1 Norwegian R&D and innovation activities in an international context
1.2 Norway in international comparison
Um discurso antigo no cristianismo, e, por conseguinte no seio da Missão, é a existência do inimigo. Não discutiremos sobre as diversas e diferentes formas que a história do cristianismo apresentou este assunto. Sabe-se, no entanto que a crença na existência de seres do bem e do mal que lutavam entre si pela salvação ou pela perversão das almas viventes sempre esteve presente no universo mítico e imaginário dos primeiros cristãos.
Serge Gruzinski (2003), ao escrever sobre o imaginário da colonização, formulou a tese a respeito da relação dialética entre colonizadores e colonizados fugindo da clássica interpretação maniqueísta que coloca em lados opostos europeus e índios da América, inferindo que no contato com a civilização do Novo Mundo os espanhóis se depararam diante de um universo mítico no qual havia pontos de contato com o universo mítico dos europeus. Nestes pontos de contato a estratégia dos colonizadores foi a de utilizar os códigos da escrita e da interpretação bíblica do catolicismo romano para dar o sentido religioso para a presença dos espanhóis no México e no Peru e justificar a colonização. Ao analisar as representações do universo imaginário dos povos mesoamericanos, Gruzinski compreendeu que a Igreja Católica foi capaz de organizar os autos de fé no Novo Mundo, utilizando-se da própria cultura dos colonizados, explicando aos nativos, a partir das crenças locais, o universo imaginário cristão, dando sentido à ação catequética das Missões católicas na América.
As populações do Atlântico Sul investigadas por Gruzinski criam seres sobrenaturais e tinham rituais que buscavam apaziguar as relações entre estes seres e os homens. A Igreja se apropriou destas narrativas, interpretando à sua maneira os símbolos e os significados destas crenças e rituais, incorporando nos autosdefé elementos da cultura ameríndia. Os missionários exerceram importantes serviços à Coroa Espanhola neste particular trabalho de tradução da cultura dos povos conquistados, entre outras.
145 Das narrativas dos missionários jesuítas a dos viajantes protestantes, as ideias sobre o Novo Mundo produziram referências a respeito destas civilizações. A língua, os costumes e hábitos dos índios se tornaram objeto de estudos desde então. Neste sentido, as noções de Religião, de Política, de Estado, de Governo, de Economia e de organização social trazidas do Ocidente pelos missionários e colonizadores serviram como parâmetro de juízo de valor e estruturaram o discurso colonizador a respeito do Novo Mundo. Este processo de construção da América foi imbricado pelo processo de construção de uma nova cristandade. Portanto, a interpretação do Novo Mundo foi efetivamente uma extensão da interpretação cristã do não cristão.
Cristina Pompa (2006) analisa como os missionários católicos de diferentes ordens traduziram este imaginário no contexto da conquista portuguesa. Nesta perspectiva, o contexto colonial, no qual as Missões religiosas católicas se inseriram, serviu tanto para elaborar novos conceitos a respeito da Humanidade quanto para reforçar antigos paradigmas. Esta dinâmica de criação e de reprodução conceitual foi importante no processo de tradução cultural e de renovação do sentido da Missão religiosa nas colônias americanas.
No caso da Amazônia brasileira, no contexto do regime militar, além da presença indígena e de todo o universo imaginário que ela representou, havia também habitantes de ascendência africana, além de populações mestiças, de colonos vindos do nordeste brasileiro, dos Estados do Sul e do Sudeste do país. Da relação entre estes universos culturais afro- indígenas e dos colonos portugueses surgiram as populações ribeirinhas que mantiveram em seu cotidiano práticas de religião e de religiosidade ligadas ànatureza.
Entre as décadas de 1960 e 1970, as Missões religiosas protestantes assim como as católicas, voltaram-se ainda mais para a Amazônia. Os estudos da religião indicam que nos anos de 1970, por exemplo, houve um crescimento significativo entre os (neo) pentecostais. Este crescimento tem sido explicado pelos estudiosos como o fenômeno da religião nas grandes cidades. Nos estudos que eles produziram, o crescimento deste segmento religioso se deveu fundamentalmente às mudanças ocorridas nas áreas urbanas, isto é, a urbanização é um dos elementos que alavanca os projetos de expansão dos protestantismos de Missão.
Durante a vigência do regime militar, sabe-se que no país se intensificaram os processos de urbanização e do êxodo rural. A chegada de novos sujeitos sociais às cidades e as consequências socioeconômicas da transformação do espaço urbano em regiões periféricas contribuíram para o processo de trânsito religioso. Do ponto de vista destes estudiosos, a condição das pessoas que migram de uma região para a outra, sobretudo nos casos de homens
146 e mulheres que se encontram sozinhos em grandes cidadese desvinculados do núcleo familiar e de amigos, faz com que busquem aplacar a solidão nas associações locais e a congregação religiosa que oferece este tipo de amparo acaba se constituindo um ponto de referência e de encontro destes desgarrados.
Andrew Chesnut (1997), ao analisar o fenômeno do crescimento do pentecostalismo no Brasil, formulou a tese de que o boom das Igrejas Pentecostais em cidades brasileiras está intimamente relacionado à pobreza, àfome e àdesesperança geradas pela ausência do poder do Estado nas zonas periféricas dos grandes centros urbanos. Esta ausência é representada pela ineficácia nos serviços públicos oferecidos à população mais pobre e isto produz tipos sociais que buscam e encontram na pregação pentecostal a esperança de cura e a prosperidade que declaram precisar.
As Missões religiosas, católicas e protestantes, neste novo contexto, buscaram uma resposta à pobreza109. O processo de pauperização de trabalhadores rurais, por exemplo, em algumas regiões como a do nordeste, provocou movimentos de contestação à política e ao regime vigentes durante período militar. Na Amazônia, o crescimento das novas elites agrárias colocou à margem dos grandes projetos um contingente de trabalhadores expropriados da propriedade da terra que também contestavam o regime autoritário do governo. À margem das promessas de desenvolvimento e de progresso feitas pelo Estado, estes pobres formavam o público-alvo das pregações pentecostais.
O movimento carismático e as Comunidades Eclesiais de Base dos católicos foram neste contexto alternativas para os fiéis em áreas urbanas de grandes cidades onde a pobreza foi escamoteada pelo discurso de progresso e de desenvolvimento econômico nacional. A maneira de interpretar a pobreza destes dois segmentos da Igreja Católica apontava caminhos para a transformação social que convergiam para o mesmo ponto, a saber, a interpretação das Escrituras. O carisma e o poder da Igreja foram discutidos na obra publicada e caçada do frei Leonardo Boff. Teólogo da Libertação, Boff admitiu em O Poder e Carisma que a práxis católica voltada para os pobres era ineficaz, pois ela mesma era detentora de um poder que reforçava as diferenças sociais existentes na sociedade.
Do lado dos protestantismos de Missão radicados em grandes centros urbanos a Missão se renovava pela participação de cada indivíduo no cotidiano. A Missão está além
109A revista A Pátria Para Cristo publicou o Cartaz da campanha ―dai-lhe vós de comer‖. Conf. APPC, 1998,
p.38. A responsabilidade da Igreja no que tange a pobreza se baseia na interpretação literal do texto bíblico, sem deixar, no entanto de fazer a relação da fome como um aspecto social à fome espiritual.
147 também nas fronteiras; às margens. Nos lugares onde as pessoas, pobres ou ricas não haviam ainda ouvido o Evangelho. O Evangelho na concepção da tradição protestante.
Durante os anos de 1960 e 1970, as Missões protestantes na América Latina enfrentavam dois problemas, o pentecostalismo e o catolicismo. Azevedo (2004)expressa esse sentimento incluindo também os grupos da renovação espiritual, como os batistas nacionais. A Missão neste contexto foi questionada e debatida. O Congresso em Lausanne I, em 1974, foi para definir a Missão e o pacto em relação à evangelização dos povos dos países pobres. O missionário Edilson Braga, que na época estava trabalhando na Rodovia Transamazônica, foi convidado exclusivamente pela sua função na rodovia. O tema sobre a Missão integral, no entanto, parece não ter sido atraente, pois ele não participou das edições seguintes do congresso, que a partir de então passou a receber o nome da cidade suíça, mesmo não sendo realizado mais em Lausanne.
Na América Latina, as campanhas das Américas encabeçadas pelos batistas dos Estados Unidos começavam criar pontos de tensão entre missionários que tinham pontos de vistas diferentes quanto à questão da pobreza nos países do Atlântico Sul. Os missionários da Junta de Missões do Norte dos EUA saíram da comissão organizadora acusando a manipulação dos batistas do Sul. Os batistas do Sul se defenderam afirmando que não estavam manipulando a comissão. Os missionários da Argentina e da Colômbia se desentenderam também. René Padilha era defensor da Missão integral, que consistia no serviço social prestado aos mais pobres. Ele acabou saindo da comissão.
O contexto de pobreza, insegurança e medo agravados por regimes autoritários na América Latina muitas vezes foi entendido como expressão da espiritualidade da sociedade em questão, seja de caboclos, seja indígenas ou negros. A interpretação literal das Escrituras ―Os pobres sempre tereis entre vós‖ também ajudou as igrejas a se acomodarem aos regimes vigentes. A maior concorrência para a Missão religiosa teoricamente eram os regimes comunistas. A pobreza era uma malha sobre a qual os comunistas podiam entrar e se alastrar. Na América Latina, a maior referência a este respeito era Cuba. O Jornal Batista sempre estava trazendo ao público notícias da Ilha e de Fidel, com ênfase nos supostos entraves à pregação do Evangelho e àrealização da Missão.
Não seria fácil traduzir este contexto, de (pós) modernidade, de (pós) secularismos. Zygmunt Bauman interpreta que a Igreja Universal do Reino de Deus - IURD foi a que melhor traduziu este contexto de pobreza, de fronteiras, identidades, tempos e de relações líquidas (1998). A IURD apropriou-se da linguagem religiosa familiar às populações dos
148 grandes centros urbanos para criar uma relação de proximidade e de simpatia ao mesmo tempo em que introduziu novos modelos de Missão nas cidades e de ministérios pastorais para atender às diferentes demandas sociais. Estas mudanças de operação da IURD favoreceram o reconhecimento de um hibridismo religioso no seio desta Missão que facilitou o diálogo e a mediação com o outro, o que estava chegando às cidades e que se sentia àmargem dela. Assim a Missão integrava o indivíduo àdinâmica urbana da modernidade líquida.
Os batistas brasileiros neste contexto de pluralização do campo religioso brasileiro se deslocam para as margens. As margens das cidades das novas cidades. Clara Mafra (2001) afirma que os batistas são urbanos. A Missão Batista no Brasil, no entanto, sempre esteve voltada simultaneamente às áreas urbanas e às áreas rurais. Em 1891, Eurico Alfredo Nelson em seus sermões já apontava a necessidade de a Missão chegar aos vales dos rios na Amazônia. Nas décadas de 1960 e 1970, os planos de evangelização voltavam-se também para as áreas que estavam às margens do eixo socioeconômico brasileiro. Mesmo assim, somente em 1970 é que a Junta de Missões Nacionais assumiu a Amazônia como o grande objetivo da década, e foi justamente nesta década que os batistas brasileiros alcançaram o maior índice de crescimento no Brasil (AZEVEDO, 2004).
É, portanto, em áreas como a Amazônia Brasileira, e no contexto do regime militar, que a Missão Batista vai encontrar os elementos do discurso do governo a respeito de desenvolvimento e de ordem e progresso que dará sentido à sua arrancada para o norte. O imaginário (CASTORIADIS,1986)da Amazônia construído ao longo da história de conquista e de formação socioeconômica serviu para justificar os projetos do governo e as disputas políticas em torno das riquezas naturais e também para direcionar o foco da Missão no contexto da efervescência urbana e de novas Missões nas cidades brasileiras. A pobreza, a insegurança, o medo e a desesperança associados à exploração dos recursos naturais em lugares de culturas de mobilidade no interior amazônico gera o contexto ideal para a atuação da Missão e para a eficácia dos modelos pastorais baseados na individualização da relação.
Na história do Ocidente (DELUMEAU, 1989)cabe lembrar que o medo e a insegurança serviram em grande parte para justificar domínios e conquistas. A história do medo no Ocidente pode vir a revelar o maniqueísmo dominante na Cristandade, em contextos diversos, imbricados com a ideia de que existiam forças do mal que lutavam contra o estabelecimento do bem na terra e que a Igreja existe justamente para aplacar este mal. Este imaginário traduzido para a linguagem cristã manifesta-se através de figuras bíblicas
149 milenares como a do diabo. E estas figuras encarnavam personagens do cotidiano (SOUZA, 1993; ARAÚJO, 1997). Na colônia, a Igreja criou mecanismos para manter a vigilância e o controle sob o discurso da Santa Sé.
Neste contexto de medo, de insegurança, de vigilância e de controle, os aldeamentos controlados por Missões católicas disputavam com o próprio poder do Estado colonial a proteção das almas. No entanto, observa-se também, ao lado dos estudos sobre o imaginário quatrocentista europeu sobre as Índias Ocidentais e ao lado dos estudos sobre o medo no Ocidente, que tais construções imaginárias se prestaram ao serviço das coroas católicas e dasprotestantes para referendar a necessidade de cristianizar, civilizar e dominar povos e nações inteiras. É a história da colonização e da neocolonização. Nos dois contextos, houve por parte dos colonizadores um discurso civilizador, o qual a religião cristã, católica e protestante endossou.
A história das Missões religiosas modernas está vinculada às condições materiais promovidas pelas políticas de expansão e de formação de impérios. De um lado e do outro do Atlântico Sul as delimitações territoriais foram frutos das sucessivas guerras imperialistas das potências europeias do século XV ao XIX. As novas fronteiras provocaram guerras entre nações e grupos étnicos, estimularam a escravização e criaram rivalidades, inclusive religiosas. A civilização ocidental teve sua gênese no processo de cristianização feita pela Igreja.
Os missionários, como outros agentes tais como mercadores, administradores, enfermeiras, professores, e técnicos de diversos tipos, têm uma característica comum: eles todos intentam mudar certos aspectos do que eles percebem ser a maneira ―nativa de vida‖. Fora os aspectos com os quais eles estão preparados para fazer acordo, estas inovações são mais ou menos convicção de que eles têm alguma coisa para oferecer de que os nativos ―necessitam‖: tratores, nova política fiscal, conservação do solo, ciência florestal, máquinas de lavar, cuidados as crianças, ou uma forma diferente de se aproximar do sobrenatural. (WILLEMS, 1967, p. 4 apud CAVALCANTI, 2005, p. 385).
A movimentação e os deslocamentos de fronteiras no mundo pós-secular exigem da Missão constante redefinição das suas próprias fronteiras, de novas estratégias, que devem fazer sentido para o mundo em que ela opera. Isto é importante para que a Missãose mantenha necessária e relevante na sua própria sociedade, do contrário ela vai buscar novos campos para cumprir aquilo que para ela é a razão principal de sua existência: expandir o Evangelho.
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Figura 3 - Cartaz de Missões Nacionais
No contexto da Guerra Fria, a ordem geopolítica implicava a organização alinhada de países do leste e do oeste, respectivamente, mas não necessariamente, polarizados em capitalismo e socialismo. O cartaz de Missões nacionais era uma defesa da ideia de que nação feliz era aquela cujo projeto principal fosse ode pertencer a Deus. Israel Belo de Azevedo (2004, p. 186) afirma que mudaram o catolicismo e o protestantismo brasileiros, mas não mudou a convicção protestante de que sua proposta é mais que uma certeza para o indivíduo: é também um programa para a nação. Os missionários e a Missão tinham que se fazer necessários. A Missão precisava fazer sentido, do contrário ela fracassava.
No nível mundial, o sentido da Missão se explicava pela ideia de salvação de todos os povos, tribos, línguas e nações existentes. O ilustrado livro de orações pelas nações, publicado pela Editora Vida Nova, trazia um roteiro com breve comentário a respeito da cultura e das religiões existentes nos lugares mais distantes dos grandes centros urbanos
151 (STONE, 1982). Uma rápida leitura do manual permite que sejam enumerados os lugares que ficavam nos confins da Terra. Tudo uma questão geopolítica.
Os países do bloco socialista do Leste Europeu, a China comunista e alguns países da África de cultura islâmica eram os grandes desafios. A Cortina de Ferro e a de Bambu110 eram importantes pontos indicados no mapa-múndi que necessitavam de oração e de missionários. A Missão Batista no Brasil, através da Junta de Missão Estrangeira, hoje Junta de Missões Mundiais, participou de algumas investidas em países como a Rússia e a China. No contexto da Guerra Fria, países alinhados com o regime stalinista e sob orientação comunista foram alvos de constantes críticas. O contrabandista de Deus, por exemplo, era um livro que contava a história de um missionário que contrabandeava a Bíblia para os países do Leste Europeu. ―Certa vez, na fronteira, o carro do missionário que carregava as Bíblias, foi parado para fiscalização.O missionário orou, e os agentes da imigração na fronteira, não viram nenhuma Bíblia dentro do porta-malas‖. Outra história, desta vez contada em um ginásio de esportes numa grande mobilização evangelística em Belém do Pará, com a participação dos batistas: um missionário que trabalhou na Rússia no período do stalinismo afirmou que havia sofrido tanta tortura que seus pés deformaram-se e não pode mais usar sapatos. Torturado por amor a Cristo (Tortured for Christ),livro publicado pelo missionário Richard Wurmbrand, ficou conhecido mundialmente.
Quer dizer, no Brasil, durante a vigência de um regime de governo autoritário, o silêncio dos batistas em relação às torturas dos governos militares é quebrado pela denúncia de um regime autoritário como o stalinista, na forma de um testemunho missionário. Este modo de denúncia trazido dos confins da Europa serviu para reforçar as formas de representar o bloco socialista, do Leste Europeu, dentro do conflito ideológico no contexto da Guerra Fria. Para muitos cristãos, em particular para muitos batistas, o stalinismo representou um regime de governo que proibia o cristianismo e perseguia os missionários, e o regime militar brasileiro não. Logo, um era instrumento de Deus e o outro do diabo.
OJB publicou uma série de estudos sobre o comunismo. Israel Belo de Azevedo faz referência à incompatibilidade entre ser cristão e ser comunista. As comparações entre o comunismo e o cristianismo são apontadas de modo que os batistas realmente acreditem que ser cristão é algo incompatível com ser comunista ou engajado politicamente aos movimentos
110 Cortina de Ferro, termo cunhado pelo primeiro ministro inglês Winston Churchill para definir os países do
152 sociais111. O termo utilizado para classificar o conjunto de princípios comunistas é ―a árvore do mal‖. Para os católicos da época havia o movimento intitulado ―Cristãos para o socialismo‖, protótipo da Teologia da Libertação. Mas, para a maioria dos cristãos dessa época não era possível a compatibilidade entre comunismo e cristianismo. A visão de compatibilidade estava restrita aos círculos progressistas.
OJB usa o termo ―castrismo‖, regime de Fidel Castro, para indicar o pedido de oração aos leitores do jornal. O castrismo precisa de Deus. Cuba precisa ser evangelizada. Os países da América Latina, inclusive os do Caribe, como é o caso de Cuba, enfrentavam problemas internos, mas o jornal citava somente a Ilha como necessitada de oração e de Deus. No campo nacional, os governos autoritários dos militares endossavam os discursos contra o comunismo. O próprio golpe de 1964 seria uma resposta ao medo da onda socialista na América Latina. A oração pelo Brasil era para que as liberdades fossem mantidas. Isto é, não havia menção, por exemplo, em 1968 aos desdobramentos do Ato Institucional nº5 (AI- 5). Fim das liberdades de expressão, exílio, torturas. Os anos que seguiram ao contexto da divisão da Convenção Batista Brasileira foram muito penosos para a execução da Missão. Alguns missionários que haviam aderido ao movimento de renovação espiritual foram