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O Thema Educação iniciou suas atividades em 1998, oferecendo aulas em uma escola estadual. No ano seguinte, algumas aulas foram ministradas no salão de uma igreja e, posteriormente, transferidas para uma escola particular confessional, sempre no bairro do Tucuruvi.

A principal coordenadora do núcleo havia sido militante do movimento negro na década de 1970, onde deu aulas em uma escola de samba localizada numa favela. Após longo intervalo retomou as atividades de militante inspirada no projeto educacional da EDUCAFRO. Durante o ano de 1998 o Thema esteve vinculado à EDUCAFRO; a separação se deu no segundo semestre de 1999, devido a desavenças quanto à forma de concessão de bolsas em universidades particulares.

Suas metas são assim descritas:

a) Apoiar a formulação e implementação de políticas públicas e privadas e de ações sociais em face à desigualdade existente no País, visando a plena realização do direito ao desenvolvimento. b) Incentivar projetos educacionais e orientação vocacional para jovens e adultos excluídos, visando pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. c) Propor e apoiar políticas compensatórias que promovam, social e economicamente, a comunidade negra e estudantes de baixa renda. d) Objetiva-se nesse projeto educacional o resgate da democracia. Valorizar a essência e capacidade individual dos alunos excluídos, com fins de contribuir para o processo de democratização do Estado e da sociedade brasileira a partir da construção e expansão da cidadania. E) Desenvolver oficinas de formação e capacitação educacional, bem como cursos seminários e palestras relacionadas com a diversidade, de gênero e raça, cidadania, para professores e o coletivo do Thema f) Fomentar, estimular e dar apoio a novos projetos sociais e educacionais. (Thema, 2000(?), p.2)

Nesses objetivos transparece que a atividade do Thema não se resume ao oferecimento de aulas no curso preparatório, mas também inclui pensar outras formas de inserção do estudante negro e de baixa renda no Ensino Superior, com a discussão e proposição de políticas públicas específicas para esse fim, além de realizar um debate sobre as condições do Estado brasileiro.

O projeto procura inserir o aluno na rede de Ensino Superior e também auxiliá- lo nesta empreitada, podendo fornecer auxílio monetário àqueles que estiverem em

dificuldades no início de sua nova trajetória escolar.

A inclusão do termo “negro” junto ao nome do cursinho visa atrair esse público específico para as aulas; entretanto, no processo seletivo não é dada qualquer preferência a pessoas negras. Na concepção dos coordenadores é de responsabilidade de todos, independente de raça ou cor, discutir e agir pela igualdade na população.

A seleção dos alunos é composta do preenchimento de dois questionários e de uma prova, em que são avaliadas as condições sócio-econômicas e educacionais do candidato. Evita-se fazer uma grande divulgação da existência do cursinho; são espalhados poucos cartazes pela periferia da zona norte de São Paulo, e a principal divulgação ocorre de maneira informal, pelo “boca a boca”. Desta forma, praticamente não existem excluídos no processo de seleção, procura-se apenas afastar os que se interessam unicamente pelo baixo preço das taxas cobradas.

No primeiro ano foram 100 vagas oferecidas; depois esse número subiu para 150. Não há qualquer intenção de nova ampliação, porque se pretende um trabalho de qualidade, com a formação de agentes sociais, com a expectativa de que os alunos atuem em trabalhos sociais com os quais se identifiquem e sejam multiplicadores do trabalho de conscientização realizado no Thema. Para isso, contam com menos estudantes, esperando que a proximidade possa favorecer a reflexão e combater a exclusão educacional e cultural pela qual passa o aluno de baixa renda.

Essa posição foi inspirada no trabalho realizado na década de 1930 pela Frente Negra Brasileira, que lutou pela educação da população negra, alcançando este objetivo para uma pequena parcela de pessoas, que posteriormente vieram a se tornar lideranças do movimento negro.

Quanto à didática, é oferecida a disciplina de cidadania, na qual privilegia-se o tema do negro, sua história, condição atual, auto-estima e direitos, e também uma reflexão sobre os direitos do cidadão. Neste segundo ponto, há a leitura da Constituição Federal da República Federativa do Brasil e da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

São oferecidos também orientação vocacional, qualificação profissional, ensino de idiomas e plantão de dúvidas. As disciplinas regulares são matemática, português, redação, história e geografia (geral e do Brasil), física, química, biologia e cidadania.

todos voluntários. Sua formação é variada, predominando estudantes universitários e alunos do próprio cursinho que dominem uma disciplina. O cursinho recebe apoio do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da USP, que organiza professores e espaços para as aulas de química e biologia.

Procurando ser uma alternativa para estudantes de baixa renda, a mensalidade não é superior a 10% do salário mínimo, quantia utilizada para cobrir os custos com o transporte dos professores, lanche e material pedagógico. Com vistas a suprir dificuldades financeiras do Thema, a associação foi registrada em cartório unicamente com o objetivo de receber doações, fato que ainda não ocorreu.

No ano de 2000, trinta e oito estudantes realizaram os exames para universidades estaduais paulistas; destes, oito foram aprovados – quatro na USP, sendo um em Pedagogia, dois em História e outro em Engenharia; três na UNESP, sendo dois em Geografia e outro em Pedagogia; e na UNICAMP ocorreu uma aprovação em Pedagogia, resultando em 21% de sucesso. Foram ainda registrados ingressos em instituições particulares.