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O Cursinho da Poli, organizado pelos alunos do, sendo parte do estatuto desta agremiação, teve o início de suas atividades em 1987, com o incentivo do então diretor da Escola Politécnica, Décio Leal de Zagótis, junto à diretoria do Grêmio.

O Curso Politécnico antecedeu essa experiência, funcionando de 1950 até 1984, e também era organizado pelo Grêmio, mas possuía fins lucrativos e teve a motivação inicial de preparar alunos apenas para o ingresso na Escola Politécnica.

O objetivo do atual Cursinho da Poli é “formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade e capazes de se organizar em grupos para buscar soluções para os seus problemas”. E, ainda, de acordo com um de seus diretores: “O cursinho é um projeto político do movimento estudantil de defesa da universidade pública e da

democratização do ensino. Atualmente é uma referência para o movimento estudantil, pois inova na atuação política.” (Cursinho da Poli, nov.1999, p.6-10).

O cursinho cresceu em número de vagas na década de 1990. Iniciou suas atividades em 1987, com 60 alunos; em 1993, possuía 200; em 1996, chegou a 450; em 1999, ofereceu 850 vagas; e no ano de 2000, comportou 8.000 pessoas em suas salas de aula. Esse incremento só foi possível com mudanças nos locais onde eram ministradas as aulas. Se no início das atividades havia o incentivo do diretor da Escola Politécnica e da USP, com mudanças na direção o cursinho acabou sendo expulso das dependências da “Poli”, alojando-se por um ano no prédio de aulas da Psicologia da USP e, posteriormente, tendo de alugar sede própria e se reestruturar administrativa, financeira e pedagogicamente.

As aulas, antes oferecidas somente no período noturno, foram organizadas em períodos distintos, com turmas no matutino, vespertino, noturno e aos finais de semana, com maior aproveitamento do local e expansão das vagas.

No ano de 2000 o cursinho passou a produzir seu próprio material pedagógico. Em anos anteriores, as apostilas eram adquiridas de cursinhos comerciais e repassadas aos alunos. Essa nova fase contou com o auxílio de professores da USP no desenvolvimento da forma e do conteúdo das apostilas, que podem ser compradas por colégios, cursinhos e alunos.

Como outros espaços pedagógicos, são oferecidas: orientação vocacional, jornadas de trajetória profissional, sistema informações sobre cursos, palestras com personalidades públicas, aulas de teatro amador, e núcleo de cinema e vídeo. Com a inserção desses novos elementos – nem sempre presentes nos cursinhos comerciais – procura-se prestar um serviço de qualidade a baixo custo e também criar espaços culturais e de convivência para os vestibulandos.

O serviço social também está articulado com a proposta do pré-vestibular. Além de realizar a seleção sócio-econômica dos candidatos, ele permanece aberto durante o período letivo para auxiliar aqueles com dificuldades para arcar com as mensalidades, se locomover, pagar a taxa de inscrição dos vestibulares ou outra qualquer. As soluções incluem a discussão sobre estas serem ou não questões isoladas de cada estudante, e a promoção de atividades, como organização de festas ou pedágios para

arrecadação de dinheiro. Espera-se que o aprendizado ultrapasse a mera questão do vestibular, capacitando o aluno para enfrentar questões do dia-a-dia.

Há ainda vagas reservadas para convênios, como os estabelecidos com a Funap – Fundação de Amparo ao Preso –, para o acolhimento de detentos em regime semi- aberto que pleiteiam uma vaga na universidade, e com a Febem – Fundação para o Bem-Estar do Menor –, que visa atender adolescentes com problemas de inserção na sociedade.

O principal elemento que estimulou o crescimento do Cursinho da Poli foi a grande procura. Apenas no ano de 1999, cerca de 15.000 alunos inscreveram-se nos diversos processos seletivos realizados ao longo do ano. Esse enorme contigente de candidatos advém de uma sábia política de recrutamento, com cartazes afixados em trens de metrô, ônibus, aparições em telejornais e outras formas de publicidade diversas, que anunciam a data de inscrição.

Naquele ano, o cursinho ofereceu 850 vagas, com grande número de excluídos no processo seletivo. Por conta disso ele chegou a ser comparado a uma “pequena FUVEST” que, tal como a fundação, sobreviveria do dinheiro da inscrição de pessoas não beneficiadas pelo serviço. De certa forma a crítica foi absorvida pelo cursinho:

10.000 candidatos faziam uma prova de conhecimentos gerais. Apenas 1.250 candidatos passavam para a segunda fase, uma análise sócio-econômica. Selecionávamos por fim uma elite de 850 alunos carentes e bem informados. 9.150 jovens ficavam do lado de fora. Entre eles os mais pobres e desinformados. O seu dinheiro gasto na inscrição para a prova do cursinho pagava parte do curso dos colegas que conseguiam entrar. (O Politécnico, 08 ago. 2001, p.12)

O processo seletivo é pago. No ano de 2000 foram requeridos R$ 5,00 para a compra do manual e mais R$ 45,00 de taxa de inscrição. Há duas fases; a primeira consiste num vestibulinho cujos aprovados são em número de uma vez e meia o número de vagas. Na segunda etapa é realizado um exame sócio-econômico do estudante, no qual são exigidos uma série de documentos indicadores de renda, despesas, patrimônio e situação familiar. Após isso, o candidato ainda se submete a uma entrevista com assistentes sociais.

Sua mensalidade é a mais alta dentre os cursinhos alternativos, chegando a R$ 100,00 no ano 2000. Esse preço seria resultado da tentativa de oferecer uma aprendizagem de qualidade, com uma série de serviços além do estudo para o exame vestibular, entretanto, o valor é baixo se for comparado ao dos cursinhos comerciais. Há várias bolsas de estudo, que no ano 2000 beneficiaram um total de 1.800 estudantes, com valores que oscilam de 5 a 95% da mensalidade.

Apesar do preço alto e da concessão de bolsas, a direção alega não estar bem financeiramente; em balanço publicado, acusa-se um déficit de R$ 150.000,00 no ano de 1999 e de R$ 800.000,00 no ano de 2000. Para cobrir as despesas contou-se ainda, ao longo dos anos, com verbas da USP reservadas para projetos de extensão universitária. (O Politécnico, 08 ago. 2001)

Os professores trabalham em regime formal; muitos são profissionais da área que já tiveram vínculo empregatício em outros locais. Há também ex-alunos da USP, que iniciaram suas atividades profissionais no próprio cursinho. O serviço de plantão de dúvidas é realizado por universitários, cuja meta seria ingressar como docentes; eles nem sempre são remunerados, mas permanecem pela possibilidade de se profissionalizarem; a direção vê o plantão como uma etapa inicial de progressão na carreira.

Historicamente, o cursinho tem um bom índice de aprovação em universidades públicas, com cerca de 30% de ingressantes. Entretanto há de se ressalvar que até 1999 havia uma concorrida seleção para ser estudante. Com a grande ampliação de vagas em 2000 (que, por exemplo, superam o número de vagas oferecidas na própria USP), a qualidade média dos alunos pode ter caído e, conseqüentemente, a porcentagem de aprovação. Não há estatísticas sobre a matrícula no último ano.