3 Metode og data
4.4 Møter med det norske samfunn
4.4.1 Norskhet
estratégia cultural voltada para a expressão artística, que, servindo-se do ímpeto
associativo ligado às artes que se iniciara décadas antes, começa a delinear-se por
iniciativa e intervenção do poder local a partir do final da década de 80. O actual
vereador com o pelouro da cultura, José Bastos, afirma que «(…) depois da valorização
do património, e da regeneração urbana, aquilo que se entendeu é que Guimarães não
podia ficar a viver daquilo que era o seu passado, e tinha de fazer uma aposta naquilo
que é a contemporaneidade ou o futuro» (Anexo 7, 84). O município encontra nas artes
performativas, e especificamente no teatro, um motor privilegiado para alavancar este
projecto cultural e artístico de Guimarães
13. Referindo-se a esta fase inicial - princípio
dos anos 90 - o actual director artístico e encenador do Teatro Oficina, Marcos
13 A própria figura de Gil Vicente (c. 1465 — c. 1536) é acarinhada pela cidade devido à crença e
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Barbosa
14, afirma que «(…) é sobretudo o teatro que empurra para essa ideia: a criação
artística traz força à cidade, e vitalidade. (…) Falava-se sobre o teatro, estava a provocar
a cidade» (Anexo 9, 106).
Efectivamente, verifica-se, ao longo deste segmento cronológico que se propõe
considerar, o crescimento exponencial do número de novos espaços de apresentação
performativa na cidade. Com o encerramento do Teatro Jordão (equipamento privado),
em 1994, a cidade passa a apresentar um mapa praticamente inexistente de auditórios e
salas de espectáculo
15. Esta carência virá a ser colmatada no decorrer dos anos
seguintes, por iniciativa do poder político e de outros agentes, com a progressiva
abertura de novas salas de espectáculo em Guimarães. Em menos de 20 anos, a cidade
passará a ter um total de onze espaços de apresentação performativa, com que conta
ainda hoje
16.
A tradição teatral em Guimarães fora alimentada pelas associações culturais da
cidade desde meados do século XX. Tanto o Círculo de Arte e Recreio, fundado em
1939, como a associação Convívio, fundada em 1961, tiveram os seus grupos amadores
de expressão teatral
17. Em 1987, por iniciativa da CMG, é organizada a primeira edição
dos Festivais Gil Vicente, passando o evento a ocorrer anualmente – e ininterruptamente
– até à actualidade.
Quando em 1991 a CMG abre inscrições para um workshop de expressão
dramática, a organização é surpreendida por um número superior a 600 interessados
entre a população local
18. Para dar resposta a tamanho entusiasmo e vontade de
envolvimento da comunidade, o projecto é consolidado num grupo denominado Oficina
Dramaturgia e Interpretação Teatral (ODIT), cuja gestão é entregue à cooperativa
municipal A Oficina – Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimarães (Oficina),
14 Durante a fase de revisão deste trabalho, foi anunciado que as funções de Marcos Barbosa como
director artístico do Teatro Oficina irão cessar em Janeiro de 2017; João Pedro Vaz passará a ser o novo director artístico da companhia. [https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/joao-pedro-vaz-vai-dirigir- o-teatro-oficina-em-guimaraes-1744108] (consulta realizada em 16/09/2016).
15 Excluem-se desta consideração os espaços das associações culturais da cidade, e a própria via pública
(privilegiada durante os meses de Verão).
16 Em meados dos anos 90, a blackbox do Espaço Oficina; em 1995, o Auditório da UM (492 lugares); em
2001, o Multiusos de Guimarães (10.000 lugares); em 2005, o pequeno e o grande auditório do CCVF (200 e 800 lugares, respectivamente); em 2007, a reabertura do privado S. Mamede Centro de Artes e Espectáculos (600 lugares); e, no âmbito da CEC (entre 2011 e 2012), as blackboxs do CIAJG, da Fábrica ASA e do CAAA.
17 Destaque para o Teatro de Ensaio Raul Brandão, do Centro de Arte e Recreio, fundado em 1959. 18
Na entrevista a José Bastos (Anexo 7, 91). Na entrevista a Marcos Barbosa, o número de inscritos é referido como 700 (Anexo 9, 105).
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constituída formalmente dois anos antes, e que até então se focara essencialmente nas
artes tradicionais e no artesanato. Para abarcar um leque mais diversificado de
interesses, o projecto alarga a sua actuação de forma a incluir na programação as áreas
do vídeo, da fotografia, da escultura e da dança. «
Ficamos muito satisfeitos quando os
desafios que nós fazemos nos trazem problemas, o que significa que foi bem feito e que
teve algum tipo de reacção. A seguir temos de reagir a essa reacção» (Anexo 7, 92),
afirma José Bastos.
Efectivamente, era constituída formalmente em 1989 a cooperativa Oficina,
tendo por cooperante principal a CMG: originalmente focada nas artes tradicionais e no
artesanato, com particular destaque para a revitalização e valorização do bordado de
Guimarães, a Oficina passará a incluir na sua esfera de intervenção, a partir dos anos 90,
as artes performativas. Progressivamente, esta cooperativa municipal virá a ser
encarregue da produção de um número crescente de eventos culturais da cidade.
Retomaremos adiante o papel fundamental que a cooperativa Oficina foi assumindo no
projecto cultural de Guimarães.
Em 1994, na sequência do desenvolvimento da ODIT, autonomiza-se uma
companhia semiprofissional de teatro, por sua vez também incorporada na estrutura da
Oficina: o projecto, denominado Teatro Oficina (TO), conta com Moncho Rodriguez
como primeiro encenador. Esta estrutura aloca a sua actividade no Espaço Oficina, um
rés-do-chão localizado nas traseiras de uma das avenidas da cidade, equipado sob a
forma de uma blackbox. Marcos Barbosa, director artístico do TO de 2008 em diante,
defende que «o que aconteceu em Guimarães nessa fase [a partir de 1994], a forma
sustentada como isto foi crescendo… [foi amparada pelo] Guimarães Jazz e o Teatro
Oficina. (…) Mais o património, a história. Sobretudo o Teatro Oficina foi fazendo um
caminho para a criação contemporânea» (Anexo 9, 106).
Na área da música, destacam-se dois eventos particularmente marcantes. Em
1990, a associação Convívio organiza a primeira edição dos Encontros da Primavera,
um festival anual de música erudita. O projecto deriva num segundo evento que ocorre a
par deste a partir de 1997, os Cursos Internacionais de Música de Guimarães. Até ao
ano 2000, a directora artística de ambos os projectos é Helena Sá e Costa (1913-2006).
A partir de 2001, estes dois eventos passam a ser co-produzidos pela CMG, vindo a
partir de 2006 a ser fundidos num só acontecimento. Outro exemplo que marca o
panorama musical da cidade é o do Guimarães Jazz (festival internacional), cuja
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