Uma empresa cria valor quando é capaz de oferecer aos acionistas e credores uma remuneração maior que suas expectativas mínimas, ou seja, quando o valor de mercado da empresa apresenta uma valorização (Assaf Neto, 2006).
Para Young e O’Byrne (2003), geralmente os altos executivos das empresas são pagos para responder coisas diferentes da criação de valor e sendo assim a criação de valor acaba não sendo prioridade para os administradores. Isso causa uma destruição de valor, pois os objetivos dos administradores podem ser conflitantes com a criação de valor. No entanto as empresas precisam criar valor, pois são imprescindíveis para garantir a geração de riqueza para os acionistas em longo prazo.
Com base nisso, as empresas precisam adotar medidas de desempenho para controlar e acompanhar a criação de valor da empresas, para que os funcionários trabalhem de acordo com os objetivos dos acionistas, ou seja, para criar valor.
A utilização de indicadores financeiros é defendida por aqueles que relacionam desempenho com criação de valor. Dessa forma, a verificação do efetivo agregado de valor aos acionistas deve estar relacionada a alguma métrica que permita estabelecer uma avaliação sobre a firma. (CARVALHO et.al., 2010, p. 874)
Neste trabalho utilizaremos o retorno total ao acionista (TSR), para verificar se quanto maior o índice de intangibilidade, maior a criação de valor.
O retorno total ao acionista, ou total shareholder return (TSR), é usado para medir o desempenho das ações em um intervalo de tempo e é calculado da seguinte forma:
Equação 11 – Retorno Total ao Acionista (TSR)
2.4.1. Os Ativos Intangíveis e a Criação de Valor
Neste tópico pretendemos mostrar porque os ativos intangíveis podem criar valor do ponto de vista de alguns autores e mostrar algumas evidências empíricas desta relação entre intangíveis e criação de valor.
Segundo Stewart (1997), os ativos intangíveis são a soma dos conhecimentos de uma empresa que podem ser utilizados para gerar riqueza e proporcionar vantagem competitiva.
Low e Kalafut (2002) acreditam que o investimento em ativos intangíveis pode proporcionar um resultado superior a qualquer retorno sobre investimento, garantindo a empresa uma vantagem competitiva, mas também pode diminuir seu valor de mercado apenas por um dano em sua reputação.
Do ponto de vista de Domeneghetti e Meir (2009), os ativos intangíveis são os principais responsáveis pela criação de valor das empresas no médio e longo prazo, pois são eles que fazem a empresa se diferenciar competitivamente de seus concorrentes.
Para Kayo et. al (2006), o investimento em pesquisa e desenvolvimento constitui ativos intangíveis de muita importância e é uma importante fonte de vantagem competitiva.
Podemos verificar que os autores citados acima, afirmam que os ativos intangíveis são uma fonte para se obter vantagem competitiva e sendo assim, possibilitando que as empresas criem valor. Segundo Barney e Hesterly (2007), uma empresa possui vantagem competitiva quando consegue gerar mais valor econômico que seus concorrentes, ou seja, a vantagem competitiva de uma empresa é a diferença entre o valor econômico da empresa e de seus concorrentes.
A figura 9 exemplifica como essa diferença pode gerar valor para as empresas, segundo Barney e Hesterly (2007).
Figura 9 – Exemplo de Fonte de Vantagem Competitiva
Fonte: Adaptado de Barney e Hesterly (2007)
Ainda segundo Barney e Hesterly (2007), a vantagem competitiva pode ser dividida em alguns tipos como mostra a figura 10.
Figura 10 – Tipo de Vantagem Competitiva
Fonte: Adaptado Barney e Hesterly (2007)
Villalonga (2004) realizou uma pesquisa com 1641 empresas dos Estados Unidos, no período de 1981 à 1997, para verificar se quanto maior a intangibilidade dos
recursos das empresas, maior a vantagem ou desvantagem competitiva sustentável. Os resultados mostram que para a maioria dos setores, inclusive de serviços, que a intangibilidade de recursos está positivamente relacionada com a persistência dos ganhos ou perdas das empresas, ou seja, os ativos intangíveis desempenham um papel importante tanto em sustentar a vantagem competitiva de uma empresa quanto em sustentar a desvantagem competitiva.
A pesquisa de Villalonga foi baseada na teoria da Visão Baseada em Recursos (RBV) que segundo Barney e Hesterly (2007), possui duas suposições fundamentais: a heterogeneidade de recursos das empresas, onde uma empresa pode ser mais competente em realizar uma atividade do que outra e a imobilidade de recursos, onde pode existir diferenças de recursos e capacidades duradouras entre empresas, pois ser muito custoso para uma empresa adquirir ou desenvolver tais recursos e capacidades. Dessa forma, Barney e Hesterly (2004) sugerem que as capacidades e recursos devem ser valiosos, raros entre seus concorrentes, custosos de imitar e sem substitutos próximos.
Em outra pesquisa, Perez e Famá (2006) analisaram empresas com ações negociadas na NYSE (New York Stock Exchange) e na NASDAQ (National Association Securities Dealers Automated Quotation). Eles separaram as empresas intangível-intensivas e tangível-intensivas e verificaram que o grupo das empresas intangível-intensivas possui um desempenho econômico melhor que o grupo das empresas tangível-intensivas, concluindo que empresas com maior parcela de ativos intangíveis geram mais valor para os acionistas.
Patrocínio et. al (2007), realizaram um estudo para verificar se existe diferença nas fusões e aquisições de empresas intangível-intensivas e tangível-intensivas. Os resultados mostraram que fusões e aquisições que envolviam empresas intangível- intensivas tinham um potencial de retorno significantemente maior que operações que envolviam empresas tangível-intensivas, ou seja, empresas com maior intangibilidade tinham um potencial maior para criar valor.
Sendo assim, verificamos que existem evidências empíricas da influência dos ativos intangíveis na criação de valor das empresas. No entanto Carvalho et. al. (2010)
verificaram que para empresas brasileiras de capital aberto com ações na BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo), a intangibilidade dos recursos não contribui para que a empresa tenha vantagem competitiva sustentável. Eles acreditam que a diferença nos resultados, quando comparados a estudos feitos com empresas norte-americanas, se dá devido à natureza das empresas desses países, pois enquanto nos Estados Unidos as empresas investem em pesquisa e desenvolvimento, gerando recursos de inovação, no Brasil, a maioria das empresas de capital aberto, possui mais capital tangível do que intangível.