7.1 O PTIMIZED REVENUE
7.3.2 NPV, IRR and cash flow
A estética em Bergson é um assunto não tratado de forma direta e particular em alguma obra, mas disseminado pelo seu pensamento. Johanson (2005) escreveu uma dissertação que se aprofundou nessa questão, e aqui discorro um resumo de suas ilações.
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O artista parece ser um indivíduo cuja faculdade perceptiva escapa da tendência de assimilar apenas o útil, o imediatamente aproveitável para a vida. Não raro é tachado como nefelibata, ou seja, aquele que vive no mundo das nuvens. Uma história infantil, de domínio popular, caracteriza bem a dualidade inteligência e intuição em frente da crise que separa estes opostos quando submetidos às exigências da sobrevivência: o conto da cigarra e da formiga.
Em linhas gerais, a formiga, exemplo de esforço e capacidade seletiva do que há de melhor na natureza para possibilitar sua subsistência nos momentos de privação, vence a cigarra na arena da sobrevida, artista que ficava reproduzindo as melodias que fluíam pelo universo em ato continuamente criador. O conto, provavelmente escrito por um intelectual a fim de punir a erraticidade dos artistas, pretende convencer-nos que o esforço intelectivo, estrito senso, engrandece mais que a arte, o que, na perspectiva dessa discussão bergsoniana, não é tão certo.
A arte, com seu método intuitivo, permite o ingresso a níveis de realidade superior, dando acesso a uma mundividência mais integral que, por assim dizer, se esquece de selecionar apenas o que é de utilidade imediata. A inteligência, com todo o seu jugo laboral, é por natureza seletiva. Se, por um lado, a sobrevivência parece entregar os louros para esta, é aquela que permite o acesso às questões que giram em torno da ética, da felicidade, do amor, de todos estes temas da metafísica. Não raro, ainda mais por estes tempos da crise da razão em nossa pós-modernidade, a arte vem tendo seu valor resgatado como atividade humana que permite o acesso à riqueza do real, a multiplicidade qualitativa do mesmo, escapando das ditaduras que o processo de racionalização, agindo de forma isolada, teve o poder de engendrar.
A linguagem da arte teria o mérito de, apesar de se valer de estruturas imóveis como as das letras (literatura) ou das tintas (pintura), ou ainda das pedras (escultura), induzir uma mobilidade dos significados que frequentemente parecem se despregar dos significantes e produzir um sentimento estético que convida o espectador a acessar a fluidez das coisas, deslocando seu olhar da realidade dura para a realidade-duração.
Tomemos o exemplo da poesia. É de praxe utilizar jogo de imagens e, não raro, intertextualidade com livros que fundaram a nossa cultura, como o evangelho cristão e as mitologias gregas. Isso nos faz deslocar do presente falado até o passado referido em um movimento de idas e vindas, ressignificando o passado e o presente no entrechoque das imagens. Os muitos recursos poéticos, de forma geral, promovem conexões entre palavras dentro da própria intimidade delas. Essa aparente confusão urde uma realidade que lembra o
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tempo-duração de Bergson e, portanto, o absoluto das coisas. Vejamos esse exemplo de minha autoria:
Senta aqui
Sinto os teus setenta anos me olhando Sente-me sem temer
O coração pulsando
Tuas sentenças, nossas cem taças de café Co’a fé que tenho cá comigo, cafuné. O copo no centro da mesa se move, ganha pé Se arrasta em cada letra soletra o que ele quer E o que ele quer?
- Quero que saibas, minha sabiá O que já sabias e sempre saberá
O fino assobio que sopra no final da noite a cantar É o papai que chega pra te ninar, menina.
A cena, cujos detalhes e motivação me são íntimos, é de um eu lírico que sente a presença do pai morto no dia em que ele completaria setenta anos. Não se trata de uma lembrança, mas de seu Espírito imortal verdadeiramente presente querendo se comunicar. As sentenças do progenitor começam a vir na mente do jovem, e as lembranças dos muitos cafés que tomaram se aguça misturadas com a fé de que aquele encontro era possível, plenificadas com o carinho circundante. Justamente o recipiente de vidro, que foi preenchido por tantos cafés à mesa, agora é o instrumento pelo qual o pai consegue se comunicar, arrastando o copo em uma antiga forma de comunicação mediúnica, em que o mesmo sai se arrastando, instrumentalizado pelo Espírito, por letras que, juntas, revelam aquela fala. A irmã do rapaz precisava de um consolo no seu luto e obteve a resposta do pai.
A aliteração das palavras senta, sinto, setenta, sentir, sem temer, sentenças e cem
taças, bem como, de forma mais sutil, café, com a fé, cá comigo, cafuné, costura a poesia de
tal forma que a confere uma fluidez que faz a nossa leitura bailar por entre cada instante em idas e vindas espirais, em que cada revisão dos versos nos faz submergir na agitação que o coração pulsando, em um verso solto no meio de duas estrofes, estava sentindo. A mensagem transcendente do pai, que está suspensa nos corações, feito sabiá, canta aos nossos ouvidos, também marcada pelas aliterações.
Completamente diferente seria a experiência estética se tentássemos resumir: é um jovem em cujo aniversário do pai morto, que estaria completando setenta anos, sente a presença dele tentando se comunicar segundo sua crença na comunicabilidade de Espíritos.
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Cristalizamos a cena em uma descrição e esvaziamos todo o sentimento dela. A bem da verdade, se esta poesia fosse um cristal, com o resumo, acabamos de estilhaçá-lo. Assim é a percepção da duração: intensa para quem percebe, porém frágil a ponto de se desvanecer ao tentar ser encarcerada pelo conceito, mas não pela poesia.