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A distinção entre a função e o sector merecem uma novamente a atenção para diferenciar estes conceitos. A Comunicação Política é aqui entendida como a comunicação de características políticas, podendo, ou não, acontecer no sector político. Assim, entende-se por Comunicação na Política o que na língua inglesa é entendido como Political Communication, ou seja, a comunicação no sector político:

“A Political Communication preocupa-se com a relação entre a comunicação e a política, incluindo as transações que decorrem entre cidadãos, entre os cidadãos e os seus governos, e entre os representantes dentro dos governos.” (International Communications Association, 2014)74

A disciplina de Political Communication é entendida como o estudo do papel e dos efeitos da Comunicação na vida política, sendo que grande parte dos trabalhos, neste campo de estudo, preocupam-se com os efeitos nos resultados eleitorais, os efeitos da mediatização na democracia ou a análise dos discursos políticos. No entanto, as Relações Públicas na Política olham para o fenómeno com um novo olhar: a Comunicação do ponto de vista da organização.

Entende-se uma distinção clara entre o que é Political Communication e o que entendemos enquanto Relações Públicas na Política. As Relações Públicas na Política são aqui entendida pela forma de olhar o papel que a Comunicação desempenha na construção do mundo social das organizações no sector da

74 “Political Communication is concerned with the interplay of communication and politics, including the

transactions that occur among citizens, between citizens and their governments, and among officials within governments.”

política. Apesar de partilharem aspectos e campo de conhecimento, a Political Communication centra- se no papel que a Comunicação tem dentro dos sistemas políticos, olhando para os processos e mensagens persuasivas que são usadas na argumentação com os diversos públicos políticos. Por outro lado, as Relações Públicas na Política, apesar de também olharem para os processos e mensagens, têm o seu foco alargado na identificação das dimensões relevantes para a construção de relações das organizações com os seu públicos, usando-as como base das suas campanhas (Martinelli, 2011). No âmbito deste trabalho, a Comunicação é compreendida nas Relações Públicas na Política, não como uma parte que contribui para o processo político, mas uma ação estratégica constitutiva dele mesmo. Tendo esta diferença em mente, a existência dos dois campos de estudo difere, sendo substancial a disparidade entre a quantidade de trabalhos numa e noutra área. Enquanto as Relações Públicas na Política, que apesar da sua existência documentada ao longo da história, têm uma atenção recente a nível académico75, a Political Communication é uma área consolidada academicamente desde o final

dos anos 50 e com um foco multidisciplinar (Denton, 1997), que interliga conceitos das Ciências da Comunicação, da Ciência Política, do Jornalismo, da Psicologia, da Sociologia, da História, entre outros campos (Kaid, 2004). Tem as suas origens na Grécia Clássica, quando Aristóteles ensinava a importância da retórica e os seus elementos constitutivos, mas só obteve o seu reconhecimento enquanto disciplina em meados do século passado.

O seu estudo iniciou-se com a reflexão sobre o processo pelo qual as instituições governativas intervêm com a intenção de voto dos cidadãos (Nimmo & Sanders, 1981) e pelo papel da comunicação no processo político (Chaffee, 1975), tendo evoluído do paradigma de persuasão para o do voto, cobrindo temas como cobertura mediática de campanhas e eventos, debates políticos, publicidade política e retórica política (Kaid, 1996). Envolve o cruzamento de diversos campos de estudo, incluindo a análise retórica, as mudanças de atitudes, a análise interpretativa e funcional de sistemas, teoria de comunicação de massas e social media, e comunicação interpessoal (Martinelli, 2011). Olha-se para a Political Communication como mais do que o discurso contido no processo político, mas como todos os elementos comunicativos escritos, verbais ou visuais, que influenciam a política (McNair, 2011). Esses elementos comunicativos atuam num espaço comunicacional dividido em três grandes grupos, nos quais cabem os diferentes públicos da vida política mediada: a) os atores políticos, que podem ser candidatos ou organizações; b) os cidadãos; e c) os media (McNair, 2011).

75 Os trabalhos em Relações Públicas na Política têm-se centrado na área das Relações Públicas Governamentais, no

entanto, os restantes campos de estudo, em particular da sua atividade nos partidos políticos, só agora começa a ser desenvolvido.

As organizações políticas podem ser de natureza diversa, incluindo, não só os partidos, como também os governos, as organizações públicas, os grupos de pressão ou os grupos terroristas. Os cidadãos incluem os eleitores, mas também outras organizações ou decisores políticos. Por fim, os media incluem todas as organizações, agentes ou meios através dos quais os agentes políticos comunicam com os seus públicos, incluindo não só os meios tradicionais, impressos ou de difusão, mas também os canais online de comunicação.

Enquanto construção da realidade do candidato ou partido, num determinado ambiente mediático, não apenas como um instrumento informativo, o seu conhecimento constitui uma base importante para o estudo das Relações Públicas e que nos merece um olhar atento. Neste sentido, partimos da caracterização que Kaid (1996) e Martinelli (2011) fazem sobre as quatro áreas principais em que a comunicação política tradicionalmente centra o seu estudo: a) os efeitos mediáticos; b) agenda-setting; c) uso e gratificação; e d) retórica e persuasão. Dentro destas quatro áreas da Political Communication, existe um conjunto de obras fundadoras e de conhecimento no qual as Relações Públicas na Política encontram parte das suas raízes teóricas e as quais fazemos um enquadramento nos subcapítulos seguintes. • Apelos • Programas • Publicidade • Relação.com.os.Órgãos.de. Comunicação.Social Organizações. Políticas • Reportagens • Editoriais • Comentários • Análises Órgãos.de. Comunicação. Social • Sondagens • Cartas • Blogs • Cidadão.reporter Cidadãos

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