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november 2017 av justis- og beredskapsminister Per-Willy Amundsen

In document Dokument 15:2 (2017–2018) (sider 43-51)

Conseguimos constatar que a mediação tem um papel importante e dinâmico em contextos de exclusão social. A mediação tem o poder de aproximar as pessoas e fazê-las aprender com os problemas. Recorremos ao modelo transformativo de mediação (Torremorell, 2008), um modelo indicado para qualquer tipo de descriminação/ exclusão, um modelo que permite que o conflito proporcione uma oportunidade de crescimento nos envolvidos (Horowitz, cit. por Torremorell, 2008). Tivemos, assim, como ponto central as relações entre vizinhos e entre a restante comunidade, incluindo entidades que os podem auxiliar num processo de inclusão social. Tentamos introduzir uma mudança a nível pessoal, no sentido de melhorar os seus hábitos parentais, potenciando um maior apoio aos seus filhos para que estes, cada vez mais, se motivem a prosseguir com os estudos e, deste modo, não perpetuar a exclusão social, a parca escolaridade e dificuldades económicas; Uma mudança, também, a nível relacional entre pais e filhos, entre vizinhos, entre moradores e restante comunidade; estrutural uma vez que conseguimos constatar que parte desta exclusão social deve-se à falta de escolaridade e falta de vontade para procurar algo melhor, aliado ao facto de que muitos dos problemas do bairro surgem devido à grande variedade de culturas, bem como às condições que estes

vivem. Fazer uma mudança no bairro implica a união de todos os moradores, o que nem sempre é fácil e possível; Cultural, pois, muitas vezes, para que o problema apazigue tem de existir mudança nos padrões culturais. A título de exemplo, a população cigana do bairro não gosta de animais mas aceitaram que exista um abrigo para os mesmos. É uma maneira dos animais não andarem tão dispersos pelo bairro e perto de suas casas e, ao mesmo tempo, estão a ajudar estes animais.

No que concerne a todo o estágio, e respondendo aos objetivos por nós propostos inicialmente, os utentes possuem uma imagem positiva do GAAS. Apesar desse facto, muitos dos seus utentes mostram-se apreensivos sempre que se deslocam a este local, uma vez que os técnicos têm poder de decisão sobre o único rendimento que algumas famílias possuem. Por vezes, o problema reside no facto dos moradores considerarem que os técnicos têm toda a autonomia na tomada de decisões, o que leva a que, muitas vezes, possuam uma opinião errada sobre as atitudes que estes têm de tomar, seguindo as normas.

A mediação tem um papel no campo da exclusão social. Como pode ser lido em todo o relatório, a mediação pode, e deve, intervir de várias formas: com a mediação socioeducativa, mais precisamente no que diz respeito à mediação como um processo que veicula convivência, onde se perspetiva a mediação como criadora de pontes entre as pessoas (Torremorell, 2008); e ainda a mediação como coeficiente de coesão e como cultura, pois

(…) estimula a dissensão, o debate reflexivo e o questionamento das dinâmicas instauradas. (…) promove atitudes de abertura em relação a outras formas de (…) gerar empatias com significações socioculturais e referentes axiológicos diversos. (…) [geram] conhecimentos que contribuem para melhorar a qualidade das relações humanas, uma vez que facilitam a elaboração e compreensão dos encontros, convertendo-os em momentos vividos e não em simples informações sobrepostas. (Torremorell, 2008, pp. 74- 77)

É muito importante que as pessoas que sofrem de exclusão social não se isolem. Têm de se aproximar dos seus vizinhos e criarem soluções para os seus problemas. Têm, ainda, de se aproximar da restante população para acabarem com o estigma que muitos sofrem por habitarem num bairro social.

A mediação é também importante como estratégia formadora e preventiva, prevenindo conflitos e problemas que possam surgir com a vizinhança, com os filhos, com os outros pais. Também no sentido de prevenir comportamentos de risco, como a falta de envolvimento dos pais na escola – levando à negligência da educação dos seus filhos – e com a restante comunidade, em suma, a exclusão social fazendo com que esta comunidade se consiga integrar na sociedade dominante, possibilitando uma igualdade de oportunidades. Consideramos que deve-se intervir, nestes contextos,

de uma forma produtiva e transformadora, formando os indivíduos para a responsabilidade, a cooperação e a cidadania, prevenindo a indisciplina e a violência (Silva, Caetano et al., 2010). Neste sentido, perspetivamos a mediação como uma modalidade de regulação social, promotora da emancipação e da coesão social; um meio de educação para a participação das gerações na construção da democracia e de educação para a paz (Silva, Caetano et al., 2010).

Tem ainda como campo de intervenção a mediação comunitária e na mediação sociocultural, tanto no sentido de resolver conflitos entre vizinhos – que muitas vezes termina em violência ou expulsão do bairro – como no sentido de perceberem que cada um tem a sua cultura e que é possível conviver harmoniosamente entre todos.

Notou-se, ainda, que é importante desenvolvermos competências sociais e pessoais para a inclusão social, como é o caso da autonomia, entre ajuda, cidadania ativa, altruísmo, entre outros aspetos. Será importante apostar nesta população, não deixá-los ficar apenas e só em casa com pouco rendimento. Através da mediação, e aprendendo com os conflitos, isto é, utilizando o modelo transformativo, pode-se incutir na população competências importantes, não só para si, mas também para aqueles que os rodeiam (filhos, familiares, vizinhos, restante comunidade). Apesar de não termos conseguido realizar uma atividade prevista – semana da inclusão social na Casa do Povo de Fermentões – por não ter sido possível envolver as várias valências, pensamos que conseguimos que este público se desenvolvesse através de projetos criados por eles a pensar no bairro. Estes projetos tiveram visibilidade a nível de todo o concelho – Projeto (RE)Agir no Orçamento Participativo da Cidade de Guimarães – e, também, em toda a Freguesia de Fermentões.

Por fim, conseguimos constatar que um envolvimento ativo dos pais na vida escolar dos filhos poderá acabar com o absentismo e abandono escolar. A título de exemplo, falemos do caso da D. Joana. A sua filha estava a ter um fraco desempenho escolar, facto que os seus pais desconheciam pois era raro irem à escola e, quando iam, pouco se importavam com o que era dito. Através dos “Diálogos”, a mãe ficou mais próxima da escola e percebeu a importância que tem dirigir-se à escola, ao Diretor de Turma, ao GAAF e, também, entendeu que é importante saber a data dos testes e de saber se a sua filha tem ou não trabalhos para casa. A D. Joana começou a ficar mais atenta, pediu ajuda à AAD responsável por esta família no sentido de conseguir um ATL, dentro das suas possibilidades, pois a filha estava a ficar muito atrasada na escola. Posto isto, ao envolver-se mais com os assuntos escolares da filha, fez com que esta recuperasse na escola e não chumbasse. Concluímos, deste modo e com este exemplo, que a cidadania ativa que deve ser potenciada no público-alvo, deve ser sempre alargada à escola dos filhos, potenciando também a inclusão social destes jovens pois,

quanto mais estudarem, mais probabilidades têm de sair do bairro social com um emprego que não seja precário.

Findando, com este projeto conseguimos auxiliar o GAAS a aumentar o nível de intervenção no bairro, uma vez que estes têm demasiada burocracia a cumprir, tirando-lhes tempo para a dinamização de ações. Assim, mostrou-se a importância de cada GAAS contemplar um Técnico Superior de Educação que não trataria da burocracia dos contratos, mas sim da criação e dinamização de ações deste cariz. Assim, com a nossa intervenção, o GAAS ficou com um papel mais facilitado, uma vez que estão projetos em curso, por nós organizados em conjunto com as moradoras, que irão colmatar algumas das necessidades já sentidas pelos técnicos do GAAS mas que, até ao momento, não tinham tido tempo para pensar num projeto de resolução. Para além disso, possuem agora algumas ferramentas de auxílio para a procura de emprego, como é o caso do panfleto e dos currículos. Auxiliamos, ainda, no desenvolvimento de competências, já mencionadas, de alguns utentes do GAAS.

Capítulo VII

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