos e outros. Os alunos informaram também que consumiam suplementos sem nutrientes, o que indica que a ingestão pode estar sendo realizada sem o conhecimento correto da composição nutricional e conteúdo do produto (SANTOS; BARROS FILHO, 2002a).

Neste mesmo estudo foi indicado pelos estudantes o motivo da suplementação, onde 24,9% apontaram a garantia da saúde como foco principal; 22,1% para suprir as deficiências da alimentação; 16,2% para prevenir doenças, sendo que apenas 21% ingeriam o suplemento por indicação de um médico, nutricionista ou professor de educação física.

Segundo a publicação de 2012 da Natural Products Foundation, a cada ano, os consumidores gastam cerca de 20 bilhões de dólares em suplementos dietéticos, sendo que a indústria de produtos para este fim cresceu de 22,5 bilhões em 2004, para 23,7 bilhões em 2007 (WHEATLEY; SPINK, 2013).

A preocupação estética é auxiliar para que se mantenha o cuidado com a alimentação, porém, devem existir intervenções adequadas quanto ao cuidado com a busca da saúde (ALVES; BOOG, 2006), para que haja coerência diante da busca da qualidade de vida.

Do mesmo modo se faz necessária a observação sobre a ingestão de bebidas energéticas, tendo sido verificado seu consumo aumentado quando os estudantes passam para o ensino superior (BICHO, 2013).

A ingestão de café, chás e bebidas estimulantes que contenham taurina, guaraná ou cafeína se fazem presentes na rotina de estudos dos graduandos. Esta prática pode ser vista principalmente em épocas de trabalhos e avaliações, devido à pressão exercida pelo curso (RIBEIRO, 2011).

A taurina e a glucoronolactona são aditivos muito encontrados em bebidas energéticas, com o objetivo de combater a fadiga e oferecer sensação de bem estar ao consumidor (RIBEIRO, 2011).

Café, chá verde, chá preto, chá mate e guaraná são bebidas que contêm cafeína, sendo esta uma substância psicoestimulante que reduz a fadiga e mantém o indivíduo em estado de alerta, sendo, portanto, muito consumida entre os estudantes (LIMA; FARAH, 2013).

Estudo realizado em Porto Rico, com 275 estudantes, sobre o consumo de bebidas que contêm cafeína, mostrou que 87% dos estudantes universitários ingerem soft drinks, enquanto 83% consomem café, 56% ingerem chocolate quente, 40% chás, e 29% bebidas energéticas (RÍOS, et, al., 2013).

Neste mesmo estudo, a maioria dos estudantes (54%), indicou que faz uso das bebidas cafeinadas para se manter acordada por mais tempo, enquanto 12% comentaram que este consumo é realizado para auxiliar na concentração.

Muitos estudantes utilizam esses energéticos combinados com bebidas alcoólicas, principalmente em festas e baladas, o que pode provocar sérios danos à saúde, como por exemplo os problemas cardíacos (RIBEIRO, 2011; GRAÇA, 2013). Observa-se que os estudantes universitários têm realizado a ingestão de substâncias psicoestimulantes para que a capacidade cognitiva seja aumentada. As motivações incluem a conclusão de trabalhos escolares como artigos, projetos, apresentações; a diminuição do cansaço físico e mental, além de aumentar a concentração e a memória diante os estudos (GRAÇA, 2013).