Phase III: Evaluating results
A.. Fish and biology links
1.4 Phase III: Evaluation of analytical results
No estudo da integração da NPI em Lisboa, apoiando-nos na nomenclatura que define Michel Oriol (Oriol, 1984, cit. In Balsa, 2014), vamos considerar um terceiro nível entre o socio histórico e o socio antropológico, que ele designa como sendo o socioinstitucional.
“É no interior deste campo socioinstitucional e seguindo as regras de composição que o estruturam, que podemos pensar as práticas e os processos de mediação. A distância estrutural entre os dois polos que se opõem, aponta para a necessidade de pensar uma instância e uma função de mediação na especificidade da situação intercultural”. (Balsa, 2014)
Vamos encontrar neste percurso a figura da mediação, numa primeira aproximação, a partir da Associações, Solidariedade Imigrante (SOLIM), e Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), no intuito de entender as dinâmicas migratórias e as relações interculturais. A análise da figura da mediação é essencial para promover a harmonia derivante do encontro entre culturas e identidades. Partindo do diálogo intercultural e inter-religioso, o conflito social poderá levar à cooperação e não obrigatoriamente à competição desencontrada (Simmel,1987), na perspetiva criativa da ação e de propostas eficazes às novas necessidades que desenham a sociedade global dos novos fluxos migratórios.
Como um dos locais de pesquisa desta dissertação, a SOLIM, está situada numa extremidade da baixa pombalina Lisboeta e é uma associação pela defesa dos direitos dos imigrantes em Portugal, de âmbito nacional e sem fins lucrativos, criada em 2001.
Visão:
“Queremos dar a palavra aos imigrantes, uma palavra autónoma e independente, para que sejamos os verdadeiros protagonistas na defesa dos nossos interesses. Queremos que todos possam exercer os seus direitos, independentemente do país de origem, da religião, da etnia e do sexo, através da luta por direitos iguais.”
74 pela autonomia financeira. Aqueles que ajudamos também ajudam a associação, associando- se e pagando as suas quotas, numa atitude de responsabilização e na criação de um sentimento de pertence.”
A SOLIM presta-lhes apoio, sempre que os procuram, sobre os seus direitos e deveres e agiliza com eles a resolução dos seus problemas documentais, laborais e outros, fazendo de todos nós parte da solução do problema e não meros assistentes, indo ao encontro das suas necessidades. Possui um espaço intercultural, participado e promovido pelos próprios, potenciando o que de mais valioso cada um transporta em si – seus saberes, cultura e experiências. Nele desenvolvem diversas atividades culturais (música, dança, poesia, contos de estórias, artes plásticas e vídeo) complementadas com a gastronomia do mundo confecionada pelos imigrantes. Pretende-se com isso: envolver as comunidades imigrantes em ações que ajudem a criar uma consciência de cidadania ativa e um sentimento de pertença, promovendo a sua participação e organização em diversas atividades, numa ótica de autonomia, responsabilização e empowerment; promover a integração social e laboral dos imigrantes e seus descendentes; combater o racismo e a xenofobia, valorizar a interculturalidade e a diversidade; promover o conhecimento por parte da sociedade portuguesa da realidade da imigração em Portugal, sensibilizando-a numa perspetiva de direitos humanos, igualdade de oportunidades e justiça social.
A Missão da SOLIM consiste, portanto, em Ações de Solidariedade, informações sobre apoio jurídico, apoio na regularização de residência, oferta de cursos de línguas, entre outros apoios sociais e culturais. (http://www.solimigrante.org/)
No caso da Mesquita Central de Lisboa, local de culto da CIL, representa os muçulmanos vindos de diversos países, com grande destaque para os imigrantes vindos da Guiné-Bissau e de Moçambique. Contudo, parece hoje ser quase um microcosmo do chamado mundo islâmico.
“Fluxos mais pequenos e movimentos migratórios individuais, durante os finais dos anos 80 e nos anos 90, incluindo migrações secundárias oriundas de França e de Espanha, levaram à reunião de muçulmanos de vários países subsarianos, norte-africanos, árabes e alguns sul- asiáticos, na mesquita central.” (Tiesler, 2000)
Atualmente, também assume um papel fulcral na integração socioeconómica dos novos imigrantes e refugiados, funcionando também como figura de mediação entre os diferentes códigos culturais, entre as minorias islâmicas e a sociedade portuguesa, facilitando o reencontro cultural e
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identitário.
A CIL foi reconhecida em 1968, (Diário do Governo, nº 83, III Série, de 6 de abril de 1968). Nessa época, as minorias muçulmanas sentiram a necessidade de formarem uma associação, onde pudessem reunir-se e principalmente fazerem as suas orações em conjunto. No entanto, só após o 25 de Abril, mais precisamente em setembro de 1977, é que a Câmara Municipal aprovou a proposta de cedência de um terreno situado na Avenida José Malhoa, para a construção de uma Mesquita.
Quando se fala de uma Comunidade Islâmica, é imperioso referir que a vertente fundamental da Comunidade é a religião, o Islão, que é professado por mais de 1.5 mil milhões de seres humanos em todo o mundo, contando-se entre eles mais de 12 milhões de pessoas de expressão portuguesa, nomeadamente de Angola, Brasil, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique Timor-Leste e Portugal. O Mundo Islâmico atual, onde se professa a Religião Islâmica, representa cerca de 1/6 da população do mundo, repartindo-se por vários grupos, a saber:
Africanos: África de Sul, (233 milhões); Árabes e. Arabizados: (303 milhões); Grupo Balcânico: (80 milhões); Chineses: 40 milhões; Grupo “Diáspora”: (30 milhões); Grupo Indostânico: (466 milhões); Indonésios e Outros (238 milhões); Golfo Pérsico: (140 milhões) Turcos: (80 milhões)
(Fonte: Site da Comunidade Islâmica de Lisboa http://www.comunidadeislamica.pt
Mesquita é o lugar de culto do Islão. “A primeira mesquita foi construída em 1982 no Laranjeiro (Comunidade Islâmica do Sul do Tejo), seguida, um ano depois, pela pequena, mas impressionante Mesquita, Aicha Siddika, em Odivelas.” (Ibidem). Em 1985, a grande Mesquita Central de Lisboa abre portas, e em 1991, foi inaugurada uma mesquita em Coimbra. Atualmente, existem em Portugal diversas mesquitas, sendo as mais conhecidas: Mesquita Central de Lisboa, Mesquita de Odivelas, Mesquita de Laranjeiro, a Mesquita de Coimbra, a Mesquita do Porto, Darul Uloom de Odivelas e a Mesquita do Bem Formoso (Mouraria).
Também há outros locais de culto e mesquitas mais pequenas, espalhados por várias zonas, perto de núcleos residenciais das populações islâmicas. Acresce assim, que mais de 10 mesquitas provisórias e locais de culto estão espalhadas no país (Tiesler, 2000).
Em 2015, foi aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa o projeto “Praça-Mouraria”, que segundo o autarca Manuel Salgado, prevê “uma mesquita que tem por objetivo servir a comunidade
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muçulmana, que já ocupa atualmente um espaço na Mouraria, com condições muito reduzidas face às suas necessidades, assim como uma sala polivalente que possibilita todo o tipo de atividades culturais. A comunidade muçulmana do Bangladesh tem enfrentado várias adversidades na utilização da Mesquita da Mouraria (localizada no Beco de São Marçal), pois encontra-se instalada num prédio destinado à habitação, não reunindo, assim, as condições necessárias para acolher mulheres para as orações". Estima-se que cerca de 600 pessoas frequentem este local de culto à sexta-feira.28
Fonte: Site da Comunidade Islâmica de Lisboa http://www.comunidadeislamica.pt