Conhecer um pouco mais do local escolhido para a realização da pesquisa é de suma importância, pois, sua trajetória histórica, política e educacional, poderá nos auxiliar de forma mais clara e objetiva no sentido de compreender como as relações estabelecidas entre governo federal e local têm se configurado na política educacional de Igarapé-Miri. Ademais, levando em consideração essas questões damos continuidade ao estudo da história do Município.
Igarapé-Miri apresenta em seu perfil histórico algumas peculiaridades e várias denominações, a começar por seu significado que na língua tupi quer dizer “Caminho de Canoa Pequena”; pois, segundo informações de moradores antigos, o principal rio do Município não permitia a navegação de grandes embarcações.
O lugar conta com uma área de 1.996,843 km², localizado na Mesorregião do Nordeste Paraense e Microrregião de Cametá52, também no Nordeste paraense, com uma altitude de 17m e uma distância de 78 km da capital Belém, cujo acesso é
52 De acordo com os dados do IBGE (2013), essa microrregião possui uma área total de 16.660,427m² e é
composta por sete municípios: Abaetetuba, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajurú, Mocajuba e Oeiras do Pará.
permitido por meio fluvial e rodoviário, tendo como principal via a Alça Viária, como pode ser observado no mapa a seguir:
Figura 1: Localização do Município de Igarapé-Miri-PA
Fonte: IBGE, 2013.
A “Princesinha do Baixo Tocantins” é outra denominação dada ao Município que teve sua origem com o Decreto Lei número 113, de 16 de outubro de 1843, sancionado pelo Coronel José Thomas Henriques, com 169 anos desde a sua fundação. Atualmente, de acordo com os dados do IBGE (2013), possui uma população estimada em 59.644 habitantes, sendo que destes, 31.314 pertencem ao campo e 28.330 habitam a área urbana do Município, deixando evidente que a maior parte da população reside no campo, conforme demonstra o gráfico a seguir.
Gráfico 4: Quantitativo populacional do Município
A economia do Município é marcada pela predominância de atividades de agricultura, que inicialmente, no séc. XX era sustentada pela indústria de aguardente, passando posteriormente para o plantio, cultivo e manejo do açaí, de onde vem o reconhecimento pela denominação de “a Capital Mundial do Açaí”, local onde estão estabelecidas duas das maiores fábricas de açaí do Estado: Vale do Açaí e Cooperativa Agroindustrial de Trabalhadores e Produtores Rurais de Igarapé-Miri (Cooperfrut), nas quais se produz diariamente cerca de 16 a 18 toneladas do fruto no período da safra, um dos responsáveis pela geração de emprego e renda, acrescenta-se ainda o setor primário e o funcionalismo público municipal e estadual como fontes de emprego.
Segundo reportagem exibida no Programa É do Pará da TV Liberal no dia 24 de agosto de 2013, Igarapé-Miri é o maior produtor de açaí do Brasil, pois no local, são produzidas por ano cerca de 9 mil toneladas do fruto, cuja maior parte da produção é concentrada na agricultura familiar, com uma área plantada superior a trinta mil hectares de açaizeiros nativos, todos na várzea, dos quais cerca de 20% dessa produção são destinados ao consumo interno dos moradores e 80% vão para as agroindústrias de várias cidades do Pará, uma característica que pode ser evidenciada na imagem abaixo.
Imagem 1 : Açaizal no Município
De acordo com LOBATO (2007):
O tradicional açaizeiro uma palmeira de porte elegante, crescendo nos terrenos de várzea e nas margens dos rios de terra firme da região, como vegetação espontânea, sendo seu fruto o açaí, bastante conhecido em todo o Brasil, como alimento básico dos habitantes da região, caracterizando profundamente o costume alimentar local (p.75).
Além do açaí, existe uma forte ligação dos “mirienses” com o catolicismo, cuja principal manifestação religiosa é a festa em homenagem à Padroeira Nossa Senhora Sant’Ana, iniciada em 1714, ano em que foi erguida a primeira Igreja de Sant’Ana. As comemorações acontecem de 16 a 26 de julho, com um dos mais tradicionais círios53 do Estado, onde cerca de 60 mil pessoas participam das homenagens feitas a Nossa Senhora, pelos rios e ruas do Município. Dessa tradição é válido destacar que segundo fontes não confirmadas a Igreja de Sant’Ana foi construída pelo arquiteto Antônio Landi54 que esteve na Amazônia no Período Pombalino.
Imagem 2 - Igreja de Nossa Senhora Sant’Ana Iagarapé-Miri – Pa
Fonte da autora: julho, 2013.
53 Círio de Nossa Senhora Sant’Ana, padroeira do Município. 54 Arquiteto Italiano com marcante atuação na Amazônia.
Contudo, é importante ressaltar que o Estado do Pará possui um total de 144 municípios, divididos por 12 regiões de integração, onde, uma dessas regiões é conhecida por Região do Baixo Tocantins55, formada por 11 municípios, que de acordo com o mapa a seguir são: Acará, Baião, Limoeiro do Ajurú, Mocajuba, Oeiras do Pará, Moju, Barcarena, Igarapé-Miri, Tailândia, Abaetetuba e Cametá.
Figura 2: Mapa da Região de Integração do Baixo Tocantins-PA
Fonte: Imagem/Cartograma Reprodução da SEIR-PA, 2013.
55 Alguns classificam a área onde o município localiza-se como Baixo Tocantins, em referência ao curso
do Rio Tocantins e as características gerais dos municípios. No Estado do Pará, oficialmente, é usada outra subdivisão, as chamadas Regiões de Integração. Segundo esta divisão, Igarapé-Miri está na Região Integração Tocantins.
Com isso, Igarapé-Miridemonstra por meio de seu histórico, características que estabelecem uma relação direta com o campo, o que nos permite dizer que a educação também é fruto dessa história, estruturada predominantemente por escolas com turmas unidocentes e multisseriadas, associando-se à parte considerável da realidade brasileira, objetivo da nossa próxima discussão.