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Islâmica) por GÉNERO 2016

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lusófonos, tendem a apresentar uma menor discrepância entre sexos no quadro da população residente em Portugal, o que se deve ao reagrupamento familiar das populações lusófonas em território nacional, facilitada pelas condições de cidadania e legalidade comparativamente com os imigrantes de países em que não existe laço colonial. Este equilíbrio na distribuição de género nas populações de Moçambique e da Guiné-Bissau deve-se também ao fator-tempo de permanência longo e consequente sedentarização e coesão familiar.

A população estrangeira de países muçulmanos varia na sua tendência de género, de acordo com o laço histórico, como também segundo a proveniência da região do mundo e nacionalidades.

A masculinização da imigração associada às populações de cultura islâmica, não se verifica na distribuição de género dos imigrantes de tradição luso-islâmica. A população da Guiné-Bissau representa uma distribuição mais equitativa de género, comparativamente com as novas minorias islâmicas não lusófonas, verificando-se uma ligeira insinuação da presença do sexo masculino em relação ao sexo feminino. Pelo contrário, a imigração oriunda de Moçambique, o sexo feminino prevalece.

Evidencia-se assim, a partir dos dados do SEF, que a população muçulmana oriunda das antigas colónias (Moçambique e Guiné-Bissau) não apresenta discrepância entre sexos, contribuindo para o equilíbrio da distribuição de género em Portugal.

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4.5.2 - Distribuição por Género da Nova Presença Islâmica Não Lusófona, (por

Região), 2016

Gráfico 7 - Distribuição por Género da Nova Presença Islâmica Não Lusófona, (por Região), 201624

Gráfico 7 - Distribuição por Género da Nova Presença Islâmica não lusófona25

Partindo da análise gráfica, podemos analisar o perfil migratório de acordo com a proveniência, distinguindo quatro regiões do mundo: Médio Oriente, Magreb, África subsariana e Ásia.

Como analisado anteriormente, verifica-se um crescimento da população de países do Médio Oriente em território português, como o Iraque, o Irão, a Jordânia, Líbano, Palestina, Tunísia, Turquia e principalmente da Síria. No entanto, tal como verificado nos países dos PALOP, também não se coadunam no típico quadro associado às populações imigrantes de países islâmicos, pois não representam grande variação de género. Contabilizando-se 1238 mulheres e 1586 homens, oriundos da região do Médio Oriente, residentes em Portugal. A população residente da Turquia, prevalece o

24 Os países apresentados foram escolhidos pela investigadora, a partir dos dados do SEF referente às nacionalidades

residentes de países de cultura islâmica, com maior expressão em Portugal.

25 Estes valores referem-se a países de cultura islâmica significativa (Tabela 6). Não correspondem apenas à população

muçulmana oriunda destes países, incluindo também população imigrante não-muçulmana. Não estão incluídos dados de pessoas oriundas destes países que já adquiram nacionalidade portuguesa.

0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000

Africa subsariana Magreb Medio oriente Ásia Total 2016 Homens Mulheres

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sexo feminino, assim como também de alguns países das regiões do Magreb e da Ásia: Marrocos, Azerbaijão e Cazaquistão, são também nacionalidades islâmicas presentes em Portugal onde prevalece a população feminina.

As nacionalidades da região do Magreb, como a Líbia e Marroquina, não contribuem para o aumento da NPI em Portugal, mas inserem-se no grupo de países de cultura islâmica representativos de uma distribuição equitativa de género.

Pelo contrário, a maioria das nacionalidades das populações imigrantes das regiões da Ásia e África subsariana, prevalecem os imigrantes do sexo masculino. Países africanos como o Senegal têm conhecido uma diminuição de população residente em Portugal., tendo em conta as dificuldades de empregabilidade, e situação de exclusão social em que vivem muitos destes imigrantes já sedentarizados. Muitas vezes, as situações de retorno ao país de origem, passam pela estratégia das mulheres e crianças regressarem primeiro, como relata o inquirido do Senegal, 66 anos, (nº4):

“Quer voltar para o Senegal, porque aqui não tem trabalho, a mulher já foi, mas tem ajuda dos filhos que estão em Coimbra”.

Fator que, aliado à imigração laboral predominantemente masculina, também poderá estar associado, em parte, aos valores discrepantes de distribuição de género associada a estes países da África não lusófona. Na região da África subsariana, em média, a presença masculina em Portugal, representa o dobro da população feminina, nomeadamente de países como a Somália, Mali, Nigéria, Guiné-Conacri, Serra Leoa e Costa do Marfim.

Ainda assim, a distribuição por género da NPI em Portugal, é mais equitativa nas outras regiões do mundo do que na Ásia, o que se deve maioritariamente à masculinização da imigração laboral, de vínculo temporário, oriunda de países como o Bangladesh e Paquistão.

Segundo o inquérito realizado na SOLIM a um imigrante paquistanês, esta discrepância de género, também tem como causa motivos culturais islâmicos, associados à desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres:

“Woman in Paquistan don` t like internet, they don`t know how to use sites to look for jobs in Europe, that` s why they don` t look for job opportunities outside”. (Paquistão, 39 anos nº3). Também a tradicional estratégia de reagrupamento familiar, de se estabilizarem primeiro os homens e só depois virem as mulheres e os filhos, são alguns dos fatores associados à preponderância da masculinização da imigração asiática.

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Os imigrantes originários de países muçulmanos da Ásia tendem a contribuir para uma discrepância entre sexos, no entanto o Cazaquistão, Azerbaijão apresentam dados no sentido inverso. Analisou-se assim, que as características da imigração islâmica não lusófona, diferem essencialmente quando distinguimos a análise entre as quatro regiões do mundo. A saliência da masculinização da imigração de países de cultura islâmica não lusófona, da região da Ásia, (2371 mulheres e 5329 homens) e África subsariana (1127 mulheres e 2601 homens), de países como o Paquistão, Iraque, Nigéria ou Senegal, diferem dos imigrantes da região do Médio Oriente (1238 mulheres e 1586 homens) e do Magreb (1055 mulheres e 1160 homens), em que o equilíbrio da distribuição da população por género em Portugal se acentua na maioria dos países. Ou seja, a distinção entre os dois continentes, Africano e Asiático também nos possibilita comparações elucidativas, pois as nacionalidades africanas lusófonas, de Moçambique e Guiné-Bissau, acentuam as suas singularidades, distanciando-se mais do perfil dos novos imigrantes de países de cultura islâmica asiáticos do que dos novos imigrantes de países árabes (Médio Oriente e Magreb).

As novas nacionalidades islâmicas não lusófonas, revelam deste modo, outro perfil sociodemográfico, tanto na evolução da presença em Portugal, como na identidade de género, mas também ao nível geracional.

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