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7. NT- PROGRAMMETS ROLLE I VIRKEMIDDELAPPARATET

7.2 NT-programmets særtrekk

O alvo deôntico corresponde àquele sobre quem recai um valor deôntico. Assim como para a especificação dos tiposde fonte, aqui também nos inspiramos nas propostas de Lyons (1977) e Verstraete (2004) para a criação dos tipos de alvo, como explicado mais detalhadamente no capítulo 5.

Dessa forma, consideramos, na análise empreendida em nosso corpus, seis tipos de alvo deôntico, a saber: ‘Enunciatário’, ‘Enunciador’, ‘Indivíduo’, Não-especificado’, ‘Enunciador e enunciatário’, ‘Instituição’. Na próxima tabela temos um resumo da frequência de cada tipo de alvo, dispostos na ordem aqui apresentada, considerando-se as 299 ocorrências totais de modalidade deôntica. O tipo ‘Instituição’ foi registrado em nenhum caso, logo, não será apresentado na tabela.

Tabela 15 – Tipos de alvo deôntico

Enunc. Enunciador Ind Não –

especif. Enunciador e enunc. Total No. de ocorrências 157 88 35 12 7 299 Porcentagem 53% 29% 12% 4% 2% 100%

Fonte: Elaborada pela autora

Observa-se o elevado número de ocorrências de alvo do tipo ‘Enunciatário’, correspondendo à mais da metade das ocorrências totais. Note-se, ainda, que o tipo de alvo ‘Enunciador e enunciatário’ corresponde a apenas 2% das ocorrências, indicando que não houve preferência por se incluir no alvo deôntico. Dessa forma, julgamos importante realizarmos um cruzamento entre os tipos de fonte e de alvo mais frequentes.

De acordo com os resultados, o tipo de fonte ‘Enunciador’ foi o mais recorrente para todos os tipos de alvo. O tipo de alvo ‘Enunciatário’ coocorreu com essa fonte em 145 casos, indicando que o Falante tentou, diretamente, causar uma alteração na informação pragmática de seu Ouvinte, de acordo com o modelo de interação verbal proposto por Dik (1997). O alvo ‘Enunciador’ foi o segundo mais frequente para a fonte ‘Enunciador’, com 58 ocorrências, o que indica que, nesses casos, a fonte deôntica instaurou um valor deôntico que recaiu apenas em si própria. Sobre o alvo ‘Indivíduo’, recaíram valores deônticos instaurados pela fonte ‘Enunciador’ em 22 casos registrados e, sobre o alvo ‘Não-especificado’, a fonte ‘Enunciador’ instaurou valores deônticos em 7 ocorrências. Analisemos alguns exemplos da manifestação da modalidade deôntica, com ênfase no alvo.

(42) Rosalie: Did your ladyship ring for me? (A senhora me chamou?)

Lady Windermere: Tell Parker not to trouble. (Diga ao Parker para não se incomodar.) [A3B3C1D2E1F2G2H2] - IV

(43) Lady Windermere: I can't go today, Arthur. There is some one I must see before I leave town. (Eu não posso ir hoje, Arthur. Eu preciso ver uma pessoa antes de deixar a cidade.) [A2B1C1D1E1F1G1H2] - IV

(44) Lord Darlington: But there are moments when one has to choose between living one's own life, fully, entirely, completely--or dragging out some false, shallow, degrading existence that the world in its hypocrisy demands. (Mas há momentos em que a pessoa tem que escolher entre viver sua vida completamente—ou puxar uma existência falsa, superficial, que o mundo em sua hipocrisia demanda.) [A2B1C1D1E1F3G2H1] - II

No trecho em (42), Lady Windermere instaura uma ordem por meio do modo verbal imperativo, usado no verbo ‘tell’. A obrigação recai diretamente sobre o interlocutor, sua empregada Rosalie. O modo imperativo é o meio linguístico mais recorrente nos enunciados de

Lady Windermere, quando essa senhora instaura um valor deôntico para seus empregados, utilizado em sentenças curtas, objetivas e diretas, como expresso em (42).

No exemplo (43), por outro lado, o alvo deôntico é a própria enunciadora, Lady Windermere. A incidência do valor deôntico sobre si mesmo se dá por meio do pronome pessoal de primeira pessoa do singular ‘I’, indicando, no caso em questão, que não é seu esposo Arthur,

mas, sim, ela quem não pode ir e ela quem deve ver uma pessoa antes de viajar.

O caso expresso em (44), por sua vez, é um exemplo de um alvo do tipo ‘Indivíduo’.

Lord Darlington não especifica uma pessoa, ao invés, ele usa o pronome ‘one’, siginifcando,

nesse caso, uma pessoa qualquer. Visto que a obrigação não recai sobre o enunciador ou sobre o enunciatário, mas sobre ‘one’, temos a classificação do alvo como ‘Indivíduo’.

Uma vez exemplificados os três tipos mais recorrentes de alvo deôntico, julgamos interessante estabelecer uma relação entre os valores deônticos e esse tipo de alvo, pois assim podemos compreender quais valores mais recaíram sobre quem. A próxima tabela apresenta os resultados de modo resumido.

Tabela 16 – Relação entre valores deônticos e tipos de alvo

Enunciatário Enunciador Indivíduo Obrigação Interna 84 41 9 Obrigação Externa 24 5 3 Autorização 17 8 8

Pedido de Permissão

0 15 1

Proibição 16 6 7

Fonte: Elaborada pela autora

Assim, de um total de 139 casos de obrigação interna, 84 recaíram sobre o enunciatário, enquanto apenas 41 recaíram sobre o enunciador. Dentre as 35 ocorrências de obrigação externa, observamos que a maior parte, 24 casos, recaíram sobre o enunciatário. Quanto aos tipos de permissão, dentre os 40 casos totais de concessão de autorização, em 17 casos o valor recaiu sobre o enunciatário; e dentre os 18 casos de pedidos de permissão, em 15, o valor recaiu sobre o próprio enunciador. Quanto à proibição, registrada em 29 casos totais, esta recaiu sobre o enunciatário em 16 casos.

Além disso, na tabela 17, abaixo, temos a quantificação da inclusão da fonte no alvo deôntico. A variável ‘Inclusão’ indica que a fonte se incluiu no alvo; a ‘Não-inclusão’ indica que a fonte não se inclui no alvo deôntico, ou seja, a fonte instaura um valor deôntico sem, contudo, se comprometer com seu cumprimento; e a ‘Não se aplica’ indica que, na ocorrência analisada, a categoria de inclusão da fonte no alvo não é aplicável, como ocorre nos casos em que o valor de habilidade é registrado ou a fonte é inexistente.

Tabela 17 – Inclusão da fonte no alvo deôntico

Não-inclusão Inclusão Não se aplica Total

No. de ocorrências

205 71 23 299

Porcentagem 68% 24% 8% 100%

Fonte: Elaborada pela autora

Os trechos abaixo, dentre os quais retomamos o exemplo (5), nos mostram como se dá a inclusão, ou não, da fonte no alvo deôntico, tomando como base a diferenciação entre fonte e alvo proposta por Van Linden, Verstraete e Cuyckens (2008).

(5) Lady Windermere: Show him up--and I'm at home to any one who calls. (Traga- o aqui para cima – e eu estou em casa para quem chamar.) [A5B3C1D2E1F2G2H2] – I

(45) Duchess of Berwick: The last two dances you might pass on the terrace with Mr. Hopper. (Você pode passar as duas últimas danças no terraço com Mr. Hopper.) [A2B1C2D3E1F2G2H2] – II

(46) Lord Windermere: Margaret! I MUST speak to you. (Margaret! Eu TENHO

QUE falar com você.) [A2B1C1D1E1F1G1H1] – II

Nos exemplos (45) e (5), observamos que o valor deôntico instaurado pela fonte não recai sobre ela, resultando, portanto, na não-inclusão da fonte no alvo. Temos, em ambos os exemplos, a utilização de um ato diretivo, como explica Palmer (1986, p.98-100), uma vez que são atos usados para fazer com que o interlocutor execute um EC.

O valor deôntico em questão no exemplo (5) é o de obrigação. Lady Windermere, por meio de um comando no modo imperativo, utiliza o verbo ‘show’, que, no determinado

contexto, tem o sentido de ‘trazer’, e instaura uma obrigação que recai apenas sobre Parker, seu mordomo. Ele reconhece a autoridade dela, uma vez que é sua empregadora, e realiza a ação.

Em (45), temos o auxiliar modal ‘might’ (poder) sendo utilizado pela duquesa

(Duchess of Berwick) para codificar o valor deôntico de permissão, concedida à sua filha. Ao desempenhar seu papel de mãe, a Duquesa, fonte deôntica caracterizada pelo traço [+con], é responsável pela escolha de quem pode, ou não, dançar com sua filha no baile. A filha, por sua vez, criada nos moldes dos costumes vitorianos, reconhece a autoridade da mãe e respeita sua decisão. Assim, a autorização é dada à filha apenas, sem que a fonte, a Duquesa, esteja inclusa. Diferentemente dos dois casos citados acima, em (46), o próprio Lord Windermere

é tanto a fonte quanto o alvo deôntico, visto que ele impõe uma obrigação para si mesmo, diante de uma necessidade interna, por meio do auxiliar modal ‘must’ (dever). A modalização deôntica

ocorre quando o modal ‘must’, localizado na segunda camada subjacente da oração, toma como

escopo o EC ‘[speak(I)(to you)]’. O pronome de primeira pessoa (I), seguido do auxiliar modal, deixa em evidência que a fonte e enunciador é, também, o alvo. Diante dessa situação, observa- se que o enunciado expressa um alto grau de desejabilidade, como argumenta Verstraete (2004), visto que enunciador e fonte coincidem, culminando no comprometimento do falante com o valor deônticoinstaurado.