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Numerical Analysis, Part 2

A análise dos principais problemas e dificuldades tem como referencial teórico a classificação de barreiras à implantação de programas de EAD proposta por Vargas e Lima (2004). As autoras propuseram a classificação das barreiras em dois níveis: barreiras institucionais e barreiras pessoais.

Segundo Vargas e Lima (2004), barreiras institucionais são limitações relacionadas com o domínio macro da organização e estão mais diretamente associadas às questões de tomada de decisão e gestão de recursos de qualquer ordem, financeiros, físicos etc.

As barreiras pessoais estão relacionadas com o domínio micro organizacional e referem-se às características que os indivíduos possuem e/ou às situações por eles enfrentadas, que podem interferir na eficácia da ação educacional.

A) Barreiras Institucionais

De acordo com os relatórios do Curso de Especialização em Gestão Escolar elaborados pela Coordenação do Curso e as entrevistas realizadas as principais dificuldades apresentadas pelos cursistas nos encontros presenciais, classificadas como barreiras institucionais foram:

 Falta de apoio dos órgãos estaduais e municipais de educação,

principalmente no que se refere à infra-estrutura básica de apoio aos cursistas para acesso ao Ambiente Virtual do Curso (laboratórios de informática);

Esse problema evidencia a falta de articulação entre as políticas estaduais e municipais com as ações e políticas federais. Essa situação poderia ter sido minimizada ou mesmo não acontecido se tanto o governo do estado, por meio da Secretaria de Educação do Estado como os municípios assinassem um Acordo de Cooperação Técnica, garantindo o apoio às atividades do curso com a infra-estrutura de laboratórios de informática com acesso a internet. Foi elaborada uma minuta do citado acordo, mas

que não houve aprovação e interesse do MEC no sentido de formalizar juridicamente a parceria com os entes envolvidos.

 Inexistência de computador com acesso à internet na escola dos

gestores;

Esse problema evidencia uma infra-estrutura em termos de tecnologia muito deficitária nas escolas públicas: o baixo atendimento do Programa de distribuição de computadores do MEC (Proinfo). Além da falta de computador com acesso à internet na maioria das escolas constatou-se situações de laboratórios de informática encaixotados, sem nenhuma utilização.

 Cursistas que deixaram a direção da escola;

Essa situação ocorreu em alguns casos tendo em vista a realização de eleições diretas para direção de escola na rede estadual de educação.

Acúmulo de atividade com muitas salas abertas ao mesmo tempo;

Esse problema parece constatar a impossibilidade de abertura de todas as salas ao mesmo tempo, considerando-se o perfil sócio-geográfico do Estado do Piauí, com muitos municípios com limitações ou quase sem acesso à internet. O problema também demonstra a dificuldade dos cursistas em entender a proposta interdisciplinar do curso.

 Textos muito longos;

Havia salas cujo número de textos e atividades eram muito grandes, como na Sala Fundamentos do Direito à Educação.

 Dificuldade de contato com os professores, falta de definição de

horários on-line;

Esse problema também relaciona-se à dificuldade de acesso dos cursista à internet;

 Abrir e imprimir textos, baixar vídeos, enviar as atividades para a

base de dados ou fórum de acompanhamento; dificuldade de entrar na biblioteca virtual;

Foram escolhidos e disponibilizados no ambiente do curso vídeos muito pesados (externos ao ambiente), o que dificulta o acesso por parte do aluno, pois considera-o como possuidor de uma conexão de banda larga. Isso diverge da realidade da maioria dos municípios do interior do Estado do Piauí, tendo em vista o provimento por meio de conexão discada em muitos casos.

O material impresso foi previsto no Projeto do Curso, porém não foi disponibilizado para os alunos. Para os cursistas dos municípios com problemas de acesso à internet o material impresso seria de fundamental importância.

 Prazos para a realização das atividades;

Os cursistas tinham muitas dificuldades para entregarem as atividades nos prazos definidos. O cotidiano cheio de atividades e atribulado dos gestores que lhes tirava o tempo para se dedicarem as atividades do curso foi um dos temas que emergiu nas entrevistas como fator negativo que também comprometeu a aprendizagem dos participantes do curso.

 Necessidade de encontros presenciais mais frequentes;

A proposta do curso prevê a realização de momentos presenciais de acordo com o calendário acadêmico de cada IFES, mas as instituições têm dificuldades na realização dos encontros, principalmente pelos recursos financeiros.

 Incompreensão das atividades, necessidade de mais clareza no

detalhamento das atividades;

Esse problema parece evidenciar a necessidade de “remodelagem” do curso, considerando-se a necessidade de uma melhor adaptação do conteúdo para o atendimento das especificidades da EAD.

 Falta de comunicação no que se refere ao recebimento das atividades

pelos professores;

Esse problema evidencia a pouca desenvoltura e familiaridade dos alunos com os recursos e possibilidades da EAD e com a importância da comunicação e do contato virtual no processo de aprendizagem.

 Dificuldades em saber a nota das atividades postadas no ambiente do

curso e ter acesso às devolutivas das tarefas enviadas;

Além da pouca familiaridade dos cursistas com o ambiente virtual, problemas técnicos na Plataforma dificultavam a comunicação entre a coordenação do curso e os alunos.

 Elaboração do projeto de intervenção;

As dificuldades de elaboração do projeto de intervenção de acordo com a coordenação do curso resultaram principalmente da dificuldade dos alunos em redação de textos. Nesse aspecto a organização curricular do curso também não contemplou conteúdos relacionados à metodologia da pesquisa, o que acentuou esse problema.

B) Barreiras pessoais

Dentre as barreiras pessoais identificadas durante a oferta do curso, destacam-se as seguintes:

 Pouca familiaridade dos gestores cursistas com a informática e

conseqüentemente com o manuseio da Plataforma Moodle;

Esse problema parece indicar a necessidade de fluência tecnológica para participação em cursos a distância com suporte em recursos tecnológicos. Como afirma Almeida (2003) “há necessidade de trabalhar o desenvolvimento de competências relacionadas com a alfabetização e inclusão digital quando as pessoas se propõem a participar de cursos a distância”, neste caso com suporte em ambientes virtuais de aprendizagem.

 Pouco tempo para estudar;

O pouco tempo para a realização das atividades também foi muito citado em fóruns no ambiente do curso e também nas entrevistas. Essa constatação da ausência de tempo para as atividades de aprendizagem do curso revela uma falta de sintonia entre a proposta nacional do curso e ausência de projetos de formação continuada no sistema estadual e nos sistemas municipais. Estes não incentivam a participação dos gestores dando condições efetivas para que os mesmos participem com êxito das atividades do curso, reduzindo por exemplo a carga horária de trabalho para os momentos de estudo.

 Elaboração do projeto de intervenção;

Este problema, além de estar relacionado a barreiras institucionais, como já discutido, perfila entre as barreiras pessoais por situar-se no nível dos cursistas.

 Elaboração do TCC.

Relacionado ao problema anterior à elaboração do TCC foi um momento de grandes dificuldades para muitos alunos. Segundo a coordenação do curso os gestores relatavam tudo oralmente, mas tinham limitações no que se refere à redação textual, para transpor as etapas do trabalho para o papel. De acordo com a coordenação do curso os professores “iam e voltavam com o TCC várias vezes para chegar a um termo aceitável”.

Todos esses problemas elencados podem ser sintetizados principalmente na precária ou quase inexistência de infra-estrutura tecnológica para os cursistas. Houve uma grande preocupação da equipe responsável tanto pela concepção como pela elaboração dos conteúdos em garantir uma sólida formação aos gestores, baseada no

princípio da gestão democrática no sentido genuíno desse termo, compatível com a literatura. No entanto, não houve a devida preocupação do MEC em garantir as condições necessárias de infra-estrutura tecnológica para a qualidade técnica e pedagógica do curso.

Não obstante as dificuldades encontradas, o Polo de São Raimundo, segundo os depoimentos da equipe responsável foi o que apresentou os resultados mais promissores.