• No results found

Das norwegische Korpus

A Constituição sobre a Igreja e seu Esquema de estudo eclesiológico ocupou espaço nas discussões dos Padres conciliares pelo menos em três das quatro sessões do Vaticano II, vindo a ser aprovada, no encerramento da terceira seção em 21 de novembro de 1964, com 2.151 votos favoráveis e 5 contrários.218

Foram inúmeras as dificuldades enfrentadas pelo Esquema sobre a Igreja, elaborado pela comissão preparatória, desde o primeiro período do Concílio, conforme afirmara Kloppenburg: “Criticou-se a estrutura, o método fundamental, a argumentação, o conteúdo, o espírito”219; e aprofunda Alberigo:

215 Tradução: “La invitación a hacer de la Iglesia una viva communio bajo la fuerza de la Palabra, que sea un signo de salvación para el mundo entero, permanece como un llamamiento de perfecta validez y exigencia. El carácter eclesiológico del Concilio no debe impedir una lectura que alguna radicalidad sitúa el discurso eclesial en un propósito más global de toma de conciencia de la grave crisis del sentido religioso en el actual momento de desarrollo de la humanidad y de respuesta a ella” – cf. Ibid., p. 31.

216 Cf. Id.

217 Esta pesquisa prefere restringir-se a uma abordagem histórica da elaboração da Constituição dogmática sobre a Igreja, no curso do Concílio Vaticano II. Sobre sua etapa preparatória, cf. BETTI, Umberto. Cronistória da Constituição. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p.135-139 e RODRÍGUEZ, Pedro. La Iglesia: misterio y misión. Diez lecciones sobre La eclesiología del Concilio Vaticano II. Madrid: Cristiandad, 2007, p. 17-48. Para uma compreensão mais abrangente da história do Concílio Vaticano II como um todo, cf. ALBERIGO, Giuseppe. Breve história do Concílio Vaticano II (1959-1965), e de modo mais aprofundado cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos. 3.ed. SP: Paulus, 2005. E em leitura mais contemporânea, cf. SOUZA, Ney de. Contexto e desenvolvimento histórico do Concílio Vaticano II. In: GONÇALVES, Paulo Sérgio Lopes; BOMBONATTO, Vera Ivanise (Org.). Op. cit., p. 17-67.

218 Cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos, p. 429.

219 Cf. KLOPPENBURG, Boaventura. As vicissitudes da Lumen Gentium na Aula Conciliar. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p. 197. Sobre o conteúdo específico das críticas dos padres conciliares, cf. Ibid., p. 197-200.

[...] levantaram-se graves objeções não só em relação à sua redação, mas também à linha eclesiológica que o inspirava. Ele parecia pouco sintonizado com a elaboração teológica mais recente e ainda ligado demais aos aspectos institucionais da Igreja, em prejuízo dos aspectos mistéricos, pouco sensível às questões ecumênicas, sobretudo ao abordar o problema crucial dos membros da Igreja; também o tema do episcopado era apresentado numa perspectiva subalterna em relação às prerrogativas do ofício papal.220

O teor das críticas levou à reformulação do Esquema entre a primeira e a segunda sessão conciliar, conduzida fundamentalmente pelo teólogo belga G. Philips.221 O novo Esquema, já aprovado pelo Papa João XXIII para envio aos bispos, em 22 de abril de 1963, comportava: “Em vez dos 12 capítulos do esquema preparatório, o novo contava só com 4, que tratavam do mistério da Igreja, da sua constituição hierárquica, dos leigos e do povo de Deus e, enfim, dos estados religiosos de perfeição”222; que foram tratados na segunda sessão

conciliar.223 E na crítica de Alberigo:

A estrutura documento ficava, assim, profundamente renovada, embora dom Philips houvesse reutilizado não poucas passagens do texto preparatório, reduzindo desse modo a oposição dos teólogos “romanos” ao novo texto, ainda que pagando o preço de uma menos coerência teológica da exposição.224

Os Padres conciliares apresentaram ao Esquema de Philips cerca de 4.000 emendas, orais ou por escrito, o que resultou numa nova revisão e aperfeiçoamento por parte da

220 Cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos, p. 405.

221 Em 1965, no ano do encerramento do Concílio, Kloppenburg afirmara: “Falou-se, todavia, abertamente na imprensa que a Comissão teológica se decidira fundamentalmente pelo ensaio de esquema belga elaborado por Philips, que continuou depois, até a solene promulgação do documento, a alma e o principal redator do texto” – cf. KLOPPENBURG, Boaventura. As vicissitudes da Lumen Gentium na Aula Conciliar. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p. 200. O mesmo não negara ter havido outras propostas de esquema oriundos do Santo Ofício, dos teólogos alemães, dos franeceses, chilenos e espanhóis, cf. Id.

222 Cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos, p. 408. E também, cf. KLOPPENBURG, Boaventura. As vicissitudes da Lumen Gentium na Aula Conciliar. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p. 201.

223 Sobre a avaliação crítica dos padres conciliares, cf. Ibid., p. 201-217.

224 Cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos, p. 408. E também, cf. CONGAR, Yves. L’Iglise. De Saint Augustin à l‟époque moderne. Paris: Du Cerf, 2007, p. 413-458 e HACKMANN, Geraldo Luiz Borges. A amada Igreja de Jesus Cristo: manual de eclesiologia como comunhão orgânica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, p. 45-58.

Comissão Teológica, com uma nova metodologia para facilitar as correções do texto até sua aprovação final.225

A crítica de Philips226 destes acontecimentos é bastante pormenorizada, contudo seria inadequado transcrevê-la nesta monografia, uma vez que ênfase deste trabalho não é histórica, mas teológica – aqui, a história é apenas um instrumental de acesso ao conteúdo teológico desenvolvido na construção da Constituição sobre a Igreja. De um modo ou de outro, o texto final aprovado fincou-se como um marco referencial, isto é, “a pedra angular”227 dos

documentos conciliares aprovados.

Para Betti a Constituição sobre a Igreja tonar-se-ia a “Carta Magna a que se deverá referir-se qualquer ulterior aprofundamento da doutrina sobre a Igreja”228. E concluindo,

acrescentara:

Este resultado, quase até a véspera, inesperado, além de efeito da assistência do Espírito Santo, é mérito de todos os bispos, que nunca, como nesta circunstância, mostraram ser uma coisa só com o sucessor de Pedro. [...] As vicissitudes que acompanharam o texto na sua trabalhosa evolução talvez hajam incidido um pouco negativamente na formulação do mesmo. Mas isto está na natureza das coisas, e também os outros Concílios fizeram a mesma experiência: uma fórmula dogmática pode ser expressa de muitas maneiras; e esta pluralidade de expressão já diz da perfectibilidade de cada uma.229

225 Cf. KLOPPENBURG, Boaventura. As vicissitudes da Lumen Gentium na Aula Conciliar. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p. 218-241. Inclusive foi apresentada uma Nota explicativa prévia, “por ordem da Autoridade Superior”, que segundo Alberigo “apresentava-se como uma interpretação do próprio capítulo [o terceiro, sobre a estrutura hierárquica], proposta aos padres pelo comissão teológica antes que se passasse às votações das emendas; na realidade, resultava da preocupação do Papa de levar em conta também os argumentos da minoria conciliar, buscando assim formulações que pudessem obter unanimidade na votação definitiva” – cf. ALBERIGO, Giuseppe. História dos concílios ecumênicos, p. 427.

226 Cf. PHILIPS. A Igreja e seu mistério no II Concílio Vaticano. História, texto e comentário da Constituição Lumen Gentium– Tomo I. SP: Herder, 1968, p. 9-73.

227 Cf. Ibid., p. 1. E acrescenta: “E não é de admirar. A doutrina da natureza da Igreja ocupava o centro do interesse da teologia desde o fim da primeira guerra. [...] Não é suficiente que ela nos proponha seus dogmas; nós instamos para que nos diga com que autoridade se apresenta a nós explicando sua missão essencial” – cf. Id. 228 Cf. BETTI, Umberto. Cronistória da Constituição. In: BARAÚNA, Guilherme (Dir.). Op. cit., p. 159. 229 Cf. Id.