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CHAPTER V - CHALLENGES IN MARKET ECONOMY AND REGULATION

II.1. Norway

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Não se pode e não se tem a pretensão de negar o caráter de subjetividade na seleção dos dados, porém é necessário afirmar que havia uma preocupação muito grande em estar atenta e sempre me remetendo aos objetivos da pesquisa.

Iniciei realizando um levantamento bibliográfico na Biblioteca do Instituto de Psicologia da USP, da Faculdade de Educação da USP e do Instituto de Ciências e Letras da UNESP-Araraquara. Tinha como preocupação resgatar a produção teórica recente (década de 80 e 90) sobre os temas do Fracasso Escolar e Classe Especial para Deficientes Mentais.

Foram levantados vários títulos de livros, teses e artigos e selecionados aqueles que tinham em comum uma visão crítica da realidade escolar, isto é, não debitavam ao aluno a culpa pelo seu fracasso. Produções essas que, realmente, viessem a contribuir no estudo da Classe Especial como um espaço de segregação e preconceito.

É importante ressaltar que não encontrei nenhuma obra que tivesse o mesmo objetivo que o proposto por esta pesquisa. Diante do seu caráter inédito precisei recorrer a trabalhos que me permitissem mapear os diversos aspectos da realidade da Classe Especial, de forma a dar sustentação para às contribuições daqui advindas.

3.4.2 Critérios de escolha das escolas

Os critérios que nortearam a seleção de cada uma das unidades escolares passíveis de participarem da pesquisa foram:

• estarem localizadas em zonas diferentes da cidade de São Paulo;

• possuir arquivo morto de Classe Especial referente a, no mínimo, 10 anos;

• estar minimamente organizado o arquivo com os prontuários dos ex- alunos;

• disponibilidade da direção para a efetivação da pesquisa.

Eram critérios bastante simples e objetivos que, na seqüência dos passos, mostraram-se plenos de nuances, como será brevemente descrito a seguir.

3.4.3 Incursões no cotidiano escolar: a luta pela abertura de espaço para a pesquisa

Os primeiros contatos com as escolas que poderiam participar da pesquisa foram interessantes, pois já antecipavam uma situação de dificuldade que até então era imprevisível. Essa fase poderia até ser ignorada ou esquecida, mas na medida em que se reconhece que há uma luta pela abertura de espaço para a pesquisa, isto

é, a entrada no cotidiano escolar não é tão fácil como parece, é preciso compartilhar principalmente com aqueles que se aventuram na pesquisa de campo.

Antes do início dos contatos com as escolas foi preciso ponderar sobre alguns aspectos da realidade a ser pesquisada. Uma das ponderações, feitas em reunião de orientação, era de que o início do ano letivo nas escolas é sempre tumultuado e confuso, por isso seria interessante esperar que passasse a primeira quinzena de aulas, para que a escola pudesse se organizar e, assim, ter melhores condições de avaliar a possibilidade de abertura de espaço para a pesquisa, principalmente no que se referia à disponibilidade de secretaria.

Outro ponto, do qual até então não era possível avaliar as conseqüências, referia-se à reestruturação das escolas estaduais imposta pelo governo na tentativa de melhoria do ensino. Na prática, as escolas passaram por uma reorganização, em que se buscou centralizar as séries em cada unidade escolar, isto é, escolas só de CB, 3ª e 4ª série, algumas com Classe Especial, outras de 5ª a 8ª série com ou sem o 2º grau e outras só com o 2º grau. Essa reestruturação teve alguns desdobramentos, como: algumas escolas foram fechadas por falta de alunos ou tiveram o número de salas reduzidas; alunos e professores foram, obrigatoriamente, remanejados para a escola mais próxima conforme a seriação respectiva; o número de aulas foi alterado; o tempo de permanência na escola das séries iniciais aumentou; professores de educação física e artística foram dispensados do CB, 3ª e 4ª série; entre outros.

Reconhecendo as características do contexto iniciei os contatos com as escolas. A primeira foi escolhida por dois motivos: situava-se numa região de fácil acesso e eu já conhecia a dinâmica da escola por ter feito parte do corpo docente. A resposta sobre a possibilidade de desenvolver a pesquisa só veio após três visitas. A direção da escola havia conversado sobre o assunto e decidido que não seria possível porque achavam que era anti-ético da parte da escola fornecer o

prontuário dos alunos com seus endereços29.. Alegava que já era muito difícil para

as famílias terem pessoas com esses problemas em casa, os pais se perguntavam porque tinham um filho deste jeito e já sofriam o preconceito, por isso acreditavam que não seria bom para as famílias e as crianças participarem de um trabalho desse tipo: era como colocar o dedo na ferida Independente da explicação de que o 29

É preciso lembrar que há um contexto específico para essa argumentação, pois, como já foi mencionado, a proposta inicial do projeto era entrevistar os ex-alunos da classe especial, o que implicava na necessidade de seus endereços para a localização dos ex-alunos.

objetivo era, justamente, questionar o processo de estigmatização das crianças, diretora e vice-diretora não alteraram a posição. No final, a diretora disse que tinha lembrado de um dado muito importante: a classe especial desde 1993 não tinha nenhum aluno novo, o que dificultaria a pesquisa.

Diante do não entendimento da proposta da pesquisa e da situação era preciso dar continuidade aos contatos.

Já estava em vista o contato com uma professora de classe especial de uma escola da zona leste. Após explicar qual era a proposta da pesquisa, combinamos um encontro na sua atual escola junto com a diretora, pois havia sido remanejada com alguns de seus alunos. Conversei com a diretora enquanto a professora estava em aula e ela explicou que a sua escola, até o ano anterior, era de 1ª a 8ª série, sem classe especial e tinha passado a ser só de CB, 3ª, 4ª série e classe especial. Estava com um número bem maior de crianças pequenas e a dinâmica da escola estava muito diferente.

Explicou ainda que pelo fato da classe especial ser fruto do remanejamento não tinha seu arquivo morto, mas receberia das escolas anteriores das crianças o prontuário e o histórico das atuais crianças da classe especial. Estas eram provenientes, na sua grande maioria, de duas escolas da região, resultado da extinção da classe especial em uma das escolas e do fechamento e transferência de uma sala para outra.

A diretora disse que, diante do que eu havia colocado como intenção de pesquisa, achava que na sua unidade escolar seria inviável realizá-la, mas que se colocava à disposição para entrar em contato com as outras escolas. Na conversa com a professora da classe especial, esta relatou o histórico de cada criança de sua sala, além de sua trajetória como professora e o porque acabou se especializando no ensino especial. (Ao longo da pesquisa este foi o único contato mantido com uma professora de classe especial). Durante a conversa comentei a conclusão que eu havia chegado com a diretora e ela passou o telefone de duas escolas da região em que havia dado aula, sendo que uma só tinha o arquivo morto e a outra ainda tinha uma classe especial e o arquivo morto.

Entrei em contato com essas duas escolas indicadas, sendo que em uma o diretor estava com o pé quebrado e só voltaria após uma semana, no mínimo, e na outra o diretor permanecia o dia inteiro na escola e eu poderia ir a qualquer hora. Fui

até essa escola em que era possível conversar com o diretor, porém ele alegou que estava muito ocupado e marcou um outro dia.

Retornei conforme o combinado. Iniciamos a conversa (em pé na secretaria). Ele queria saber para que era o meu estágio na classe especial. Retomei toda a proposta da pesquisa, que eu já havia relatado pelo telefone e pessoalmente. Expliquei que eu precisaria do arquivo morto e de algumas orientações da secretária, considerando que era ela que o organizava.

Neste momento o diretor ficou exaltado, falava alto e batia na mesa, que não suportava mais trabalhar em escola, pois todo mundo só quer tirar e ninguém dá nada, reclamou das mudanças estabelecidas pela Secretaria de Educação, da falta de funcionários, da insatisfação dos professores... e ainda mais eu queria entrar no meio dessa situação caótica. Disse que era impossível eu fazer minha pesquisa porque a secretária estava sozinha, sem nenhuma ajuda e, para completar, ela tinha que fazer uns 600 históricos de alunos para mandar para as escolas, além de organizar os outros quase 300 que iria receber.

Afirmei que minha intenção não era nem um pouco tumultuar ou atrapalhar a vida das escolas, que eu reconhecia o quanto é difícil para os funcionários trabalharem em condições precárias, mas que acreditava na minha proposta de pesquisa, inclusive para ajudar a entender uma parte de todo esse caos e, por isso, eu não iria deixar de tentar encontrar uma escola disponível para o meu trabalho.

O diretor pediu desculpas por ter se alterado tanto, mas contou que estava muito cansado de tudo, que só tinha problemas na escola. Disse que de forma alguma estava questionando o valor do meu trabalho e começou a contar como o arquivo morto havia sido organizado. A sua escola é fruto da junção de outras três nos anos 60 e 70, o arquivo não está separado pelas escolas, segue o número de registro escolar dos alunos e tem um grande número de prontuários.

Coloquei que eu já tinha uma certa noção das dificuldades, reafirmei que não pretendia atrapalhar o andamento da escola e, considerando o que ele estava me colocando, realmente pelas condições de secretaria ficava difícil. Ele concordou e disse que a escola estaria à disposição a partir do final de maio quando todos os históricos deveriam estar em ordem. Combinei que se eu não conseguisse outra unidade escolar eu voltaria a procurá-los.

Quando foi dado início à primeira fase de coleta dos dados, 4 escolas tinham sido contatadas em 7 visitas entre meados de fevereiro e final de março de 1996.

3.5 Contatos iniciais e caracterização das escolas pesquisadas