Beuren (2004) registra que a metodologia da pesquisa aplicável à Contabilidade pode ser segmentada quanto à abordagem do problema, aos objetivos e aos procedimentos. Quanto à abordagem do problema, as pesquisas podem ser de natureza qualitativa ou quantitativa. As tipologias apresentadas quanto aos objetivos da pesquisa são as referentes às pesquisas exploratória, descritiva e explicativa. Por último, com relação aos procedimentos (forma de condução da pesquisa e obtenção dos dados) a serem utilizados, as tipologias são classificadas como estudo de caso, levantamento ou survey, pesquisa bibliográfica, pesquisa experimental, pesquisa documental e pesquisa participante.
Quanto à natureza qualitativa de uma pesquisa, é importante registrar que outros pesquisadores têm estudado as características básicas (GODOY, 1995) e essenciais desse tipo de pesquisa, e seu relacionamento com o método fenomenológico (MOREIRA, 2002), e a validade e a crítica de uma pesquisa qualitativa (RICHARDSON, 1999).
Na compreensão de Godoy (1995), as características básicas da pesquisa qualitativa indicam que há diferentes formas de serem visualizadas e que, enquanto as pesquisas quantitativas definem previamente um plano de trabalho, apresentam hipóteses e conceituam as variáveis operacionais, as pesquisas qualitativas não utilizam técnicas estatísticas nem se preocupam em medir os eventos estudados, os quais, inclusive, vão sendo enfocados a partir de uma visão mais abrangente para uma mais específica, em função do andamento do trabalho.
Além disso, as características principais dos trabalhos intitulados qualitativos, segundo Godoy (1995), dizem respeito aos seguintes aspectos: i) o ambiente natural é fonte direta de dados e o pesquisador é instrumento fundamental, o que eleva a importância do relacionamento direto do cientista com o ambiente e o fenômeno que se está estudando; ii) a pesquisa qualitativa é descritiva, pois o relato escrito é essencial na coleta dos dados e apresentação dos resultados; iii) o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são
preocupações essenciais do investigador, pois ele procura entender os fenômenos sob estudo a partir da visão dos agentes em estudo; e iv) os pesquisadores utilizam o enfoque indutivo na análise de seus dados, iniciando os trabalhos numa visão mais abrangente e especificando detalhes à medida que avançam no estudo.
De outra parte, sumariando as características da pesquisa qualitativa, Moreira (2002) menciona os seguintes pontos: foco na interpretação em vez de na quantificação; ênfase na subjetividade no lugar de na objetividade; flexibilidade na condução da pesquisa; orientação para o processo e não para o resultado; atenção ao contexto; e percepção do impacto do processo de pesquisa sobre a situação de pesquisa.
Richardson (1999), por sua vez, ressalta que a respeitabilidade adquirida pela pesquisa qualitativa nos últimos anos pode ter sido alcançada a elevados custos e indica que a pesquisa qualitativa corresponde a uma busca de tentativa de entendimento dos detalhes dos significados e características relacionados às situações e relações dos pesquisados, em vez de apresentação das dimensões quantitativas aos aspectos e comportamentos observados junto aos mesmos pesquisados.
Richardson (1999) lembra que a possibilidade de generalização está mais presente nas pesquisas quantitativas do que nas qualitativas, pois, para os pesquisadores qualitativos, é mais relevante compreender atitudes, crenças e comportamentos das pessoas, o que acarreta análises de situações e fenômenos numa perspectiva em que as relações dizem respeito ao contexto e à realidade onde ocorrem.
Retornando à taxonomia sugerida por BEUREN (2002), a pesquisa quantitativa, como a própria denominação sugere, é trabalhada por meio de levantamentos e procedimentos estatísticos para análise e interpretação dos dados e informações objeto do estudo.
A pesquisa exploratória é regularmente utilizada quando há pouco conhecimento sobre o assunto a ser pesquisado e suas principais finalidades estão associadas a oferecer maiores informações sobre a temática que se vai estudar, facilitar a delimitação do tema de pesquisa, auxiliar a definição dos objetivos e a das hipóteses e identificar nova abordagem sobre o assunto.
A pesquisa descritiva, por sua vez, objetiva essencialmente descrever, identificar, relatar, comparar os aspectos caracterizadores do objeto da pesquisa, suas variáveis, e o inter- relacionamento delas, sem manipulação dos fenômenos e com o uso intensivo de instrumentos estatísticos.
A pesquisa explicativa, como o próprio título indica, busca explicar os fenômenos estudados, suas causas e origens e o efeito de suas ocorrências, constituindo-se no tipo de pesquisa que mais aprofunda uma investigação, elevando o nível de maturidade do correspondente trabalho.
Quanto ao estudo de caso, torna-se importante mencionar alguns aspectos estudados por Yin (2005), que afirma ser esta uma das diversas formas de se realizar pesquisa em ciências sociais, segmentando-o em três partes: i) o estudo de caso como estratégia de pesquisa; ii) comparando estudos de casos com outras estratégias de pesquisa; e iii) indicando tipos diferentes de estudos de caso, com base numa definição comum.
Na primeira parte, o estudo de caso como estratégia de pesquisa, Yin (1005) lembra que essa técnica é utilizada em diversas situações de estudos de fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos. Registra ainda que os estudos de caso com finalidade científica não podem ser confundidos com os dirigidos para situações de ensino- aprendizagem que ocorrem na vida acadêmica e profissional.
Na parte em que se comparam os estudos de casos com outras estratégias de pesquisa, inicialmente Yin (2005) relata que não há uma hierarquia entre as diversas formas de se realizar uma pesquisa científica, motivo pelo qual essas estratégias poderão ser utilizadas complementarmente, dependendo do objetivo especificado para o estudo. Além disso, o propósito da investigação, seja ele de natureza exploratória, descritiva ou explanatória, também será determinante da escolha da estratégia.
O que fundamentalmente diferencia as estratégias, porém, é o atendimento a três condições: i) qual o tipo de questão proposta; ii) qual a extensão de controle que o pesquisador tem sobre eventos comportamentais efetivos; e iii) qual o grau de enfoque em acontecimentos históricos em oposição a acontecimentos contemporâneos.
Cada uma dessas condições, por sua vez, é relacionada a cada uma das principais estratégias de pesquisa em ciências sociais: i) experimento; ii) levantamento; iii) análise de arquivos; iv) pesquisa histórica; e v) estudo de caso.
Nessa matriz de relacionamentos são encontradas as diversas combinações possíveis para escolha de determinada estratégia pesquisa, o que ocorrerá em função de certa vantagem distinta. No estudo de caso, essa escolha ocorrerá quando “faz-se uma questão do tipo “como” ou “por que” sobre um conjunto contemporâneo de acontecimentos sobre o qual o pesquisador tem pouco ou nenhum controle.” (YIN, 2005, p. 28).
Nada obstante, a estratégia de estudo de caso é objeto de preconceitos tradicionais, dentre os quais se destacam: i) falta de rigor da pesquisa de estudo de caso, o que pode ser função da atitude do pesquisador ou de confusão com estudo de caso associado ao processo ensino-aprendizagem; ii) fornecimento de pouca base para se fazer uma generalização científica, mas na verdade eles se destinam a oferecer generalizações a proposições teóricas; iii) excesso de demora e produção de muitos documentos ilegíveis, o que pode até ser verdade, mas não é isso que se projeta.
Na parte em que trata de diferentes tipos de estudos de caso, com base numa definição comum, Yin (2005, p. 32) indica estudo de caso como uma “investigação científica empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Alem disso, registra conceito técnico sobre a investigação de estudo de caso sob a óptica da coleta e análise de dados.
Por outro lado, Yin (2005) indica que as diversas formas pelas quais os estudos de casos são utilizados como estratégia de pesquisa estão relacionadas a: i) execução de estudos de casos únicos ou múltiplos; ii) inclusão de evidências quantitativas; iii) relevância quanto à associação com pesquisas de avaliação; e iv) qualificação de determinados trabalhos jornalísticos como tipos de estudos de casos.
De volta à taxonomia levantada em Beuren (2002), o estudo de caso representa elevado nível de aprofundamento no estudo de um problema, de natureza estritamente particular, o que permite duas importantes conclusões: primeiro, ao final do trabalho, o pesquisador disporá de um rico conjunto de informações sobre o problema, o que lhe propiciará oferecer um nível de solução muito apropriado. Nada obstante, em segundo lugar,
isso não lhe concederá a condição de generalizar os resultados, dada a natureza particular de que se reveste o estudo de caso.
O levantamento ou survey se caracteriza pelo questionamento direto das pessoas cujas ações e procedimentos precisam ser conhecidos. Esse tipo de pesquisa é efetuado em conjunto com a pesquisa descritiva e é essencial para a formulação de propostas de mudanças ou de correção de encaminhamentos inicialmente estabelecidos.
A pesquisa bibliográfica é parte integrante de qualquer pesquisa, haja vista que é absolutamente necessário conhecer-se o que já foi produzido em termos teóricos e conceituais sobre o objeto do estudo que se está a realizar, e que tenha sido publicado sob a forma de livros, artigos, dissertações, teses ou quaisquer outros meios de registro de conhecimentos.
A pesquisa experimental é executada quando um estudo cuida de uma ou mais variáveis independentes, manipulando-as, de forma criteriosa e controlada, na busca de entendimento sobre o objeto de pesquisa.
A pesquisa documental, às vezes, é confundida com a pesquisa bibliográfica. A diferença marcante está no fato de que a pesquisa documental utiliza documentos que ainda não foram objeto de estudos ou análises e que podem ser objeto de reelaboração com o resultado da pesquisa.
Na pesquisa participante, ocorre uma interação do pesquisador com as pessoas que são parte integrante do objeto e ambiente de pesquisa, num nível de envolvimento mútuo que requer cuidados por parte do pesquisador, pela possibilidade disso produzir distanciamento dos critérios científicos estabelecidos.
Assim, considerando a definição do problema, objetivos e justificativas da pesquisa, conforme apresentados no capítulo 1, considera-se que a natureza do trabalho quanto à abordagem do problema se classifica como qualitativa, pois a questão principal para a qual se busca uma resposta está associada a um fenômeno social, cujo significado, definições, relações entre variáveis envolvidas e características essenciais precisam ser conhecidas, dependem de percepções e circunstâncias intangíveis e não são facilmente apreensíveis quantitativamente (BEUREN, 2004).
Além disso, quanto aos objetivos, entende-se que a tipologia da pesquisa se classifica como:
a) exploratória, por abordar problema ainda não muito tratado pela literatura referente à temática da qual faz parte – auditoria de desempenho (BEUREN, 2004); e
b) descritiva, por buscar descrever, identificar, relatar, comparar os aspectos que caracterizam o objeto da pesquisa – auditoria de desempenho, suas variáveis, e o seu inter-relacionamento, sem manipulação dos fenômenos (BEUREN, 2004).
De acordo com as definições tomadas de Beuren (2004), quanto à forma de condução e obtenção dos dados, a pesquisa é entendida como bibliográfica, porque se buscou conhecer as produções teóricas, a legislação, as normas técnicas, os estudos e outros meios documentais de transmissão de conhecimentos sobre a auditoria de desempenho, publicados sob a forma de livros, artigos, manuais e informações disponíveis em sítios da internet.
Ainda quanto ao meio de obtenção dos dados, a pesquisa realizada é entendida como de campo, porque abrange levantamento de dados sobre modalidades de auditoria de desempenho praticadas pelos órgãos estaduais brasileiros de controle interno (VERGARA, 1997).
Nesse sentido, a pesquisa também pode ser entendida como um estudo de caso, de acordo com Yin (2005), porque a pressupõe como estratégia utilizada em situações de estudos de fenômenos organizacionais, sociais e políticos, portanto com finalidade científica, não sendo confundida com os estudos de casos dirigidos para situações de ensino-aprendizagem que ocorrem na vida acadêmica e profissional.
Por outro lado, de acordo com a taxonomia de Vergara (1997), quanto aos fins, a tipologia da pesquisa é apresentada como metodológica, por pretender definir elementos para elaboração de um modelo de auditoria de desempenho para órgãos estaduais brasileiros de controle interno, e, quanto aos meios ou procedimentos, a pesquisa é classificada como de campo, porque abrange levantamento de dados sobre modalidades de auditoria de desempenho praticadas pelos órgãos estaduais brasileiros de controle interno (VERGARA, 1997).
Por último, registre-se o fato de que a pesquisa empreendida está associada à linha definida como Contabilidade Gerencial e Estratégia de Custos e o enquadramento se justifica em razão de que a problemática do projeto está relacionada ao campo de pesquisa
referente à mensuração e avaliação de desempenho e tomada de decisões e cuida de explorar aspectos relacionados ao tema da accountability e da auditoria.