• No results found

RESPONSÁVEIS PELO CURSO

A seleção do Estado do Piauí como um dos dez Estados da etapa piloto do Curso de Especialização em Gestão Escolar como já discutido deu-se em função do Piauí ter sido um dos estados que participou também da etapa piloto como curso de extensão ofertado em 2005 pelo INEP.

O Grupo Interinstitucional Local participou de uma reunião em agosto de 2006 em Brasília onde foram apresentadas as diretrizes nacionais do Programa e do curso alem de orientações gerais sobre a implementação do curso nas 10 IFES. Após essa reunião as instituições locais deveriam iniciar os trabalhos de planejamento para a oferta do curso nos estados participantes.

Seguindo as diretrizes da Coordenação do Programa, segundo a qual nas universidades o curso deveria ser coordenado pelas Faculdades/Centros de Educação, na UFPI o curso ficou sob a responsabilidade do Centro de Ciências da Educação (CCE). Para a Coordenação do Curso na UFPI a implementação do Curso de Especialização foi um aprendizado muito grande para toda a instituição, sendo também pioneiro na oferta de cursos de pós-graduação lato sensu, pois foi o primeiro curso de especialização ofertado por meio da educação a distância na Universidade Federal do Piauí.

Por inaugurar a oferta de cursos de especialização por meio da EaD, a tramitação do projeto de curso no âmbito interno dos conselhos da UFPI não ocorreu de forma harmônica, surgindo resistências de alguns professores contrários a EaD. No entanto a coordenação ressalta que o projeto foi aprovado dentro dos prazos para o início em 2007, enfatizando a quase totalidade dos professores da própria instituição como os professores do curso.

Esse primeiro momento foi também um aprendizado pra nós que fazemos a instituição porque até o momento não tínhamos nem um curso de pós- graduação, de nenhuma modalidade sendo ofertado pela Universidade. Então foi o primeiro curso de especialização a distância oferecido pela Universidade Federal do Piauí nessa parceria com o Ministério da Educação. Foi boa(referindo a participação da UFPI na oferta do Curso), embora a gente tenha sempre os contrários. Eu acho que a modalidade a distância seja numa especialização ou numa graduação tem muitos professores que não acreditam nessa modalidade. Então houve uma resistência nos departamentos sim, mas nós tivemos cerca de 95 a 97% por cento dos professores da própria instituição que participaram (Membro do GTIL).

As vagas foram distribuídas em 50% (200 vagas) para a rede estadual de ensino e 50% (200 vagas) para as redes municipais de ensino de todo o estado, conforme estabelecido nas diretrizes nacionais do Programa. As sobras de vagas, tanto as destinadas à esfera estadual ou municipal, foram remanejadas de acordo com cada situação, para atendimento onde haviam candidatos classificados.

Dessa forma o Edital de seleção dos cursistas nº 25/2006 – Pró-Reitoria de Pós- Graduação da UFPI foi lançado em 26 de outubro de 2006. Nesse primeiro momento a SEDUC e a UNDIME ficaram responsáveis pela divulgação do curso nos seus respectivos âmbitos de atuação. A SEDUC junto aos gestores das redes estaduais e a UNDIME junto aos secretários municipais de educação. As duas entidades também ficaram responsáveis pela seleção dos Professores Assistentes de Turma.

No que se refere à divulgação do curso, a SEDUC, por ter uma estrutura mais articulada em todo o Estado, por meio das Gerências Regionais de Educação não relatou dificuldades nessa fase do curso. Por outro lado, a UNDIME, por ser uma entidade que apenas representa institucionalmente os dirigentes municipais de educação a ela filiados, teve problemas na divulgação do curso. Segundo a Coordenação do Curso mesmo todos os municípios tendo sido convidados a participar do curso, alguns dirigentes municipais de educação, depois de passado o período de inscrições, foram procurar a entidade querendo participar do curso, o que demonstra que muitos gestores das redes municipais não tomaram conhecimento desse programa de formação continuada.

Os critérios de seleção estabelecidos nacionalmente foram seguidos sem alteração no Piauí, sendo eles:

a) Ter concluído curso de graduação plena;

b) Ser gestor ou vice, em exercício, de escola pública municipal ou estadual de educação básica, incluído aqueles de Educação de Jovens e Adultos, de

Educação Especial e de Educação Profissional, comprovado através da cópia da Portaria ou ato de designação para o cargo;

c) Ter disponibilidade para dedicar-se ao curso;

d) Estar disposto a compartilhar o curso com o coletivo da escola.

e) Evidenciar disposição para construir ou atualizar, com a comunidade escolar e local, o Projeto Político-Pedagógico no estabelecimento de ensino onde atua. Foram realizadas 1.211 (Um mil duzentas e onze) inscrições, sendo 1.165 (Um mil cento e sessenta e cinco) homologadas e 46 (quarenta e seis) inscrições não homologadas, conforme quadro a seguir:

Tabela 4 – Distribuição das vagas por Polo e número de inscrições - 2006

PÓLO/VAGAS INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS INSCRIÇÕES INSCRIÇÕES NÃO HOMOLOGADAS

BOM JESUS MUNICÍPIO ESTADO 38 23 37 22 01 01 FLORIANO MUNICÍPIO ESTADO 95 69 94 64 01 05 PARNAÍBA MUNICÍPIO ESTADO 39 38 39 38 00 00

PICOS ESTADO 152 147 05 MUNICÍPIO 127 119 08 PIRIPIRI ESTADO 96 94 02 MUNICÍPIO 72 61 11 SÃO RAIMUND O NONATO ESTADO 44 44 00 MUNICÍPIO 48 47 01 TERESINA ESTADO 233 225 08 MUNICÍPIO 137 134 03 TOTAL 1.211 1.165 46

FONTE: Universidade Federal do Piauí – Inscrições recebidas pelas 18 Gerências Regionais de Educação do Estado do Piauí (2007)

Para os membros do GTIL, pelo número de inscrições o curso foi muito procurado, o que em certa medida demonstra a ausência de políticas de formação continuada para os gestores escolares no Piauí.

Quanto ao processo de seleção, atendendo às normas internas da UFPI – Resolução nº 131/2005 – CEPEX, a seleção ocorreu em duas etapas:

Etapa 01 – Prova Escrita Etapa 02 – Entrevista

A Coordenação do Curso (acadêmica e adjunta) foi responsável pelo processo seletivo, com apoio dos coordenadores de sala ambiente, e dos demais parceiros institucionais, a SEDUC e UNDIME/PI, com indicação dos temas da prova escrita, dos critérios de correção da prova e dos aspectos a serem observados na entrevista.

Foram classificados os candidatos que obtiveram as maiores notas correspondentes ao número de vagas, e, nos casos de empate, foi considerado o menor tempo de exercício da gestão, de acordo com o documento comprobatório apresentado no ato da inscrição.

A etapa 1 da seleção – prova escrita – foi realizada em 25 de novembro de 2006 e constou de uma produção de texto com temas relacionados à gestão escolar. Foram elencados 08 temas, definidos pela coordenação do curso e realizado o sorteio do tema da prova na presença dos candidatos em cada pólo, antes do início da prova escrita. Os temas da prova foram os seguintes:

Quadro 2: Temas para sorteio da Prova Escrita

TEMAS PARA SORTEIO DA PROVA ESCRITA

Tema 01 – Processo de escolha dos gestores escolares: limites e possibilidades. Tema 02 – Trabalho coletivo na escola: dilemas e desafios dos gestores

Tema 03 – Gestão participativa: o papel dos gestores Tema 04 – Formação continuada: impasses e desafios Tema 05 – Organização do trabalho escolar

Tema 06 – Aspectos da gestão democrática: financeiro, pedagógico e administrativo Tema 07 – O papel do Conselho Escolar na democratização da gestão escolar

Tema 08 – Avaliação institucional como mecanismo de construção e implementação do Projeto Político-Pedagógico na escola.

FONTE: Universidade Federal do Piauí – Coordenação do Curso de Especialização em Gestão Escolar – 2007.

Pela análise da abrangência dos temas da prova escrita depreende-se que a UFPI teve como intenção selecionar gestores que já tivessem um domínio básico de conhecimentos na área da gestão escolar. Na primeira etapa foi estabelecida uma escala de zero a dez pontos, devendo o candidato para ser classificado atingir nota mínima de 7,0 (sete) pontos. Numa outra perspectiva de seleção dos alunos, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) estabeleceu como critério de seleção a análise dos indicadores escolares que deveriam ser apresentados no ato da inscrição. Dessa forma a UFES deu prioridade aos candidatos oriundos de escolas que apresentaram indicadores em desvantagens quanto à gestão escolar e qualidade do ensino, rompendo a lógica

meritocrática e procurando garantir equidade no processo de seleção dos cursistas (SCHWARTZ; ARAÚJO, 2010, p. 16)

A etapa 2 da seleção – entrevista – foi realizada com os candidatos aprovados na primeira etapa, no período de 02 a 04 de dezembro de 2006, no pólo para o qual o candidato estava concorrendo. Esta etapa foi realizada pelos coordenadores (acadêmicos e coordenadores de sala ambiente), considerando os seguintes aspectos: viabilidade de realização do projeto de conclusão do curso; ter disposição para dedicar-se ao curso; estar disposto a compartilhar o curso com o coletivo da escola; evidenciar disposição para construir ou atualizar com a comunidade escolar e local o Projeto Político- Pedagógico no estabelecimento de ensino onde atua; e demonstrar habilidade para operacionalização da tecnologia a ser utilizada no curso.

Somados os pontos das etapas 1 e 2, os candidatos aprovados e classificados dentro do número de vagas estabelecidas para cada pólo, realizaram a matrícula em 1ª Chamada no período de 7 a 9 de dezembro de 2006. Para as vagas não preenchidas foram convocados os candidatos de acordo com a lista de classificação para a realização da matrícula em 2ª Chamada no dia 12 de dezembro de 2006.

A aula inaugural do curso foi realizada no dia 01 de fevereiro de 2007, em Teresina, no auditório da Associação Piauiense de Prefeitos Municipais (APPM), com a participação de representantes do MEC, da reitoria da Universidade, da Secretaria de Educação do Estado, Undime/PI e os cursistas selecionados de todos os polos do interior.

4.2.1 formação do pessoal docente envolvido na plataforma do curso

Foram realizadas capacitações com os Professores do Curso, Professores Assistentes de Turma, Coordenadores e suporte técnico. Inicialmente estava previsto uma capacitação das equipes envolvidas na oferta do curso, na Plataforma e-Proinfo, sob responsabilidade do MEC. Posteriormente, foi alterada a plataforma para o Ambiente Moodle, sendo realizados Cursos de formação com os coordenadores e professores em fevereiro de 2007 sob responsabilidade da UFPI. Somente em março de 2007 o MEC ofereceu às instituições participantes do Programa um ciclo de formações para as equipes envolvidas sobre a Plataforma Moodle. Essas formações foram divididas em três etapas, com conteúdos, objetivos e público-alvo diferenciados. A primeira foi o Curso Moodle Básico, destinado preferencialmente aos professores e assistentes de turma, com 20 vagas para a UFPI. A segunda etapa foi o Curso Moodle

Intermediário, para professores coordenadores e coordenação do curso e a terceira etapa foi o Moodle Administrador destinado às equipes de suporte tecnológico.

Além dessas formações no Ambiente do Curso, foi realizado mais um curso de formação com uma professora especialista em Moodle da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) sob a coordenação da equipe nacional do programa, destinado aos coordenadores, professores de turma e professores assistentes.

4.2.2 Formação inicial dos cursistas

A realização de um curso em ambiente virtual de aprendizagem para docentes da educação básica, neste caso diretores de escolas públicas do Estado do Piauí, exigiu uma formação introdutória sobre as funcionalidades do ambiente virtual tendo em vista o pouco conhecimento de informática de grande parte dos gestores cursistas. Dessa forma, a Introdução ao Curso foi realizada em cada pólo pelos Coordenadores do Curso (Coordenação Acadêmica, Adjunta e Coordenadores de Salas Ambiente) distribuídos nos Pólos de Apoio Presencial, com a pauta a seguir:

 Apresentação dos Coordenadores, Professores Assistentes e Professores de Turma;

 Apresentação dos conteúdos das salas ambientes;  Apresentação do Cronograma do Curso;

 Divisão das turmas com os professores assistentes;

 Elaboração do cronograma da formação inicial dos cursistas na plataforma Moodle pelos Professores Assistentes;

 Atualização dos dados dos cursistas: e-mail e endereço.

Após a realização dos momentos presenciais destinados à Introdução ao Curso, foram realizados pelos Professores Assistentes de Turma nos meses de abril e maio/2007 a formação na Plataforma Moodle para os cursistas.

Concluída a parte introdutória ao curso e a formação dos cursistas na Plataforma Moodle, somente em 18 de junho teve início o curso com a abertura de quatro Salas Ambientes: Projeto Vivencial, Fundamentos do Direito à Educação, Políticas e Gestão na Educação e Planejamento e Práticas da Gestão Escolar.

Encerrado o prazo estabelecido para a primeira unidade, muitos alunos ainda estavam atrasados em relação às atividades propostas e, portanto, o colegiado do curso resolveu estender a primeira unidade até o final do mês de setembro, quando estava proposta o encerramento da Unidade I da Sala Ambiente Fundamentos do Direito à

Educação. Dessa forma, devido principalmente às dificuldades dos gestores em realizar as atividades propostas os prazos foram sendo estendidos, ficando duas salas que foram abertas somente em 2008: Tópicos Especiais e Oficinas Tecnológicas.

Durante a realização do curso foram realizados cinco encontros presenciais, além do momento de introdução e de apresentação do TCC, que aconteceu nos 7 (sete) Pólos de Apoio Presencial do Curso (NTEs).

Os encontros presenciais tiveram como objetivos principais refletir as dúvidas e dificuldades estruturais e pedagógicas relacionadas ao desenvolvimento do curso, vinculadas às Salas Ambientes. Esses encontros tinham pautas diferenciadas, mas que podemos destacar como comuns aos encontros:

1) Acolhimento do grupo e apresentação dos participantes;

2) Apresentação dos objetivos do Encontro enfocando a importância das respectivas Salas Ambientes em estudo e suas articulações com as outras salas;

3) Organização de grupos para levantamento das dificuldades relacionadas ao desenvolvimento do curso;

4) Discussão coletiva das dificuldades com propostas de encaminhamentos; 5) Avaliação e encerramento do encontro.

A realização dos momentos presenciais ao longo do curso foi uma das estratégias institucionais da UFPI como forma de garantir a efetiva aprendizagem dos alunos e também como estratégia para manter os gestores no curso e evitar a evasão. A coordenação do curso também informou que nesses momentos eram realizadas provas presenciais por exigência da Universidade o que foi justificado pela coordenação do curso como uma forma de manter o controle sobre a aprendizagem dos cursistas.