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A terceira Vivência na Aldeia demorou a acontecer por conta dos longos períodos chuvosos ocorridos na região e também por algumas dificuldades internas relacionadas a desentendimentos e divergências de ideias e ideais entre indígenas e parceiros65, como também pela falta de matéria-prima para se produzir os

artesanatos que são vendidos durante o encontro, conforme informado pelos líderes da aldeia Tabaçú Reko Ypy66

Esta vivência foi realizada no dia 26 de julho de 2014, das 9h às 17h e cumpriu a seguinte programação informada no quadro 4:

Quadro 4 – Programação das atividades desenvolvidas no dia 26 de julho de 2014, na III Vivência na aldeia: Educação Ambiental e Tradições Indígenas. Aldeia Tabaçú Reko Ypy. Itanhaém-Peruíbe/SP.

PROGRAMAÇÃO (26 jul. 2014)

III Vivência na Aldeia: Educação Ambiental e Tradições Indígenas

Período Atividade Descrição Ministrante

Manhã

Recepção As boas-vindas aos visitantes ocorreu no centro do espaço

contemporâneo da aldeia. Indígenas

Espaço

Contemporâneo Visita as estruturas do espaço contemporâneo. Indígenas Dinâmica |

Trilha sensitiva A dinâmica “quebra-gelo” foi realizada em roda onde cada indivíduo se apresentava e depois arremessava um rolo de barbante para o outro integrante do grupo e, assim por diante, até o último participante. Ao final, todos estavam conectados entre o emaranhado de barbante que formava uma teia de ligações. Foi um momento divertido que serviu para descontrair e conhecer melhor todos os participantes.

A trilha sensitiva, foi também uma dinâmica de confiança, onde todos estavam vendados, um colocava a mão no ombro do parceiro da frente que o guiava na trilha. Num certo ponto, cada indivíduo era separado em dupla ou trio e, posicionados em frente a uma árvore. A proposta neste momento envolvia sentir a árvore e seu entorno, tentando identificar a maior quantidade de informações possíveis – sentir através do tato a textura e tamanho do tronco, das folhas, das flores e raízes; sentir o perfume, dentre outros fatores em que era possível explorar através dos sentidos. Após um determinado tempo de análise, os participantes eram levados de volta ao meio da trilha e a venda dos olhos era retirada. Neste momento os participantes eram informados que teriam que encontrar a sua árvore. Como

AMA Ecoturismo

65Tais divergências se refere a desacordos entre distribuição justa de valores, rendas e lucros. Os indígenas

também buscavam mais autonomia e participação ativa no desenvolvimento e na aplicação das atividades. Relatam sobre a necessidade de mostrar aos turistas mais sobre a sua identidade cultural, sobre a sua culinária, os jogos indígenas praticados na aldeia, o seu modo de viver em harmonia com a natureza, dialogar com os visitantes sobre os preconceitos em que os povos indígenas enfrentam, suas dificuldade e orgulhos, dentre outras atividades. Informações obtidads em entrevista concedida à Cássia Praeiro em 11 de abr. de 2015

fechamento para esta atividade fica a reflexão de que, embora possa parecer, nenhuma árvore é idêntica a outra, assim como ninguém é igual a ninguém, todos temos nossas particularidades.

Tarde

Almoço |

Descanso O almoço comunitário foi realizado na em uma mesa localizada no centro da aldeia. Descanso. Compra de artesanatos.

Todos

Apresentação | Cerimônia formal

A apresentação ocorreu no centro da aldeia, onde todos formaram uma roda. A líder Itá Mirim se apresentou formalmente em português e em tupi. Comentou um pouco sobre a sua cultura, sobre a história da aldeia Tabaçu Reko Ypy e também relatou sobre as dificuldades enfrentadas cotidianamente pelo seu povo. Por fim, também contou sobre o lado bom de ser índio.

Indígenas

Trilha Os participantes foram divididos em três grupos. Cada equipe era liderada por um indígena, que seria o monitor da trilha. Em cada ponto que passavam, durante o trajeto, era mostrado e comentado com os visitantes sobre as plantas de utilização pessoal – medicinais, pintura e artesanatos. O percurso dá acesso ao espaço tradicional da aldeia.

Indígenas

Museu vivo Encenação sobre a lenda indígena da mandy. Também houve cantos e danças. Pausa para registro de fotos e um bate-papo informal entre todos os envolvidos.

Não houve banho no lago, pois embora o dia se mostrava ensolarado, a sensação térmica estava fria.

Indígenas

Fechamento Roda de encerramento no espaço contemporâneo, onde os indígenas ensinaram cantos e danças. Momento alegre e de agradecimento.

Todos

Fonte: Cássia Praeiro, 2014.

Na aldeia Tabaçú Reko Ypy as cerimônias de apresentação dos indígenas aparentam ser transparentes com o público visitante, pois contam abertamente sobre as suas propostas de atividades, falam sobre as dificuldades que enfrentam e também da importância em se manter viva as tradições de seu povo. Suas falas são arraigadas de sentimento e orgulho de suas origens. Clamam por respeito ao seu modo de vida e conservação ambiental. Querem proporcionar aos visitantes uma vivência agradável e rica em conhecimento para assim, obterem eficiência em suas mensagens em prol as das causas indígenas (figura 23).

Figura 23 – III Vivência na Aldeia Tabaçú Reko Ypy, Itanhaém-Peruíbe/SP

Fonte: RIGUETTI, 2014.

Com relação as trilhas, as vivências devem continuar sendo organizadas e controladas, a fim de conservar, preservar, proteger e recuperar os ambientes naturais locais, evitando assim, erosões e o comprometimento das fontes de água potável e das fontes de água para recreação. A poluição sonora provocada pelo excesso de visitantes também deve ser evitada, a fim de atalhar transtornos à fauna local (SNPT, 1997). Para tanto, a aldeia Tabaçú Reko Ypy disponibiliza 30 vagas para visitantes e, devido a isso a ocorrência do barulho não é intensa. Os turistas costumam respeitar e, quando ocorrem excessos durante as trilhas, os indígenas pedem colaboração e silêncio.

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